quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sopeira redonda em faiança de Coimbra (?)

Comprei esta terrina na feira de Algés.
Faiança atribuída a Coimbra finais do do século XIX.
Decoração estampilhada  floral em policromia.
Falta-lhe a tampa.
A primeira vez que tinha visto uma terrina deste formato redondo e grandeza que se chama sopeira.

 
Coimbra - fábrica Alfredo Pessoa Filho 
Formato base larga , ao meio do bojo um recorte, e o entraçado das pegas. 
Em 1888 na exposição de Lisboa segundo o Livro de Cerâmica de Coimbra - "estiveram presentes com loiça fina apenas estampada e riscada como é costume, possuem como denominador comum - a cor vermelha - rara na produção cerâmica nacional." 

Asa em trança pintada a castanho.

Base do pé grande em redondo, ao meio da barriga e ao cima  filetes em tom cinza.
Abaixo das asas concavidade circular que lhe confere graça.


                               Retirei da net as  duas últimas fotos com  peças muito semelhantes

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amostragem de faiança de José Reis e Alcobaça (?)

Há muita semelhança na loiça pintada em Coimbra e Alcobaça pelo José Reis . Em 1875 foi laborar para  Alcobaça - claro, muitas das suas peças denotam influencia do método de fabrico e de pintura Coimbrã - daí se confundirem.
  • Sendo por isso muito difícil em algumas delas atestar a origem de cada uma.
O José Reis gostava de fazer peças pequenas - pintou muitos pratinhos com corações, figuras, frutas e animais.

Prato em faiança da segunda metade do século XIX. Motivo casario, interessante a forma das portas e janelas altas, cúpula da torre, óculo, palmeira e árvore de ramos esponjados igual no rodapé, bordadura estampilhada com desenho fino.
Apresenta um ligeiro cabelo, a faiança com as diferenças de temperatura e dos arames paar a pendurar -, estala. Comprei-o na feira da Costa a um vendedor que trouxe mercadoria de um antiquário do Alentejo, estava marcado 35€, trouxe-o por 10€.
Tardoz com evidência de massa malegueira e buraquinhos com esmalte em tom leve de grão.
Analisei inicialmente este prato como sendo fabrico de Coimbra. Passados tempos voltei a mirá-lo porque sempre achei estranho a pintura do casario muito alta e a singeleza da pargela da estampa do rebordo. Depois de alguma reflexão  e de ver algumas peças nas feiras com esta singularidade conclui a forte probabilidade de se tratar de faiança  de José Reis  na sua fábrica de Alcobaça: Em todas as peças verifico: Estampinhas na bordadura dos pratos e travessas singelas, enquanto as de Coimbra são exuberantes.
Predominância da tonalidade castanha tal como este prato. Não contornava o fundo dos pratos e o rebordo a filetes finos como em Coimbra. Motivos florais nas travessas pequenos - singelos de traço fino.

Curiosamente este mês vi o catálogo da leiloeira Cabral Moncada com uma peça igual, mesma tonalidade num lote de seis pratos com base de licitação 300-450, o que cada prato tinha uma licitação entre os 50 e 75€. Os naperons em renda de frioleiras, comprei o conjunto na feira da ladra ao desbarato. Gosto imenso deles. A segunda vez que vi um prato igual ao meu em tantos anos, tantas feiras, tantos catálogos.Impressionante!

Julgo que este prato pertence há 1ª fase de fabrico de José Reis em Alcobaça.
Fabrico em massa malegueira cheia de buraquinhos frente e tardoz. Motivo central um pássaro em policromia sob ramagens verdes, na aba bordadura  singela em azul claro.Vendi-o em Pombal.
Fabrico de Alcobaça
 Prato com motivo central um pêssego suspenso em raminho. Ornado por filete fino azul no limite do bojo e do rebordo.Aba floral em estampa azul.


 Tardoz
Pratinho alusivo aos namorados

Pratinho sem filetes ao centro flores em tons rosa e folhagem verde claro e bordadura na aba em azul claro.

domingo, 10 de julho de 2011

Espaço Museológico do Prof. Arnaldo Silva em Torre de Moncorvo

PARABÉNS!!!!
O seu espaço Museológico fez dois anos no sábado, não pude estar presente, acredito estar para o ano!
Autorizou-me a divulgar-lo...
Últimas reportagens:
http://www.fotonucleodourosuperior.net/
http://videos.sapo.pt/QDmNz96w405EVowzZRJK
http://noticiasdonordesteultimas.blogspot.com/2011/04/torre-de-moncorvo-projecto-de-arquivo.html

Roidinha de inveja....eheheh
Tanto que adorava assim ter um...Nem espaço, muito menos peças.
Glória maior à sua audácia, coragem , luta e visão.Só possível em gente de fibra,iniciativa, muita vontade, querer e determinação.
Grande homem, com "H" GRANDE
Arnaldo Silva e linda família que tem. Bem hajam pelo que todos juntos conseguiram!

