terça-feira, 28 de maio de 2019

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no norte - torre com cúpula ou adoçada a casario, desconhecendo qual o monumento que foi inspiração. No local foi construído há 500 anos uma igreja e um palácio por ordem de D. Miguel da Silva por artista italiano teria vindo com ele quando deixou Roma onde era  embaixador e  na urgência a ser chamado por D. João III a Portugal que o colocou  Bispo em Viseu  e abade do mosteiro de Santo Tirso. 
Forte de S. João Baptista também conhecido como Castelo de São João da Foz, construído a rodear o palácio e a capela mor onde sobressai a cúpula da igreja.
 Vista do palácio de D. Miguel da Silva
Corpo da igreja e ao fundo a capela mor com cúpula
Após a restauração de 1640 o receio de invasão espanhola foi decidido neste local fazer um forte, tendo sido destruído a abóbada do corpo da igreja ficando apenas a capela mor com a sua bela cúpula - onde  se correlaciona a pintura da faiança que dizemos do norte nas fábricas de Gaia - Fábrica Cavaquinho 1775- Santo António do Vale da Piedade 1785- Afurada 1789- Fábrica da Rasa 1806 - Fábrica das Regadas 1811 - Fervença 1824 etc e Fábricas do Porto - Massarelos 1764- Miragaia, 1775 ,segundo o estudo do meu bom amigo Dr Edgar Vigário publicado em 
https://www.academia.edu/17487186/Dois_s%C3%A9culos_de_faian%C3%A7a_portuguesa
Nos últimos anos tenho feito aprendizado a despertar para investigação de raiz histórica, assim que  ouvi o nome - D. Miguel da Silva filho dos Condes de Portalegre em o associar na sua linhagem a parentesco com Ansião e vilas dos arrabaldes,  facto extraordinário, antes nunca explorado, a marcar a brutal e grande diferença de historiadores e investigadores afirmados, em prol de autodidatas, quiçá mais apaixonados e de entrega a estas causas em lhes fazer correlação, e sem modéstia orgulho e vaidade de o dizer, pese sem peneiras! É notável. Além de coragem, é preciso enfrentar o medo de errar e de comentários menos abonatórios, nada que me impeça de continuar!
Na família de D. Miguel da Silva, entre os seus tios e primos paternos encontramos essencialmente Alcaides e Senhores de uma nobreza de província na faixa nascente do Alentejo - Portalegre, Alter do Chão, Elvas, Campo Maior, e Beiras - na região centro- Senhorio de Abiul do tempo dos Silva/Coutinho e depois Telo/Menezes a Rui Mendes de Vasconcelos,  Senhor de Figueiró dos Vinhos e Pedro de Sousa Ribeiro de Vasconcelos, alcaide-mor de Pombal, cuja família teve um solar em Santiago da Guarda, em Ansião, hoje Complexo da Casa Senhorial dos Condes de Castelo Melhor, que em 1955 ainda existia a parede de ligação à torre medieval com o brasão da família e depois derrubada, em levantar o véu da minha investigação sobre os parentes próximos nobres com Ansião...
Santiago da Guarda em Ansião
Fotos gentilmente cedidas pelo meu bom amigo JCMarques do Avelar referente ao inventário artístico de Matos Sequeira de 1955 com o portal encimado pelo brasão e inscrição no lintel.
Em baixo já com a parede derrubada, e hoje na requalificação ostenta um portão de ferro moderno- em que a DGPC na sua classificação em monumento nacional se tivesse lido o inventário artístico bem poderia ter equacionado a reposição da fachada com replica do brasão e do pilarete, em  mais se aproximar do que foi no passado...Uma questão de visão na preservação do património!
Faiança portuguesa nas mais variantes demonstrações da capela mor da que foi a  igreja do paço de D Miguel da Silva (Menezes)
Cúpula no forte de S.João Baptista no Porto a inspiração na faiança nortenha, vaidosa por descobrir a motivação inspiradora ao motivo retratado na faiança a que acresce a ligação a ter sido um ilustre nobre parente de Ansião com ligação ainda à  Quinta das Lagoas no tempo que foi pertença da família Noronha. 
Prato de grande dimensão veio do Porto
Aparece a torre com cúpula adoçada a casario, logo me despertou para saber a que monumento se referia, debalde só alguns anos com o programa se esclareceu a dúvida.Nunca tive dúvida que era produção do norte pela pintura a cheio da folhagem entre outros pormenores pintado na altura da guerra liberal, ao tempo por ali  deserto, temos de nos abstrair d'hoje para entender como o era para aparecerem animais em que se acresce a ingenuidade dos pintores, uns melhores que outros, mas todos a pintar esta cúpula da capela mor da igreja do palácio de D. Miguel da Silva, conhecido pelo forte de S. João Baptista.
A segunda aquisição de um prato de grande dimensão que encontrei no Pinhal Novo, apresenta decoração quase abstracta 
Destaca-se a cúpula, um homem com um animal e ao meio o portal.Miragaia?
Portal actual de acesso ao forte
Terceira aquisição num antiquário de Lisboa, disse-me que a "Floribela" tinha levado outro igual... com a capela mor em pintura muito ingénua. Produção Miragaia?


