domingo, 10 de julho de 2011

Espaço Museológico do Prof. Arnaldo Silva em Torre de Moncorvo

PARABÉNS!!!!
O seu espaço Museológico fez dois anos no sábado, não pude estar presente, acredito estar para o ano!
Autorizou-me a divulgar-lo...
Últimas reportagens:
http://www.fotonucleodourosuperior.net/
http://videos.sapo.pt/QDmNz96w405EVowzZRJK
http://noticiasdonordesteultimas.blogspot.com/2011/04/torre-de-moncorvo-projecto-de-arquivo.html

Roidinha de inveja....eheheh
Tanto que adorava assim ter um...Nem espaço, muito menos peças.
Glória maior à sua audácia, coragem , luta e visão.Só possível em gente de fibra,iniciativa, muita vontade, querer e determinação.
Grande homem, com "H" GRANDE
Arnaldo Silva e linda família que tem. Bem hajam pelo que todos juntos conseguiram!

Não posso deixar de referir que este mundo bloguista tem-me dado muitas alegrias e riqueza de conhecimento.
Antes o escrevi, e continuo a escrever,por aqui encontrei os melhores amigos da minha vida, incrível depois dos cinquenta, apesar de saber que nem sempre se pode agradar a todos, seja pelo jeito da escrita,da amostragem temática, não deixa de ser um conhecimento virtual da nossa personalidade, que muitos agoiram ser mais aberta, realista,noutros manhosa, falaciosa,irreverente, uma e outra sendo desprovida do conhecimento real pode de quando em vez ser geradora de equívocos. Mesmo assim, não me posso queixar, tal a diversidade de pessoas que travei amizade,idades e culturas diferentes da minha. Uma mais valia que não me canso de referir.
Bem hajam a todos por continuarem a visitar e a ensinar!
Um dos últimos amigos um Prof do ensino Básico, casado com um casal de filhos, lindíssimos, amante de fotografia por terras de Moncorvo.

Na verdade este seu espaço foi o culminar de um sonho com muitos anos. Sem ajudas, a não ser da sua mulher e filhos.

No seu dizer..."Aprecio a sua coleção de faiança e toda a sua pesquisa. Eu inicio esta
empreitada após a retirada de milhares de fragmentos encontrados no
meu espaço museológico em Torre de Moncorvo, Bragança. Das peças de
1580 até finais do Séc. XVIII, já vou dominando as características. As
mais recentes até 1950 ainda não percebo nada. E digo esta data porque
os fragmentos encontrados estavam sob uma placa colocada por cima de
um antigo quintal na referida data."

Trecho de um dos seus emails" vou continuar a chateá-la com esta minha nova aventura na faiança. Tenho visto o seu blog, e reparei que me chamou de amigo de Moncorvo e que nos visitava no Verão. Fiquei tão feliz..."

