segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pesos de rede e artefactos de ânfora

Apreciem  maravilhas do tempo romano (?)...Pesos de rede - bico e bocal de ânfora.
Sou uma perdida por  achados antigos em cerâmica.Um excelente preço - se fosse no Pedrinhas "upa upa"...só comprava uma peça e,...
Resgatados nas areias de Tróia. Achados deste calibre e mais testemunhos da actividade piscatória  em época romana, estão em  Museus, como:
 - Setúbal
- Alcácer do Sal, no Museu de Pedro Nunes: colecção de pesos, anzóis e agulhas de fazer e remendar   rede.
- Museu do Tejo em Constância
- Núcleo de Arqueologia da Arqueojovem de Vila Nova da Barquinha/Centro de Interpretação do Alto Ribatejo (Sr José Gomes) com achados em areeiros da chamusca.
- e,...

Existem pesos  mais recentes chamados - "Pandulho"  - utilizados até há poucas décadas atrás na pesca no interior do estuário do rio Tejo, segundo um dos poucos calafates ainda vivos na zona de Vila Franca que trabalhou numa das fábricas de telha na zona de Alhandra - era aí que, numa actividade clandestina, a partir de sobras de barro, se faziam os "pandulhos" que coziam juntamente com as fornadas de telha. Fácil entender que  na altura constituía uma economia clandestina paralela associada à comunidade piscatória. De facto, no estuário do Tejo encontra-se este material com bastante frequência, sobretudo entre materiais provenientes da actividade dos areeiros.Existe abundância também destas peças, muito idênticas na lagoa de Óbidos e, também existem no Mondego.

Nos espólios de pelos menos três centros oleiros de produção de ânforas foram encontrados pesos destinados à pesca à rede: na faixa atlântica na olaria do Morraçal da Ajuda - em Peniche e, os das olarias de ânforas romanas do Pinheiro e Abul, localizadas nas margens do Rio Sado.
Pertencem a dois momentos cronológicos diferentes, embora sejam idênticos:  discóides e paralelos em Alcácer de Sal com diacronias augusto-tiberianas e também outros do mesmo tipo geométrico  possuem cronologias que vão de Cláudio até aos finais do século II. As diacronias apresentadas, quer para o Morraçal, quer para o Pinheiro ou mesmo para a produção da olaria de Abul, são coincidentes, abrangendo, de uma forma geral, os dois primeiros séculos da nossa Era.
Foram encontrados pesos de rede do tipo discoidal  assim como paralelos com diacronias de época romana embora se tenha consciência da utilização ao longo dos séculos- de pesos de rede deste formato. Um encontrado em Tróia na margem do Sado, classificado como lusitano-romano, e que parece ser um possível paralelo.Nesta estação arqueológica sabe-se ser habitual encontrar-se, para além dos pesos de tipo disco, que são, normalmente em percentagem bastante diminuta, outros pesos de rede de forma geométrica fusiforme e que possuem um orifício perto do topo, portanto, descentralizado, achados que  levam a questionar a possibilidade destes pesos terem ou não origem em produções romanas (?). Segundo informação do meu amigo Rhodes Sérgio os romanos apresentam algumas concreções calcárias resultantes da prolongada deposição marítima - o que me parece muito lógico.
Curiosamente nas escavações de Conímbriga, foram exumados alguns testemunhos da pesca,como são o caso de anzóis em cobre e em ferro, os quais foram utilizados para a pesca com linha que se praticava, certamente, no Rio dos Mouros.
 Achados em Tróia "em forma de gota)"ou na costa algarvia com forma de "donut" São no entanto elementos mais pesados que os pandulhos.

Na banca onde os regateei tive a sorte de ouvir um cliente de frascos de tinta e de cola antigos para decorar a sua papelaria - atrai a clientela dizia-me ele - "as pessoas entram e não lhes escapam estes objetos antigos e distraídas até acabam por comprar..." dizia-me quando me viu interessada em tais achados marinhos..."tinha dos pesos iguais que ofereci ao Museu de Setúbal".
 
