quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Amostragem de loiça de Sacavém

Esta travessa motivo Chorão foi-me vendida na feira da ladra. O vendedor enganou-me - estava restaurada - só vi quando a pus de molho em casa...caríssima. Infelizmente foi roubada da casa onde estava
 
Flores - só tenho este último

Saladeira

 
Açucareiro
Escarradeira com flores tem uma numeração a verde finais do século XIX?
 
 Terrina motivo Cavalinho em verde - vendi outra em azul e a cor de rosa roubaram-ma!

 
                                                                                    Leiteiras  - fabrico de várias épocas
Esta vendi a - tenho outra pintada nas barras em relevo a laranja
Leiteira
esta leiteira foi muito usada nos hospitais até há pouco tempo

Bule
bidé assinado

chávena marcada com estrela verde - peça de coleção
saladeira



caixas para os cereais - leiteiras e chávenas  art déco - motivo violetas e manteigueira
malga de publicidade à loja Alye
Pires motivo chinês
 Por hoje chega de mostrar Sacavém!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cantão Popular em faiança de Miragaia (?)

No derradeiro finado feriado 5 de outubro no calendário político fui até à praia para despedidas do biquíni, dos longos passeios na areia fina com as ondinhas a desfazerem-se nos pés no nato prazer de sentir a brisa com o sol a estatelar-se no corpo  e de sonhar acordada a contemplar o mar ...
Como a  manhã estava fresca, deu-me o mote para espreitar a feira da Costa de Caparica onde comprei este bule  ao meu colega João e esposa Zélia que começou por me dizer  
  • " sabes que peça é esta? é Miragaia, tenho estado a pedir 60€ deixei de o vender por 40  para ti faço 35" e,...descendo mais acabei por o trazer por um preço espectacular....os vendedores chama a este motivo Miragaia...até uma vendedora tem a alcunha!
É por demais  sabido que adoro este motivo Cantão Popular vastamente pintado ao gosto  e criatividade do pintor  por muitas fábricas  pelo norte e centro do País, o que confere ao tema um estatuto de maior beleza pela singularidade às peças. Soube agora pelo meu amigo Jorge Saraiva que a fábrica Argilart também produziu Cantão Popular : jarro/bacia, terrinas, penicos e travessas, após o fecho de S.Roque em Aradas, Aveiro o pintor veio para esta com os mesmos desenhos -, que explica a transmissão noutras fábricas  com a deslocalização dos pintores!
  • A este motivo dediquei a sala da lareira de uma das minhas casas onde reúno vários pratos em tamanhos diferentes; travessas; malgas ;chávenas; tampas de terrina; covilhetes ;azeitoneira...falta-me uma terrina!
Peças marcadas só tenho de sete fábricas:
  • S. Roque -, Aveiro que se destaca pelo desenho mais estilizado do prato raso e da travessa
 
  • Lado direito prato da Pinheira  Aveiro que se destaca pelo desenho com longos filamentos e grossura da massa
  • Em baixo Cavaco - Gaia que se destaca pela tonalidade forte do azul
  •  Lusitânia  - a aba apresenta uma singularidade no desenho diferente de todas as outras versões
  •  Cesol - Coimbra forma diferente sobretudo na decoração da aba.

  • Darque-Viana na pasta tem impresso um "V" grosseiro, bordo recortado a tesoura e salgueiro sem ponta , carateristicas












  •  Sacavém - representou assim o Cantão Popular
  • Também a Fábrica Constância em Lisboa desenhou o motivo -, a mais parecida no meu achar com o verdadeiro.Cortesia dum prato do Mercador Veneziano à venda na OLX .

