quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Fábrica de Louça de Darque em Viana do Castelo

A conhecida Cerâmica de Viana -, em 1770, foi mandado publicar pelo Marquês de Pombal um alvará de protecção a todas as fábricas de louça do país existentes e às que viessem a estabelecer-se. As principais vantagens eram a proibição da entrada no país de toda a louça estrangeira, excepto a que vinha da Índia e China em navios Portugueses, e a isenção de direitos de saída do país a toda a louça nacional.

  • A Fábrica de Viana, como tantas outras, é "filha" deste alvará. Produziu faiança durante oito décadas -, 1774/1855  situa-se no Lugar do Cais Novo, da freguesia de Darque, Viana do Castelo.

A produção técnica e artística da Fábrica de Darque do outro lado do rio em Viana do Castelo pode ser dividida em três períodos:
  • 1º Período em que a decoração era predominantemente feita em azul. Segundo José Queiroz " parece ser verossímil o 1º mestre ter vindo da fábrica real  do Rato  pela utilização da faixa caraterística de RUÃO com a qual rivalizou". Vastamente usada a corda no rebordo, recortes a tesoura, e serilha  .
Peças da minha coleção
Atribuição a Darque - Prato no motivo cantão popular  de rebordo tesourado  e bom esmalte, pode ser deste período (?)
 
A pintura manual em monocromia a meia tinta desta enfusa evidencia fabrico de VIANA já mostrada anteriormente por comparação de outra semelhante patente em Museu

Prato de grandes dimensões mostra semelhanças pelos arcos da ponte, cúpulas...no entanto o seu fabrico é de barro vermelho-, fator que pode evidenciar fabrico de outra fábrica do norte (Gaia ou Coimbra (?) seja pelo esmalte melado brilhante típico de Miragaia de um determinado periodo ou da escola do Brioso (?) 
  • Ora boa matéria para estudo!
2° período, também chamado de período áureo devido à boa qualidade da pasta cerâmica, atinge elevado grau de perfeição, além  da decoração vulgar de ornatos e flores, criou um tipo decorativo notável pela originalidade dos desenhos e pela combinação harmónica das cores, de aspeto cativante e sem precedentes, bom esmalte, desenho e cores apuradas: azul, ocre, amarelo canário, laranja e violeta .
Produção em porcelana, distingue-se por ser totalmente pintada à mão e cozida a uma temperatura de 1400º, que lhe dá uma resistência que outras não possuem.
Possivelmente  (?) estes meus pratos serão deste período, atendendo às carateristicas do esmalte tipo porcelana e as cores, sendo que o 1º é pintado à mão e o 2º estampa.

Este meu prato a não ser Darque sendo norte concerteza, leve, de refinada pintura com tochas em policromia e bom esmalte pode ser Fervença (?).

A grande diferença: o traço das pinceladas a a castanho é bem diferente no prato acima que se mostram largas e esbatidas com a  ponta espessa da pincelada, enquanto no de baixo se mostra de pontas finas, delicadas  e gordo.
Este prato pode ser Darque  ou Fervença (?).

A fábrica de Darque produziu grandes pratos os maiores - desde os 30 a 40 cm de diâmetro e, em geral perfeitamente desempenados.
  • Taça ao centro é pintada com espiral em vários círculos na cor ocre rematada alternadamente por  filetes -, o 1º  largo em verde, acima deste outro em azul cobalto e finaliza por dupla em finos a manganês. O bojo da taça termina em aba direita que lhe confere graciosidade .
Policromia: flores em estampa a stencyl  e folhagens com pinceladas em ocre tipo arabescos, sobres esta  barra em amarelo canário rematada por duplo filete em manganês.
Chamou-a a atenção a leveza -, quase porcelana ainda mais leve, fantástica a transparência da policromoa no tardoz -, deslumbrante - mas esta caraterística julgo advêm da temperatura do forno na cozedura.
Bacia pode ser Fabrico de Darque ou SAVP(?), extremamente fina, parece porcelana, de pintura transparente no tardoz. Nos achados arqueológicos recentes o motivo a escuro sob estampa em chapa é carateristica da decoração, o mesmo do centro.