Não posso deixar de referir que este mundo bloguista tem-me dado muitas alegrias e riqueza de conhecimento.
Antes o escrevi, e continuo a escrever,por aqui encontrei os melhores amigos da minha vida, incrível depois dos cinquenta, apesar de saber que nem sempre se pode agradar a todos, seja pelo jeito da escrita,da amostragem temática, não deixa de ser um conhecimento virtual da nossa personalidade, que muitos agoiram ser mais aberta, realista,noutros manhosa, falaciosa,irreverente, uma e outra sendo desprovida do conhecimento real pode de quando em vez ser geradora de equívocos. Mesmo assim, não me posso queixar, tal a diversidade de pessoas que travei amizade,idades e culturas diferentes da minha. Uma mais valia que não me canso de referir.
Bem hajam a todos por continuarem a visitar e a ensinar!
Um dos últimos amigos um Prof do ensino Básico, casado com um casal de filhos, lindíssimos, amante de fotografia por terras de Moncorvo.

Na verdade este seu espaço foi o culminar de um sonho com muitos anos. Sem ajudas, a não ser da sua mulher e filhos.

No seu dizer..."Aprecio a sua coleção de faiança e toda a sua pesquisa. Eu inicio esta
empreitada após a retirada de milhares de fragmentos encontrados no
meu espaço museológico em Torre de Moncorvo, Bragança. Das peças de
1580 até finais do Séc. XVIII, já vou dominando as características. As
mais recentes até 1950 ainda não percebo nada. E digo esta data porque
os fragmentos encontrados estavam sob uma placa colocada por cima de
um antigo quintal na referida data."

Trecho de um dos seus emails" vou continuar a chateá-la com esta minha nova aventura na faiança. Tenho visto o seu blog, e reparei que me chamou de amigo de Moncorvo e que nos visitava no Verão. Fiquei tão feliz..."

Deleitem-se com alguns exemplares sem qualquer ordem...
Algumas peças
Taça provavelmente de faiança Coimbrã,século XX, estampilhada,rebordo com cordão de pérolas em azul claro.Uma peça delicada. Nas últimas feiras andam duas peças do mesmo formato atribuídas a Coimbra, muito raras por serem de modelagem mais refinada, elegante que as palanganas, século XIX.
Prato com decoração a três contas na aba e no centro flores e espiral fechada. Pintado a azul claro, vinoso e manganês. Faiança de Coimbra, século XVIII?
De textura grosseira,malegueira se apresentar no tardoz buraquinhos e esmalte arrepiado. Nunca tinha visto exemplares de Coimbra com espirais fechadas, só abertas até à semana passada que na feira de Oeiras comprei uma palangana assim, pequena ratinho.
Malga com filete azul por dentro atribuída ao fabrico de uma fábrica do norte, talvez Gaia.
Fragmento prato covo, textura grosseira com flor ao centro em azul. Possivelmente faiança de Olivares, Espanha ou loiça conventual.
Fragmento de uma travessa, esmalte branco, apresenta uma bela marca no tardoz que desconheço e não vi no livro de José Queiroz
Fragmento de prato, massa grosseira,decoração com 3 contas em azul cobalto, azul claro e manganês, espiral fechada ao centro. Será Coimbra, século XVIII?
Belo exemplar de um prato com arabescos e folhagens pintado a um tom de azul claro.
Não conheço o tardoz, seria fácil atribuir este exemplar a Coimbra, pré ratinho do Brioso? ou do tempo que veio um pintor espanhol trabalhar para Coimbra e claro trouxe influências. século XVII?
Será este belo exemplar faiança Coimbra ou espanhola?
Só analisando a peça ao vivo.Carateristica desta loiça, esmalte branco láteo, que ao vivo reconheço bem.
No Museu de Arte Antiga existe um prato igual, apresenta no conjunto incluido um animal junto ao "olho" atribuído a faiança espanhola, será Talavera de la Reina?
Parte de um prato,textura grosseira.
Motivo de decoração tipo aranhões, faltando-lhe as pernas enroladas em caracol? Decoração a vinoso,no filete da aba e no corpo dos aranhões, apresenta tracinhos em fila, espiral ao centro fechada?, círculos à volta do prato em azul claro.
Estilo barroco.Será faiança pré ratinho,século XVII?
Prato em faiança portuguesa,fabrico atribuível a Lisboa.Pintado a azul e manganês sobre branco,tarja da aba rocaille, volutas ou enrolamentos em bandas concêntricas de decoração barroca,no centro falcoeiro,falcão e paisagem estilizada, leva a acreditar que seja do final do séc. XVII ou inícios do séc. XVIII, comparando-o com vários exemplares do Museu Nacional de Arte Antiga e patentes na obra Faiança Portuguesa, Roteiro Museu Nacional de Arte Antiga, Instituto Português de Museus, 2005.
Sendo que estes fragmentos foram encontrados em Torre de Moncorvo, lugar estratégico no norte do país,onde tanto aparecia faiança do norte, Coimbra e espanhola, o que facilmente se evidencia pelas recolhas já elaboradas e outras em jeito disso.
Sendo a faiança do norte a de maior número encontrada,loiça de uso comum, pratos rasos, sopa e malgas, pelo que me apercebi, o que é perfeitamente natural.

