domingo, 22 de julho de 2012

Faiança de S. Miguel nos Açores

A olaria insular será tão antiga quanto a vida humana nas ilhas - nada mais elementar - o fabrico de loiça utilitária.Do tempo quinhentista existem relatos dos pedidos de legalização de oleiros para exercício da profissão.A maioria das olarias encontram-se na Ilha de S. Miguel, Terceira e Santa Maria :
                                 
                                            Em S. Miguel existiram 3 centros oleiros

Foi preciso deslocar-me a Torre de Moncorvo a casa dos meus bons amigos Prof Arnaldo Silva e esposa Ilda para catalogar esta faiança  que desconhecia , no pior não dei a importância que merece - 1º porque é rara, só agora tem aparecido com frequência - por não estar assinada, só entendia ser diferente no esmalte, no frete e na decoração - assinadas comprei há tempos dois vasos asados - tenho noutra casa, por serem muito decorativos, julgo mais recentes. 
                                                   
                                         Cortesia destes amigos  transmontanos

Prazer  neste espaço poder aqui mostrar as suas peças - tinham imensas, penicos, terrinas, infusas... por razões várias não puderam trazer da ilha no regresso da sua estada a trabalho. Achei importante aqui fazer esta amostragem para os amantes de faiança.
Já aqui referi - curiosamente andam algumas peças destas iguais nas feiras...
Faiança dos Açores
Lagoa  - onde se produzia a típica loiça de faiança.Recebi amavelmente um comentário  que passo a transcrever:
" Se me permite, gostaria de informar que a Cerâmica Vieira, fundada em 1862 por um natural de Vila Nova de Gaia e ceramista de profissão, continua em laboração e está sedeada em Lagoa, Ilha de São Miguel, sendo propriedade da 5ª geração da família que lhe deu o nome. Acrescente-se, que tem um Museu onde se podem admirar muitas das peças ali produzidas ao longo da sua centenária existência, sendo que uma das atuais proprietárias, Manuela Vieira"

Potes com tampa esmaltados por fora e por dentro. 
O maior com a pintura de um  porco - símbolo a meu ver do produto aqui guardado - pelo tamanho seria  -TORRESMOS - os mais pequenos BANHA.
Tantos nomes para a mesma peça - Esqueci-me de perguntar o nome dado na ilha



Infusa e caneca
 Tirei as fotos em cima de uma carpete em trapologia igualmente dos Açores.

Vila Franca do Campo - fabricava-se loiça vermelha tosca
               
 Duas taças de fazer a massa da broa (crescente)

3º Centro oleiro - Bandejo na freguesia da Ribeira Seca no concelho da Ribeira Grande.
Aqui não sei que tipo de faiança foi produzida...talvez esta que mostro a seguir cujo esmalte parece grés - mais rugosa à mão(?) 

Malga de barro vermelho - o vidrado rugoso tipo grés, pintura forte - seca sem brilho. Curiosamente comprei há muito tempo uma tacinha com duas asas graciosas , flor ao centro e filete no rebordo a imitar louça conventual - o grés e a cor forte em tudo idêntica a esta - por não conseguir decifrar a marca, julguei ser estrangeira - a vendi julgo em Tomar, e não devia!
malga
Floreiras - Ofereceu-me uma a da direita. A 1ª esmalte amarelado  - Lagoa - a outra tipo grez possivelmente de dois centros oleiros distintos.
floreiras
Recolhendo alguma informação deleitei-me com um estudo monográfico  sendo que o nome  - Dra Isabel Fernandes - ilustre estudiosa em faiança do mais alto gabarito dá um interessante testemunho sobre esta loiça excerto " vê nesta faiança aspectos singulares que a distinguem tecnicamente de outras produções do Continente. O seu encanto e a sua individualidade encontra-se, por um lado em serem peças de paredes espessas e de esmalte em que muitas vezes a quantidade de chumbo é superior ao normal o que torna a camada vítrea mais translúcida e amarelada, logo menos branca (...) e, por outro lado, pela beleza dos desenhos com temáticas muito próprias e dados em pinceladas vigorosas ou  com recurso à técnica de estampilhagem".

http://repositorio.ul.pt/bitstream

                                          - Cortesia do colega António Palminha -
Entrei na feira de Algés e deparei-me com uma banca cheia de loiça dos Açores!
Mui amavelmente me deixou fotografar as peças trazidas de lá recentemente - disse vender muito bem.

