Prazer intenso pelas velharias: faiança, arte sacra, azulejos e cerâmica.
Encantamento mayor perder-me ao contemplar peças que me prendem o olhar, por me reportarem de algum modo a lembranças de pessoas que ficaram nesta vida no meu coração por as terem em suas casas e registei na minha memória.Também porque as feiras me alentam por interagir com gente anónima pelo gosto da conversa e da partilha.
Foto tirada no dia 21 de maio de 2011 no Carmo.
Hoje mostro produção China. Lamentavelmente no domingo não comprei, estupidamente , uma tampa de terrina grande, impecável ,com uma pega em botão-, qualquer coisa de extraordinário. Julgo que foi a tonalidade rosa que não me encantou no pequeno impacto...
Na feira da ladra vi este pires de aba levantada diferente dos normais direita-, prendeu-me a atenção e perguntei o preço, ainda o vendedor não me tinha dito, eis que encontrei a chávena, voltei a perguntar o preço das duas peças.
O vendedor estava hirto no pensar ... Agachada no estaminé de chão, levantei-me, disse-lhe -, já deixei de lhe comprar porque além de careiro olha para mim para fazer o preço, coisa que não gosto...
Sorriu no seu ar maduro, responde -me..." é malandreca ... é que ainda agora vendi um conjunto de cinco a uma senhora, nem ela nem eu vimos, nem o prato nem a chávena,logo atrás chega a senhora ,vê logo os dois, apesar de não estarem juntos..."
Decoração em dourados e rosa-, de flores e grinaldas ornadas a filetes em dourado na chávena por dentro e por fora e junto do pé. O prato apresenta um minúsculo círculo ao centro e em toda a aba.
Este tipo de chávenas e pires datam de final do século XVIII e princípio do séc. XIX muito usadas na Europa onde outras fábricas as imitaram.
Pasme-se bebia-se o chá no pires - para arrefecer mais depressa ...por isso é côncavo na aba- leva o mesmo que a chávena.Testei, claro!
Foto retirada do blog da Maria Andrade por ser muito colorida com o samovar .
Temática do chá sorvido do pires elaborou um excelente post
http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/
Na feira de Setúbal encontrei esta gracinha em grés em saldo, e que saldo.
Gostei da espiral fechada no centro do pires, tal como a decoração no tardoz.
Uma peça retirada do Matriznet em grés porcelânico.
Pote - Local de
Execução: China
Datação: 1573 d.C. -
1619 d.C. - Dinastia Ming, período Wanli
Matéria:Grês
porcelânico
Técnica:Pintura sob
vidrado
Descrição:Pote com
quatro asas relevadas e estriadas, montadas à volta do colo, decoradas com um
motivo floral em relevo. O pote foi feito e montado em duas partes, sendo a
junção perceptível a meio do bojo com duas circunferências a azul que dividem o
tema decorativo. A decoração a azul cobalto apresenta motivos florais que se
assemelham a peónias na parte inferior do bojo, na superior encontramos duas
grandes aves, canas de bambus e crisântemos.
Também na feira da ladra há anos encontrei este prato partido e muito mal colado.
A decoração relevada em policromia é fantástica com borboletas, pássaros e flores.Fundo esmalte verde claro ornado a filete fino na aba em cor de camarão. Marcado
Noutro dia encontrei este mais pequeno, na mesma decoração e impecável.Também marcado.
Vi peças iguais no SITE Antique and Vintage China, Porcelain, and Pottery Antique Chinese export Rose Medallion plate circa late 1800s. This
celadon plate is hand painted in the traditional Rose Medallion palette
which includes birds, flowers, bugs, and butterflies or moths. This
plate measures approx. 10" across.
Numa feira de Algés na banca da D. Maria no chão estava este prato com motivo cantão numa cor que nunca tinha visto-, estalado, e uma esbeiçadela na aba.
Também na feira da ladra há coisa de 30 anos comprei esta chupeta
Relembrando Aquilino Ribeiro no livro -, Os ladrões das almas
"Num ápice vasculhava caçoilas e tachos, arranjando um bazulaque com que atestava uma almofia em que os pequenos se atufavam até às orelhas."
Subentende-se almofia como sendo um pequeno alguidar onde se lava a cara -, na verdade esta apresentada serve na cozinha.