Deleitem-se com alguns exemplares sem qualquer ordem...
Algumas peças
Taça provavelmente de faiança Coimbrã,século XX, estampilhada,rebordo com cordão de pérolas em azul claro.Uma peça delicada. Nas últimas feiras andam duas peças do mesmo formato atribuídas a Coimbra, muito raras por serem de modelagem mais refinada, elegante que as palanganas, século XIX.
Prato com decoração a três contas na aba e no centro flores e espiral fechada. Pintado a azul claro, vinoso e manganês. Faiança de Coimbra, século XVIII?
De textura grosseira,malegueira se apresentar no tardoz buraquinhos e esmalte arrepiado. Nunca tinha visto exemplares de Coimbra com espirais fechadas, só abertas até à semana passada que na feira de Oeiras comprei uma palangana assim, pequena ratinho.
Malga com filete azul por dentro atribuída ao fabrico de uma fábrica do norte, talvez Gaia.
Fragmento prato covo, textura grosseira com flor ao centro em azul. Possivelmente faiança de Olivares, Espanha ou loiça conventual.
Fragmento de uma travessa, esmalte branco, apresenta uma bela marca no tardoz que desconheço e não vi no livro de José Queiroz
Fragmento de prato, massa grosseira,decoração com 3 contas em azul cobalto, azul claro e manganês, espiral fechada ao centro. Será Coimbra, século XVIII?
Belo exemplar de um prato com arabescos e folhagens pintado a um tom de azul claro.
Não conheço o tardoz, seria fácil atribuir este exemplar a Coimbra, pré ratinho do Brioso? ou do tempo que veio um pintor espanhol trabalhar para Coimbra e claro trouxe influências. século XVII?
Será este belo exemplar faiança Coimbra ou espanhola?
Só analisando a peça ao vivo.Carateristica desta loiça, esmalte branco láteo, que ao vivo reconheço bem.
No Museu de Arte Antiga existe um prato igual, apresenta no conjunto incluido um animal junto ao "olho" atribuído a faiança espanhola, será Talavera de la Reina?
Parte de um prato,textura grosseira.
Motivo de decoração tipo aranhões, faltando-lhe as pernas enroladas em caracol? Decoração a vinoso,no filete da aba e no corpo dos aranhões, apresenta tracinhos em fila, espiral ao centro fechada?, círculos à volta do prato em azul claro.
Estilo barroco.Será faiança pré ratinho,século XVII?
Prato em faiança portuguesa,fabrico atribuível a Lisboa.Pintado a azul e manganês sobre branco,tarja da aba rocaille, volutas ou enrolamentos em bandas concêntricas de decoração barroca,no centro falcoeiro,falcão e paisagem estilizada, leva a acreditar que seja do final do séc. XVII ou inícios do séc. XVIII, comparando-o com vários exemplares do Museu Nacional de Arte Antiga e patentes na obra Faiança Portuguesa, Roteiro Museu Nacional de Arte Antiga, Instituto Português de Museus, 2005.
Sendo que estes fragmentos foram encontrados em Torre de Moncorvo, lugar estratégico no norte do país,onde tanto aparecia faiança do norte, Coimbra e espanhola, o que facilmente se evidencia pelas recolhas já elaboradas e outras em jeito disso.
Sendo a faiança do norte a de maior número encontrada,loiça de uso comum, pratos rasos, sopa e malgas, pelo que me apercebi, o que é perfeitamente natural.

Mais uns trechos...

"Há tempos falou-me que retirava os cacos dos quintais na sua aldeia. Há dias, em Lamego, num terreno de familiares encontrei várias centenas . E que bonitos...

Está a despertar em mim esta paixão."

" e, depois de ler as postagens no seu blog, acredito imenso na sua irreverência. É uma mulher de armas."

"Está convidada e traga amigos e familiares.Sinto também a sua alegria ao ver os meus cacos. Este novo projecto está-me a dar tanto, mas tanto saber. Algum dia eu suporia aprender estas coisas? Sou-lhe franco, não. Mas agora, já tomei esta área como
o meu melhor passatempo."

Caro Arnaldo, eu é que agradeço de coração ter entrado em contato comigo e em ter partilhado as suas pesquisas.Jamais esquecerei o mérito, o empenho, sei que é corajoso e obstinado, será do signo Touro?

O bom amigo Arnaldo Silva ficou estarrecido...

"Grande post. Descritivo, real e emotivo. Só de quem organiza as ideias com clareza e sentido estético. Está muito bom,também com os comentários, agradeço desde já os parabéns que me foram endereçados".
Faz ainda uma alusão ao comentário da IF..."Gostei do comentário da sua amiga de Mogadouro. Terra de Trindade Coelho. Tenho um amigo historiador que recebeu, há dias, uma grande colecção de fotos dele de 1986. Uma relíquia. Um outro mostrou-me cartas do pai dele. Por estas bandas ainda nos vamos entusiasmando com estas evidências."

terça-feira, 21 de junho de 2011

Faiança de Miragaia (?) motivo cantão popular

  Travessa cantão popular de Miragaia século XIX (?)
Quando a comprei apresentava por dentro uma falha no vidrado a toda a volta, julgo estaria arrumada com outra mais pequena que ao encaixar, e mais utilizada durante anos a fio sempre no retirar e arrumar de novo a  danificou no vidrado ficando a de baixo, a minha  esbeiçada sem esmalte algum, a toda a volta,  ficando à mostra o barro branco levemente amarelado. Restaurei-a.
Tardoz da travessa oitavada de esmalte brilhante  branca de pasta homogénea.


A distorção do desenho original Cantão com as pontes que delas aqui fizeram barcos sendo que a de baixo leva dois remadores com remos debaixo dos braços. 



