Mapa das Olarias em Coimbra no final século XIX a meados do XX

Mapa encontrado nas demolições para o Metro no Largo das Olarias

Retirado de http://astiascamelas.blogspot.pt/2015_09_01_archive.html

"Nas escavações arqueológicas que têm sido feitas no âmbito da utilização do local para o futuro canal do Metro, devem naturalmente confirmar o que consta desta planta de autor desconhecido feita na década de 80 do séc. XIX, que reproduz um desenho executado em 1810/20, com um levantamento das fábricas de louça de Coimbra, no Bairro das olarias.

Planta topográfica, acompanhada de recorte de jornal (colado do lado esquerdo) dando notícia da descoberta da planta original, que serviu de base a este desenho, e descrevendo a localização das catorze fábricas de cerâmica e os nomes dos seus proprietários, da autoria de Joaquim Martins de Carvalho, publicado no jornal "Conimbricense", nº 4354, de 21 de Maio de 1889.

Em baixo, à esquerda, legenda das cores e legenda dos números, correspondendo aos proprietários das fábricas.
Escala gráfica expressa em palmos. No recorte de jornal lê-se o seguinte:

Podemos obter há dias e salvar de ser destruído um documento muitíssimo interessante para a história da cerâmica em Coimbra. É uma planta topográfica, feita a cores, em aguarela, representando o bairro baixo de Coimbra, na área das fábricas de cerâmica. Tem o seguinte letreiro - Bairro da cidade de Coimbra, denominado das Olarias, ocupado com as fábricas de louça fina e ordinária, isoladas dos edifícios urbanos, que não são acessórios destas; cujo bairro se acha circunscrito por varias ruas, quintais e ínsuas do Mondego. esta planta topográfica não tem data; mas todos os dados nos fazem crer que foi feita entre os anos de 1810 a 1820. Com diferentes cores se designa assim:

1º Edifícios das fábricas

2º Pátios das mesmas

3º Edifícios contíguos doutras fábricas

4º Tanques para barro

5º Poços.

As fábricas que existiam no bairro das Olarias eram 14. Os donos dessas fabricas eram, porém, só 11; porque 3 deles possuíam 2 fabricas cada um. Algumas dessas fabricam já hoje não existem; em lugar delas há presentemente outras. Na planta topográfica estão mencionadas as seguintes fábricas:

1ª - Ao fundo da rua das Padeiras; pertencente a António de Oliveira Raimão. - Já não existe.

2ª - Na rua de Simão de Évora, a qual planta topográfica é designada com o título de travessa da Magdalena; pertencente a Manoel Caetano Moura.

3ª - Com frente para o fundo da rua de Tinge-rodilhas, rua de Simão de Évora e rua da Magdalena; pertence a Manoel José de Abreu. - Esta fabrica e a antecedente, sob o nº 2ª, pertencem hoje ao sr. Leonardo António da Veiga.

4ª - Com frentes para o largo das Olarias e fundo da rua de Tinge-rodilhas; pertencente a João das Neves.

5ª - Com frente para as Olarias e fundo da rua da Moeda; pertencente a Manoel Francisco Barbas.

6ª - Ao fundo da rua da Moeda; pertencente a Rita Gama.

7ª - Também ao fundo da rua da Moeda, pegada à antecedente; pertencente a João das Neves.

8ª - Na rua da Madalena; pertencente ao bacharel José Fortunato de Almeida. - Uma filha bastarda deste bacharel veio a casar com o z.
dr. Nuno José da Cruz.

9ª - Na rua da Moeda, fazendo frente para essa rua e para o espaço das casas mandadas arrasar pelo infame tribunal da inquisição, no processo contra o infeliz lente e cónego António Homem; pertencente a José da Conceição. - Já não existe.

10ª - Ao fundo da rua da Moeda, com frente para essa rua e para a travessa que comunica com o fundo da rua João Cabreira; pertencente a Manoel José Abreu. - Foi destruída por um incêndio. - está hoje no local uma fabrica a vapor, de moer vidro para a louça.

11ª - Na rua João Cabreira, que na planta topográfica vem designada pelo nome de rua da Fabrica, por ser ai que se havia estabelecido a celebre fábrica de damascos; de que já em tempo demos largas noticias no Conimbricense. Essa fábrica de cerâmica nº 11, pertencia a João de Figueiredo.

12ª - Na mesma rua de João Cabreira, pertencente a Manoel de Jesus.

13ª - Na mesma rua de João Cabreira e comunicação para o largo de Santo António; pertencente a Manoel Joaquim Pessoa.

14ª - Com frente para o largo de Santo António e fundo da rua João Cabreira; pertencente ao mesmo Manoel Joaquim Pessoa.

Este mapa mostra também com clareza a zona de passagem da runa que fazia chegar ao Mondego as águas vindas da cerca dos Crúzios, e demonstra importância da olaria na economia da cidade, e a grande implantação de pequenas fábricas de olaria no perímetro urbano, no séc. XIX."


