terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Faiança do norte, Braga ou Vilar de Mouros (?)

Interessante é constatar nas feiras o aparecimento de peças da mesma época-, que me reportam logo para o triste acontecimento-, os donos que as mantiveram por compra ou herdadas inevitavelmente chegaram ao termo das suas vidas...
  • Fenómeno muito frequente de analisar porque sou observadora.
Desta feita há tempos adquiri um prato de cores quase berrantes,  seja pelo exagerado do verde ervilha, do rosa choque, do azul alecrim, ou dos remates a filetes  num intenso castanho.
  • Havia várias padrões e todos com as mesmas cores. Caros. Consegui este a bom preço e em estado impecável.
O esmalte apresenta-se na cor de grão. Ornado  a estampa floral, ao centro jarra em azul cor da flor do alecrim, com flores rosa  e ramagens verde ervilha, que se repetem na aba, delimitado no limite do covo por duplo filete castanho escuro tal como no rebordo do prato.
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No Museu da terra de Miranda, há vários exemplares do século XX, cuja semelhança é atroz pela cor do esmalte em beje, a que também se chama cor de grão, onde o azul celeste é cor predominante-, mas fatalmente de origem desconhecida.
As folhas pontiagudas também foram pintadas por Coimbra (?).

No Museu dos Biscainhos há peças com esta policromia-, o mesmo fundo beje, de proveniência desconhecida...O desenho é nitidamente do norte; as gavinhas, as folhas e a flor com volutas. 
Na zona de Braga, Cervães, Prado, Vilar de Perdizes e outras, houve olarias a produzir loiça utilitária de esmalte mais tosco (?).
Este prato pode ser eventualmente Vilar de Mouros(?)

Graças à sabedoria de uma especialista  com literatura temática publicada, e neste meio blogista conhecida carinhosamente por IF -, Ivete Ferreira, gratuitamente partilha o seu saber, e assim nos ensina mais sobre este mundo fascinante da faiança e da loiça "ratinho" . Passo a transcrever excerto do seu comentário que só engrandece o post " O esmalte mais amarelado, como refere, surge nos Ratinhos já do século XX, bem como o azul mais forte, que é mais tardio em relação às outras cores.
Ora, qual será a origem do meu prato?
Caminha pintou o verde ervilha, azul, e dizem o rosa e os castanhos em decorações, na maioria a stencil, estampas.
Pode ser fabrico de Caminha , Vilar de Mouros(?)

sábado, 11 de janeiro de 2014

Faiança de aba relevada às florezinhas do norte (?)

Um prato que achei gracioso, delicado, estava em muito mal estado que tentei restaurar.
  • Pintura monocromática em azul cobalto.
    Apresenta uma flor ao centro, filete no limite do covo e no rebordo ondulado.
    Aba relevada com florzinhas,  dentro delas pintinhas azuis.
  • excelente textura com esmalte translucido, brilhante .

  • Exemplar da  Fabrica da Afurada de Gaia do Museu Soares dos Rei
 A flor central de traço "gordo"-, uma carateristica igual ao meu prato, porque o azul cobalto em muitas fábricas se apresenta "esborratado"
  • O que é diferente? A tonalidade!
  • Tardoz branco translúcido

  • Julgo que não estarei errada a atribuir o fabrico no século XIX  e do norte.
  • Talvez a hipótese mais plausível (?).
  • Depois de ter visto a coleção do Museu Soares dos Reis no Porto aventuro-me nas hipóteses:
  • Miragaia no tempo dos Rocha Soares.
  • Vandelli  quando se instalou em Gaia e comprou  a Fábrica "CAVAQUINHO". 
Em Coimbra  onde se iniciou na produção de faiança se fizeram pratos com este rebordo ondulado.
  • Santo António do Vale da Piedade. Entre outras tentativas esta fábrica produziu faianças de ornamentação relevada, para evitar a concorrência de produtos congéneres, que ao tempo vinham de Inglaterra -, segundo o livro de José Queiroz. Pág 114.
  • Fundamentei-me na grande atribuição no Matriznet  a jarras de lobos  relevados atribuídas ao norte/Gaia.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Fábrica Maritália de Santarém

Comprei esta pequena travessa oval na feira de Azeitão a preço irrecusável em estado impecável. No imediato fez-me  lembrar as travessas nas tabernas com carapaus de escabeche no meu tempo de criança. Tem honras na minha parede da sala.
Em homenagem à Marília Marques http://armazemdepaixoes.blogspot.pt/ porque ao ler o tardoz Maritália fez-me lembrar da saudade de a ver e de conhecer o Santiago.
Mas na verdade coisas do destino
Post inicial de janeiro de 2014, para hoje 16 de setembro de 2017 encontrar duas filhas do dono que fundou esta fábrica, além da simpatia o gosto de saber ouvir  a falar de faiança, que me perguntam a razão do nome da fábrica - a junção dos nomes das irmãs Marina e Natália.Aqui está a razão do nome da fábrica

A travessa está marcada " MARITÁLIA" SANTARÉM PORTUGAL pelo artista(a) MC.Segundo um testemunho de um amigo exarado num comentário.Houve um grande pintor AR -, António Rafael de Alcanede que foi pintor de Sacavém e depois da Maritália-, as suas peças nesta última fábrica tem um valor superior às pintadas em  Sacavém. Ainda vivo vivem nas Caldas da Rainha.
    Travessa oval pequena, pintura cuidado, ao centro um cacho de uvas, parra e gavinhas, do covo para a aba ramos de flores e espigas, aba relevada a imitar favos de rebordo ondulado. Pintura em policromia com exuberância do azul alecrim. Esmalte amarelado.Meados do séc. XX.
    Na net não vislumbrei informação sobre esta fábrica, apenas descobri outras peças à venda no OLX que junto as fotos para engrandecer a produção da fábrica: 
    Prato com motivos ribatejanos
    Jarro e ânfora a evocar tempo dos romanos
    Cores fortes nos remates

    sábado, 4 de janeiro de 2014

    Fábrica Alfredo Pessoa Filho de Coimbra (?)