Almofia - quis a teimosia no lembrar os árabes dar para hoje chamar o nome à pequena -, taça, bacia ou pequeno alguidar baixo de boca larga de barro vidrado pelo seu verdadeiro nome ancestral.
Tardoz evidencia que o fabrico não é Coimbra nem Alcobaça -, antes norte
Prato cuja flor tem muita semelhança atribuído à Fábrica Cavaco à almofia
Comprei-a na feira de Oeiras ao Mário.
Apresenta ao centro decoração floral em policromia -, em pintura manual típica da Fábrica Cavaco finais século XIX. O rebordo da aba apresenta filete azul seguido de grega em manganês.
A faiança de Coimbra do século XIX julgo nunca foi muito estudada e deveria.
Ora nesse espaço de tempo -, que é grande, havia muita laboração de cerâmica em Coimbra , em meados do séc XIX haviam 14 fábricas em laboração, sendo 7 de barro branco e o
mesmo número de barro vermelho. Acredito devia ser régio cada uma delas
ter o seu preceito de pintura em determinado período de tempo, só inovado
com mudança de novos pintores, também do preceito do fazer as tinas das
cores -, se havia fartura ou não de produtos para as fazer, e ainda as
novas decorações que viam e copiavam, além de novas técnicas quer de
fabrico, pintura e cozedura. Se juntarmos as várias técnicas diferentes de fazer as peças fosse à roda ou em formas -,fácil é concluir que se apresentam com texturas diferentes e de peso, homogeneidade e substanciais diferenças no esmaltar e num perímetro substancialmente pequeno da cidade .
Tudo porque o fabrico era em série para escoamento das feiras, realizar dinheiro.
Por
isso a diversidade e a difícil catalogação atendendo ao fabrico
de faiança em série -,só em períodos específicos de produção com o Brioso
e o Vandelli foi mais aperfeiçoada segundo os especialistas.
Por
exemplo é sempre fácil abordar uma peça assinada. Já de outra sem
qualquer marca são poucos os que se atrevem a especular para deslindar a
sua origem. Interrogo-me porque razão isto acontece com gente muito
inteligente, de cariz erudito, com muita cultura -,só vejo uma saída -
insegurança (?) ora a ambivalência neste meio da descoberta quanto a mim se
for doseada é interessante ser especulada.
Tomo como exemplo duas peças
com o mesmo motivo, uma assinada e a outra não, e com poucas
semelhança -, quem as aprecie na maioria são levados a dizer que a não
marcada não será da mesma fábrica...e, o fato é que podem ser as
duas. Porquê? Não se pode descuidar o que atrás foi escrito: analisar
a época de fabrico -, cada fábrica laborou X anos, durante esse
tempo pintou vastamente um motivo de formas diferentes ( galos,
flores, peixes, cantão, casario) atendendo aos ingredientes usados nas cores
-, abuso de mais cobalto, ou menos, até de novos pintores, do tipo de
esmalte usado, mais melado ou menos ,mais estanho ou não, do tipo da cozedura, do tipo de lenha, se o
forno estava quente demais...enfim...muitos SeSeSeSeS....
Não sei
se consegui ser suficientemente explicita. Tentei, ao querer dizer que é sempre difícil a
atribuição, mas não podemos simplesmente baixar braços e ser céptico,
dizer sim ou não, ou mesmo nada! Depois, não é vergonha nenhuma hoje se
aventar uma atribuição, e mais tarde com mais estudo mudar de opinião. A
faiança é uma ciência viva que estará sempre em constante mutação -, por isso é
o maior desafio e fascínio que ela me dá a cada dia, sem dúvida
apaixonante.
Hoje apresento três peças
Prato de grandes dimensões-,34 cm. Sejam os escorridos do esmalte no tardoz, o esmalte, a decoração, a textura ,homogeneidade, e as cores aventam para fabrico de Coimbra.
Apresenta-se "estalado" possivelmente pela aranha de arame muito mal feita que trazia.
Agora a "estória" do prato...viu-o juntamente com outro do mesmo tamanho na feira de Oeiras-, o meu marido não gostou deles e claro não os comprou. Fomos à praia, ao sol arquitectei um plano para conseguir comprar um pelo menos-, na verdade tinha gasto quase todo o meu dinheiro na feira...assim quando decidimos ir almoçar eu disse que queria ir almoçar a outro lado que não aonde ele pretendia ir...claro sem chatices deu-me o dinheiro. Almocei e em correria fui à feira e comprei o prato!
