domingo, 22 de junho de 2014

Gomil pintura minimalista e gomados esmeralda Viana(?)

Surpresa ao meio dia o mau pronúncio da chuva  copiosa em gota grossa , incessante, na feira de Algés, no resulto fraco negócio, não escapei da molha molhada, um pito!
Pouca saída da minha banca, seja a conversar ou a namorar as bancas dos colegas, como é do meu apanágio, adoro vadiar. Já de roupa mais molhada que enxuta, o meu marido trás-me uma capa guardada há anos no carro, e assim a estreei-, apesar de nova, neste agora não passa de velharia como o Sottomayor -, nem de propósito, e ainda assim no propósito na estreia a compra, esbarrei numa peça que foi duma casa de Champallimaud, o dono do Banco onde trabalhei, sendo que foi meu patrão!
Fora essa coincidência, ainda outra, de ter uma bacia mui semelhante onde o casamento das duas peças é quase perfeito!
Conheci gente muito interessante, fui conhecida pelos blogs!
Chegaram-se a mim leitores assíduos dos meus blogs.Da sua boca ouvi gratas palavras, "não imagina como estou feliz por a conhecer" -, elogios estragam-me, só me deixam ainda mais vaidosa!
Empatia fantástica, senti que me conhecem desde que me descobriram, hoje foram 3!
Intriga-me este gosto nato no prestígio da continuidade, a cada dia a crescer...
Supostamente pelo meu escrever ao estilo sincero, sensível, acutilante de crítica construtiva, liberal, descritivo, explosivo "quando sinto aperto de calos", altruísta, aprendizado sobre cacos e vidros, escape emocional , estórias e claro aventuras ...
  • Visitas diárias como no tempo assim acontecia no ritual da missa da manhã...A lembrar curiosidade e devoção, ora não mereço tanto carinho!
Empiricamente sinto que já fazem parte da minha família, e de personagens que habitualmente abordo nas crónicas, casualmente se os encontram gostam de se fazer apresentar na transmissão de tal conhecimento 
prefaciando as palavras da Filomena " não é a Marília? E o Santiago como está lindo -, conheço-os do Lérias, da Isabel"...
A mim a  D. Filomena de rosto iluminado pela doçura e simpatia diz.me -, reconheci-a pela madeixa"...
Muitos julgam que é pintada, sendo natural...Não deixa de ser muito divertido!
Fenomenal a família dos amantes dos cacos a crescer desta maneira.
Na verdade na hora do adeus pela chuva que se fazia sentir, o abraço  que a Rosa Maria  me deferiu foi imensamente afetuoso, gesto que me tocou particularmente pelo clique cúmplice que veio ao de cima,  sendo que uma maioria nem sabe dar um aperto de mão, um beijo, muito menos um abraço -, e para mim os afetos é para se trocarem com afetividade e mui intensamente, no prazer real do sentir a verdadeira amizade 
O marido -, Francisco Marques, na mesma deixa do abraço afetuoso, vestido de verde a fazer jus ao nosso querido Sporting, homem de aspeto charmoso me confidenciou ter sido diretor muitos anos numa Cerâmica sendo hoje as suas peças Art Déco muito apreciadas - Secla! 
Espanto de casal pelo cariz amoroso, mostraram-me um pratinho lindíssimo que seria Fervença (?) com grande certeza pelo esmalte, leveza, contas pintadas a preto, motivo peixe sob rodapé de ramos em azul esbatido azul cobalto, e  filetes finíssimos de ligação de outros motivos em manganês...Pois o perdi, na corrida da compra porque ainda não tinha  saído da banca...No entanto feliz pela partilha, e por saber onde neste agora a casa onde mora em contemplação!
Dizia o Dr Francisco Marques para a esposa D Rosa " mas  a Isabel não trás o chapelinho branco"...
Pois não hoje vim de boina, tenho este prazer camaleonico em variar chapéus e óculos...
Diz-me pela segunda vez a D Rosa Maria " nem imagina como gostei de a conhecer"...

A D Filomena também me deu do mesmo jeito um abraço afectuoso na despedida.

Ambos me lançam o repto-, continue a mostrar peças lindas!