Encontrei esta travessa muito mal tratada em Coimbra, há anos tinha visto outra impecável na Caparica, mas muito cara, julgava ser produção de Coimbra do tempo de Domingos Vandelli, debalde pelo barro e motivo é norte e tem a mesma cúpula com o términos.Teria sido produção da sua fábrica Carvalhinho depois que se  mudou de Coimbra onde os franceses lhe arrasaram a fábrica do Rocio de Santa Clara.
 A última aquisição foi vendida em Estremoz, será produção de Miragaia?
Mais uma achega histórica na ligação  às Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança, a partilhar conhecimento e cultura na interligação de gente nobre onde Saber é Poder pela grande lacuna e  contínua falta de mais se indagar em gente com ganho de honorários  em licenciatura especializada debalde rara produtividade que se assinale de valia!Faz pensar!

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Terrina graciosa do norte da Fábrica Carvalhinho ?u Gaia?

Pequena terrina sem tampa, graciosa apresenta substanciais diferenças no apelo à sua graciosidade - a cor do esmalte azulada em detrimento da habitual em branco.
A  decoração com um ramo floral ao centro do bojo, meticulosa de traço fino delicado a reportar artista sensível e asas de extrema elegância. As cores a predominar - azul, verde água e amarelo.
 O pé com dois filetes - um fino  amarelo e outro mais grosso em verde.
 As assas o elemento mais atractivo em azul e verde
Pela tonalidade do barro usada em cor rosado, é produção de Gaia, do norte e pela decoração fina provavelmente da Fábrica Carvalhinho antes de ser comprada por Domingos Vandelli (?)
À primeira impressão pode-se alvitrar fabrico de Estremoz, Miragaia do tempo de Rocha Soares,  ou Darque - Viana do Castelo.
Verossímil afirmar que se trata de produção do norte. O pormenor das folhas a duas cores - azul e verde, o traço fino e o traçado nos caules junto da flor que encontro noutras peças e ainda o pormenor da graciosidade da asa a reportar para a fábrica que Domingos Vandelli comprou em Gaia- apor achar estes pormenores lhe sejam cunho do que deixou em Coimbra (?).
O esmalte é bom, apresenta ligeiro arrepiado de matérias plásticas do barro vermelho.
Seguramente atribuída aos finais do séc XIX. Pois imagino como seria a tampa e a pega...

Malga no motivo cantão popular produção do norte- Gaia.

Malga grande em faiança no motivo Cantão popular pintada em monocromia em azul. 
 O pormenor do enchimento a cheio da folhagem reporta para produção do norte - Gaia.
 Como o pormenor do filete ao limite do bordo no interior.
E o pé, o formato e a cor que transparece do barro - amarelado, a indiciar do tempo que era exportado de Lisboa para as melhores fábricas de Gaia.
Esmalte craquelê, caracteristica em determinada época do século XIX, a data provável a atribuir a esta malga.
Vai fazer parelha com outra mui semelhante, de diâmetro mais pequeno na minha coleção desta decoração apaixonante - o cantão popular nas suas mais hilariantes demonstrações de criatividade.