Pote; infusa; caneco;malgas e escarradeiras
Julgo a Maria Andrade tem uma escarradeira igual à mais pequena  semelhante na cor e vidrado(?)
Fiquei embasbacada com a amostragem - deveria ter trazido comigo uma escarradeira - uma das minhas peças favoritas e no caso amei o pote...se não fossem as prioridades...
Curiosamente foi este prato que me despertou há coisa de 2 a 3 meses para esta pesquisa,  quando lhe perguntei de onde tinha vindo, respondeu " de um Monte alentejano com outras peças em cobre lindas"...os alguidares tinham sido hoje  vendidos logo de manhãzinha- nunca vistos em formato de alguidar boca larga  enormes - esqueci-me de perguntar a sua função.
De imediato reconheci não ser fabrico português. Palpitou-me espanhol...agora sei que é faiança de LAGOA - AÇORES
Também tenho uma carpete em trapologia típica açoriana
Hoje  na mesma feira tive um mais pequeno na mão sem tampa pintado em tons pastel com filetes ao centro  - colado no rebordo do bojo com  grande defeito de fabrico no corpo bojudo  - para mim fazia-me 20€, dizia ser Coimbra... pior dizia que o vendia por 50€...também hoje vi na mesma feira duas jarras art decó  afuniladas na base e abertura mais larga sendo todo o corpo pintado a filetes laranja e vermelho - assinadas. 

Termino como comecei -  vasos com pegas assinados: Vieira - S. Miguel
Boião antigo 20cm altur. 18cm diam.
cortesia do OLX com tampa 
  • O MEU SEM TAMPA custou-me 1 € em Setúbal
Em tempos comprei este pratinho pintado a amarelo torrado e arabescos vermelhos na aba - apresentava muitos arrepiados na massa - sem marca - vendi-o na feira de Torres Novas -  sem saber que se tratava de loiça açoriana
 

Termino com oiro com esta bela peça

 


domingo, 8 de julho de 2012

Bules de caldo - Bicas - Caneca de doentes

Fainça: Bules de caldo - Bicas - Bicado ou Caneca de doentes
                                 

A mesma peça em três variantes:colocação da asa e abertura .

 Cortesia: Peças da minha amiga homónima que levei à feira .
Estas peças baixaram tanto....mas tanto, assim como estão ainda rendem no total ( 3) -  500€...
Há 25 anos comprei um - que me custou 45 cts...225€

Lindas, me fascinam desde que vi a primeira há 32 anos em casa de um familiar - dou conta do amigo JSaraiva que no seu comentário sempre muito a propósito e didático diz "  Pois uma vez mais acho fantástico o que os mestres de antigamente faziam e estas peças são prova disso, quanto ao valor, claro se fosse eu a comprar custava um pouco mas se fosse a vender acharia muito pouco, são autenticas relíquias e fizeram parte de um passado recente da vida humana."

Se fossem minhas, julgo jamais as venderia ... acreditem se pudesse já as tinha em minha casa!
Mas cada um sabe das suas prioridades!
Peças de coleção - só famílias com posses as compravam  - por isso não seria um fabrico em série como outras peças mais do uso comum.
Faiança de Coimbra
Pintura em estampa floral em policromia a vermelho ornada a filete fino em azul debaixo do rebordo e a cheio no bico, na aba degolada da caneca irradia um conjunto de folhas de igual tom, ainda filetes no limite do rebordo, e abaixo deste em amarelo ocre no pé.
Atribuição a finais do século XIX(?).