Atenção tão delicada e grata que tenho recebido, de todos sem exceção, que me sinto obrigada neste estar continuar para não os desfraldar, isso sinto ser um dever!
Eu é que agradeço a deferência e o carinho. Bem hajam meus novos amigos.
Jarro ou gomil de bacia de lavatório.
Na sorte de ter já a bacia, pelo menos mui semelhante, desta feita encaixo as duas peças num casamento diria quase perfeito. Banca com peças  3º escolha (?). Recheio adquirido de uma casa de Lisboa, segundo a colega havia muita coisa do norte, faiança partida com "gatos"num belo prato pintado em monocromia azul claro com aguada, pois nele deixei o olhar por ter um exemplar que saiu da mesma fábrica-, dizia-me que um antiquário lhe aventou poder tratar-se fabrico da fábrica "Rato"... Para mim é outra coisa igualmente boa!
  • O gomil apresenta-se no fundo e no gargalo de lobos relevados pintados a esmeralda. Ao meio, decoração fina floral em policromia cromática, de pequenas flores com folhas agrião e outras ponteagudas .
A asa é delicada com pormenor em relevo onde pega no gomil.
  • Será fabrico finais do século XIX  Viana(?)  sob naperon em bordado típico da região.

  • A minha bacia no mesmo feitio de lobos gomada e na cor esmeralda com cercadura floral miúda igual   dividida por esquemas em triângulos invertidos em azul.
  • Tardoz reflete a tonalidade esmeralda, uma carateristica que se atribui a Fervença.
  • Encontrei na base um "V" gravada na massa que pode aventar a hipótese de fabrico Viana (?). 
  • Norte concerteza!
O meu lavatório com a bacia, neste agora nas reservas, nele uma de faiança de Coimbra.

Este modelo de lobos gomados foi feita por Sacavém, Massarelos com certeza, supostamente por Viana e quiçá outras fábricas (?).
Já a pintura que me atrevo a dizer aos dias d'hoje minimalista  pela ingenuidade da pintura floral que se repete o mesmo da folhagem finíssima pontiaguda em cores aguadas a cinzento.
Esta decoração também  foi também pintada por Coimbra, sendo o verde da folha de agrião mais aberto e este mais seco.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Caneco com filetes camarão de Sacavém

Mais um caneco para a coleção da Fábrica de Sacavém.

A caneca segue a linha das canecas em faiança, pelo  formato  da base robusta com corte de friso logo a seguir ao pé, não sendo direita, o que a distingue para colecionadores.

Interessante foi a pintura-, no friso do rebordo do pé e do bocal em cor camarão-, que foi numa determinada época vastamente pintado no norte, possivelmente uma cor inventada pelo Vandelli quando se instalou na Fábrica Cavaquinho em Gaia  1786 , sendo químico, depois das cores inventadas em Coimbra uma probabilidade, esta também ser sua(?).
  • Será fabrico de 1885/86 quando o carimbo impresso na massa era da coroa com a palavra?No caso pela curva do fundo só ficou a palavra ? Tenho uma molheira de igual forma.E um prato, as três de pasta parecida a porcelana mas pesada, o prato até pelo peso parece Alcântara.
Já vi loiça pintada com esta tonalidade que lhe confere um fausto exuberante-, eu gosto muito! 
A caneca é decorada com um ramo floral que abrange quase metade do lobo, com uma flor em cerise aberta e botões disseminadas por floragem em várias tonalidades de verdes sendo algumas raiadas de castanho ocre. No outro lobo da caneca um ramo floral só com botões de flores.
A asa de traça elegante com um pequeno alto, onde se pega nela .
  • Esmalte parece porcelana, embora a textura da massa seja pesada e brilhante. Se não estivesse assinada difícil atestar SACAVÉM! 
Assinada na pasta, o fundo com ligeiro craquelê.


Tive a sorte de a encontrar estava meio reservada para um colecionador que tem qualquer coisa como mais de 700 exemplares...
Falta-me o tamanho mais pequeno.O vi há pouco mais de um mês, veio da Serra da Estrela em faiança, por ele me pediram 45€,  com esbeiçadela...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Faiança fabrico de Estremoz ou Coimbra(?)

Belo e raro prato de grandes dimensões em barro vermelho, esmalte muito branco com buraquinhos no tardoz e pintura monocromática azul claro e aguada.

Ao centro círculo de motivo vegetalista ornado a filete largo em aguada seguido de uma grega, e mais dois filetes um largo, e outro mais estreito.Ao limite do covo uma dupla de filetes finos, seguido de um largo em aguada e na aba reservas de traços a cor forte, cortadas por quatro filetes finos.O rebordo filete mais carregado

Atribuição século XIX.
Comprei-o na feira de Oeiras há anos colado com cola amarela...Uma amiga que há anos anda neste meio alvitrou tratar-se de Estremoz, para mim seria Coimbra (?).
Curiosamente vi um prato de tamanho igual, em que o motivo vegetalista central era igual ao centro deste mas cobria todo o fundo, e a aba não era em reservas sim floral e com o mesmo filete largo em aguada. Uma certeza serem da mesma fábrica, que a vendedora dizia ser Rato(?), da coleção Champallimaud.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A delícia da loiça "ratinho" de Coimbra

Ora nada que mostrar algumas peças "ratinho"...para variar o olhar.