Ornado perto do limite do covo e no rebordo por filete fino em manganês. Dois filetes mais largos em azul limitam uma decoração esponjada na aba e no covo bastante pronunciado.
Voltei da feira feliz com o prato na mão, fui ter com ele que ainda esperava pelas favas...disse-lhe que tinha poupado no almoço para comprar o prato... Depois porque estava calor fizemos o que a maioria tinha feito-, escolher uma sombra de palmeira onde nos deitámos na relva do jardim. Entretanto mostrei o prato e gostou dele-, no imediato reforcei que tinha ficado com pena de não poder trazer o outro...levantei-me num instante quando disse, vamos voltar à feira... Voltámos, e comprou-se o prato!
Pedi desconto...que não me fez, claro lancei uma "praga, sendo gordo... Deus queira que engorde mais um quilo..." até o Nuno outro vendedor que estava ao lado se riu!
Disse-me que a dona deles era alentejana.
Ao centro um ramo de flores em azul e ramagem verde ladeado em circulo a manganês e outro mais largo em rosa velho que no inicio da aba se repete. A aba em esponjado castanho claro
Este prato trazia também a aranha muito mal "enjorcada" vinha colado com cola de contato na aba...tive de o descolar e tentar fazer o melhor. Estes pratos de grandes dimensões são extraordinariamente belos pela grandeza e imponência. Davam-lhe o nome de prato de Casamento e neles ia a oferenda, fossem chouriças, queijos,talego de farinha, milho ou... Não eram pratos de uso diário, só em casamentos a servir de travessas, o hábito de os emprestarem. Nas casas mais abastadas no verão nas eiras quando o pessoal andava de roda da debulha do trigo ou do milho vinham pela tardinha com um prato destes cheio de arroz doce de onde todos na sua roda o comiam.
Estes pratos nunca foram usados. No azul vou oferecer um arroz doce quando fizer uma festa na casa rural! E no outro alguma coisa há-de ser.
O prato que vou apresentar por último já o tenho há mais de 30 anos, veio de Castanheira de Pera, aliás eram dois iguais, a minha irmã deu sumiço ao dela ou alguém... Apresenta decoração floral com ligação por grinaldas pintado a estampa em azul ao centro e aba.
Quanto ao fabrico tanto pode ser
Fábrica do Rossio de Santa Clara que foi de Vandelli Fábrica
de Joaquim Alfredo Pessoa Fábrica das Lages de António Benito Perguntam e bem, o porquê?
Porque estas três fábricas produziram loiça recortada no rebordo-, não sei se mais!
O tardoz é muito semelhante aos grandes na forma como evolui do fundo para o covo e aba
A fábrica de Campolide foi fundada pelo Visconde José de Sacavém em 1896. Os proprietários Casimiro José sabido e Irmão. Produzia
loiça e azulejos.A primeira fornada ocorreu a 8 de Setembro de 1901
sendo uma das peças uma bilha de barro vermelho com a data gravada feita
pelos irmãos Sabidos. Em 1902 começaram a produzir azulejo.
Segundo o livro de José Queiroz são raras as peças assinadas.
Agradeço a cortesia dos colegas com a amostragem de três peças das suas bancas
Jarro ou enfusa na banca do Nuno que fotografei na feira da ladra e voltei a ver em Oeiras
Na banca do Pedro e do André de Sintra na sua 1ª vez na feira de Setúbal estas duas peças
Guarda jóias pintado com a caravela o símbolo do tempo glorioso das descobertas -, quis renascer na década de 40 . Também foi pintado pela fábrica Constância , Santa Anna e,... Jarrinha. Este modelo decorativo já tinha visto igual.
Encontrei duas peças da Fábrica de Alcântara na banca do Pedro e do André na sua 1ª vez na feira de Setúbal. Mas afinal só a primeira é certeira!
Um prato coberto sem tampa -, Motivo Paisagem .
Ao centro decorado em tom monocromado a verde de casa de campo com um homem encostado à vedação de madeira -,tudo ladeado por dois troncos e ramagens de árvores.