Mais uns trechos...

"Há tempos falou-me que retirava os cacos dos quintais na sua aldeia. Há dias, em Lamego, num terreno de familiares encontrei várias centenas . E que bonitos...

Está a despertar em mim esta paixão."

" e, depois de ler as postagens no seu blog, acredito imenso na sua irreverência. É uma mulher de armas."

"Está convidada e traga amigos e familiares.Sinto também a sua alegria ao ver os meus cacos. Este novo projecto está-me a dar tanto, mas tanto saber. Algum dia eu suporia aprender estas coisas? Sou-lhe franco, não. Mas agora, já tomei esta área como
o meu melhor passatempo."

Caro Arnaldo, eu é que agradeço de coração ter entrado em contato comigo e em ter partilhado as suas pesquisas.Jamais esquecerei o mérito, o empenho, sei que é corajoso e obstinado, será do signo Touro?

O bom amigo Arnaldo Silva ficou estarrecido...

"Grande post. Descritivo, real e emotivo. Só de quem organiza as ideias com clareza e sentido estético. Está muito bom,também com os comentários, agradeço desde já os parabéns que me foram endereçados".
Faz ainda uma alusão ao comentário da IF..."Gostei do comentário da sua amiga de Mogadouro. Terra de Trindade Coelho. Tenho um amigo historiador que recebeu, há dias, uma grande colecção de fotos dele de 1986. Uma relíquia. Um outro mostrou-me cartas do pai dele. Por estas bandas ainda nos vamos entusiasmando com estas evidências."

terça-feira, 21 de junho de 2011

Faiança de Miragaia (?) motivo cantão popular

  Travessa cantão popular de Miragaia século XIX (?)
Quando a comprei apresentava por dentro uma falha no vidrado a toda a volta, julgo estaria arrumada com outra mais pequena que ao encaixar, e mais utilizada durante anos a fio sempre no retirar e arrumar de novo a  danificou no vidrado ficando a de baixo, a minha  esbeiçada sem esmalte algum, a toda a volta,  ficando à mostra o barro branco levemente amarelado. Restaurei-a.
Tardoz da travessa oitavada de esmalte brilhante  branca de pasta homogénea.


A distorção do desenho original Cantão com as pontes que delas aqui fizeram barcos sendo que a de baixo leva dois remadores com remos debaixo dos braços. 



A forma das cúpulas das torres, o suposto salgueiro de cinco ramos ladeado por uma árvore tipo estilizada muito desenhada neste motivo a norte além das duas portas no casario  com as ombreiras curvas dão a sensação de "olhos com sobrancelhas".

Visível nos cantos nervuras ou vincos na massa, esmalte branco translúcido atribuído a  Miragaia.



Prato em motivo Cantão Popular numa variante que diria "Contemporânea" apresenta esmalte melado que irradia beleza do azul do motivo, pode ser fabrico final de Miragaia(?)