Hoje neste Dia de Portugal presenteei-me com um "ratinho" ligado à legenda dos afetos!

Um prato falante com a palavra mais doce-, AMOR ao centro. Um encanto à época o pintor seria homem especial, atrevido e amante, estando a palavra pintada a verde seco também carateristico de Coimbra, a lembrar o meu Sporting, a prenda maior,porque poderia ser a vermelho... debruado a filete fino em ocre.
A aba pintada com pinceladas largas em manganês e verde cobre com pequenas em azul alecrim e ainda pinceladas pequenas a ocre. O rebordo a fino filete em  manganês.

Segundo o JS da Oficina da Formiga  de Ílhavo, um amigo de continuidade que muito nos tem ensinado, sobre esta pintura diz " Por cá e nas lides da pintura desta decoração era designada por "murrão", "vamos lá pintar murrão".

Bacia alta como se chama na minha região do Maciço de Sicó, loiça tosca produzida em Coimbra para os camponeses levarem nas safras para o Alentejo e Ribatejo, sendo a loiça mais barata ganhou fama, e o nome da alcunha desse povo assalariado sazonal apelidados de  "ratinhos" .
Esta peça de belas cores em verde cobre, amarelo ocre, castanho forte e azul alecrim para nos alegrar.

A decoração apresenta-se dividida em quatro  reservas por traços em forma de cruz na cor castanho escuro-, variante do manganês, cruzando ao centro com pinceladas ocre e verde que se entrelaçam em jeito de pás de ancora. Na aba as reservas apresentam-se de pintura igual de pinceladas em azul e verde e ao meio em ziguezague ocre. O rebordo apresenta filete duplo em castanho.
Tardoz em massa de textura grosseira com buraquinhos e arrepiados nos esmalte mostrando-se translúcida na cor do verde cobre. Apresenta-se "gateada".
A minha amiga Cristina que no convite que lhe dirigi para almoço, fez o favor do trazer, e vendeu, pois só faz coleção de peças em estado impecável...
Outra bacia mais pequena em estado novo, possível prenda de casamento, o usual na tradição com chouriças ou queijos na oferenda aos noivos, e jamais  estreada.
Espiral fechada a manganês circundada por duplo filete no limite do covo, na elevação um desnível que se
levanta para a aba aberta com florões em ocre esponjados ligados por pinceladas em azul alecrim, manganês e verde. O rebordo com duplo filete castanho
 
O tardoz evidencia homogeneidade em relação à bacia  anterior o que pode ser fabrico já do inicio do século XX, onde não faltam as marcas das trempes.
Covilhete de espiral fechada ao centro em verde sendo apenas pintada metade da aba  que se apresenta decorada com grande florão  ou olho de pavão (?) em esponjado manganês  e no centro  pequenos círculos em azul alecrim e ocres, ladeado por pinceladas em verde cobre e outras mais finas em azul alecrim  e ocre na direção do centro.O rebordo apresenta fino filete azul alecrim. O tardoz com as marcas das trempes, arrepiados e buraquinhos.
Belo exemplar  de um casal amigo.As fotos possíveis na feira.
Decoração apresenta-se figurativo com mulher  de carrapito, tocadora de viola,  sob rodapé numa hélice em azul alecrim,  ladeada por florões em policromia cromática. A aba em pinceladas em manganês e cordões de pontos em verde cobre com esponjados em  verde e ocre. O rebordo em duplo filete manganês O tardoz apresenta-se de textura mais homogénea, embora com buraquinhos, o que pode ser fabrico início século XX.

Agora mais uma palangana, pelo formato agora o diâmetro deverá ser superior a 30 cm, e isso não sei, feito pelos camponeses em olarias familiares, toscas debaixo da linha do caminho de ferro em Coimbra para ganhar mais uns tostões, porque durante o dia trabalhavam as terras.
Textura mais rugosa, deve levar areia tipo grés. Ao centro apresenta um círculo em ocre e no limite do rebordo filete igual. A aba é decorada com ramos de cerejas cerise com folhagem verde. Fabrico século XX anos 20/30.

Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...