quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Faiança de Viana (?)

Comprei este prato antes de férias  à minha amiga homónima.
  • O azul é bem diferente do habitual cobalto em cor da flor do alecrim.
  • O manganês  revela pinceladas largas suaves quase a meia tinta.
Prato de textura extrafina muito branco e leve - parece porcelana -  finura no traço do desenho pintado à mão.
Elegância da pintura: centro  com arranjo floral circundado no limite do covo por filete fino manganês, aba decorada em policromia com reservas de fachos em laranja e amarelo e decoração a  verde claro tipo mosca encimada por azul vivo ladeadas por ramagens em mangânes.

  • No Museu Francisco Tavares Proença Júnior encontram-se alguns pratos atribuído a Estremoz . Senti semelhança  nas tonalidades da palete  policroma usada e na finura como o exemplar abaixo
                                                       Prato do século XVIII
As pinceladas a manganês terminam do mesmo jeito  - e há muita semelhança no motivo floral ao centro com este prato datado do século XIX , apesar da textura parecer mais grosseira do que o meu - pode evidenciar outra época de fabrico (?)
                                                Terrina no espólio do mesmo Museu-
                               Se não soubesse nunca diria que é de Estremoz...pois!


A primeira  fábrica de Estremoz  foi fundada entre 1773/74 a Fábrica de Loiça Fina, onde Luís Freme da Roza, Joaquim Freme da Roza e Sebastião Gavixo foram mestres e provavelmente fundadores da mesma. Terá a mesma estado em laboração até à segunda metade da década de 10 de oitocentos, em data ainda
imprecisa, época particularmente devastadora para o país devido a eventos como a Guerra das Laranjas e a Guerra Peninsular.
Notam-se nas peças em Museus uma textura mais fina  - tipo porcelana mais parecida com o meu exemplar e mais grosseira (pesada) noutras peças.O que evidencia várias fábricas: Viúva Antunes;Fábrica Alfacinha e,...um  desenhador da loiça de Estremoz foi um padre - Frei Luís Pernacho.

Uma coisa é certa - o meu prato revela um desenho muito semelhante às peças do Museu.
Apresenta-se diferente pela finura da massa, leveza, e elegância do desenho o que evidencia fabrico de uma boa fábrica que poderá muito bem ter sido Estremoz - apesar do motivo decorativo não ser tão habitual como as grinaldas, ramagens finas,e desenho miúdo nas peças que são mais do conhecimento comum.
  • Acredito pode ser fabrico de VIANA - 2º PERÍODO pelo esmalte branco, leveza e elegância da pintura ou Miragaia.
Uma quase certeza ser produção de Gaia numa das muitas fábricas que ai proliferaram.
 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cantão popular Vilar de Mouros (?) cópia do modelo inglês Davenport

Hoje estou de aniversário de casamento - 34 anos!
  • Prenda na banca do colega Aroucha ontem na feira da Costa de Caparica.
  • Possível fabrico norte concerteza!
  • O tracejado em rodapé foi vastamente pintado nos pratos com brasões pela Fábrica Bandeira  (?). 
Mas o prato pode ser fabrico de Vilar de Mouros, porque usou muito a estampilha, o esmalte lacteo, o tracejado no rodapé e a ponte aparece em muitos motivos de cantão popular na sua loiça.
Prato inglês Davenport


Prato gateado dos finais do século XIX. Irresistível não o trazer comigo. 
Tema  apaixonante. A bordadura a primeira em estampa assim vista neste motivo que em nada se parece com todos e são variados que se vêem por aí.Tenho visto muitos pratos com esta decoração - igual a este no cantão popular é o primeiro  - do lado direito é habitual a decoração agora do lado esquerdo não.