Um dos cantos encontra-se partido, levou "gatos" que tiraram à posterior, no tardoz vêem-se os buracos e a ferrugem dos mesmos ao longo dos anos.
Tardoz com as marcas dos "gatos" e o carimbo da fábrica de Alcântara.
As pegas apresentam-se relevadas
Comprei também esta base de sopeira que apresentava manchas ao centro e depurei em limpeza. Mas não é loiça de Alcântara, sim o modelo Minerva de fabrico belga.
Motivo que se confunde com o "Mundo".
O tardoz do prato Minerva só apresenta uma numeração e duas letras-, o Pedro afiançou se tratar de Alcântara...Debalde é estrangeiro. Aqui ficam as fotos para melhor aprendizado.
Na depuração o tardoz ficou manchado...tem de voltar à limpeza um dia destes!
Pequena travessa graciosa pintada à mão de aba relevada feita à lastra pintada com casario verde
Escolhi-a na banca da minha minha amiga Isasay depois de lhe ter ofertado um penico e uma toalha em linho.
O
motivo central sobejamente conhecido por casario ou inspiração oriental
com o típico pagode bordajado por salgueiros e pessegueiros, ainda no
alto da torre a bandeirola símbolo de riqueza dos chalets dos primeiros
emigrantes enriquecidos no Brasil que construíram acima de Coimbra.
A
travessa foi pintada no motivo central à mão em tom verde ervilha.O
fundo revela uma tonalidade cor de rosa mais predominante nos relevos da
textura da aba.
Tardoz da travessa que posto
Do lado direito do pagode(?) há uma vegetação com dois ramos
descaídos com folhagem que me chamaram à atenção. No dicionário de
marcas há uma marca atribuída a CAMINHA cujo símbolo eram dois ramos
entrelaçados muito semelhantes a estes - com data de 1846/54 - atribuído à fabrica José Martins Rua.Se juntar que os irmãos Ruas ou
Rua pintaram à imagem da faiança de Coimbra e de Darque onde
trabalharam.Também as cores predominantes eram precisamente o verde
ervilha e o rosa .
Mas não se trata de faiança de CAMINHA -, sim de AVEIRO
Das fábricas : Prantos e Moreira Lda ou Fábrica das Leirinhas de Manuel Vitória.
O meu bom amigo Jorge Saraiva, na estima aprecio o trato JS da Oficina da Formiga em Ílhavo enviou-me esta mensagem no facebook que transcrevo:
...em relação à
travessa que postou, envio uma igual (?) feita aqui em Aradas pelo
pintor António Carvalho, que também pintava Cantão ou China (designação
usual para o desenho da travessa que postou), mas não encontrei nos meus
parcos arquivos o mesmo desenho, por isso, deixo-lhe mais estes dados.
A
fábrica era a João Gomes Gonçalves da Vitória, Lda (de alcunha o
"Jarreto") em Aradas.
Também num dos seus posts do ano passado referiu
esta família, que até hoje ainda está ligada à cerâmica pela Primus
Vitória, SA:
"Há conhecimento da existência de oficinas de olaria
em Aradas pelo menos desde finais do século XIX.
Em 1923, Manuel
Gonçalves da Vitória e Manuel Gonçalves Vitória Machado constroem em
Aradas a primeira fábrica de louça branca . Anos depois em 1931 foi
dissolvida.
Nesse mesmo ano João Gonçalves Machado fundou nova fábrica
nas Aradas e Manuel Gonçalves Vitória Machado veio a fundar outra em
1955.
Ao longo da década de 30 apareceram ainda as fábricas de louça de João Vitória e João Moreira."
Segundo o meu pai, na sua opinião ambas as peças -, a minha e a que postou foram feitas à
lastra terão sido produzidos numa das empresas: Prantos & Moreira Lda de Aradas Fábrica das Leirinhas de Manuel Vitória.
Em Aradas existiam muitas pequenas unidades e poucas
marcavam as peças-, faziam louça barata e pobre em termos de decoração
(os esponjados por exemplo)
Peças feitas à lastra - o processo é simples, basta ter um molde em gesso da parte interior do
prato ou travessa e fazer uma lastra de pasta com rolo da massa. Depois
elevar a lastra feita e colocá-la sobre o molde de gesso. Calcar a
lastra com uma "boneca de pano com o interior em esponja ou pano" para
fazer contactar bem a lastra de pasta com o molde. De seguida recortar
pelo perfil do molde e se for para levar frete, faz-se um rolinho de
pasta que se coloca no perímetro onde se pretende que fique -, unir com os dedos
para que este faça parte integrante da peça e deixar secar lentamente.
