quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sacavem em produção de três fábricas diferentes

A minha amiga  Leonor Ceia há tempos ofereceu-me uma série de objetos  pertença uns da sua querida avó, outros da sua querida mãe - destaco duas travessas em dois tamanhos com a mesma bordadura em estampa de florzinhas  e dourados nas pegas - produção da Vista Alegre.

 Pormenor da pega floreada em relevo com dourados


Pratinho da  Sacavém da mesma época  1885 com o mesmo motivo de florzinhos - mais encantadoras, noutra versão à posterior nas travessas sem as nervuras na aba com as flores  ligeiramente diferentes.
Outra travessa mais pequena de aspeto amarelado pelo largo uso -,  por se tratar de pó de pedra e não porcelana verdadeira - o que evidencia fabrico anterior à descoberta do caulino que ocorreu em 1832.


Nota-se nesta foto um picotado e relevo de desenho que não foi pintado optando pela cercadura das florzinhas.
Curiosamente na 1ª feira de velharias de Alcochete fui reencontrada por uma habitual visitante deste blog - numa conversa casual diz-me - não me diga que o seu blog é o Lérias...farto abraço comovido.
Da parte da tarde - a  Cíntia  trazia num saco uma travessa inglesa  decorada a azul ao centro, de aba recortada, gateada,  com os mesmos dourados nas pegas - foi o Santiago que me alertou - um dos donos da fábrica de Sacavém - Gilbert(?)  foi também dono de outras fábricas de loiça ao tempo : Vista Alegre e da inglesa onde foi feita a travessa da Cíntia - sendo que as minhas julgo não haver dúvidas do seu fabrico ser da Vista Alegre - todas têm o mesmo formato e acabamento, só diferem na estampa.
Agora o inimaginável - a Cíntia ofereceu-me a sua travessa herança da sua querida avó - trazida pelo avô um homem viajante pelo mundo.
Padrão floral com relevo nas pegas fabrico 1830(?) - O carimbo encontra-se esborratado ( com pé, esfera  termina em triângulo) é perceptível um L  e...será de  Longton (?)
As duas maiores decoram uma das minhas salas de uma das casas.A outra mais pequena está na cozinha da casa rural.
 
Foto de cortesia
  • Duas travessas e molheira da fábrica Sacavém na banca do Vitor com ligeiras diferenças no design na aba apresenta-se com nervuras vincadas em gomos
  • No entanto igual na banca da Isabel Rute  em Algés encontrei outra travessa grande da fábrica de Sacavém 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Faiança em motivos minimalistas folhas agrião de Coimbra (?)

Comprei esta travessa oitavada em faiança  numa feira de Setúbal à minha colega D. Guida que vinha acompanhada do filho David andante nestas andanças desde os 6 anos - agora a viver em Valongo.A piada é que traziam espólio de uma casa: além da travessa havia outra toda gateada em Cantão Popular século XIX, terrina que postarei mais tarde de Alcobaça marcada na pasta com "2" , outra de Sacavém motivo "cavalinho em verde", relógio da Reguladora e estatueta Biscuit  e,...inicialmente o que me prendeu a atenção foi a terrina com motivo "casario" em verde ervilha - o negócio foi-se construindo ao longo da feira - por fim arrebatei as duas peças por um preço acessível por estarem ambas partidas.
No imediato a fina decoração floral capultou-me para outra que já vira num Museu  - sem saber a sua proveniência. Apenas metade da aba pintada a vermelho com remates de forma geométrica feita a chapa - lembrei-me da Cruz dos Templários que ostenta garboso ao pescoço o Sr Calado - organizador da feira de Tomar. A decoração floral em policromia cromática fina irradia pelo fundo da travessa com dois raminhos e encima a aba ao centro por outro igual.
O tardoz apresenta-se gateado com nada menos do que 40 gatos...deveria ser peça de muita estimação!


  • O formato, esmalte translúcido,e decoração induzem fabrico de Coimbra (?). 
Acrescento que além da cor verde ervilha inventada na cidade pelo químico VANDERLLI trazido pelo Marquês de Pombal para a Universidade que além desta cor, inventou outras. A cor séptia na fina folhagem julgo ser mais um atributo além do vermelho - onde mais se pintou vermelho foi em Coimbra. Contudo Darque também pintou folhas de agrião em tonalidade mais verde escuro com flores miúdas numa pintura muito semelhante a esta.

Pontos comuns na decoração:Tarja na aba, ramos e folhas pontiagudas a manganês, flores em forma de corações e folhas tipo agrião

Parece  pintura minimalista ou será o meu olhar?

Claro que apesar do estado mereceu honras na parede da sala!
Descubram onde a pus!
Casa ladeada com duas letras - C I e a mesma decoração
 
  •  Outro prato na mesma pintura



Quando se gosta de faiança - não importa muito o estado de conservação. Dá-me vontade de rir quando me aparecem pessoas a dizer - não gosto de nada partido, bostelado ou com gatos...pois eu sou mais popular - basta a peça prender o meu olhar. O bom seriam estar intactas, atendendo à antiguidade, e farto uso num tempo de pouca loiça nas casas - a vida era difícil para  o povo, só os aristocratas a tinham em fartura. Portanto a que se vai encontrado ao preço da minha carteira é esta a possível.Há Museus que também não se coíbem de as ostentar em "mau estado".

 Prato que vi à venda na feira da ladra cuja pintura é muito semelhante aos outros

  

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Dia da Poupança - Mealheiros

Dia da Poupança - 31 de outubro!
Há mais de 30 anos que aprendi a dar valor a este dia - ao que ele incita.

Deixo-vos com estes exemplares de MEALHEIROS.

Quem se lembra destes do Montepio Geral?