Com diferentes cores se designa as "Nos trabalhos na intervenção de Arqueologia de salvamento na Baixinha de Coimbra têm como objectivo o registo integral e a caracterização detalhada dos vestígios de ocupações antigas desta zona da cidade, que se encontram em área coincidente com a implantação do futuro Metropolitano Ligeiro do Mondego, nesta zona da cidade. Tal como esperado, a intervenção levada a cabo no espaço entre a Rua Direita e o Largo das Olarias, resultou, entre outros, na identificação de vestígios relacionados com as unidades de produção de cerâmica que terão ocupado esta zona da cidade a partir do século XVI. Estes respeitam, essencialmente, a um número muito significativo de valas de forma relativamente regular, abertas em antigas áreas de logradouro do quarteirão e subsequentemente aterradas com material cerâmico. Estas estruturas seriam utilizadas pelos oleiros para descarte de dejectos de produção. A par de fragmentos de recipientes de cerâmica comum, cerâmica vidrada e faiança - algumas vezes com evidentes marcas de erros de produção - verifica-se a presença de fragmentos de chacota, de trempes de diversas morfologias, nódulos de material argiloso e possíveis fragmentos de moldes. Foram recuperados materiais atribuíveis a cronologias dos séculos XIX, XVIII e XVII, cuja caracterização mais detalhada constituirá uma contributo relevante para o conhecimento do desenvolvimento desta industria na cidade de Coimbra. Para além destes vestígios, estão ainda em escavação nas áreas mais próximas da Rua Direita, diversos troços de muros relacionados com antigas construções, tendo-se verificado também diversos pavimentos e calçadas, testemunhos de transformações diversas na ocupação desta zona de Coimbra ao longo do tempo."
"A mais antiga referência à produção de Faiança Portuguesa em Coimbra remonta a 1603, ainda que a manufactura se possa ter iniciado alguns anos antes, dado a tradição oleira naquela cidade se encontrar bem documentada desde os inícios do século XVI. "
A primeira fábrica de faiança de Coimbra existia no séc. XVII no Terreiro da Erva , no centro da cidade de Coimbra. Alguns originais dessa fábrica encontram-se no Museu Machado de Castro nesta cidade.
A Fábrica Rossio de Santa Clara – Coimbra, fundada pelos Mestres Domingos Vandelli e Manuel Costa Brioso em 1784 foi a mais conhecida fábrica de faiança de Coimbra ( Brioso já assinada peças em 1779 na sua fábrica).
Em 1886 existiam 11 fábricas de cerâmica em Coimbra onde se produzia a faiança ratinho, que era uma louça mais barata, e a faiança de Coimbra, que ainda hoje é muito conhecida.