Peça  ligeiramente maior que a anterior. Com a a particularidade de ser diferente - a posição da  asa é de lado - igual a esta em branco aparece no filme - O paciente inglês - a enfermeira a dar o caldo ao enfermo na tenda...
Faiança de Coimbra


O bico encontra-se mutilado com restauro. Na última foto pode ver-se o pormenor de relevo na massa que orla o bico e lhe confere uma graciosidade. Pintura policroma em estampa na tampa e abaixo no bojo em vermelho  e lágrimas em azul, filete igual no contorno da caneca degolada, duplos abaixo da tampa,  e acima do pé, o bico com pintura por baixo tipo lágrima. Asa elegante com recortes  de relevo impressos  na massa.Debaixo do bico esponjado a azul.
Atribuição a finais do século XIX(?).

Peço desculpa pela qualidade das fotos - tiradas na feira e foram as últimas - a máquina avariou!


                                                  Faiança de Miragaia
 Igual formato da anterior no pormenor da colocação da asa em relação ao bico -( julgo era moldado com o dedo)  muito graciosa a tampa degolada de recorte curvilíneo, sendo ao centro mais pronunciado.
Pintura azul em estampa e esponjados cobrem a peça, o bico com pintura esponjada que termina em jeito de chama na ponta e no início, a asa com espinha azul.
No bojo foi restaurada.
Peça mais recente do que as anteriores início século XX (?).
Fiquei com esta para a minha coleção.
Semelhança na decoração nesta pequena taça com o fundo a terminar em forma de bico ao centro daí a atribuição a fabrico de Miragaia





quarta-feira, 4 de julho de 2012

Faiança de fabrico de Coimbra ou Vilar de Mouros (?)

Hoje apresento dois exemplares  já postados anteriormente a que juntei um terceiro.
  • Prato  com ligeiro covo e aba levantada em massa malegueira fabrico início século XX (?). Esmalte cor de grão ornado ao centro por filete em amarelo em círculo - igual tom na bordadura da aba, representada por  ramos com cerejas .
Comprado na feira de Azeitão, era da avó da senhora que nele fazia o requeijão da zona da Beira alta. 
  •  No 1º impacto foi fácil a atribuição a fabrico de Coimbra (?) por apresentar cacterísticas de loiça "ratinho"(massa grosseira com buraquinhos).
  • Pintado com ramos de cereja a estampilha .




Sobre este belo prato - já falei dele - acho muita semelhança com o anterior.


Oferta do LuísY
  • Textura da massa, esmalte, filetes em amarelo e decoração ingénua parece pintura naif .
  • Apresentam a mesma decoração em círculos  ao centro em ocre, igual o filete no rebordo. As cerejas na Beira - o maior produtor e as flores serão das cerejeiras. A grega em azul cobalto é uma caraterística desta loiça à época.
  • Parecem ser uma produção do séc XX anos 20(?). 
  • Fica a dúvida se os dois pratos serão de Coimbra ou Vilar de Mouros, última fase?
Na feira das Caldas da Felgueira encontrei na banca do Vasco este pratinho com decoração semelhante ao postado acima -, só que noutras cores, em barro vermelho sendo o outro em barro amarelado. Os escorridos do esmalte no tardoz são exemplificativo de fabrico de Coimbra tal como a grega da decoração.
  • A 1ª vez que analisei o prato atribui o fabrico a Coimbra (?), sendo que fiquei com dúvidas se acaso não seria norte de fábrica insustrial.
Um grande fascínio - o mayor  - da faiança para mim - é ao admira-la incessantemente tentar descobrir a sua origem(?)...grande loucura  - não receio mudar de opinião - sou flexível tal como a faiança sem marca...Mas que me dá gozo, isso é inegável!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Outra vez os esponjados