Foi assim que começou a poupança da minha filha, com as oferendas do seu batizado - 5 contos de réis em 1982.


Hoje são memórias guardadas na escrivaninha do seu quarto de solteira.
Continua a fazer poupanças todos os meses - apesar de ordenado baixo para a responsabilidade do seu trabalho. 
Hoje já não usa mealheiros - num segundo com as novas tecnologias o dinheiro salta da conta à ordem para a conta a prazo - onde dorme poucas horas para não dar azo a aventuras em gastos supérfluos. 
A poupança deu-lhe para comprar a sua parte na casa que adquiriu com o namorado.
Claro que o seu gordo mealheiro tem muito de mim - da minha persistência nestes 30 anos.
No poupar é que está o ganho - lá diz o ditado - também só o tem quem o poupa ou grão a grão enche a galinha o papo!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mostardeira da fábrica de Alcântara

Para os amantes da loiça da Fábrica de Alcântara . Mostardeira graciosa  ornada a florzinhas em tom rosa com dourados do tipo sopeira agarrada ao prato com colher de prata - também imitada por Sacavém mas sem a graciosidade dos pormenores das asas e do tamanho - esta maior...a colher em prata é minha  - achei que fica bem pela forma como termina no cabo.
Marca gravada na pasta Alcântara - Lisboa 5 J - Segundo o que li no  livro de José Queiroz produção a partir de 1897.
Comprei-a na feira do Montijo ao meu colega e amigo Santiago - sabe-se lá aos anos que anda com ela. Mais de metade da mercadoria nunca a expõe na banca, só nas feiras anuais.Nunca tinha visto outra assim igual - aparecem umas do género de Sacavém e outras em oval tipo terrinas - ironia do destino ontem em Algés vi uma  com a asa partida , sem marca decorada a filetes finos de resto igualzinha, e  outra em forma de  terrina com a colher em porcelana - também  nunca tinha visto. 
Hoje na feira da ladra encontrei esta  co marca na pasta sem tampa e com um cabelo por um euro... não resisti a mostra-la.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cerâmica crua e pintada em peças variadas

Prefaciando a leitura do livro de José Queiroz - "A cerâmica é uma das manifestações do engenho humano que mais tem prendido a atenção do homem. Todo o mundo civilizado tem por essa opulenta arte da forma, e da cor o culto que é devido às obras (verdadeiramente significativas, capazes de atingir alta beleza). Desde o príncipe, até à criatura mais humilde, quem não lhe tem dedicado interesse e até amor?"
"A cerâmica reflete o carácter do povo que a produz: nas suas formas está a poesia de cada nacionalidade, na cor os diferentes aspetos de cada país, pois nos dá ao mesmo tempo conta da policromia dos campos, da intensidade da luz que os ilumina, da alegria ou tristeza dos seus cultivadores. O bem estar do artista, quando trabalha reflecte-se  na sua obra, e esse estado de espírito é quase sempre, produzido pelo meio em que o artista vive" 
Isto para vos mostrar algumas peças em cerâmica da minha coleção usadas no passado - algumas delas persistem a continuidade do seu  uso por muita gente - sou uma dessas pessoas!

Mealheiro -  típica loiça obtém-se através de um processo de cozedura redutora que permite obter loiça de barro de cor negra e brilho metálico, presume-se que os oleiros desenvolveram esta técnica de modo a imitarem o aspecto da loiça metálica. O barro começa a ser moldado na roda do oleiro. Depois, as peças são secas lentamente ao ar para perderem parte da água que existe no barro sem estalar. Antes de serem cozidas as peças são “brunidas”, ou seja, são alisadas com um seixo, existindo seixos na posse da mesma família há mais de cem anos. Este alisamento do barro é o que origina, no final, o brilho metálico característico e exclusivo destas peças de loiça preta de Molelos.
Flor da fábrica  Bordalo Pinheiro
Andorinhas...Caldas








          Jarro escorrido das Caldas


 Infusas - Aveiro, norte e Caldas


 Pesos de rede, bico e bocal de ânfora
Bandejas
Azeitoneira Bordalo Pinheiro
Canijão das Caldas
pratinho decorativo com limões

Ânfora ?
 
Tagulae e inbrix romanas



com cavidade para encaixe
                   Moldes de fazer o requeijão


Cântaro
Talha ornada a cordas no passado guardou chouriças em azeite e a cor preta advêm do fumo

Tijolos e telhas de Almofala
Bacia ratinha torta pela cozedura

Caneca típica do artesanato das Caldas com o sapo dentro







             Moringa das Caldas


comprei na feira de Pombal e veio das faldas do Vale da Couda a caminho da serra de Alvaiázere.
Na foto abaixo no dorso da moringa notam-se umas manhas em amarelo - tal já vi noutras peças em casa de uns tios - será a marca do oleiro?
Pote asado que a minha madrinha me ofereceu nele ostento as cordas que antanho se usavam para fazerem marcações nos terrenos ou feitura de alicerces para uma casa
Açucareiros do almerce onde se punha o leite a coalhar para fazer o queijo. Um deles tem queimbos - atados a cordas puxavam ramos e,...


Púcara do café
Bilha - o branco não faço ideia do que teve no passado - não saí!


 
Pote de guardar os queijos do Rabaçal, alguidar que a minha sogra levava para a safra da ceifa e já agora a malga de S. Roque - Aveiro

Alguidares e taça do crescente da broa

 faço bolinhas de pão
Os meus tachos...já tenho mais!

A minha tigelada feita no forno a lenha

pucarinhas para derreter enxunda de galinha para curar maleitas da constipação
pote asado guardador das chouriças em azeite



bilhas de água - a grande herança do meu marido a outra comprei-a na feira da ladra

Espero que vos tenha agradado com  esta amostragem

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...