quarta-feira, 6 de junho de 2012

Faiança de Darque Viana (?)

Prato covo em faiança  com 25,5 cm de diâmetro atribuído ao final do século XIX com pintura polícroma.
Florões a azul cobalto e amarelo ocre na barra sob filete em amarelo canário e filete vinoso no rebordo.Ao centro flor em verde ornada a filamentos em amarelo canário com a particularidade de em baixo o raminho se fechar . À volta do motivo central 3 filetes em amarelo sob uma barra estampilhada em manganês.
Comprei há anos este prato na Costa de Caparica - o vendedor um homem de artesanato em prata trazia alguma loiça e dizia que era da filha - no caso trazia este e outro prato igual, bem teimou para trazermos os dois, só trouxe este porque foi caro na altura.
  • Quando o limpava nestes dias reparei que no tardoz tem marcado a azul um "V" incompleto do lado direito e um "v" pequeno esborratado ao meio do lado esquerdo.
  •  Visível os tracinhos do "V" grande como era feito à antiga - faltando contudo a parte de baixo.Mas pode ser da cozedura que o prato colou noutro e...






Aqui vê-se a letra "v" em pequeno
A fábrica de Darque em Viana do Castelo foi fundada em 1774 por João Araújo Lima e sócios por haver muitos barreiros em Alvarães que misturavam com barro e areia de Lisboa que vinha de barco até ao porto de Viana.
Apresenta as suas marcas a cores diferentes : azul; amarelo e cor de vinho escuro.
A polícromia de Darque é intensa - sem violência: azul ;verde;amarelo canário; laranja e violeta.
Produziu grandes pratos os maiores - desde os 30 a 40 cm de diâmetro e, em geral perfeitamente desempenados.

Houve 3 períodos distintos de fabrico em Darque. A fábrica laborou 80 anos.

1º período  - segundo José Queiroz " parece ser verossímil o 1º mestre ter vindo da fábrica real  do Rato  pela utilização da faixa caraterística de RUÃO com a qual rivalizou".

2º período - vastamente usada a corda no rebordo recortado dos pratos com serilha .

3º período  - o áureo -, atinge elevado grau de perfeição, além  da decoração vulgar de ornatos e flores, criou um tipo decorativo notável pela originalidade dos desenhos e pela combinação harmónica das cores, de aspeto cativante e sem precedentes.

A pergunta é: Poderemos considerar este prato faiança desta fábrica de Darque (?).
 A minha inclinação para Darque:
-Tripla de filetes em redor do centro
- Filete largo no rebordo a amarelo canário
- Manganês neste tom foi usado no norte além de Coimbra
- Marcas no tardoz - reconheço que em muitos pratos existem manchas de tinta no tardoz - seja no ato da cozedura -toques nas trempes com outros, ou de mãos do pintor. Contudo as deste prato parecem muito reais embora com as deficiências que se notam a olho nu e a ser como diz o Jorge Saraiva, muito bem fundamentado o seu comentário e plausível - de outras que lhe estariam sobrepostas - faz sentido se as outras peças estivessem marcadas com "V"...a pintura fresca pintasse este prato(?)

Resta-me uma dúvida: Tendo a fábrica laborado apenas 80 anos - fechou em 1854 - precisamente se não me falha a memória a introdução da estampa a stencil em Portugal .
Sendo este prato pintado em estampa...
  • Seguramente fabrico do norte o pormenor de fechar o laço no ramo uma caraterística usada no cantão popular da fábrica Cavaco de Gaia. 
A fábrica Bandeira usou este laço no fecho das ramagens nos pratos armoriados)
  • O tom verde

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pesos de rede e artefactos de ânfora

Apreciem  maravilhas do tempo romano (?)...Pesos de rede - bico e bocal de ânfora.
Sou uma perdida por  achados antigos em cerâmica.Um excelente preço - se fosse no Pedrinhas "upa upa"...só comprava uma peça e,...
Resgatados nas areias de Tróia. Achados deste calibre e mais testemunhos da actividade piscatória  em época romana, estão em  Museus, como:
 - Setúbal
- Alcácer do Sal, no Museu de Pedro Nunes: colecção de pesos, anzóis e agulhas de fazer e remendar   rede.
- Museu do Tejo em Constância
- Núcleo de Arqueologia da Arqueojovem de Vila Nova da Barquinha/Centro de Interpretação do Alto Ribatejo (Sr José Gomes) com achados em areeiros da chamusca.
- e,...