Prato da minha coleção


Mede 25,5 cm de diâmetro decorado a florões a azul cobalto e amarelo ocre na barra sob filete em amarelo canário e filete vinoso no rebordo. Ao centro flor em verde ornada a filamentos em amarelo canário com a particularidade de em baixo o raminho se fechar, muito carateristico na produção Bandeira (?). À volta do motivo central 3 filetes em amarelo sob uma barra estampilhada em manganês.Mas pode ser Darque pelo formao muito quinado do começo da aba (?).
Pequena leiteira deliciosamente graciosa de corpo facetado em 6 arestas -, encontrei na feira da ladra,  asa quebrada por 3 vezes,relevado abaixo do rebordo recortado, sendo metade com dourados, delicadeza da pintura floral ,num fundo branco e cor de rosa na parte superior..Os dois pontinhos que se notam na flor vermelha são pingos de massa que ficaram na cozedura.

  Assinada na pasta no fundo com um "V" e o nº 546
 

Jarra em art déco em marmoreado, assinada na pasta "V" andava à venda na minha banca-, em Pombal um conhecedor viu-a, e com um sorriso chamou-me à atenção...perdi a imagem do fundo com a marca.

Peças da minha coleção  atribuidas a Darque. A bacia tem um minusculo "v" pintado no tardoz
Jarro ou gomil com efeitos relevados na pasta no bocal e no pé.Decoração floral com folhas de agrião.
 
Bacia
 
 Tardoz com transparência para o tardoz
3° período conhecido como o período da decadência. O declínio deveu-se ao descuido da qualidade dos produtos usados na produção da cerâmica, de forma a torná-la mais barata e assim poder concorrer com os preços competitivos da cerâmica inglesa. A conjuntura política da época, que coincide com a entrada das tropas inglesas em Portugal e a consequente entrada da cerâmica inglesa no nosso mercado, vai permitir, após vários esforços em contrário, ao encerramento da fábrica em 1855.
  • Pratos podem ser produção desta época (?)
Prato fotografado na feira da ladra, não o pude comprar e disso tive pena... massa pesada, esmalte escuro com escorridos será produção Darque última fase ou Bandeira(?).
 

 
Enfusa da minha coleção de grande dimensão em grés com pintura floral em policromia e folhas de agrião

 
Molheira  graciosa com florezinhas  rematada por belas pegas com dourados
  • Assinada: Viana século XX mas não é de nenhuma das fases da antiga fábrica de Darque- trata-se da Fábrica da Meadela, que começou em 1947 a fazer reproduções de louça de Darque.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Faiança do norte, Braga ou Vilar de Mouros (?)

Interessante é constatar nas feiras o aparecimento de peças da mesma época-, que me reportam logo para o triste acontecimento-, os donos que as mantiveram por compra ou herdadas inevitavelmente chegaram ao termo das suas vidas...
  • Fenómeno muito frequente de analisar porque sou observadora.
Desta feita há tempos adquiri um prato de cores quase berrantes,  seja pelo exagerado do verde ervilha, do rosa choque, do azul alecrim, ou dos remates a filetes  num intenso castanho.
  • Havia várias padrões e todos com as mesmas cores. Caros. Consegui este a bom preço e em estado impecável.
O esmalte apresenta-se na cor de grão. Ornado  a estampa floral, ao centro jarra em azul cor da flor do alecrim, com flores rosa  e ramagens verde ervilha, que se repetem na aba, delimitado no limite do covo por duplo filete castanho escuro tal como no rebordo do prato.
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No Museu da terra de Miranda, há vários exemplares do século XX, cuja semelhança é atroz pela cor do esmalte em beje, a que também se chama cor de grão, onde o azul celeste é cor predominante-, mas fatalmente de origem desconhecida.
As folhas pontiagudas também foram pintadas por Coimbra (?).

No Museu dos Biscainhos há peças com esta policromia-, o mesmo fundo beje, de proveniência desconhecida...O desenho é nitidamente do norte; as gavinhas, as folhas e a flor com volutas. 
Na zona de Braga, Cervães, Prado, Vilar de Perdizes e outras, houve olarias a produzir loiça utilitária de esmalte mais tosco (?).
Este prato pode ser eventualmente Vilar de Mouros(?)

Graças à sabedoria de uma especialista  com literatura temática publicada, e neste meio blogista conhecida carinhosamente por IF -, Ivete Ferreira, gratuitamente partilha o seu saber, e assim nos ensina mais sobre este mundo fascinante da faiança e da loiça "ratinho" . Passo a transcrever excerto do seu comentário que só engrandece o post " O esmalte mais amarelado, como refere, surge nos Ratinhos já do século XX, bem como o azul mais forte, que é mais tardio em relação às outras cores.
Ora, qual será a origem do meu prato?
Caminha pintou o verde ervilha, azul, e dizem o rosa e os castanhos em decorações, na maioria a stencil, estampas.
Pode ser fabrico de Caminha , Vilar de Mouros(?)

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...