A forma das cúpulas das torres, o suposto salgueiro de cinco ramos ladeado por uma árvore tipo estilizada muito desenhada neste motivo a norte além das duas portas no casario  com as ombreiras curvas dão a sensação de "olhos com sobrancelhas".

Visível nos cantos nervuras ou vincos na massa, esmalte branco translúcido atribuído a  Miragaia.



Prato em motivo Cantão Popular numa variante que diria "Contemporânea" apresenta esmalte melado que irradia beleza do azul do motivo, pode ser fabrico final de Miragaia(?)






As diversas variantes portuguesas designadas por " Cantão Popular " não são mais do que variantes do Cantão da Companhia das Índias, mais tarde por influência da loiça inglesa, vários motivos, sendo o motivo Willow  pattern, o padrão do salgueiro muito pintado, surgido em Inglaterra no século XVIII como suposta transposição de um motivo chinês ilustrativo de uma lenda amorosa que alegadamente lhe estava associada, apresenta por sua vez inúmeras variantes, tal como o nosso Cantão Popular, que Sacavém produziu na Real Fábrica e depois mais tarde com o modelo Chorão


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ainda voltando a falar de penicos...

Vou de férias até aos Algarves.
Deu-me uma vontade de vos deixar novos exemplares de faiança escatológica, termo que aprendi com a seguidora assídua Maria Andrade, a quem endereço um beijinho especial pela grande aprendizagem que com ela tenho adquirido. Bem haja, hoje e sempre.
Apeteceu-me deixar a pensar os demais...ser ou não ser Coimbra, Cavaco, Juncal ou...
Vim carregada da feira da ladra com mais dois penicos...

Estes dois muito parecidos com outros dois que já tenho.
Ligeiras diferenças.

Rebordo do pé largo, duas riscas azuis no bojo e no rebordo, barro vermelho.
Evidente a massa malegueira com buracos tal como em muitos ratinhos, que a pintura não adere.
Há partida seria fácil atribuir todos a fabrico de Coimbra (?).
Acontece que o circulo da base, o pé, nuns é bastante largo e noutros mais estreito e um ainda mediano.Também o rebordo do bocal nuns é muito airoso, elegante,enquanto noutros é quase talhado a direito sem rebordo saliente.
Também as riscas tem tonalidade diferente. Umas azul cobalto, outras azul claro e outro com duas riscas uma maior que a outra.

Uns são de argila branca e outros vermelha.
As asas são iguais com um pormenor no final uma dedada que o oleiro fazia para colar a mesma ao penico.
O penico de flores que não está postado aqui tem a asa diferente e esse não tenho dúvidas de ser de Coimbra.Veio de herança da casa dos avós do meu marido onde a loiça era praticamente toda de Coimbra e Aveiro. No entanto haviam mais 3 penicos bejes mais pequenos de massa malegueira.
Apenas um deles apresenta um esmalte lateo anilado que faz lembrar a pintura de Cavaco, postado no

leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.com/2011/05/penico-cavaco.

Fácil é entender que serão de épocas diferentes.
É sabido que as tinas de tinta seria feita talvez por aprendizes que nem sempre respeitariam a dose dos produtos, o que induz a tentação de de acreditar que sejam efetivamente todos de Coimbra, mesmo.No século XIX haviam 14 fábricas em laboração 7 de barro branco e igual número de barro vermelho.

Na feira não resisti a trazer este, apesar de lhe faltar um pedacinho no rebordo que vou restaurar.Igualzinho ao que tenho dúvidas se será Cavaco, um nadita menos anilado, igual ao da Maria Andrade.
Depois de outras pesquisas pode aventar-se que de fato é produção norte, possivelmente SAVP(?)

Comprado na feira da ladra .O sarro que tirei com o esfregão de arame...Ofereci-o á minha amiga Isabel Saraiva, para lhe dar sorte no casório.


Este que postei à dias de todos o mais anilado, no resto igual a este que lhe falta um pedacinho. A foto aqui ao meio de propósito para se comparar.


No mesmo dia encontrei outro  meio escondido entre carros...o vendedor apressou-se a dizer que era de Coimbra e com muita certeza.

Visualização do fundo, o friso da base é mais larga do que o penico a seguir e mais pequena dos de Coimbra postados à dias.