Existem pesos  mais recentes chamados - "Pandulho"  - utilizados até há poucas décadas atrás na pesca no interior do estuário do rio Tejo, segundo um dos poucos calafates ainda vivos na zona de Vila Franca que trabalhou numa das fábricas de telha na zona de Alhandra - era aí que, numa actividade clandestina, a partir de sobras de barro, se faziam os "pandulhos" que coziam juntamente com as fornadas de telha. Fácil entender que  na altura constituía uma economia clandestina paralela associada à comunidade piscatória. De facto, no estuário do Tejo encontra-se este material com bastante frequência, sobretudo entre materiais provenientes da actividade dos areeiros.Existe abundância também destas peças, muito idênticas na lagoa de Óbidos e, também existem no Mondego.

Nos espólios de pelos menos três centros oleiros de produção de ânforas foram encontrados pesos destinados à pesca à rede: na faixa atlântica na olaria do Morraçal da Ajuda - em Peniche e, os das olarias de ânforas romanas do Pinheiro e Abul, localizadas nas margens do Rio Sado.
Pertencem a dois momentos cronológicos diferentes, embora sejam idênticos:  discóides e paralelos em Alcácer de Sal com diacronias augusto-tiberianas e também outros do mesmo tipo geométrico  possuem cronologias que vão de Cláudio até aos finais do século II. As diacronias apresentadas, quer para o Morraçal, quer para o Pinheiro ou mesmo para a produção da olaria de Abul, são coincidentes, abrangendo, de uma forma geral, os dois primeiros séculos da nossa Era.
Foram encontrados pesos de rede do tipo discoidal  assim como paralelos com diacronias de época romana embora se tenha consciência da utilização ao longo dos séculos- de pesos de rede deste formato. Um encontrado em Tróia na margem do Sado, classificado como lusitano-romano, e que parece ser um possível paralelo.Nesta estação arqueológica sabe-se ser habitual encontrar-se, para além dos pesos de tipo disco, que são, normalmente em percentagem bastante diminuta, outros pesos de rede de forma geométrica fusiforme e que possuem um orifício perto do topo, portanto, descentralizado, achados que  levam a questionar a possibilidade destes pesos terem ou não origem em produções romanas (?). Segundo informação do meu amigo Rhodes Sérgio os romanos apresentam algumas concreções calcárias resultantes da prolongada deposição marítima - o que me parece muito lógico.
Curiosamente nas escavações de Conímbriga, foram exumados alguns testemunhos da pesca,como são o caso de anzóis em cobre e em ferro, os quais foram utilizados para a pesca com linha que se praticava, certamente, no Rio dos Mouros.
 Achados em Tróia "em forma de gota)"ou na costa algarvia com forma de "donut" São no entanto elementos mais pesados que os pandulhos.

Na banca onde os regateei tive a sorte de ouvir um cliente de frascos de tinta e de cola antigos para decorar a sua papelaria - atrai a clientela dizia-me ele - "as pessoas entram e não lhes escapam estes objetos antigos e distraídas até acabam por comprar..." dizia-me quando me viu interessada em tais achados marinhos..."tinha dos pesos iguais que ofereci ao Museu de Setúbal".
 
Há vários formatos de pesos de rede desta época - aqui mostro os meus - deixo para os investigadores a sua classificação. No que respeita à pasta - são de argila grosseira de cor alaranjada, homogénea, com muitos elementos não plásticos de grão fino a médio, em que se observam elementos ferrosos, micas, quartzo e quartzito. Trata-se de uma pasta que apresenta vacúolos e que tem uma fractura irregular. Estes pesos parecem pertencer aos produtos finais das olarias sadinas, ou muito remotamente, às do Rio Tejo.
À atividade da pesca estariam ligados uma série de utensílios próprios, de entre os quais se destacam os que complementariam o uso das redes de pesca, como é o caso das agulhas e lançadeiras, “navettes”, para as coser e reparar e ainda pesos e anzóis.
Em Troia de Setúbal, dado as suas atividades se ligarem diretamente à salga, preparação de molhos e a sua posterior comercialização por todo o Império, a presença destes utensílios encontra-se bem presente, testemunhando uma intensa atividade da pesca, da qual se destaca entre a grande panóplia de artefactos exumados durante as escavações até ao presente efetuadas, anzóis de bronze e de ferro, agulhas para fazer rede e diversos tipos de pesos em cerâmica, de formas discoides e oblongas (?), e em xisto.
 





Ânforas -vasos antigos de origem grega de forma geralmente ovóide e possuidoras de duas alças.Feitos em  barro ou terracota, com duas asas simétricas, geralmente o términos na parte inferior por  ponta ou um pé estreito - servia sobre tudo para o transporte e armazenamento de géneros de consumo, tal como a salmoura. Era usada pelos gregos e romanos para conter sobretudo líquidos, especialmente o vinho. Servia também para conter azeite, frutos secos, mel, derivados do vinho, cereais ou mesmo água.

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...