Em casa ao limpá-lo fiquei com a sensação que a tampa não pertence ao bule -, no caso casa muito bem . Ontem na feira de Montemor o Novo tive a propósito essa conversa com ele e a esposa - disse-me
" houve alguém que alvitrou o mesmo -, mas depois outros disseram que era pertença".
Sabendo que as peças iam para o forno cozer em separado, só depois punham a tampa que calhasse  que estava mais à mão - tal como o feirante na banca ( porque no tempo de antanho andavam embrulhadas as peças no meio de palha de centeio e não em jornais como agora - uma das hipóteses.
Fica claro para mim que a tampa não é deste bule  - por apresentar um esmalte mais belo, sendo que o torniquete redondo com a espiral o azul apresenta-se tipo cobalto que em todo o bule na decoração não sinto a mesma tonalidade de brilho e graciocidade.
  
Agora vem a parte que me acalenta em 2º grau -, a catalogação.
  • Sendo uma feroz otimista, balanço a minha modesta opinião para fabrico do norte , sem dúvidas e quase uma certeza -, Miragaia pela pintura diferente do salgueiro em altura, e da pasta.
  • Revi dois exemplares - no blog da Maria Paula  e outro da Maria Andrade é fácil verificar as semelhanças dos três.
Depois lembrei-me do Bule de Caldo -, Bica ou Caneca de Doentes  que comprei há pouco tempo onde encontro muitas semelhanças :  
  • Espinhado em azul sob a asa lisa.
  • A mesma decoração corrida em jeito de chama em redor do bico, descendo em crescimento.
  • Fundo ao meio sente-se um pequeno alto - predominância - que testa o mesmo fabrico.
  • O mesmo feitio de frete.
Travessa da minha amiga Marília -, o mesmo esponjado na bordadura da aba apesar do rodapé em forma de barco habitual da fábrica Cavaco, mas Coimbra também  o pintou assim o casario com os cedros esguios e altos.
  • O que evidencia que a travessa pode ser COIMBRA e o bule é MIRAGAIA.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Encomenda do Estado Novo à Fábrica Sacavém para a Exposição Mundial Portuguesa

Há que tempos ando para fazer mais um post sobre Sacavém - no caso motivo "Espigas". 
Deu-me o mote o post da MARIA PAULA com um belo prato alusivo às Províncias ultramarinas que por acaso vi um  igual à pouco tempo numa feira da Linha, não comprei porque na verdade apesar de ser bonito só diz algo a quem conheceu essas terras, e delas nunca se esquece - no caso já tenho dois - é que há muito que tenho de reprimir aquisições, pois já os tenho de vender!
 
Partilho a informação de uma senhora de cariz inteletual numa feira em Ponte de Sôr " trata-se de uma encomenda mandada fazer à fábrica pelo Dr Oliveira Salazar, no Estado Novo, com a temática das atividades, usos e costumes  em : Portugal, Ilhas Adjacentes e Províncias Ultramarinas "  para a exposição Mundial Portuguesa que decorreu em 1940.
  • Os pratos sejam rasos ou de sopa apresentam a aba  em conchado côncavo, e no remate da bordadura  espigas em relevo alusivas ao pão sob pintura de várias tonalidades: verde ; castanho torrado, azul bebé, cor de rosa ( tenho um com esta cor e sem decoração ao centro, e recordo ver na casa do meu bisavô todos brancos sem estampa só com as espigas).
Posteriormente foram feitas versões com decorações estilizadas: barco à vela; patos; raminho floral e,...

Curioso nem sempre o motivo abrange o covo na sua totalidade - no caso confere a meu ver maior graciosidade do que um círculo restrito.
                                                
  Prato alusivo ás províncias ultramarinas
  • Tenho vários com motivos africanos: aldeia com mulheres e bacia de mandioca; homens a manobrar piroga; girafa;caçada ao hipopótamo e aldeia com palhotas, pessoas e animais.
  • Todos marcados
  • Decorações alusivas ao Continente,Portugal
Ceifeiras; Flores
Tenho um de Caçadores
Ando á procura da Pesca milagrosa.
Há produção mais recente com pinturas estilizadas, patos e flores...