Conhecem-se pelo menos três jazidas de argilas claras (Trouxemil, Póvoa de Bordalo e Adémia).
O barro necessário para o fabrico das peças cerâmicas vinha dos locais de Quarto (Estação Velha), Póvoa e Sioga do Monte (Trouxemil). A matéria-prima, o barro branco, combinado com a marga verde do Loreto, constituíam a pasta para a loiça branca, porque a vermelha se fabricava com o barro de Alcarraques que já no século XVI era preconizado como de excelente qualidade. E há referência que daqui provinha já desde 1897. Abasteciam as olarias localizadas na margem direita do Mondego, nas freguesias de São João de Santa Cruz, São João e São Tiago. O comércio externo de faiança coimbrã era efectuado através do porto da Figueira da Foz, escoada desde Coimbra em barcaças e aí fazendo-se o transbordo para embarcações de grande calado.
As pastas das faianças coimbrãs, bem depuradas, oferecem tons rosados e as superfícies possuem esmalte pouco aderentes e não muito brilhante. As formas reproduzem as lisboetas, embora com algumas singularidades, tais como as campainhas.
Pequena taça da minha coleção, supostamente decorada com as campainhas(?) 
As decorações recorrem às cores azul e/ou violeta, de tons escuros e o desenho não demonstra grande sensibilidade estética, sendo por vezes algo ingénuo. Todavia, existem alguns temas decorativos particulares, o que torna este centro produtor bem reconhecível em relação a Lisboa e Vila Nova (Gaia).
VILA NOVA DE GAIA
Este centro produtor, localizado na margem esquerda do rio Douro imediatamente a sul do Porto, e correspondendo maioritariamente à freguesia de Santa Marinha, terá sido impulsionado, de acordo com evidências documentais, tanto por artesãos locais como por alguns oleiros oriundos de Coimbra e de Lisboa, desde, pelo menos, 1604. Durante o século XVII não havia conhecimento de jazidas de barro branco nas imediações de Vila Nova, pelo que a argila utilizada na produção de faiança tinha, quase exclusivamente, origem em Lisboa, bem como o chumbo e os pigmentos empregues na sua pintura.
As pastas, bem depuradas, oferecem compreensivelmente cores claras, muito semelhantes às de Lisboa, sendo o vidrado aderente e brilhante. As formas são comuns às produções lisboetas, mas as decorações mostram desenho menos hábil e algo popular. 
Olarias de Coimbra 
“Fábrica do Lagar” em 1867, inicialmente há registo, nos arquivos da universidade (processos industriais do governo civil), do edifício ter sido um lagar de azeite.  A “cerâmica antiga” situava-se, num antigo Lagar de frades, há pouco mais de 230 anos. “Ligado à sua origem estaria um proprietário, cujo nome não nos foi possível averiguar, a quem teria pertencido uma fábrica de louça de barro vermelho na Rua João Cabreira. Estando interessado em montar uma fábrica de louça fina, tê-lo ia feito no mesmo local da Rua Direita onde se situa hoje a referida fábrica.” É provável que a oficina tenha encerrado no intervalo entre 1905 e 1914, sendo que reabre em 1915." 
Breve Contexto histórico 
"O Terreiro da Erva, situado próximo de algumas das artérias da Baixa (Rua Larga e Avenida da Madalena), era sítio de onde se produzia a partir dos finais do século XVI faiança. Porém já se encontravam a laborar no século XII, algumas oficinas e sabe-se que numa primeira fase, produziu peças inspiradas na cultura oriental, nomeadamente chinesa. Há uns anos vi na feira de Algés numa banca de um "cigano" um belo prato, raro, com uns 30 cm de diâmetro , de esmalte grosseiro amarelado com um chinês vestido de manto pintado em azul cobalto, mais tarde havia de o voltar a ver noutra banca em Tomar mas com o rebordo todo brucinado, interpelei o vendedor, chegamos à conclusão se tratar do mesmo prato,diz-me que quando o comprou estava aparentemente impecável mas ao lavá-lo a massa do restauro começou a sair , ainda assim fascinada pelo prato que não tive dúvidas ser de Coimbra (?), não o consegui comprar porque o único dinheiro que tinha feito na feira (70€) não aceitou, porque se lastimava que tinha feito 300 km e só tinha vendido duas malgas de Sacavém por 20 €... haveria o colega ao lado para me confortar dizer-me que é bipolar...
Continuando... "O que contrastava com os modos de saber fazer portugueses, criando peças únicas, “aos tons de azul sobre pasta branca ou acinzentada” reconhecidas em todo o mundo."Adquire destaque a família Paiva com prática nesta actividade desde meados do século XVII, de entre os membros salienta-se o nome de Agostinho de Paiva, autor da mais antiga peça assinada, que nos seus primeiros trabalhos surge nomeado no  Estudo da faiança de Coimbra como “azulejador e pintor”, mas que foi também “mestre de tendas de louça branca” (PAIS, et. al., 2007, pp. 53 a 55). 
Esta família mantinha relações estreitas com outra, relevante deste período, a família Costa-Brioso."
"Foi no último quartel do século XVIII que surgiram faianças policromas de formas diversificadas  que foram marcados por duas importantes figuras;
1- Manuel da Costa Brioso, normalmente datadas pelo fundador de uma fábrica de faianças em Coimbra, datando de 1779 a sua primeira peça assinada Briozo. 
Emissão de Selo de 1991 Faiança Portuguesa Costa Briozo
Fonte de Parede 
Faiança policroma (manganês, amarelo, azul e verde) 
Séc. XVIII (1781) - Coimbra, Manuel da Costa Briozo 
37 x 25 
Col. J. M. Teixeira de Carvalho - MNMC 9426
Emissão de selo de 1992 Faiança Portuguesa
A «louça ratinha»
Deve o seu nome à alcunha posta aos trabalhadores das Beiras, seus grandes consumidores, que sazonalmente se deslocavam para o Ribatejo e Alentejo. Curiosamente, os pratos da fase mais antiga da produção têm inequívocas afinidades com decorações persas, uma coincidência para a qual ainda não há explicação . Esta louça, destinada a consumidores de poucos recursos, apresentava vidrado pobre em estanho e decoração esponjada, em contraste com a louça “vandel”, de melhor qualidade técnica.
2 -" Pelo professor universitário de origem italiana, Domingos Vandelli, que foi proprietário de uma fábrica de louça no Rossio de Santa Clara que inicia em 1784, a produção da que foi considerada a melhor faiança do País, em concorrência com a Fábrica do Rato. Com grande impacto na indústria cerâmica nos finais do século XVIII e inícios do século XIX, os seus fabricos ficaram conhecidos como louça de Vandelles. "
"A louça de VandellesDomingos Vandelli tinha 37 anos quando encetou todas estas tarefas e é inacreditável como conseguiu tanto fazer em pouco mais de trinta anos. Porém, o seu trabalho não ficou por aqui: ciente da importância da louça e conhecedor dos barros e argilas da região de Coimbra, funda a Fábrica de Louça Vandelli ao Rossio da ponte de Santa Clara, precisamente nos terrenos entre o Mosteiro velho de Santa Clara e a Real Fiação de Cordas, Amarras e Linho Cânhamo, fundada no século XVII, erguendo-se hoje no seu lugar o “Portugal dos Pequenitos”, jardim recreativo e cultural dos mais novos, fundado pelo Dr. Bissaya Barreto na década de 1940. Vandelli  privou com os homens que fundaram a fábrica de louça do Rato. Com o seu saber, tê-los-à ajudado na escolha das argilas e barros, na obtenção dos elementos que compunham a pigmentação das cores. Já em 1772, um ano antes do fabrico em Portugal da “primeira peça de porcelana”, Vandelli escrevia a Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, governador de Mato Grosso no Brasil, pedindo-lhe para examinar “todas as espécies de terras as quais podem servir para fazer e pintar louça”. Assim, em 1784, Domingos Vandelli funda a Fábrica do Rossio de Santa Clara que se manteve a laborar até 1810, ano em que um fogo, ao que parece ateado por  26 soldados ingleses aboletados à Guarda Inglesa terão ateado. O certo é que o uso revolucionário do verde e do sépia na sua louça foi uma inovação muito estimada e nada tardou que estas cores viessem repor o monocórdico azul e branco da olaria coimbrã. E trata-se de Salvador de Sousa Carvalho e Manuel da Costa Brioso. Para lá de tudo isto e à semelhança da fábrica do Rato, em Lisboa, Vandelli produzia louça de carácter utilitário, como jarras, pratos, travessas, canecas e areeiros. Portanto, a sua fábrica não só produziu louça em barro vidrado, que o povo apelidou de “Louça de Vandelles”, como peças em porcelana branca e fina, à semelhança da fábrica lisboeta do Rato. A ideia do prático impunha-se sempre a qualquer conceito de estética, mantendo os seus padrões de pintura características muito próprias e formatos de louça bem singulares. Tal facto leva a que hoje seja difícil distinguir a louça do Rato da “louça de Vandelles” em justo que ambas tenham um valor elevado no mercado de antiguidades".
Museu Machado de Castro, faiança policroma (manganês, ocres azul e verde) Séc.XVIII (último quartel) Coimbra, Fábrica do Rossio de Santa Clara 20 X 35X 24 Col. Celso Franco.
"Neste ambiente, a baixa da cidade ganhava um Bairro apenas explorado por oleiros tendo inclusive ganho essa designação o Cais onde atracavam as barcas que exportavam as faianças." 
"Neste período fértil do século XVIII, laboravam 17 fábricas, destinadas a essa produção, sendo que contudo, o número decrescia, para 14, a partir do arranque do século próximo.
E em 1886, há registo de 11 fábricas de louça, que já se começavam a confrontar com a grande indústria e o aparecimento da porcelana."
