terça-feira, 25 de março de 2014

Prato oitavado com naipe de carta de póquer

Descobri este prato num estaminé de chão. Há mais de um ano vira outro idêntico que a vendedora fazia à  minha amiga que me acompanhava a módica quantia de 40€, pois pedia  ao público muito mais.
  • O que me fascinou no imediato nesse prato foi o formato quinado e ao centro uma Cruz -, o que me pareceu -, por ter na memória a visualização de  uma esculpida em pedra num portal de uma mina d'água , que me parecia igual e com ela andava às voltas para saber a Ordem a que pertencia. 
Hoje penso que estava enganada. Mostrei o prato ao Pedro  a quem comprei uma travessa, que me alvitrou ser um naipe de póquer...
  •  Visiveis arrepiados no esmalte nos cantos do rebordo pelas impurezas da argila.
  • O tardoz apresenta-se brilhante, ao centro amarelado como se vê noutra faiança atribuida a Coimbra.
  • Fabrico entre finais do século XIX, início do XX.
  • Segundo o Pedro num catalogo de leilões em tempos apareceu um prato destes atribuído a fabrico de Coimbra. 
  • O autor revela-se no formato e na temática decotativa pessoa criativa à época  em dignificar com arte uma peça de faiança que bem poderia ter honras de exposição, seja pela forma oitavada tão usual no formato de travessas que se mostra em prato bela, moderna, de textura leve de bom esmalte numa arte , a do jogo de póquer, quiçá praticado pelas senhoras da nobreza (?).


A decoração central é representada por uma carta do naipe de "paus" delimitada por ramos de flores em policromia, de rebordo oitavado delimitado por fino filete em azul e outro mais grosso em vermelho no rebordo, antes do covo.
 
Temática de novo pintada no periodo Art Déco


Cinzeiro  anos 50 da Fábrica Aleluia de AveiroFoto retirada http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2012/02/cinzeiro-anos-50-modelo-630-aleluia.html


segunda-feira, 24 de março de 2014

Faiança de casario fabrico de Coimbra ou Vilar de Mouros (?)

Ontem comprei num colega o Pedro, esta  bela travessa partida com "gatos", que afinal era de outro amigo dele, o André.
  • De todas as da minha coleção, a mais bela, delicada  ao toque de esmalte radiante de brilho magnífico ligeiramente melado, de aba recortada, ligeiramente torta.
Não resisti ao encantamento da tonalidade monocromática azul a puxar amora, que no desenho se mostra deliciosa pela tonalidade em aguada à vez com pinceladas mais fortes no telhado, nos ombreais das pedras, nos caixilhos quadrados,  nas ramagens,  e na grinalda encadeada da decoração da aba que realça no todo o  motivo  de casario.
Fabrico meados do século XIX (?).
Fabrico norte de uma fábrica de Gaia, ou Coimbra(?), sendo a primeira hipótese de maior probabilidade (?).

O motivo central apresenta-se com casario como se fosse uma igreja(?) pela fachada principal  com portal  e dos lados supostas outras portas, encimada por vitral em jeito de janela, atrás identifica-se a torre que fecha em jeito de cúpula e pináculo, o telhado de telhas no típico beirado português ladeado por arvoredos frondosos e duas esguias, araucárias , sob rodapé esponjado, salpicado por arbustos, sendo o quadro completo a conjuntos de tracejados enviesados tão usados na decoração do motivo do cantão popular atribuído a Coimbra?.
Aba com tarja em estampa  limitada por dois filetes finos, sendo que se nota a ligação no lado direito depois do meio ao cimo.Pincelada forte no contornar da  dupla cadeia  de encadeamento alternada por flores, sobre tracejados na horizontal, sendo no limite inferior delineada por traços na vertical.
Apreciada de longe na parede, destronou outra... pelo esmalte em tom acinzentado que lhe confere uma patine incrível.
A pintura  manual do motivo central
Tardoz apresenta-se gateado de esmalte translúcido bem estruturado, e homogéneo, sem ser demasiado branco de rebordo recortado nos cantos
Travessa da coleção da minha amiga Cristina
Notam-se diferenças no rodapé que é em forma de barco ao estilo do norte(Cavaco e Bandeira) e o conjunto de três bolinhas entre o tracejado enviesado em jeito de nuvens
A Marília outra amiga, tinha uma à venda esta em tonalidade azul clara
Travessa da minha coleção com motivo decorativo semelhante, notam-se pequenas diferenças no remate do telhado, janelas, pobreza no arvoredo e rodapé com ziguezagues no esponjado, sendo as ramagens em jeito de nuvem muito semelhantes, mas de esmalte totalmente branco, banho a calcário?O que evidencia ser produção mais recente século XX, do que as anteriores, e ainda nela a dúvida se norte  uma qualquer fábrica de Gaia
Fábrica Pereira Valente, o mais provável (?).
Prato coberto que vi numa feira em que se nota substancial diferença no arvoredo  de ramagens descaído.
Seguramente fabrico de Coimbra, apesar da vendedora e outros dizerem que será Vilar de Mouros ?.
O meu bom amigo Arlindo Bento enviou-me fotos da sua última aquisição,  travessa de esmalte de beleza irradiante.
  • Analisados os pormenores do rebordo com recortes nos cantos e a cor castanha aberta sobejamente pintada nos seus motivos de casario.
  • Decoração a cheio acompanha toda a travessa apenas ornada com fino filete antes do rebordo, pintura manual de folhas de fetos secos  típicos na região.
  • O tardoz,o esmalte ligeiramente amarelado, decoração e cor será fabrico de Coimbra(?) meados do século XIX.