    Um pequeno pratinho em faiança de Coimbra.

    Apesar de parecer simples , a sua  decoração apresenta motivo de ciranda ao centro em estampa a vermelho ornado de filete verde ervilha no limite do covo, e na aba filete largo em azul ladeado por finos em ocre.
    • Esta última decoração foi muito pintada em jarras de altar e outras de Darque.


    Interessante para o dono que o teve anos ao fazer-lhe um orifício na aba-, como tenho outros, o que revela ser para ele uma preciosidade, também pela falta de prateleiras e armários os penduravam num arame, porque prego, atendendo à cabeça não acredito, os maiores os levavam pendurados nas costas para nele comerem o almoço e jantar quando andavam à jorna.

    Terrina atribuída a Coimbra  à Fábrica  Alfredo Pessoa  Filho  apresentada em 1888 na exposição de Lisboa  segundo o Livro de Cerâmica de Coimbra 

    Vejam-se as semelhanças das cores do filete azul ladeado de finos em laranja do pratinho e das flores na travessa  em baixo
     
    Julgo não restam dúvidas na sua catalogação.

    quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

    Loiça inglesa motivo Pekin

    Encontrei num estaminé de chão na feira da ladra este prato, com mais uns três, todos muito interessantes em loiça inglesa-, mas não pude com grande pena minha trazer nenhum, eram caros e já tinha gasto demais...
    Na terça feira seguinte voltei à feira com esperança de ainda haver algum, e havia, com preço rebaixado.
    Indecisa nas escolhas, optei por este prato que me catapultou para o motivo Cantão (?) -, pela estranheza da tonalidade vermelha ao centro, no contraste do rebordo em azul forte.

    • Prefaciando um excerto do comentário da prezada  Maria Andrade  uma amante em loiça inglesa
    "Representa em primeiro plano o Templo do Céu, em Pequim, e o nome do(s) fabricante(s) que se pode ler é J & M P B & Cº L, ou seja, J. e M.P. Bell e Companhia Limitada.
    Como Bell significa sino, daí o sino gravado na pasta com o B no interior e também desenhado na marca impressa a azul.
    Mas posso dizer-lhe mais alguma coisa sobre o seu prato.
    Pela pesquisa que fiz sobre o nº de registo, este modelo foi registado em 1889, mas a peça pode ser posterior já que esta companhia se manteve até 1928."



      • Visíveis o triângulo do tripé aquando da pintura. 

      segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

      BOAS FESTAS 2013

      Boas Festas  a todos os que me premeiam com a cortesia da sua visita-, Bem hajam!
      Adoço apetites com doces d'ovos-, o tradicional nesta época.
      • Rebuçados conventuais que podiam ser de um qualquer convento, vou escolher Portalegre porque foram os últimos que saboreei vendidos nas lojas gourmet em latas grandes e pequenas!


      Este ano não me apetece fazer presépio, nem árvore de Natal , nem outra qualquer decoração...
      • A minha vontade recaiu em mostrar este pequeno pratinho inglês, com um casal amoroso ao centro -,a uni-los um coração -, sinto que quero muito privilegiar o AMOR
      • No mesmo dia comprei um tampa de um guarda jóias em feitio de ovo com um brasão , armas coroadas e ao meio o dizer " BEM SE MERECE"-, quis a minha mente lembrar-me dos famosos ovos de Páscoa da família imperial czariana russa ...
      • Importante lavar as couves do bacalhau num escorredor em cerâmica à antiga
      • Finalmente  beber um caneco à saúde de todos vós que amavelmente me privilegiam com a vossa visita e comentários.
      • Finalizo o dia de compras na Feira-da-ladra, mas antes quero  mostrar o que encontrei na maré baixa no Cais das Colunas...cacos e caquinhos em cerâmica, azulejo, vidro opalino, faiança, porcelana Companhia das Índias e pedras fusilizadas.
      • Remato a oiro com um quadro Natureza morta e doces de Josefa d'Óbidos  de 1676
      Boas Festas...cuidado com as calorias!

      Natureza morta e doces

      quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

      Fábrica Joaquim Alfredo Pessoa de Coimbra ou Vilar de Mouros(?)

      Prato em faiança que encontrei na feira de Setúbal a preço irrisório de pintura singela  em monocromia azul claro -, apresenta ao centro círculo em azul e filete largo ao meio da aba, sendo o rebordo recortado em meias luas vincado em canelados.
      A graciosidade do rebordo bicado e o esmalte lácteo.
      O vinco no tardoz ao meio do frete e da aba, já vi noutros atribuídos a norte, com grande probabilidade ser produção de Vilar de Mouros.
      • O Museu Machado de Castro em Coimbra tem na sua coleção um prato de rebordo igual atribuído à fabrica de Joaquim Alfredo Pessoa  datado entre 1875 a 1900 com a descrição: aba com bordo recortado e canelado. Fabrico de Coimbra.



      O meu prato de riscas e rebordo bicado pode ser Vilar de Mouros do final do século XIX(?).

      Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

      Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...