"Loiça Branca
Segundo Leite de Vasconcelos "resta dizer que a louça branca se classifica em duas categorias: fina, e de Vandelli, e grossa, ou de segunda qualidade.Na primeira toda a pintura com estampilha, na segunda subsiste a pintura a esponja ou pincel "
Prato da coleção do Museu Machado de Castro em Coimbra  em comparação com a minha travessa com a tricana muito semelhante na textura e grossura podem ter saído da mesma fábrica(?)
Fábrica de Joaquim Alfredo Pessoa - travessas  e prato da coleção do Museu Machado de Castro
Em comparação a semelhança com algumas peças da minha coleção atribuídas a Coimbra(?) sem marca.
Coimbra - fábrica Alfredo Pessoa Filho 
Formato base larga , ao meio do bojo um recorte, e o entraçado das pegas. 
Em 1888 na exposição de Lisboa segundo o Livro de Cerâmica de Coimbra - "estiveram presentes com loiça fina apenas estampada e riscada como é costume, possuem como denominador comum - a cor vermelha - rara na produção cerâmica nacional."
Veja-se a comparação com a minha travessa, nas mesmas flores
A minha sopeira sem tampa de igual formato, de pegas entrelaçadas diferente
Estas duas peças é intrigante a origem. A 1ª pode ser Gaia e a 2º Alcobaça . Mas também poderão ser Coimbra
Pratos serão com muita certeza fabrico de Coimbra
Fábricas de Louça branca 
  •  João António da Cunha
  • José Luís de Moura
  • José António dos Santos
  • António da Costa Pessoa e Irmão
  • Adriano Augusto Pessoa
  • Bento José da Fonseca
  • Joaquim Alfredo Pessoa
  • Adelino Augusto Pessoa
  • Leonardo António da Veiga, supostamente este se associou a outros (?)  na designação comercial Veiga Succes COIMBRA, a peça marcada na massa, enfusa  com decoração esponjada aponta fabrico anterior a 1911-12. 
Citando
(http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2015/07/um-novo-estudo-sobre-faianca-de-coimbra.html)
Fábricas de louça vermelha
  • Joaquim Carvalho
  • António da Silva Pinho                                                                 
A Cerâmica Portuguesa da Monarquia à República
Prato em faiança de Coimbra 
"Viva a República" inícios século XX (coleção António Pestana de Vasconcelos)
Prato em Faiança de Coimbra
Pintado e estampilhado no tempo da República.
"Trata-se de uma proposta de bandeira para a República feita pela Loja Montanha do Grande Oriente Lusitano Unido.
Data: c. 1910
Fundo: Museu Maçónico Português/Fundação Mário Soares"
Litografia "Os Messias" de Rafael Bordalo Pinheiro
A Paródia de 1904 na inspiração para a pintura da faiança-, os chapéus.
O chapéu da moda A Paródia 1906                                        A República em Lisboa   A Paródia 1905
                                          Litografias de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro                           
Faiança de Coimbra 
Busto da República e Representação da República
Coimbra 1910- 1925
Coleção Museu da Cidade Lisboa
Fábrica de Louça de Sacavém 1908, faiança em pó de pedra com fotolitografia a séptia e aplicações a ouro a frio com o príncipe D.Manuel II. Este mês num estaminé na Ladra haviam vários à venda com chávenas, nesta decoração e noutra com flores ( que gosto mais), já só restavam três , dois dos quais apresentavam "cabelos" e outro incompleto, de tamanho pequeno, sem me identificar a vendedora pediu-me por duas vezes preços diferentes, ainda assim altos, para depois numa feira que fizemos onde me identifiquei como colega , descarada pediu-me 50€...
Fábrica de Massarelos Porto prato "Torre de Belém" início do século XX
Faiança em pó de pedra com estampagem.
Vendi um exemplar impecável na última  feira de Algés a um colecionador com mais de 200 pratos com motivos ligados ao mar.Curiosamente apesar de novo tinha na aba um buraquinho, um uso nomeadamente na região de Coimbra, pela pobreza era pendurado num prego, à falta de armários, sendo que os cachopos todos picavam da mesma bacia, só o homem da casa em geral comia do prato, este fator, o buraquinho contador de uma história, quase não ia para casa do colecionador...
Faiança de Coimbra
Tradição Revolução Coimbra 1º quartel do século XX
Prato em faiança de Coimbra 
Interessante com o retrato do Afonso Costa às cavalitas do Zé Povinho, que se reflete no tardoz
"Em 1914 e 1915, aparecem registos num requerimento em que António Cardoso de Carvalho pretende uma licença para reabertura e funcionamento da fábrica em estudo, depois de um provável período de fecho do estabelecimento. Foi aceite o pedido mas esta já encontrava sujeita à legislação referente aos edifícios insalubres e incómodos (referida nos capítulos anteriores), sendo que se apontavam o excesso de fumo que produzia e o perigo de provocar incêndios pela acumulação de combustão. Pelos pedidos de reabertura e as medidas de legislação referidos, podemos afirmar que, não será por acaso que se tenha realizado e aprovado a planta de 1915 estando estes eventos relacionados.A fábrica sobreviveu às grandes pressões das indústrias de calibre maior, de porcelanas, atravessando assim o século XIX, apesar da mudança sucessiva de gerentes, sendo que foi de fato a única sobrevivente a esta concorrência cerrada.
Terrina da minha coleção assinada José Cardoso, Coimbra ( não sei se terá ligação ao acima mencionado(?)
Não será alheio a mudança e adaptação da produção do estabelecimento de António Cardoso de Carvalho que, em 1928 terá começado a fabricar para além de loiça domestica, faiança decorativa.
Buscas foram feitas nos solos do Terreiro à procura de vestígios de fabrico e peças, sendo que se acharam peças defeituosas, devido a má cozedura ou ornamentação. Outras peças foram encontradas tendo passado apenas por uma cozedura, sem serem vidradas e pintadas, sendo que por isso se pensam ter existido nas imediações da oficina, depósitos a céu livre e outros fornos."
No que diz respeito ao fabrico do vidrado
"Era constituído por um preparado de chumbo, estanho, areia de Mira, e ainda sal Marinho,devido a esta areia ser muito fina. O chumbo e estanho eram derretidos no seu respetivo forno e misturava-se a areia de seguida a este processo, passando para a caldeira do forno, durante dois ou três dias. De seguida se destinava ao pisão para aí ser reduzido a pó, a este se acrescentava água segundo necessário e destinava-se ao moinho durante dois dias. Atualmente este processo é muito mais rápido e simples, compra-se o pó já elaborado e acrescenta-se a água. 
Passava- se assim de uma peça de louça preta e fosca para um objeto amarelado e, claro, vidrado.  Este era o processo para a chamada (erradamente segundo Charles Lepierre) loiça de Vandelli."
"A faiança de Vandelli ficou conhecida como a cerâmica mais fina de Coimbra. No entanto, a antiga produção manteve-se em Coimbra através da cerâmica dita ratinha (MELLO, 1886, p. 35; PAIS, et. al., 2007, p. 107).Contudo este era o meio utilizado para cozer a faiança de maior qualidade, faiança que se demarcava pelo uso de argila fina e o seu vidrado mais estanífero e opaco, vidrado mais estanífero e opaco
Mas acaso se tratasse de loiça ratinha, mais grosseira, eram apenas cozidas umas sobre as outras."
"Esta faiança denominada ratinha tinha ainda um outro tipo de fabrico mais económico e de menor qualidade, que consistia basicamente na aplicação do estanífero (substancia vidrosa) sobre a peça crua apenas seca ao ar livre (processo que demorava cerca de 5 a 6 dias) e pintada em seguida para ser enfornada apenas uma vez. Este processo de única cozedura remonta ao século XVI, como já se fazia em Itália." 
"Na exposição distrital de Coimbra de 1884 foram formuladas apreciações negativas respeitantes à louça de Coimbra, que se mostram concordantes com essa ideia, e que atestam como o baixo custo se conjugava com a baixa qualidade.
José Amado Mendes cita um desses testemunhos que refere que “a louça de Estudo da faiança de Coimbra, se não pode competir em perfeição com a de muitas fábricas do Pais, excede-a na modicidade do preço, e portanto na utilidade, porque aproveita às classes menos abastadas, que são as mais numerosas. Ainda assim, a faiança de 1ª qualidade pode, sem vergonha para a indústria nacional, adornar a mesa do rico e do remediado; e a louça grossa, de uma barateza extrema, aproveita a todos e é indispensável mesmo na casinha do abastado” (MENDES, 1982, p. 33)."
"O baixo custo da faiança de Coimbra era frequentemente indicado como uma das causas para a sua grande procura (MENDES, 1982, p. 33). "
"Outro testemunho é o de António Augusto Gonçalves que refere que o que falta à faiança de Coimbra é o “gosto e desenho: desenho e gosto na forma; gosto e desenho na pintura.” (GONGALVES, 1884, p. 40). "
"Desta forma, a crítica revelar-se-ia não só ao nível material, mas também estético, um carácter da louça ratinha que é apresentado por diversos outros autores: 
Adelino das Neves e Mello definiu-a como “grossa ou de segunda qualidade” em oposição à de Vandelli (MELLO, 1886, p. 35)
Charles Lepierre digna-a de grosseira e ordinária (LEPIERRE, 1899, p. 119 e 121)
José Queirós afirma que o movimento cerâmico de Coimbra estava a chegar a uma decadência (QUEIRÓS, 1949, p. 134)
Rafael Salinas Calado descreve-a como e a “(…) francamente popular, de enorme poder decorativo, rústica e castiça (…)” (CALADO, 1992, p. 94). "