Vão servir de decoração num qualquer espaço...
A Maria Andrade tem um igual a estes de risca azul e um com flores que não engana ser Cavaco.
http://artelivrosevelharias.blogspot.com/2011/04/faiancas-e-porcelanas-escatologicas.
Atrevo-me a pedir que quando tiver um tempinho se fotografa o fundo dos seus e acrescenta no seu post para comparação.

Este penico é semelhante a outros que tenho. O esmalte é mais translúcido e asa é lisa
Sobretudo o Cavaco, estou curiosa.Muito obrigada, e desculpe o desafio.
O LuísY alvitrou no seu post que tinha visto uma imagem muito idêntica num catalogo de faiança do Juncal.Uma coisa é certa no Juncal só se trabalhava barros brancos que até iam de barco para o Porto e Lisboa embarcavam na Figueira da Foz, e estes exemplares mais torneados, elegantes são todos de barro branco.
Ajudem-me!
Prometo que não volto a faianças escatológicas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Rouca a broca manual para fazer "Gatos" nas faianças

Por sorte na feira da Costa vi este exemplar, pediram-me 10€, ainda era cedo o vendedor arrumava o estaminé, queria estrear-se, ofereceu-ma por 5€, mas não quis. Dei meia volta, convenci os meus que adorava ter a peça, tive a sorte da minha filha também a ter apreciado, voltei, e trouxe-a orgulhosa de braço dado... não fosse a rouca furar o que não devia...
Perguntei a sua origem, um hábito que gosto. Disse-me veio tudo da Covilhã.(balança de madeira, camita de bebé em ferro e...
Ultimamente nas feiras já vi 3  roucas manuais de furar faiança deste tipo.
Esta rouca mais moderna, o fuso torneado à máquina, as que se encontram ainda à venda que comprei para o meu amigo Arnaldo Silva
Contudo todas mais modernas, torneadas a torno, mais recentes, feitas em marcenaria.
A 1ª era enorme na feira da Costa. Linda para estar num Museu.
Curiosamente as outras duas no mesmo vendedor, alentejano, mais pequenas uma logo a vendeu, ainda andará com a outra?
Como se põe a trabalhar. A peça para furar emana um movimento giratório fantástico que lhe é conferido pelo cordel que tem o segredo. Dá-se meia volta ao pau ao mesmo tempo que se impulsa a haste de madeira que está a atravessar, fletindo para baixo e cima. Obriga a rouca a girar, no caso a furar.
Desde miúda que me fascina este tipo de utensílio.Acredito deve ter um nome caraterístico. Ainda vou investigar falando com algumas pessoas mais velhas.
Usado por amoladores galegos na raia e grandes cidades. Na província era feita pelos amoladores que faziam os trabalhos à porta do freguês.
Nos meados dos anos 60 havia um homem maltrapilho,vivia de fazer trabalhos avulso, "gatos" nas faianças, arranjava varetas nos chapéus e amolava(afiava) facas e tesouras.
O meu marido também se lembra do seu avô paterno fazer os furinhos e pôr os gatos nas bacias, pratos de faiança. A sua broca manual era diferente desta. Lembra-se que a broca enrolada a uma cordel atado ás mãos, fazia um impulso em jeito de arco com água para ajudar a furar, claro que antes para não resvalar o furo por causa do vidrado fazia com um furador o inicio do buraco que depois era alargado e mais profundo com a broca.Usavam uma cola resistente ao quente e frio à base de clara de ovo.

Mote que me fez recordar uma lengalenga passada nesse tempo entre a minha avó materna e a minha mãe.

Perguntava a minha mãe à minha avó
" Oh mãe, o Pelaralho veio cá  pôr os gatos no alguidar?"
Responde a minha avó
" Veio, veio-,o filho da puta levou-me vinte cinco mé réis.
Retorquiu a minha mãe
" há pois, vinte cinco mé réis e o cu cheio de vinho..."
Apressa-se a responder a minha avó
"Não filha -,hoje o cu foi mal cheio, porque tinha cá pouco para lhe dar..."

Não resisti a rescreve-la no meu livro de memórias.
Esta rouca é muito interessante pela antiguidade.
O fuso em redondo foi talhado " à unha" isto é a canivete, tal como os africanos o fazem na sua arte de esculpir a madeira. Nota-se que a peça de madeira ao meio é mais nova do que o fuso e o pau que nele enfia.Trazia uma corda em plástico azul.O meu marido limpou a peça, colou o pau que estava partido, mudou a corda deu-lhe um novo ar mais adequado à época.
O tardoz de uma travessa em faiança de Coimbra. Podem ver-se os furinhos  feitos com uma peça do género apresentado ( broca)  e alguns "gatos" de ferro.