  • FÁBRICA SOARES DO REIS NO PORTO
  • Prato com formato e decoração alusiva a Portugal não é de Sacavém 
Será da fábrica Soares dos Reis do Porto - perdi a foto de um igual marcado - só o mostro aqui para poderem analisar o tardoz como é totalmente diferente o formato, e por isso importante para se tirarem conclusões.
Não está marcado

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Peças antropomórficas de Bordalo Pinheiro

 A Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro é a preciosa herdeira da Fábrica de Louça das Caldas da Rainha -  fundada pelo genial desenhador e caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro em 1884
Até à sua morte - em 1905, este tentou um projecto artístico invulgar de investimento industrial e simultaneamente de procura de um certo espírito de ser português.Abordou a cerâmica , tecnicamente através do desenho e da sua experiência de ilustrador e decorador.Também do ponto de vista estético a partir do naturismo, do ponto de vista conceptual a partir de um nacionalismo etnográfico e histórico -ambos muito visíveis nas suas obras onde se atraiem e fundem .
A loiça decorativa bordaliana recuperou as tradições formais e narrativas da olaria Caldense - os vidrados de reflexos fortes e a cerâmica de trompe d'oiel  à maneira de "palissy" que Manuel Mafra e outros ceramistas Caldenses anteriores a Bordalo tinham aprofundado e difundido.

As peças antropomorfizam-se no caso que apresento - amigos agiotas  tornam-se mealheiro e o usuário capitão torna-se....escarrador?
Ainda hoje se continuam a reproduzir peças dessa extraordinária colecção de faianças, inspirada e aumentada - pratos lagosta aos serviços repolho. Não esquecendo, claro, as originais andorinhas - agora iguais a estes que apresento não sei se são reproduzidos.
 
o fundo e por dentro um vidrado intenso amarelado
Gostaria de ter fotografado melhor as peças - porque merecem .
Trata-se de um mealheiro - peça Bordalo Pinheiro que estaria assinada no prato de suporte que no caso já não tem, e vi igual no Museu de Almofala de Cima no concelho de Figueiró dos Vinhos.


Ainda tenho  esta peça que abre pelo chapéu ( uma pena estar esbeiçado) - escarrador?

Foram oferta da minha querida amiga de longa data Leonor Ceia - herança da sua querida avó, que me disse - são muito antigas, na altura não sabia do que se tratava - nem ela julgo!


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Faiança fabrico de Coimbra (?)

Travessa  de faiança  fina comprada na feira de Torres Novas. Intrigou-me logo a sua atribuição pela exuberante decoração em tons rosa e verde da aba com filete azul claro a debruar o rebordo e ramo de flores ao centro em policromia da barra.Outro pormenor que me chamou a atenção  do esmalte transparece um vidrado ligeiro em tom esverdeado quer na frente quer no tardoz em jeito de lista  na travessa de alto a baixo ao meio no tardoz e, na frente junto ao motivo central - rapidamente identifiquei noutras peças que aqui mostro - o que pode provar que todas tiveram origem no mesmo centro oleiro onde a técnica do vidrado do esmalte era diferente da normal - translúcida.


Há partida -,  as peças não marcadas são tão difíceis de catalogar -, por isso o fascínio em tentar especular a sua atribuição.
  • Quanto ao seu fabrico debato-me por Coimbra (?). 
  • Mas o filete fino dos caules e  cores  pode ser norte, Vilar de Mouros (?).
Taça de aba alta gomada
Decoração motivo casario pintado ao centro em palete cromática: sépia, verde e amarelo. No tardoz ao meio da aba é bastante visível o brilho do esmalte esverdeado que sobressai na cor primitiva melada em tons de azul, resultado da quentura do forno na cozedura.Evidencia fabrico de Coimbra(?).
Pese embora os filhos do Manuel da Bernarda de Alcobaça os continuadores de José Reis que também fabricaram peças de aba gomada.


domingo, 16 de setembro de 2012

Cortesia de colegas peças de Alcobaça(?)