"O carácter depreciativo encontra-se ligado ao próprio conceito. Ratinha(o) seria o adjectivo utilizado para definir uma realidade rural, já que serviria também para apelidar os trabalhadores rurais de origem beirã, grandes consumidores desta louça. Este termo carrega uma definição de rusticidade desde o século XVI e XVII e mais tarde é utilizado para definir algo de menor categoria ou valor (PAIS, et. al., 1998 a, p. 10)."
Nos finais do século XX dos anos 70 estes fornos já não se encontravam em laboração e foram substituídos por uma mufla elétrica, sendo que foi adquirido para melhorar a produtividade, mas criou problemas de riscos de incêndio e de calor excessivo no estabelecimento. 
Sendo que este era amassado e trabalhado com água nas instalações da Rua do Adro de Santa Justa, que se encontra visível já na planta de 1915, e depois transportado para a fábrica, na capela do forno para ai evaporar o excesso de água, e ser novamente pisado. Vários processos de fabrico das peças em si foram sendo utilizados, por vezes em simultâneo. O primeiro foi necessariamente o processo de moldagem pelas próprias mãos dos oleiros, através de rodas manuais tradicionais, sendo que estas rodas já não funcionam atualmente. "
"Muitas louças foram feitas através do “sistema de jaule”, ideal para peças com eixo de revolução, com moldes de roda e contra- moldes.
Outras são feitas através de um processo de barbotina, utilizando-se o barro na sua forma liquida para enchimento dos moldes de gesso tradicionais, processo este que se apresenta mais lento e dispendioso, pelo que é pouco utilizado. 
Por ultimo o processo chamado de “fazer lastras” consiste no ato de estender o barro sobre um molde em gesso para que ganhe a sua forma final."
A bandeira  dos oleiros de Coimbra
 Em vão tentei encontrar uma foto ... de registo ainda a bandeira dos Oleiros de Coimbra
“Símbolo da antiga corporação, que tinha finalidades politicas, administrativas e mesmo religiosas. "Como tal era colocada sobre a urna quando um oleiro falecia. Estava também sempre presente na procissão da festa em honra da Rainha Santa, como estandarte da corporação.Encontra-se ainda, “um azulejo pendente sobre os tornos de moldagem do barro, representando as padroeiras dos oleiros, Santa Justa e Santa Rufina. Atualmente foi redesenhado um novo".