sábado, 22 de março de 2014

Covilhete em loiça ratinho Coimbrão

Na feira de Ansião travei conhecimento com uma senhora de Abiul que me confidenciou que a sua avó comia num covilhete de loiça ratinho Coimbrã.
Interessante as gentes darem este nome pomposo.Supostamente dado pelos Duques de Aveiro, senhores de Abiul uma freguesia de Pombal - ,  usariam covilhetes da China e outros  de loiça estrangeira, que o povo por trabalhar  no paço se fidelizou no nome...O Marquês de Pombal quando conseguiu  que os Távoras fossem despojados dos seus bens, e enforcados, nesta terra tudo foi roubado, ainda há poucos anos os antiquários por aqui compravam peças muito boas,uma cómoda em pau santo e,...
  • Ora a gentil senhora explicou o que eu já sabia, nas casas mais pobres todos "picavam" da bacia, alguidar ou palangana  -, em casas mais remediadas só o homem e a mulher comiam num covilhete  como este - um prato sem ser raso mais covo.
  • Covilhete com filete circular ao centro a manganês e outros dois finos da mesma cor antes do filete rosa antes do rebordo.
Decoração simples, de imagem ingénua, o pintor seria pessoa fechada (?), pouco criativa só o preocuparia o trabalho em série...
Visíveis as marcas das trempes na frente e no tardoz,  do estriado do esmalte e algum craquelê por ter sido cozido a alta temperatura que o estalou ao centro ,com isso adquiriu um tom rosado, embora ligeiro, conforme já anteriormente sobre este assunto nos explicou o JS da Oficina da Formiga de Ílhavo.
Este tamanho aparece pouco, tenho trés exemplares.Todos diferentes, já  anteriormente postados.
  • Este o mais pobre em termos decorativos.
Este da coleção da Marília, minha amiga, ainda mais pequeno que a foto documenta, apresenta um filete azul claro seguido de grega na cercadura.


Ao tecer um comentário lembrei-me que me disseram que ao tempo esta loiça era feita debaixo da linha do comboio em Coimbra nas imediações do Choupal, por homens que a fabricavam de noite, pois de dia tinham outros afazeres.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Cantão Popular pintado em azul sobre azul do norte(?)