Sonho em pô-la no espaço que penso abrir...Não digo mais nada!
Por enquanto está na parede da minha sala. 
O habitual homem  que percorria as ruas para arranjar as varetas dos chapéus de chuva, afiar facas e tesouras e claro pôr gatos na loiça partida

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Guarda joías da fábrica Constância


Fiquei fascinada com a decoração da tampa.
Comprei-a na feira da ladra por 5 €.
Só a tampa está partida e colada.
Falta ainda dar um jeitinho na pintura que enchi a falha com massa.


Guarda jóias da fábrica Constância.Esta fábrica lançou-se sobre as bases lançadas pela Companhia fabril de Louça fundada em 1836, na cerca de Nª Sª dos Remédios, Convento dos Marianos em Lisboa que laborou até 1842, que nesta data se passou a designar Companhia Constãncia que sob esta firma produziu até 1881.
Em laboração até meados do século XX. Com períodos áureos de grandes pintores.
Adoro a assinatura a manganês, e ainda as iniciais AA.
Segundo a seguidora Maria Andrade
" este tipo de decoração foi usada nos anos 40 e 50 do séc. XX, muito marcados pelo nacionalismo do Estado Novo, com a cruz de Cristo e a nau a lembrarem os feitos gloriosos do tempo das descobertas.
Estas peças que evocam alguma história são sempre muito interessantes e mais facilmente datáveis."
Encantei-me pela vela com a cruz dos templários.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Prato de faiança de Miragaia (?)

Comprei este prato na feira de Algés.Banca no chão, estrategicamente posto a um canto, sozinho , uma técnica para chamar a atenção.
Adorei o prato pela cor  monocromática a azul cobalto e aguada azul claro . Decoração do rebordo  floral em estampilhado. Interessante constatar o fabrico em série , no caso se nota muito bem a ligação da estampagem a stencil,  ingénua e atabalhoada, ornado no rebordo da aba a filete azul , igual a contornar o covo seguido de outro largo numa tonalidade mais clara. 
Ao centro uma jarra florida em azul cobalto tal como na estampa da aba.

  • Tardoz do prato esmalte branco reporta para fabrico  norte,  Miragaia (?).


Deixei o arame feito à medida, apenas o envernizei com verniz. 
Curiosamente tenho alguns pratos com estas aranhas feitas manualmente, acho-as uma delícia. Muito porque a altura que foram feitas, ainda não se vivia em globalização, o conhecimento era escasso e mesmo assim a forma, a ideia e o material foi passado de terra em terra ainda se encontram nas mais variadas peças e regiões. 
Fico estupefacta com estes saberes antigos e a forma como eram transmitidos.
  • Atribuir o seu fabrico  ao norte com certeza -, Miragaia (?) a  não estar marcado, dos finais do século XIX.
  • Atendi ao esmalte branco ao azul cobalto e ao azul claro e à decoração do motivo central minuciosa quer da jarra quer das flores.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Travessa em faiança Devezas, Pereira Valente ou Miragaia (?)

Comprei esta linda travessa quinada ou oitavada, na feira de Algés.
Motivo casario-, cópia do inglês Roselle  que foi largamente pintado por Vilar de Mouros e nesta cor.
 
  • Faiança homogénea, translúcida, e pintura mais fina pode ser fabrico de Miragaia que pintou também em rosa. De esmalte branco lembra Devezas e Fábrica Pereira Valente, por isso a grande dúvida na atribuição, mas norte concerteza!
O vendedor sempre com espólios encaixotados. Demoradamente tira as peças, mal as desenrola já tem vendedores à sua volta para as comprar a bom preço e revender.
O ajudante o Sr Marinheiro, alcunha ou nome de família vai fazendo as vendas das coisas mais baratas ou por atacado. Discutem sempre, ou porque não ouviu bem o preço ou porque atendeu alguém e havia outra pessoa que queria a mesma peça e ainda as mulheres junto ao estaminé não desgrudam nem os homens na expetativa de ver o que sai do caixote, vi saírem lampiões em latão com 3 metros de altura, lindos e...
Desta vez apeteceu-me furar a barreira, ainda vem que fui persistente, porque o meu marido já nem pára e eu sem carteira a chamar por ele...
Vi dois pratões azuis de Coimbra, aprecei um deles pediu-me 50€, dei uma volta à feira, voltei, perguntei de novo, aos dois fazia 75€. Deu-me o mote para espiar o chão e atrever-me a perguntar o preço desta travessa em muito mau estado, cheia de cola de contato amarela sujissima, pelo preço nem pestanejei.
Em casa com água quente lavei-a e tirei o excesso de cola. Ficou linda.
Debruada a esponjados toda sob o mesmo tom rosa, arabescos,motivo central uma casa de telhado inclinado com a bandeira no topo ladeada de árvores ramagens em esponjado ligeiramente inclinadas como desde o século XVI também se pintaram em Coimbra.