As diversas variantes portuguesas designadas por " Cantão Popular " não são mais do que variantes do Cantão da Companhia das Índias, mais tarde por influência da loiça inglesa, vários motivos, sendo o motivo Willow  pattern, o padrão do salgueiro muito pintado, surgido em Inglaterra no século XVIII como suposta transposição de um motivo chinês ilustrativo de uma lenda amorosa que alegadamente lhe estava associada, apresenta por sua vez inúmeras variantes, tal como o nosso Cantão Popular, que Sacavém produziu na Real Fábrica e depois mais tarde com o modelo Chorão. 


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ainda voltando a falar de penicos...

Vou de férias até aos Algarves.
Deu-me uma vontade de vos deixar novos exemplares de faiança escatológica, termo que aprendi com a seguidora assídua Maria Andrade, a quem endereço um beijinho especial pela grande aprendizagem que com ela tenho adquirido. Bem haja, hoje e sempre.
Apeteceu-me deixar a pensar os demais...ser ou não ser Coimbra, Cavaco, Juncal ou...
Vim carregada da feira da ladra com mais dois penicos...

Estes dois muito parecidos com outros dois que já tenho.
Ligeiras diferenças.

Rebordo do pé largo, duas riscas azuis no bojo e no rebordo, barro vermelho.
Evidente a massa malegueira com buracos tal como em muitos ratinhos, que a pintura não adere.
Há partida seria fácil atribuir todos a fabrico de Coimbra (?).
Acontece que o circulo da base, o pé, nuns é bastante largo e noutros mais estreito e um ainda mediano.Também o rebordo do bocal nuns é muito airoso, elegante,enquanto noutros é quase talhado a direito sem rebordo saliente.
Também as riscas tem tonalidade diferente. Umas azul cobalto, outras azul claro e outro com duas riscas uma maior que a outra.

Uns são de argila branca e outros vermelha.
As asas são iguais com um pormenor no final uma dedada que o oleiro fazia para colar a mesma ao penico.
O penico de flores que não está postado aqui tem a asa diferente e esse não tenho dúvidas de ser de Coimbra.Veio de herança da casa dos avós do meu marido onde a loiça era praticamente toda de Coimbra e Aveiro. No entanto haviam mais 3 penicos bejes mais pequenos de massa malegueira.
Apenas um deles apresenta um esmalte lateo anilado que faz lembrar a pintura de Cavaco, postado no

leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.com/2011/05/penico-cavaco.

Fácil é entender que serão de épocas diferentes.
É sabido que as tinas de tinta seria feita talvez por aprendizes que nem sempre respeitariam a dose dos produtos, o que induz a tentação de de acreditar que sejam efetivamente todos de Coimbra, mesmo.No século XIX haviam 14 fábricas em laboração 7 de barro branco e igual número de barro vermelho.

Na feira não resisti a trazer este, apesar de lhe faltar um pedacinho no rebordo que vou restaurar.Igualzinho ao que tenho dúvidas se será Cavaco, um nadita menos anilado, igual ao da Maria Andrade.
Depois de outras pesquisas pode aventar-se que de fato é produção norte, possivelmente SAVP(?)

Comprado na feira da ladra .O sarro que tirei com o esfregão de arame...Ofereci-o á minha amiga Isabel Saraiva, para lhe dar sorte no casório.


Este que postei à dias de todos o mais anilado, no resto igual a este que lhe falta um pedacinho. A foto aqui ao meio de propósito para se comparar.


No mesmo dia encontrei outro  meio escondido entre carros...o vendedor apressou-se a dizer que era de Coimbra e com muita certeza.

Visualização do fundo, o friso da base é mais larga do que o penico a seguir e mais pequena dos de Coimbra postados à dias.

Vão servir de decoração num qualquer espaço...
A Maria Andrade tem um igual a estes de risca azul e um com flores que não engana ser Cavaco.
http://artelivrosevelharias.blogspot.com/2011/04/faiancas-e-porcelanas-escatologicas.
Atrevo-me a pedir que quando tiver um tempinho se fotografa o fundo dos seus e acrescenta no seu post para comparação.

Este penico é semelhante a outros que tenho. O esmalte é mais translúcido e asa é lisa
Sobretudo o Cavaco, estou curiosa.Muito obrigada, e desculpe o desafio.
O LuísY alvitrou no seu post que tinha visto uma imagem muito idêntica num catalogo de faiança do Juncal.Uma coisa é certa no Juncal só se trabalhava barros brancos que até iam de barco para o Porto e Lisboa embarcavam na Figueira da Foz, e estes exemplares mais torneados, elegantes são todos de barro branco.
Ajudem-me!
Prometo que não volto a faianças escatológicas.

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...