quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fábrica Carvalhinho, Cavaquinho ou Miragaia (?)

Apresento este prato numa cor algo forte da minha amiga Isa Saraiva - numa tonalidade ocre com estampagem floral em  rosa pálido e verde . Apresenta filetes finos no limite do bojo e do rebordo a castanho.
  • Há mais de um ano, continuadamente me interrogo qual a origem do seu fabrico.
Corroboro o comentário do meu bom amigo Jorge Saraiva da Oficina da Formiga no meio cerâmico há mais de 20 anos  
"  uma peça algo diferente, para mim, ainda suspeitei que fosse decalque, mas não me parece, está muito bem pintado e a cor base da peça parece ser dada pela cor da pasta, pois o vidrado parece transparente e tem uma óptima qualidade. Aliás, qualidade em todos os aspectos, na conformação, na pasta, no vidrado, na pintura e até na cozedura. Para os meios existente à época, diria perfeito."
  • No 25 de abril na visita que fiz ao Museu de Arte Antiga reparei num prato atribuído à Fábrica Carvalhinho que me chamou a atenção pelas semelhanças quer no vidrado quer até na decoração, embora pintado à mão .A foto é a possível, porque o flash não desligou e deveria!
  • Transcrevo o comentário de um anónimo mui atento e conhecedor desta temática  "O prato que aqui apresenta como sendo da Fábrica do Carvalhinho, pertencendo às coleções de faiança do Museu de Arte Antiga, trata-se de um exemplar de finais do século XVIII, saído da Fábrica do Cavaquinho, uma unidade que iniciou a sua laboração no último quartel do século XVIII, através de uma sociedade onde Domingos Vandelli  tomou parte ativa."

  •  Ora o  prato da minha amiga é pintado a estampa que só foi introduzida em Portugal em meados do século XIX.
Sabe-se que Vandelli saiu do Rossio de Santa Clara em Coimbra onde pintou faiança , mais tarde rumou a  Gaia onde comprou a fábrica Cavaquinho, muito perto haveria mais tarde ser fundada em meados do século XIX a fábrica do Carvalhinho.
  •  A inspiração e a criatividade do Vandelli  a meu ver prevaleceu no tempo e com isso outro pintor igualmente criativo o tentou imitar num esmalte fora do comum (?).
Vandelli um químico trazido pelo Marquês de Pombal para a Universidade de Coimbra .
  •  Destacou-se mais em pinturas naturalistas e retratos ao centro, inventou o azul claro, o verde ervilha, o amarelinho( até então só se usava o ocre) quem sabe se também o dourado e o preto.
  • Atribuíram-se por muito tempo a Vandelli as faianças de Brioso, sem base alguma que justificasse tal atribuição...as louças de Vandelli nada vieram a ter de comum com as de Brioso. Nunca chegaram à beleza de formas e à perfeição decorativa que o Brioso soube imprimir aos seus produtos segundo especialistas.
Além das qualidades apontadas, estas faianças diferençam-se das daquele técnico italiano pelo anilado da vidragem, que algumas vezes vai quase ao valor de meia-tinta, e que, nas peças somente decoradas a azul, atinge quase a classificação francesa de «ton sur ton».


O famoso ceramista Brioso em Coimbra, cuja obra continua ainda actualmente a despertar o maior interesse entre os críticos e coleccionadores, só viria a ser «descoberto», no entanto, mais de um século depois pelo ceramógrafo António Augusto Gonçalves, o primeiro a chamar a atenção para o grande valor artístico das suas faianças.Uma das raras peças assinada por Brioso em 1779, considerada uma das melhores, diz respeito a uma esplêndida travessa com a borda decorada em relevo branco, contornado a castanho-arroxeado sob esmalte azulado, cujo fundo tem uma caçada a cores.
  • Os esmaltes de Vandelli diferem daqueles pela cor láctea e por serem de mais perfeita homogeneidade.
  • O castanho-avinhado que decora as peças de Vandelli é mais intenso do que o empregue por Brioso.
  • Informação retirada há muito tempo da internet que por lapso não recolhi a fonte  mas julgo ser na página do Museu de Arte Antiga(?) e devia!
Será o prato da minha amiga da fábrica Carvalhinho, Cavaquinho ou Miragaia ... -, quase uma certeza julgo será do norte resultado de uma qualquer experiência ?!

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...