" Entre o conjunto de famílias associadas à produção de faiança nos princípios do século XIX e início do século XX, destaca-se a Família Pessoa, com avultado domínio sobre a indústria na segunda metade do século XIX. Manuel Joaquim Pessoa, natural de Arazede e falecido em 1850, foi o patriarca da família, embora seja um apelido que surge documentado desde o início do século XVII (PAIS, et. al., 2007, p. 114; FERREIRA, 2012, p. 20 e 21).Adelino Augusto Pessoa, seu neto, teve papel preponderante no último terço do século XIX. Em 1896 era proprietário de uma Fábrica situada na Rua Direita que em 1921, pertencia a Alfredo de Oliveira, passando depois para a sua viúva ( VAO viúva A. Oliveira).
O estabelecimento foi também conhecido por “Fabrica da Isabelinha”, em homenagem a Isabel de Oliveira, filha dos donos da fábrica já no início do século XIX ou ainda por “Fábrica do Lagar” em 1867, ano onde se verificam as primeiras duas escrituras de arrendamento da firma. Sendo que a oficina foi passando de mão em mão até finais do século XIX e, depois de 1965, a fábrica corria risco de encerrar as portas, e era discutida a sua importância como fábrica típica coimbrense. A população indignada para com o seu encerramento, lamentando que não se tomassem iniciativas de cariz bairristas para sua produção, comentava o Diário de Coimbra, no dia 8 de Janeiro do respetivo ano, um grupo de particulares (já referido anteriormente) adquiriu a oficina e todos os seus bens móveis, registo num alvará de 17 de Abril de 65, com a intenção de continuar a exploração, e assim se constituía a Sociedade de Cerâmica Antiga de Coimbra, Lda, extinta em 2009 (PAIS, et. al., 2007, p. 114; SEBASTIAN, 2011, p. 139). Assim terminou uma produção de cinco séculos que terá ocupado uma mesma malha urbana, mantendo-se como organização de cariz familiar, um dado que reflecte o seu caracter artesanal, e que conseguiu, não obstante, apesar de 1836 as fábricas estarem em má consideração, manter o seu estatuto até ao presente século (PAIS, et. al., 2007, p. 123). "
A “Fábrica da Isabelinha” nos inícios do século XX, “Sociedade de Cerâmica Antiga de Coimbra” atualmente
Prato da minha coleção da Fábrica Viúva A. Oliveira, na última fase dedicou-se a reproduções do século XVII/I.
Uma carateristica da fábrica o molde do fundo do prato, em cima mais recente com o duplo círculo maior antes do frete e em baixo apenas um circulo pequeno, que havia de ser vastamente usado em Aveiro Aradas.
A Gafaria de Coimbra - Hospital de S Lazaro
D. Sancho, no testamento que fez, em 1209, deixou dez mil morabitinos para se fazer uma Gafaria em Coimbra, legando ainda aos leprosos de Coimbra todo o seu espólio.
"O Hospital, situado próximo da antiga Porta de Santa Margarida - entre a Rua da Figueira da Foz e a Av. Fernão de Magalhães (onde ainda se vê em ruínas) – sobreviveu à Carta Régia de 22 de Outubro de 1508 de D. Manuel I que extinguiu vários hospitais de Coimbra (por estarem desactualizados, serem pequenos e terem administrações indisciplinadas). E em 1774, o Marquês de Pombal, no âmbito da Reforma da Universidade, determinou que ele fosse administrado pela Universidade. Já em 1836, o Hospital de São Lázaro foi transferido para o Colégio de S. José dos Marianos (actual Hospital Militar). Mas esta não seria a última mudança. Em 1851, os doentes leprosos que estavam naquele local, transitaram para o Colégio de S. Jerónimo e, em 1853, para o Colégio das Ordens Militares, conhecido depois por Hospital dos Lázaros ou do Castelo (local onde esteve localizado o castelo medieval de Coimbra).Os Hospitais da Universidade de Coimbra iniciaram a sua existência conjunta no ano de 1870, altura em que passaram ocupavam 3 edifícios da Alta da cidade: São Jerónimo, Colégio das Artes e Castelo ou Lázaros, tendo este último mantido sempre a sua vocação de “ala” de doenças infecto-contagiosas.A longa história do Hospital dos Lázaros termina em 1961, altura em que foi destruído para a construção da cidade universitária, nascendo no seu lugar a Faculdade de Matemática. Do edifício do Colégio e da sua vedação em ferro forjado, resta apenas um enorme portão, hoje visível no Hospital velho, em Celas."
Citando 
 http://velhariasdoluis.blogspot.pt/2012/09/prato-de-faianca-portuguesa-marcado-sl.html 
Na cortesia apresenta um belo exemplar marcado "SL" marca aparentemente desconhecida (?). Analisando o tardoz de barro amarelado (?) que no escorrido do vidrado é bem visível, dá nota alta para a produção de Coimbra (?) e o mesmo da decoração de flores unidas por grinaldas que vem do tempo pintadas por Vandelli e Domingos Brandão, pintor da sua escola, patentes no Museu Machado de Castro, sendo que o azul cobalto ao tempo marcante. Rapidamente me desplanta o inusitado para que o prato marcado fosse encomenda para o hospital São Lázaro de Coimbra (?) e porque não? Sendo que foi encontrado um fragmento de prato com a inscrição no tardoz TAVORA. Embora possa causar embaraço a marca estar inserida dentro de um círculo rapidamente reporta para marca de fábrica, sendo que as iniciais nada tem haver com as fábricas conhecidas (?), não tendo o prato nas mãos e olhando o prato dá a sensação de poder ser fabrico da Fábrica Viúva Lamego (?),  teve um tempo que tinha um carimbo desta cor, sendo que apenas o "L" se enquadra na charada e pela textura na sua frente dá a sensação de ter sido usado barro vermelho (?), por isso a deixa pertinente com a dúvida para estudiosos descartarem.
Porque ainda hoje São Lázaro é motivo inspirador em Coimbra 
"Quem quiser recordar o tratamento dos leprosos em Coimbra, pode também participar na Feira dos Lázaros, reposta pelo Grupo Folclórico da Casa do Pessoal da Universidade de Coimbra em 1991, no Largo D. Dinis. Em 1996, o Grupo Folclórico de Coimbra recuperou também uma tradição que remonta à década de 40, altura em que a feira viria a ser organizada no Bairro de Celas, pelos moradores que tinham sido desalojados da Alta.A tradição nasceu porque o penúltimo Domingo antes da Páscoa, que a Igreja dedica a recordar a ressurreição de Lázaro, a população conimbricense acorria em massa a visitar os doentes deste hospital popularmente designado por Lázaros. No largo fronteiro ao hospital, juntavam-se vendedores de diversos produtos que os visitantes adquiriam para oferecer aos doentes ou levar para suas casa. Ali se fazia a venda de doces como o manjar branco sobre discos de barro vermelho ( também chamados de peitinhos de freira).
Reparem nos discos de cerâmica em barro vermelho onde se coloca o doce
Também as tradicionais arrufadas de Coimbra, os pastéis de Santa Clara, o arroz-doce, etc...Não faltavam igualmente, as bolas de serrim, suspensas por elástico para fazer vai-vem e os brinquedos de madeira, como trapezistas de braços articulados dando cambalhotas à volta de um cordão.
Todavia, o produto mais característico é constituído pelas galinhas feitas com massa de pão e enfeitadas com penas que acabaram mesmo por ser designadas por Lázaros."
Pratos da minha coleção
A textura deste prato já me parece ser mais semelhante ao prato do Velharias, embora de esmalte mais branco.
 Tenho alguns exemplares fiáveis atribuídos a Coimbra (?) sem marca, cujo barro amarelado e o escorrido do esmalte, que o deixa ver na transparência é de grande semelhança, tendo à mão a última aquisição que encontrei em péssimo estado, muito colado ( na banca soube haviam dois exemplares iguais, um "gateado" logo vendido, este apresentado, uma palangana ratinha impecável, e uma travessa cantão popular de tamanho grande, igualmente toda colada e com falhas, evidenciavam ter sido espólio de pessoa oriunda de Coimbra (?) . O meu prato ainda falta fazer um pequeno restauro de prenchimento para que se apresente de melhor aspeto, ainda assim a sua mostra por ser também em azul, apesar de mais claro, à primeira vista mais leve que o prato do Velharias-, ainda assim atendendo ao número de fábricas existentes no mesmo espaço ao Terreiro da Erva em Coimbra, seria fácil o uso das mesmas técnicas e motivos, diferem no peso, textura, homogeneidade, esmalte e pintura, ténues diferenças, permitem a catalogação de proveniências diversas, o que dificulta a atribuição  a uma determinada fábrica , só se acaso houver alguma peça marcada que se assemelhe em comparação a que acresce neste agora estudos laboratoriais e de raios X, julgo(?), por isso a tentativa se mostra quase sendo sempre " um tiro no escuro a designação da olaria ou fábrica", mas jamais ao fabrico de Coimbra (?) no meu modesto entender.
Outros dois exemplares da minha coleção com marca "E" inserida dentro de um triângulo da antiga Fábrica das Lages que depois de 1946 mudou a designação  para "ESTACO" e de lugar, pela poluição que os moradores reclamavam, se baldearam para norte nos arrabaldes da cidade .
Neste par de pratos iguais apenas um se encontra marcado
Prato sem marca com semelhança pelo uso do azul cobalto translucido no tardoz e na base do pé círculo (molde de fábrica)
Terrina  que encontrei no facebook
A continuidade da cerâmica nos arredores de Coimbra
Hoje a faiança de Coimbra é pintada à mão sobre barro cozido podendo ser vidrado opaco e posteriormente pintada e cozida, o mais comum é a pintura sobre chacota levando uma cobertura de vidro transparente e vai ao forno a uma temperatura superior a 1000 graus. De pintura muito trabalhada com desenhos minuciosos, cópias dos séculos XV, XVII e XVIII, onde predomina o azul-cobalto, é das faianças mais conhecidas e apreciadas em todo o mundo.Em meados do Sec. XX a fábrica que foi fundada em Condeixa, por Armando Vaz Lameiro, produzia louça decorativa, com a marca “AVL” – as iniciais do seu nome.Algumas peças assinadas com as iniciais do pintor, por exemplo, J.G.