Tardoz branco com desnível acentuado na aba uma carateristica desta fábrica  de Vilar de Mouros (?).



sábado, 25 de agosto de 2012

Sacavém caixa para guardar escovas de dentes

  • Caixa em pasta fina parece porcelana ostenta como  marcas apenas uns círculos dentro da tampa e no tardoz da caixa.
Comprei-a na feira de Tomar - espólio de biblioteca de Santarém ( 120€ )...logo no começo da feira em meia dúzia de livros se converteu em 300€...um livro intitulado -  Salazar...um cliente ainda perguntou se tinha o de - Hitler, e outros... havia ainda uma caixa de ilusionismo ( que o dono dizia ser a melhor peça e ninguém lhe tocou... uma mostardeira Cintra de Sacavém(?) sem tampa que trouxe e esta caixa.
  • Deixei-a na casa de banho junto da bacia degolada, das navalhas de barba tudo encimado no armário por um penico a servir de floreira. Adorei esta aquisição!
Gostei da sua elegância  - ligeiramente abaulada ao meio, também da pintura em estampa sóbria em preto confere à peça destaque - claro, e do bom preço que o Sr Rafael me fez em fim de feira para colega.

  • Na feira de Oeiras à posterior encontrei num estaminé de chão uma tampa e uma saboneteira incompleta que comprei apenas porque tinha a marca -, corrobora a tese de fabrico SACAVÉM. 
  • As peças por dentro  apresentam manchas escuras -, revela a massa ser apurada mas não é porcelana como no 1º impacto se afigura.

  • Tenho um covilhete em oval que apresenta uma marca esborratada mas semelhante que aventa se tratar também fabrico Sacavém.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Faianças de produção do norte

Linda taça de rebordo brocinado recente - julgo de tanto a  pôr no chão e arrumar - apesar de me ter dito que a comprou já assim... adquiri ontem na feira de Montemor o Novo ao meu colega feirante nestas andanças há 40 anos - Sr Orlando  - cigano, a quem teci um elogio  - lindos olhos claros...muito simpático...dizia-me o neto dele...então não leva a taça?...preço discutido ao limite - a mim fez-me desconto - simpatizou comigo , já o mesmo não posso dizer em relação à  mulher do José Bastinhas ..." ela andou várias feiras e pagou o que sempre lhe pedi  400€ "... grande seria o prato - atreveu-me a dizer de loiça ratinha. Perguntei-lhe pelo prato com o peixe ao centro que trouxe na última feira há 2 meses... " olhe estava no suporte, com o vento caiu já estava com gatos, partiu-se", respondi - traga-o que o compro...não me importo , vai fazer-me um bom preço, os meus olhos ficaram presos nele...
A taça ao centro é pintada com espiral em vários círculos na cor ocre rematada alternadamente por  filetes - o 1º  largo em verde, acima deste outro em azul cobalto e finaliza por dupla em finos a manganês.O bojo da taça termina em aba direita que lhe confere graciosidade - tal como se veio a fazer em Alcobaça e Coimbra.
Policromia: flores em estampa a stencyl  e folhagens com pinceladas em ocre tipo arabescos, sobres esta - barra em amarelo canário rematada por duplo filete em manganês.
Chamou-a a atenção a leveza - quase porcelana - ainda mais leve, fantástica a transparência da policromoa no tardoz - deslumbrante - mas esta caraterística julgo advêm da temperatura do forno na cozedura.
  • Possível fabrico de Fervença (?) ou SAVP?
tardoz da taça - deslumbrante
Vejamos a comparação com outro prato que atribuo à fábrica de Fervença(?)
os dois tardoz
Verifica-se o mesmo uso da palete de cores - apenas a tonalidade do verde se apresenta diferente - revela épocas diferentes de fabrico (?) - no entanto a mesma leveza e a textura extrafina e o brilho incondicional como nunca tal vi igual!

Em 1858 a fábrica de Fervença muda-se para a do Cavaco, devido à expropriação com a  abertura de uma estrada nova. Segundo José Queiróz " Eram ótimos os seus produtos" e o J de Vasconcelos " a fábrica de Fervença produziu muito boa loiça"

as duas peças




Houve uma fase na fábrica que dizem a decoração da loiça se refletia no tardoz como estas minhas duas peças....serão de fato Fervença ou SAVP?

Num site de leilões vi estas duas taças  a 1ª Bandeira(?)
A 2ª Viana(?)
Darque ,Viana(?)
Apesar do que  dizem -, a LOIÇA DE FERVENÇA É INIGUALÁVEL...eu achei a da fábrica Bandeira mais apelativa e brilhante nas vitrines do Museu Soares dos Reis.

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...