Prazer intenso pelas velharias: faiança, arte sacra, azulejos e cerâmica.
Encantamento mayor perder-me ao contemplar peças que me prendem o olhar, por me reportarem de algum modo a lembranças de pessoas que ficaram nesta vida no meu coração por as terem em suas casas e registei na minha memória.Também porque as feiras me alentam por interagir com gente anónima pelo gosto da conversa e da partilha.
Foto tirada no dia 21 de maio de 2011 no Carmo.
A fábrica de Campolide foi fundada pelo Visconde José de Sacavém em 1896. Os proprietários Casimiro José sabido e Irmão. Produzia
loiça e azulejos.A primeira fornada ocorreu a 8 de Setembro de 1901
sendo uma das peças uma bilha de barro vermelho com a data gravada feita
pelos irmãos Sabidos. Em 1902 começaram a produzir azulejo.
Segundo o livro de José Queiroz são raras as peças assinadas.
Agradeço a cortesia dos colegas com a amostragem de três peças das suas bancas
Jarro ou enfusa na banca do Nuno que fotografei na feira da ladra e voltei a ver em Oeiras
Na banca do Pedro e do André de Sintra na sua 1ª vez na feira de Setúbal estas duas peças
Guarda jóias pintado com a caravela o símbolo do tempo glorioso das descobertas -, quis renascer na década de 40 . Também foi pintado pela fábrica Constância , Santa Anna e,... Jarrinha. Este modelo decorativo já tinha visto igual.
Encontrei duas peças da Fábrica de Alcântara na banca do Pedro e do André na sua 1ª vez na feira de Setúbal. Mas afinal só a primeira é certeira!
Um prato coberto sem tampa -, Motivo Paisagem .
Ao centro decorado em tom monocromado a verde de casa de campo com um homem encostado à vedação de madeira -,tudo ladeado por dois troncos e ramagens de árvores.
Um dos cantos encontra-se partido, levou "gatos" que tiraram à posterior, no tardoz vêem-se os buracos e a ferrugem dos mesmos ao longo dos anos.
Tardoz com as marcas dos "gatos" e o carimbo da fábrica de Alcântara.
As pegas apresentam-se relevadas
Comprei também esta base de sopeira que apresentava manchas ao centro e depurei em limpeza. Mas não é loiça de Alcântara, sim o modelo Minerva de fabrico belga.
Motivo que se confunde com o "Mundo".
O tardoz do prato Minerva só apresenta uma numeração e duas letras-, o Pedro afiançou se tratar de Alcântara...Debalde é estrangeiro. Aqui ficam as fotos para melhor aprendizado.
Na depuração o tardoz ficou manchado...tem de voltar à limpeza um dia destes!
Pequena travessa graciosa pintada à mão de aba relevada feita à lastra pintada com casario verde
Escolhi-a na banca da minha minha amiga Isasay depois de lhe ter ofertado um penico e uma toalha em linho.
O
motivo central sobejamente conhecido por casario ou inspiração oriental
com o típico pagode bordajado por salgueiros e pessegueiros, ainda no
alto da torre a bandeirola símbolo de riqueza dos chalets dos primeiros
emigrantes enriquecidos no Brasil que construíram acima de Coimbra.
A
travessa foi pintada no motivo central à mão em tom verde ervilha.O
fundo revela uma tonalidade cor de rosa mais predominante nos relevos da
textura da aba.
Tardoz da travessa que posto
Do lado direito do pagode(?) há uma vegetação com dois ramos
descaídos com folhagem que me chamaram à atenção. No dicionário de
marcas há uma marca atribuída a CAMINHA cujo símbolo eram dois ramos
entrelaçados muito semelhantes a estes - com data de 1846/54 - atribuído à fabrica José Martins Rua.Se juntar que os irmãos Ruas ou
Rua pintaram à imagem da faiança de Coimbra e de Darque onde
trabalharam.Também as cores predominantes eram precisamente o verde
ervilha e o rosa .