Copianço da produção de Sacavém da Fábrica Cesol de Coimbra

Ao longo dos anos compras gurdadas por falta de espaço sem ser o tópico deste prato mas por a minha coleção contemplar pratos sopeiros com a barra em verde- da cor do meu Sporting- ainda assim tenho uns 2 ou 3 com cores diferentes com dois exemplares que fui encontrar em local improvável, e trouxe um para destabilizar a coleção e gostei dessa arbitrariedade tirando um raso em verde...
Prato da Fabrica Cesol de Coimbra no copianço da decoração da Fábrica de Sacavém ,  fez parte da Exposição Mundial em Lisboa em 1940 - encomenda de Salazar a retratar o pão com as espigas relevadas na aba com  motivos tradicionais de Portugal , ilhas da Madeira e Açores e Colónias Ultramarinas.
O prato apresenta um tradicional moinho alto a reportar para os Açores, assim o identifico (?) em S Miguel entrei dentro de um transformado em habitação, embora enquadrado na paisagem com uma casa e riacho onde se pavoneia um cisne.. em detrimento do mar que devia ser na paisagem...
Pintado em policromia, a barra em rosa e o motivo central amarelo e castanho avermelhado em franco contraste amistoso, que lhe dá graciosidade.
 Marcado - Cesol
 Nunca foi usado!
 Provavel datação década de 40/50 do séc. XX.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Bonecas em posição de ginástica da Fábrica de Sacavém

Tinha 3 miniaturas de bonecas mui graciosas que há anos me foram ofertadas sem saber a sua origem. Comprei mais uma com o rosto ainda mais bonito, mas sem qualquer marca e as antigas assinadas S- seguida de um número.
A marca S evidencia produção da Fábrica de Sacavém.
 Em posições airosas de ginástica com cabelo ruivo, e cara laroca. Uma graça as bonecas.
 Umas tem resto de es malte verde na cara...em que as ultimas, uma vendi tem a cara limpa

Pela idade da pessoa que me as ofertou tem de ter mais de 80 anos, serão anos 40?

Faiança José dos Reis de Alcobaça

Um belo prato em faiança de José Reis de Alcobaça.
Não engana. Só conhecedores a não passar despercebido na arte em o descobrir...
Em cor monocromática de uma pedra caracteristica na região depois de triturada dada várias tonalidades desde o mais escuro a este rosado.
A decoração toma todo o bojo do prato  no lago  um cisne e arvoredo fino, devem ser palmeiras esguias ao lado a tradicional árvore em esponjado sobre rodapé também em esponjado.
 Tardoz
Esmalte amarelado
  A beleza do seu esponjado no arvoredo
Impecável, mais um prato em faiança para a minha coleção. Pintado à mão em finais do século XIX.

sábado, 9 de março de 2019

Lenço em seda em homenagem ao toureiro a pé Manuel dos Santos

Segundo a Wikipedia 
Manuel dos Santos nasceu em Lisboa em 1925 onde faleceu em 1973, foi um matador de touros.O mais consagrado toureiro a pé português, recebeu o nome do avô, o bandarilheiro Manuel dos Santos «Passarito», que o criou na Golegã.O ambiente da terra, a influência de familiares ligados à arte de tourear e a existência de várias ganadarias na região, fizeram com que se apresentasse em público muito jovem. A estreia ocorreu na Chamusca em 1941 tinha Manuel dos Santos apenas 13 anos, apenas de uma vacada, mas despertou a atenção do bandarilheiro amador  Patrício Cecílio que instou o jovem a vir aprender a arte em sua casa e tornou-se o seu mestre e o jovem aprendiz de toureiro o mais destacado elemento da chamada Escola de Toureio da Golegã.
Lenço de seda em homenagem a Manuel dos Santos
O tempo deu espaço para as traças atacarem na seda e claro - está estragado!
Ainda assim o comprei pelas cores, pela seda, que era de qualidade e sobretudo pela emoção, a lembrança deste toureiro que conheci e vi actuar e na televisão. 