Já aqui foi referido pelo JSaraiva que o   esponjado era uma decoração rápida de fazer, duas filagens e uma esponja a trabalhar no meio.Apesar da sua simplicidade - a técnica do esponjado é sempre para mim muito apreciada - realmente os esponjados marcaram uma época, os efeitos conseguidos são fantásticos e curiosos. Era um processo de decoração rápida e os clientes necessitavam de louça (pois não havia da mais barata e esta era vendida nas feiras).
Ainda e sómente o Jorge Saraiva...."Conto-lhe um segredo, os efeitos eram conseguidos com esponja do mar, que depois de molhadas facilmente se molda conforme se quiser."
Pratinho em faiança pintado a esponjado séptia. Ligeiro covo com arrepiado na aba quando foi ao forno cozer. Início século XX, uma forte possibilidade o seu fabrico ser atribuído a Coimbra - pelo esmalte, tamanho e tonalidade..

PRATINHO SÉPTIA


Prato em esponjado  manganês  - filete em circulo ao centro, e no rebordo de igual tom - herança de família será o mais antigo dos apresentados -século XIX. Veja-se o tardoz  em massa malegueira grosseira com buraquinhos .

O MESMO MOTIVO - FÁBRICAS DIFERENTES?
Prato em esponjado azul  - exala um vidrado excepcional e o centro branco lácteo - o que baralha a origem do seu fabrico -  género Talaverra , poderá ser Coimbra, do tempo que por cá esteve um pintor espanhol que veio de lá. Igualmente pode ser da fábrica que viria a ser a OAL do Raul da Bernarda-produziu peças com esmalte lácteo, e igualmente brilhante. A talhe de conversa quando o vi pela 1º vez numa feira da Linha do Estoril , o vendedor andava com uma travessa empenada - para mim fazia-se luz as duas peças serem fabrico de Coimbra - pedia caro . Passou-se o tempo, deixei de o ver e passados mais de 2 meses encontrei-o de novo, ainda as tinha, agora a um preço quase dado...não hesitei...seguramente vieram da mesma casa. Um dia destes vou postar a travessa que tal como o prato tenho as mesmas dúvidas - Coimbra ou OAL .A decoração é igual ao anterior apenas difere no tamanho do círculo ao centro, sendo que o filete da bordadura é tipo cobalto. Apresenta um arrepiado na aba quando foi a cozer.
COIMBRA OU OAL ?
Quanto ao tardoz é o único prato que tenho cujo frete não é cortado à cana como é vulgar na faiança - antes parece molde em redondo.
A DIFERENÇA NOS TARDOZ
Outro prato em esponjado a azul bastante usado, gatos no tardoz, esponjados em azul, ornado a filete do mesmo tom no centro e na bordadura. Esmalte branco. Comprei-o na feira de Montemor o Novo a uma colega das Caldas.O seu fabrico...analisando o branco e brilho do esmalte e a largura do frete atribuiria a Coimbra -ou, será José Reis de Alcobaça?


  COIMBRA  ou  JOSÉ REIS?




                                                                 Tampa de terrina
Pintada a esponjados e casario, ornada a filete azul.Falta-lhe a pega. A foto não está nas melhores condições. Fabrico de Coimbra - vejam-se as diferenças: os esponjados identificam as árvores e ramos em relação à foto pintada na OAL.

Tampa comprada na feira da Figueira da Foz
  Nesta os esponjados não identificam árvores caraterísticas nesta estampa de casario nem tem o filete a contornar a tampa.
Terrina pintada à estampa, 1921 por Raul da Bernarda
Colecção Jorge Pereira de Sampaio

                    Termino a apresentação com faiança perfeitamente identificável  catalogada de Aveiro
O será, ou será Corticeira(?)
 Prato com 2 técnicas de esponjados: esponjas e círculos a vermelho  feitos com uma rolha.

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...