O meu marido surpreendeu-me na minha ausência com um prato motivo cantão popular, jamais antes visto pelo desenho com substanciais diferenças e pelo esmalte brilhante numa pintura quanto a mim de azul sobre azul , durante décadas atribuído a Itália e em Portugal também se executou.
Numa  de rivalizar tamanha beleza impossível de fotografar com arte, sob o arranjo floral de camélias que trouxe, e que muitos chama japônicas.
O que se revela interessante nesta decoração  mono cromática em azul radioso de beleza imensurável é a existência de dois barcos um com remadores maior em baixo, e outro pequeno com capota supostamente o da fuga dos amantes, a sua casa como é habito ainda nas gentes que vivem em barcaças tapadas a palha.
  • O que se encontra habitualmente neste motivo apenas um barco, noutros casos, nenhum. 
Só aparece uma árvore, o suposto salgueiro do lado direito. Dois pagodes unidos com duas cúpulas.
Em cima no barco a figura parece talhada em relevo feita com instrumento pontiagudo que a distingue do resto do desenho, o mesmo numa tarde do telhado abaixo e da cúpula e a ramagem do salgueiro é relevada.
Nitidamente fabrico do século XIX e do norte (?).
Mas porquê?
  • Baseei-me na forma do salgueiro  e dos arbustos do seu lado direito em ligeira queda para o centro, pelo formato das cúpulas, e de duas janelas ao centro da frontaria , que parecem ser olhos com as sobrancelhas carregadas arqueadas, pela árvore estilizada em cima ao meio do barco dos amantes em fuga,  sobretudo pelo esmalte fantástico de fundo azulado ao invés de brenco o habitual.
Analisem estes meus pratos: O prato grande, possível fabrico Bandeira  (?) pelo tracejado acima do rodapé e as árvores estilizadas que viam chegar ao porto de Gaia nos pratos de loiça  inglesa, como os que o rodeiam.


Agora a fábrica ...Norte concerteza!
Fabrico em barro vermelho e bom esmalte evidencia fabrico de Santo António do Vale da Piedade(?)
Estátua fabrico norte e os balaustres, possivelmente da fábrica referida, Devezas ou outra,  que no tempo perderam o esmalte, sendo notória a cor vermelha do barro em que foi produzida, o que corrobora esta teoria, porque se trata de produção de excelência como o prato por se revelar diferente de quase tudo!

  • Perco-me apenas nestas, quiçá um dia descubra a terceira, ou não, fazendo fé que uma das minhas hipóteses estará certa ,e com isso digo  -, a segunda a minha favorita nesta aposta.Sabido que esta fábrica pouco se sabe da sua produção, o que se sabe, produziam loiça de belo esmalte, brilhante, e julgo por isso a minha teoria.Lamentável as fotos não revelarem a beleza do prato, na parede se revela ser bem diferente dos demais, e são alguns da mesma época espalhados.
Tardoz acinzentado a puxar anilado. As esbeiçadelas são fruto da aranha em arame feita à medida que gente sem escrúpulos retirou de qualquer maneira , com isso molestou o esmalte-, coisa que amiude acontece e não devia, por gente que na cabeça não tem miolos, antes cinza...

segunda-feira, 17 de março de 2014

Alcobaça a fábrica OAL (?) numa bela taça

Na minha estadia por terras de Sicó agendei a feira de Pombal. Ao chegar aos Ramalhais entrei num denso nevoeiro como julgo nunca assim antes guiei .Foi um dia de calor abrasador e sufocante!

Há tempos que não a fazia. Felizmente a autarquia ao que vi pela entrega de edital -, supostamente nunca se preocupou em dinamizar o evento e em estabelecer regras só fez eclodir uma adesão de feirantes sem crachá  de coleta sendo que a mesma se transformou no tempo numa feira da ladra onde se vende de tudo. Na feira de abril já não vai ser permitido a venda de roupa em 2ª mão e sapatos...
Esqueceram-se das malas!
Abanquei num passeio lateral com pouca visibilidade, pois a clientela e o publico de "mira e anda" só caminham e miram a direito e pouco para estaminés de chão...
  • Quase fracasso as vendas, já as compras foram ótimas.
Na banca da Luísa encontrei esta bela taça em estado impecável muito decorativa onde a palete de cores explode em harmonia exuberante e forte, seja do azul com o laranja e o verde claro.
Algo me prendeu a atenção que no momento não deslindei. Só ontem domingo na feira de Ansião me lembrei que antes já vi esta decoração numa exposição na FIL julgo atribuída a Alcobaça OAL.

 
  • Faz sentido a atribuição atendendo à qualidade do esmalte, o tardoz é magnifico, apresenta uma ligeira marca de carimbo gravada na pasta(?) e  palete de cores é de um período áureo da fábrica.
  • A minha filha adorou a peça...
Mais adorou os dois covilhetes Sacavém com mais de 150 anos que também comprei, e lhe ofereci, para fazer conjunto com o par de travessas da mesma família decorativa-, flores.Mas claro merece honras de post quando for a casa dela e fotografar as quatro peças.


Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...