Quando ganhar a consistência de couro e já tiver retraído e descolado do
molde, retira-se deste (que irá ser usado novamente) e fica a fazer a
secagem final.É um processo para
produção de pequenas quantidades de peças ou usado em oficinas com
pequenos recursos.
Claro que o Cantão por estes lados de Aveiro foi pintado principalmente em azul...
Fotos de chapas em folha de Flandres?
Era muito fácil e rápido copiar (chapar, como se pode designar)
estas formas para o fabrico em série.
Citando o comentário do JS
" Apercebi-me agora da confusão sobre chapar uma peça. Esta designação tem
a ver com copiar um modelo (formato) de uma peça. Se alguém quer
produzir uma peça para ficar igual a outra já existente, um modelador
terá de manufacturar um modelo em gesso com as compensações de tamanho
(dependendo do tipo de pasta que irá ser usada [faiança, grés ou
porcelana])por causa das respectivas retracções (diminuição de tamanho
que a peça irá sofrer no seu processo de fabrico, que são diferentes
para cada tipo de pasta). Assim o modelo novo terá de ser maior, para
que no final se obtenha a peça no tamanho igual ao pretendido.
Quando se
deseja obter uma peça igual, mas podendo ser mais pequena no seu
tamanho, usa-se a própria peça como modelo, sabendo que depois se irá
obter uma peça mais pequena e que os relevos que eventualmente esta
tenha, no final, irão ficar menos salientes ou disfarçados.
É um
processo mais rápido e mais barato a que se designa, na gíria, de chapar
uma peça.."
As "chapas" normalmente em Aveiro chamam-se estampilhas. Se bem que em
diversas fábricas faziam-se em chapa (folha de flandres) e eram usadas
para pintar com aerógrafo, como na Fábrica de Sacavém.
A travessa com o motivo do moinho foi pintada pelo Mestre Flamínio Reis em 1968.
A travessa que o JS gentilmente enviou é de fabrico mais recente com um motivo mais minalista e pelo vidrado que se apresenta esquartejado, enquanto a minha pelo esmalte e pintura é seguramente será mais antiga década 20/30/ (?).
Tem em comum a textura relevada da aba feita à lastra , os recortes do bordo e o frete no tardoz.
Interessante é constatar que até reparei e escrevi que a bordadura da aba se apresenta ondulada e relevada -
graciosidade que viria a ser inspiração depois na porcelana Vista Alegre, para onde foram trabalhar alguns oleiros após terem fechado as fabriquetas onde laboravam.
Seguramente a travessa é fabrico de Aveiro-, vem mais uma vez engrandecer o fabrico de loiça que já era vasto, agora ainda mais graças ao JS se descobriu a sua origem erradicando o norte como centro de produção.
Em baixo um covilhete de fabrico de Coimbra onde se notam evidencias de copianço na cúpula.
Jorge Saraiva, o seu contributo é sempre uma mais valia
para o conhecimento da nossa faiança .
Aveiro está a crescer na descoberta com mais duas fábricas e mais esta particularidade de "peças feitas à lastra" que já vi no matriznet várias designadas produção (?) norte.
Assim a sua terra dá cartas na busca da verdade desta verdade que é conhecer a nossa faiança.
Gosto de opinar dando sugestões com interrogação, tenho errado, e vou alterando sem vergonha ou complexos -,antes fico orgulhosa de ter bons amigos que me ajudam , ensinam e partilham a sua sabedoria como o JS.
Bem haja meu amigo extensivo ao seu querido pai-, um homem sábio que sei trabalhou em fábricas destas, acabando na de S. Roque-, espero não ter cometido uma inconfidência. Acho oportuno rematar o post com a sabedoria de um homem artificie -, que sabe o que diz, e claro o filho seguiu-lhe as pisadas.
Adorei o carinho da sua mensagem...logo o meu "velhote" vem cá a casa, vou-lhe mostrar as fotos...