Tardoz da travessa. Esmalte polido branco e brilhante.

Enquadrei-a na parede da sala.Claro,tive de retirar bonitos pratos. 
Na net num site de leilões encontrei este prato com o mesmo desenho e a mesma cor atribuído a Coimbra (?)
  • Aliás a folhagem da travessa e do prato são semelhantes o que aventa terem saído da mesma fábrica, apesar de terem sido obras de pintores diferentes, visível no rodapé.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Penico em faiança de Coimbra ou SAVP (?)

Apreçava um grande prato de Coimbra caríssimo, quando vi aos pés da cigana o penico.
Tudo na banca era caro. Mas tive de o trazer. A sua elegância e o formato em tudo mais pequeno e belo em relação a outros que tenho, fascinaram-me. O casal de ciganos na sua primeira vez na capital, trazidos por um rapaz bonitão meu conhecido há anos , em tempos andou de parceria com uma holandesa mais velha até ao dia que se chatearam, ela ainda por cá andou sozinha até que desapareceu...
Achei o penico uma gracinha e a manta de tear antiga toda branca que comprei nesse dia .
Supostamente fabrico de Coimbra ou norte de SAVP (?) atendendo ao formato gracioso, frete, elaboração elegante do rebordo, asa, e pelo anilado do esmalte, porque o azul cobalto foi vastamente pintado por outras fábricas.
Nas escavações recentes no recinto da fábrica de Santo António do Vale da Piedade em Gaia, puseram a descoberto fragmentos com estes motivos decorativos de riscas, que ajudam a catalogar com mais certeza as peças.Sendo este azul cobalto muito usado. As peças antes do esmalte passavam por um banho rosado, depois o esmalte, que se não se tiver atenção julga-se que o fabrico foi com barro vermelho, e não foi.

sábado, 14 de maio de 2011

Faiança de Coimbra ou OAL (?)

Comprei esta travessa na feira da ladra.
Instinto o olhar para o panal no chão, um homem agachado na escolha de fotografias antigas e a pô-las na travessa.
Gosto em particular deste tipo de pintura, meio tinta e esponjados.Muito ingénua.
  • Travessa quinada, textura grosseira motivo central : tricana de Coimbra e arvoredo em esponjados - nunca antes tinha visto outra com uma figura, só paisagens e flores. Não a podia deixar ficar.
No imediato lembrei-me de em miúda ir a Coimbra com a minha mãe, de as ver ainda nas margens do Mondego com canastras, também em estatuetas, de cântaro na anca ladeadas com o estudante de capa e batina.
Fabrico atribuído aos finais do século XIX, as bordaduras em série de estampagem só por volta de 1854 entraram na pintura de faiança em Portugal.


Tardoz gateado . Visível furos de anterior gateamento mais pequeno.
Esmalte brilhante.

O esmalte translúcido e a pintura central se confundem na atribuição a fabrico de Coimbra - só a cor do azul mais escura se assemelha a Alcobaça .
  • No Museu Machado de Castro existe uma muito parecida atribuída a Coimbra.
É muito difícil distinguir loiça de Coimbra e de José Reis quando pintou na cidade antes de rumar a Alcobaça -, por serem tão semelhantes.


Esta taça evidencia fabrico de Coimbra pela pintura e cor  e textura fina da pasta. 
No tardoz ao centro um esborratado que me  parece estar escrito OAL(?)...
  • Por isso continuo com dúvidas em relação há duas peças!
  • Coimbra ou Alcobaça!

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...