Mas não se trata de faiança de CAMINHA -, sim de AVEIRO
Das fábricas : Prantos e Moreira Lda ou Fábrica das Leirinhas de Manuel Vitória.
O meu bom amigo Jorge Saraiva, na estima aprecio o trato JS da Oficina da Formiga em Ílhavo enviou-me esta mensagem no facebook que transcrevo:
...em relação à
travessa que postou, envio uma igual (?) feita aqui em Aradas pelo
pintor António Carvalho, que também pintava Cantão ou China (designação
usual para o desenho da travessa que postou), mas não encontrei nos meus
parcos arquivos o mesmo desenho, por isso, deixo-lhe mais estes dados.
A
fábrica era a João Gomes Gonçalves da Vitória, Lda (de alcunha o
"Jarreto") em Aradas.
Também num dos seus posts do ano passado referiu
esta família, que até hoje ainda está ligada à cerâmica pela Primus
Vitória, SA:
"Há conhecimento da existência de oficinas de olaria
em Aradas pelo menos desde finais do século XIX.
Em 1923, Manuel
Gonçalves da Vitória e Manuel Gonçalves Vitória Machado constroem em
Aradas a primeira fábrica de louça branca . Anos depois em 1931 foi
dissolvida.
Nesse mesmo ano João Gonçalves Machado fundou nova fábrica
nas Aradas e Manuel Gonçalves Vitória Machado veio a fundar outra em
1955.
Ao longo da década de 30 apareceram ainda as fábricas de louça de João Vitória e João Moreira."
Segundo o meu pai, na sua opinião ambas as peças -, a minha e a que postou foram feitas à
lastra terão sido produzidos numa das empresas: Prantos & Moreira Lda de Aradas Fábrica das Leirinhas de Manuel Vitória.
Em Aradas existiam muitas pequenas unidades e poucas
marcavam as peças-, faziam louça barata e pobre em termos de decoração
(os esponjados por exemplo)
Peças feitas à lastra - o processo é simples, basta ter um molde em gesso da parte interior do
prato ou travessa e fazer uma lastra de pasta com rolo da massa. Depois
elevar a lastra feita e colocá-la sobre o molde de gesso. Calcar a
lastra com uma "boneca de pano com o interior em esponja ou pano" para
fazer contactar bem a lastra de pasta com o molde. De seguida recortar
pelo perfil do molde e se for para levar frete, faz-se um rolinho de
pasta que se coloca no perímetro onde se pretende que fique -, unir com os dedos
para que este faça parte integrante da peça e deixar secar lentamente.
Quando ganhar a consistência de couro e já tiver retraído e descolado do
molde, retira-se deste (que irá ser usado novamente) e fica a fazer a
secagem final.É um processo para
produção de pequenas quantidades de peças ou usado em oficinas com
pequenos recursos.
Claro que o Cantão por estes lados de Aveiro foi pintado principalmente em azul...
Fotos de chapas em folha de Flandres?
Era muito fácil e rápido copiar (chapar, como se pode designar)
estas formas para o fabrico em série.
Citando o comentário do JS
" Apercebi-me agora da confusão sobre chapar uma peça. Esta designação tem
a ver com copiar um modelo (formato) de uma peça. Se alguém quer
produzir uma peça para ficar igual a outra já existente, um modelador
terá de manufacturar um modelo em gesso com as compensações de tamanho
(dependendo do tipo de pasta que irá ser usada [faiança, grés ou
porcelana])por causa das respectivas retracções (diminuição de tamanho
que a peça irá sofrer no seu processo de fabrico, que são diferentes
para cada tipo de pasta). Assim o modelo novo terá de ser maior, para
que no final se obtenha a peça no tamanho igual ao pretendido.
Quando se
deseja obter uma peça igual, mas podendo ser mais pequena no seu
tamanho, usa-se a própria peça como modelo, sabendo que depois se irá
obter uma peça mais pequena e que os relevos que eventualmente esta
tenha, no final, irão ficar menos salientes ou disfarçados.
É um
processo mais rápido e mais barato a que se designa, na gíria, de chapar
uma peça.."