Citando
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/search/label/F%C3%A1brica%20de%20Armando%20Vaz%20Lameiro

Foto OLX
Desde sempre me recordo desta marca, sobretudo numa floreira que me parecia ser do século XVIII, muito bem conseguida, sendo que só agora percebi se tratar de uma fábrica mais recente que se dedica a reproduções. O losango retrata as iniciais "A" "V" e ao centro o "L".
Escadinhas da igreja de S. Tiago em Coimbra com o carismático vendedor de loiça decorativa que todas as vezes que a minha mãe se deslocava à cidade aqui comprava alguma peça, lembro-me que me perdia a olhar para as prateleiras...
José Augusto Frutuoso
Fundou uma fábrica de faianças, em 1926 (?). Veio a criar a Fábrica Estatuária Artística de Coimbra (EAC) em 1943 (?), que se localizava na Rua do Arnado.
As minhas estatuetas de vários tamanhos, em par e solitárias-, estudante de Coimbra com a guitarra e a tricana com o cântaro
Em 1946 a EAC alugou uma antiga olaria onde inicia a produção de louça artística, na chamada “Fábrica das Lajes”e mais tarde para a Pedrulha, quando passa a chamar-se ESTACO.
Em 1947 a EAC participou na constituição da Cesol, Cerâmica de Souselas, detendo 40% do seu capital social.
Não sei se esta marca será desta junção de fábricas(?) 
 Prato da minha coleção assinado LAGES
Curiosamente os mosaicos, azulejos, louças sanitárias da minha casa de Ansião foram compradas na Estaco em 77, que viria em 2001 a falir.
A Sociedade de Porcelanas de Coimbra Lda
Surgiu com o nome de “Porcelana Portugueza” inicialmente. Em 1936 a firma passa a chamar-se “Sociedade de Porcelanas Lda”. O alvará foi passado a 29 de Outubro em 1924 com o número 4790 segundo consta no processo respectivo na direção regional de economia, sendo que contudo a fabrica terá iniciado o seu funcionamento no ano 20. Nesta década se desenvolveram as grandes fábricas de cerâmica em Coimbra como a Lufapo por exemplo. Quando voltou a ser adquirida em 1999 à Vista Alegre, foi renomeada para Santa Clara Cerâmicas e já só produzia faiança.Foi comprada ao grupo da Vista Alegre em 1999. Em 2004 encerrava definitivamente devido a problemas financeiros que se arrastavam.
Terrina da minha coleção SP Coimbra modelo Angola anos 50
Cesol
Fábrica de Coimbra  inaugurada em 1947 foi contemporânea de muitas decorações da Fábrica de Sacavém, que se confundem a olho nú.
Peças da minha coleção  - Terrina com bolinhas laranja ao estilo Arte déco 
Outra marca
 Fábrica  de cerâmica Lufapo/ Lusitânia de Coimbra
Citando http://rdqntnadaquefazer.blogspot.pt/2012/05/o-meu-avo-e-lufapo-lusitania.html 
"O meu avô Francisco Caetano Ferreira, influenciado pelo seu pai, estudou arte na Escola Avelar Brotero, em Coimbra, e foi aprendiz no atelier de cantaria e escultura do seu pai Alberto Caetano.
Em 1941 fundou uma fábrica de cerâmica chamada Moderna Industrial Decorativa Limitada
Produzia estatuetas decorativas, de desenho próprio, ou importando modelos (de marcas maioritariamente alemãs) para reprodução. Saiu da fábrica incompatibilizado com os sócios."
Cortesia de José Manuel Pinheiro Figueiredo na amostragem de duas belas peças que me reportaram para a arte que me maravilhou no Louvre.
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Citando a sua mensagem " E dado que gostou da peça de etiqueta pouco legível, e de uma outra que ainda não havia mencionado.E sim, creio que a sua tese de cópia de peças alemãs ou mais genericamente, europeias, penso que é a mais acertada e documentada. Aliás, eu cheguei a estas peças nacionais como ajuntador simples que sou, a partir da busca de craquelés de 1925 produzidos por essa Europa fora.
Nesta linha, para além de Coimbra e de Lisboa (FLS), encontrei o Algarve, numa fábrica com marca ignorada nos sítios do costume e de misterioso passado, a Lastra, que produziu peças ao gosto Art Déco cerca de meio século depois da época dos originais. E mais: tenho encontrado peças ainda mais recentes, em resina de poliéster, produzidas seguramente com os moldes dispersos pela infeliz e complexa falência da Lastra."
Agradeço a amabilidade do testemunho sobre estas peças que só enriquece o post em se chegar mais perto da verdade, e do que foi a sua rica história, atendendo à elegância e graciosidade das peças.
Foto de aquário retirada do Blog Arte Livros e Velharias
Peça única que forma o pé para assentar o aquário, dos lados em elevação e na suspensão duas pombas debruçadas sobre o aquário como se estivessem a tomar conta de um bebé...A minha sogra tem uma peça igual, o meu marido em miúdo nele matava os peixes com excesso de comida, uma peça que gostaria que ele recebesse de herança -, da fábrica Moderna Industrial Decorativa Limitada, mui graciosa.
Sacavém copiou de certa forma a graciosidade das gaivotas
"Em 1945 morre o seu pai e penso ser por essa altura que ingressa na Fábrica de cerâmica LUFAPO.
Não encontrei nenhuma data de abertura desta fábrica, de Coimbra, mas sei que em 1930 foi comprada pela Companhia da Fábrica Cerâmica Lusitânia, original de Lisboa, com a data de criação de 1890."
O avô Veríssimo do meu marido, para o casamento da sua filha mais velha em 1953 comprou duas terrinas, sendo uma igual a esta.
Outra marca da fábrica
Caneca de doentes Lusitânia Coimbra
A Nova Decorativa 
Surgiu no segundo quartel do século XX,  produzia loiça decorativa.
A minha boneca  sem marca ( Estatuária ou Nova Decorativa (?) vestida de toucado, com canudos no cabelo, folhos e laçarote, cestinhas de braçado, sombrinha, durante muitos anos não entendia o preto( parecia uma cobra) que  via debaixo do vestido, afinal eram os pés...
Galo pintado em palete cromática, sem marca, mas com muita certeza ser da Decorativa de Coimbra (?)