Há vários formatos de pesos de rede desta época - aqui mostro os meus - deixo para os investigadores a sua classificação. No que respeita à pasta - são de argila grosseira de cor alaranjada, homogénea, com muitos elementos não plásticos de grão fino a médio, em que se observam elementos ferrosos, micas, quartzo e quartzito. Trata-se de uma pasta que apresenta vacúolos e que tem uma fractura irregular. Estes pesos parecem pertencer aos produtos finais das olarias sadinas, ou muito remotamente, às do Rio Tejo.
À atividade da pesca estariam ligados uma série de utensílios próprios, de entre os quais se destacam os que complementariam o uso das redes de pesca, como é o caso das agulhas e lançadeiras, “navettes”, para as coser e reparar e ainda pesos e anzóis.
Em Troia de Setúbal, dado as suas atividades se ligarem diretamente à salga, preparação de molhos e a sua posterior comercialização por todo o Império, a presença destes utensílios encontra-se bem presente, testemunhando uma intensa atividade da pesca, da qual se destaca entre a grande panóplia de artefactos exumados durante as escavações até ao presente efetuadas, anzóis de bronze e de ferro, agulhas para fazer rede e diversos tipos de pesos em cerâmica, de formas discoides e oblongas (?), e em xisto.
 





Ânforas -vasos antigos de origem grega de forma geralmente ovóide e possuidoras de duas alças.Feitos em  barro ou terracota, com duas asas simétricas, geralmente o términos na parte inferior por  ponta ou um pé estreito - servia sobre tudo para o transporte e armazenamento de géneros de consumo, tal como a salmoura. Era usada pelos gregos e romanos para conter sobretudo líquidos, especialmente o vinho. Servia também para conter azeite, frutos secos, mel, derivados do vinho, cereais ou mesmo água.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Faiança José Reis Alcobaça ou Coimbra (?)




Faiança de José Reis de Alcobaça  ou Coimbra finais século XIX (?)
Pequeno canijão ou leiteira no modelo das enfusas para o leite e vinho, em tamanho reduzido.
  • Motivo casario  alto uma caraterística,  ramos delineados, ramagem esponjada  em aguada azul , filete da mesma cor no rebordo do pé.
  • O centro do desenho mostra-se em esponjado no rodapé.Outra caraterítica.
Comprada na feira de Algés com o dinheiro que faço nas minhas vendas à D. Luísa - senhora  chique não foi de modas  para enganar o sol enrolou a écharpe na cabeça à laia das modas de África - estava linda!
Pormenor da asa com filete em relevo na massa ao meio que também usou nos penicos
Fundo com frete levantado onde nasce a aba quinada que lhe confere graça
Uma peça de coleção, inegavelmente!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Bacia degolada usada para a barba da VA (?)

Bacia degolada usada para  fazer a barba comprada na feira da ladra há tempos. Tem um cabelo.O esmalte é muito bom - parece porcelana de textura leve - apresenta dois "cabelos".
Branca de rebordo levantado e cantos cavados para o encaixe do pescoço.No rebordo ao meio apresenta dois orifícios feitos pelo dono(?) para supostamente a pendurar tal como se encontra em outra faiança nomeadamente pratos -, tenho vários, só com um orifício, aqui como a peça é mais pesada foram feitos dois.Tardoz da bacia com o poço -, na foto não se nota, o frete encerra dois círculos como foi hábito numa época na fábrica VA - possivelmente fabrico anterior à era do caulino descoberto em 1832  - elaborada nas muitas experiências com pó de pedra e outras - no entanto constata-se uma peça muito elaborada nos acabamentos .
 
  Museu Nacional Soares dos Reis Fabrico do Porto ou Gaia o covo  - poço - é diferente tipo bacia

Esta bacia encontra-se no Museu dos Biscainhos  . oval de rebordo gomado tipo bacia
Minúscula casa de banho na minha casa de província onde a expus a fazer companhia a navalhas da barba, penico a servir de floreira e claro, azulejos antigos, fora os que tenho para aplicar, falta-me tempo, porque como não gosto dos azulejos desta wc vou forrar as paredes com os que gosto a fazer  de quadros!


Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...