As "chapas" normalmente em Aveiro chamam-se estampilhas. Se bem que em
diversas fábricas faziam-se em chapa (folha de flandres) e eram usadas
para pintar com aerógrafo, como na Fábrica de Sacavém.
A travessa com o motivo do moinho foi pintada pelo Mestre Flamínio Reis em 1968.
A travessa que o JS gentilmente enviou é de fabrico mais recente com um motivo mais minalista e pelo vidrado que se apresenta esquartejado, enquanto a minha pelo esmalte e pintura é seguramente será mais antiga década 20/30/ (?).
Tem em comum a textura relevada da aba feita à lastra , os recortes do bordo e o frete no tardoz.
Interessante é constatar que até reparei e escrevi que a bordadura da aba se apresenta ondulada e relevada -
graciosidade que viria a ser inspiração depois na porcelana Vista Alegre, para onde foram trabalhar alguns oleiros após terem fechado as fabriquetas onde laboravam.
Seguramente a travessa é fabrico de Aveiro-, vem mais uma vez engrandecer o fabrico de loiça que já era vasto, agora ainda mais graças ao JS se descobriu a sua origem erradicando o norte como centro de produção.
Em baixo um covilhete de fabrico de Coimbra onde se notam evidencias de copianço na cúpula.
Jorge Saraiva, o seu contributo é sempre uma mais valia
para o conhecimento da nossa faiança .
Aveiro está a crescer na descoberta com mais duas fábricas e mais esta particularidade de "peças feitas à lastra" que já vi no matriznet várias designadas produção (?) norte.
Assim a sua terra dá cartas na busca da verdade desta verdade que é conhecer a nossa faiança.
Gosto de opinar dando sugestões com interrogação, tenho errado, e vou alterando sem vergonha ou complexos -,antes fico orgulhosa de ter bons amigos que me ajudam , ensinam e partilham a sua sabedoria como o JS.
Bem haja meu amigo extensivo ao seu querido pai-, um homem sábio que sei trabalhou em fábricas destas, acabando na de S. Roque-, espero não ter cometido uma inconfidência. Acho oportuno rematar o post com a sabedoria de um homem artificie -, que sabe o que diz, e claro o filho seguiu-lhe as pisadas.
Adorei o carinho da sua mensagem...logo o meu "velhote" vem cá a casa, vou-lhe mostrar as fotos...
Ao sabor que esta música inspira em mim ...perco-me apenas no essencial desta vez!
Loja on-line apresentará peças para venda .
As entregas podem ser em Lisboa, no Cais do Sodré, ou Almirante Reis, via CTT -, no caso terão de
suportar os portes ou nas feiras onde participo, após confirmação de
ambas as partes.Também em mão em feiras: Azeitão, Algés, Setúbal e,...
Contato: email isacoy@hotmail.com
Sacavém para colecionadores Real Fábrica
Prato de torradas Real Fábrica 30€
Fábrica de Sacavém encomenda para a exposição o Mundo Português de 1940
Temas das Províncias Ultramarinas Estado impecável 30 €
Estampa "cavalinho" em tom azul forte. Impecável 25€
Motivo Buçaco. Impecável 30 €
COIMBRA Alguidar pós "ratinho" de Coimbra com um "cabelo"
60 €
Grande prato com motivo "casario"
Pintura monocromática em verde seco 70 €
Prato em faiança século XX impecável
30€
Século XVIII
Impecável, oitavado, motivo pagode70€
Oitavado, com figura e paisagem, ligeiro "cabelo" 50€
Rebordo ondulado, motivo floral, ligeiras esbeiçadelas no rebordo
70€
Século XX modelo Mari impecável
25€
Fabrico norte Cavaco (?).
Taça ovalada de aba gomada pintada em policromia com motivo floral. Apresenta no tardoz ligeiro "cabelo". 25€
LOIÇA INGLESA DAVENPORT
Motivo de paisagem oriental, vulgo cantão. Pequeno prato.
Ancora gravada na pasta no tardoz, colado 10€
Travessa Alcântara motivo Porto ligeiro cabelo no covo