FONTES
http://www.dryas.pt/Arqueologia/Noticias/baixinha-de-coimbra.html
https://estudogeral.sib.uc.pt/.../O%20Património%20Industrial%20na%20...
file:///C:/Documents%20and%20Settings/Isabel/Os%20meus%20documentos/Downloads/O%20Património%20Industrial%20na%20Baixa%20de%20Coimbra_vol%20II_Chris
http://amdomingues.no.sapo.pt/
http://filatelica.aac.uc.pt/faianca.php
http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2015/07/um-novo-estudo-sobre-faianca-de-coimbra.html
História da Cerâmica de Coimbra 1920http://arquivodigital-7cv.blogspot.pt/2010/06/historia-da-ceramica-em-coimbra-1920.html
http://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/8280/1/Estudo%20da%20faian%C3%A7a%20de%20Coimbra_volume%20I.pdf Tese de mestrado de Filipa Antunes Formigo
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/2014/05/faianca-da-estatuaria-artistica-de.html
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/search/label/F%C3%A1brica%20de%20Armando%20Vaz%20Lameiro
http://coimbradosamores.blogspot.pt/2007/03/hospital-dos-lzaros.html
http://velhariasdoluis.blogspot.pt/2012/09/prato-de-faianca-portuguesa-marcado-sl.html 
Livro a Cerâmica Portuguesa da Monarquia à República
http://rdqntnadaquefazer.blogspot.pt/2012/05/o-meu-avo-e-lufapo-lusitania.html
http://pesquisa.auc.uc.pt/details?id=52528
Fotos google
Cortesia  de fotos e informação de José Manuel Pinheiro de Figueiredo

Comentários

  1. Simplesmente fabulosa a sua compilação de informação e conhecimentos.
    Muito obrigada pela sua partilha.

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  2. Cara Zorbita muito obrigada pela cortesia da visita e pelo elogio que me deixa envaidecida...

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