 Hoje apeteceu-me fazer uma mostra de faiança de colegas. Agradeço a sua cortesia.

Prato de grandes dimensões muito decorativo em bom estado.
Motivo casario entre arvoredo que se confunde com Coimbra catalogado...atribuído à fábrica Bandeira no dizer do seu dono... olhou à palete de cores.
  • Acho que é fabrico de Alcobaça.
Curiosamente apresenta um defeito de fabrico - tentem descobrir.

Aba com estampilha miúda em azul ladeada por filetes em verde desmaiado e laranja no rebordo, sendo que em  amarelo canário a contornar o covo.
Tardoz branco com ligeiros buraquinhos na textura da massa . Fabrico finais do século XIX.
Acaso não tenham descoberto o defeito de fabrico...é o monte de massa na bordadura em branco.


Comprei esta travessa em faiança motivo Cantão Popular de aba recortada fabrico de Alcobaça(?).
Impecável que ainda não sei como a vendi no mesmo dia...era para a minha coleção, mas os clientes transmitiram uma empatia que foi difícil resistir, senti logo uma infinita tristeza de a ver ir embora - tão amante que sou deste motivo . Se eu estivesse no lugar deles também ficaria radiante de a levar comigo - é este sentido de partilha - no caso venda que nos engrandece. Um casal amoroso .Vai para o Algarve....daqui a décadas voltará a falar-se dela e alguém vai questionar como uma faiança de Coimbra desceu aos Algarves...hoje tudo se movimenta entre bancas , colegas e compradores... com uma rapidez fenomenal.Passado um mês reencontrei a senhora numa inauguração de uma lojinha de chocolates na Avª da Républica, no imediato não me reconheceu por estar vestida à senhora...logo pronunciou o meu nome, estava com a filha de esperanças, disse-lhe "esta senhora é que me vendeu a travessa que vocês tanto gostaram e afinal não foi para o Algarve ficou cá...olhe que li o seu blog!"

Tardoz belo
Verifica -se  a forma de fabrico em nervuras - uma carateristica de Coimbra continuada por José Reis em Alcobaça.

Para os amantes de Santo António - um belo prato em faiança comemorativo dos 700 anos do seu nascimento em faiança de Coimbra (?)
Apresenta um cabelo e sinais de uso na curvatura do covo.
Ao centro a imagem do Santo com o Menino ao colo em castanho com incisões a preto sendo a cruz e as coroas em amarelo ocre - na barra dizeres que lhe dão a autenticidade do ano de fabrico ornado a filete manganês no rebordo.


Belo prato de textura fina - leve. Ao centro um galo em amarelo ocre suportado em rodapé de flores nas tonalidades de verde desmaiado, amarelo ocre, azul tipo cobalto e manganês forte.No limite do covo filete fino em manganês encimado por largo filete em amarelo canário e bordadura em meias luas em manganês com mosca de três pétalas em amarelo ocre no eixo de união - ornada por filete laranja no rebordo.
No dizer do vendedor trata-se de Fervença.
No caso comungo comungo a mesma teoria: pela leveza, pelo tom do manganês tipo esborratado como o cobalto que no caso da flor é tão evidente e pelas pinceladas com o términos de tinta nas folhas.

 
Tardoz branco - gateado.

Prato de grandes dimensões com pássaro ao centro em policromia cromática ladeado por ramos que se cruzam. No limite do covo ornado por duplo filete em laranja seguido de outro largo amarelo canário e barra em triângulos desencontrados nas tonalidades de laranja, verde desmaiado e manganês como cores usadas na palete
Tardoz branco a massa apresenta buraquinhos.
O motivo do pássaro foi muito pintado por Viana.

Espero que tenham gostado da amostragem de feira.

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...