No ano de 1950 Manuel dos Santos é o mais solicitado matador do mundo, liderando o escalafón dessa temporada. Chega a um patamar até hoje nunca alcançado por outro toureiro a pé de nacionalidade portuguesa. 
Cantava Amália Rodrigues no filme Sangue Toureiro«Touros e só/ Não há nada/ Que uma toirada com mais emoção!/ Não há festa com mais cor/ Que mais fale ao coração!»
A celebridade não impediu Manuel dos Santos de ser preso em 1951, ao exercer, a 3 de junho desse ano, a função de matador no Campo Pequeno. Nessa noturna, encerrou a estoque a lide do Ribatejano, da ganadaria Assunção Coimbra, tendo sido o primeiro matador português a fazê-lo numa praça portuguesa, sem autorização legal, depois de decretada a proibição de matar o touro em público. Passou a noite na prisão, de onde saiu mediante o pagamento de uma caução, e acabou por ser absolvido no julgamento que se seguiu.Toureiro raçudo, mas com estilo, inventou a dossantina, um novo passo de muleta. 
Algumas cornadas violentas e duas operações a meniscos provocaram, em  1953, a sua retirada das arenas. A 25 de fevereiro de 1954 casou, no México, com Dª Gloria Elena Díez, de quem teve um filho, o dr. Manuel Jorge Díez dos Santos, médico veterinário na região de Tomar e empresário agrícola, de serviços e eventos, que lhe viria a dar duas lindas netas (Madalena e Diana) e um neto, mais outro Manuel Jorge dos Santos, os quais o matador porém nunca chegou a conhecer, por ter morrido demasiado cedo.
Sendo o amor aos touros inevitável, regressou em 1960. Embora com menor frequência, atou até 1972 em algumas corridas e em festivais de beneficência. Nunca deixou de estar ligado à festa: explorou a Sociedade Campo Pequeno e outras praças do país; criou a Ganadaria Porto Alto, no distrito de Santarém.
Em Espanha foi distinguido como cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica. Em Portugal seria agraciado com o grau de comendador da Ordem de Benemerência e, a título póstumo, com a  Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas.
Manuel dos Santos sofreu em 17 de fevereiro de 1973 um acidente de viação na reta do Bombel, em Vendas Novas, quando regressava de uma visita à sua ganadaria. Viajavam no mesmo automóvel o filho do toureiro, Manuel Jorge; o moço de estoques, Manolo Escudero; e o maioral da ganadaria, Manuel Francisco Piteira Dias. Manolo Escudero teve morte imediata, O matador viria a falecer um dia depois do acidente, em  18 de fevereiro de 1973 no quarto n.º 36 do Hospital Particular de Lisboa.

Está sepultado no cemitério da Golegã. Depois do 25 de abril a minha mãe presenteava-nos com a feira da Golegã, deixava o carro precisamente na frente do cemitério e uma vez entramos para ver a campa, quase na frente, a imagem que recordo. Era um homem elegante, bonito, com muito estilo a tourear que cheguei a conhecer na Praça do Campo Pequeno em finais da década de 60 no  Campo Pequeno, a minha mãe veio fazer um concurso a Lisboa e o meu pai levou-nos a mim e à minha irmã à tourada, um hábito mais na região centro - Figueira da Foz, Tomar, Golegã e Abiul.

Para não se perderem as memórias do passado!

Copo para beber Vin Bravais presente na exposição mundial de Paris em 1900

Encontrei um pequeno  tesouro em Setúbal numa banca que trazia um recheio de Lisboa. 
Graças à ajuda do meu Santo Protector jamais deixou de me iluminar, mas sinto nada me ajuda de mão beijada ou fácil, a maior parte das vezes bem me faz sofrer sem eu me dar conta dá mezinha, debalde aborrecida sem sempre na altura valorizo -  o caso d'hoje um desânimo, em  reverso boas compras, também recebi e também ofertei. 
Partilho um pequeno copo em fino cristal, na net dizem baccarat, mas não está marcado com nervuras do final do séc XIX  e encaixe rendilhado prateado com a marca cinzelada Vin Bravais .
Um vinho licoroso francês,"medicinal" para combater a anemia, raquitismo e os nervos. 
Este vinho foi apresentado na Exposição Universal de Paris em 1900 com o povo respectivo.
Para amantes do vidro  com estórias e história!

 

O meu exemplar
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Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...