quarta-feira, 25 de julho de 2012

Amostragem de peças da minha coleção da Fábrica de Alcântara

Algumas das minhas peças

A minha amiga Isabel Rute falou-me num neófito nestas andanças das faianças com muito interesse na Fábrica de Alcântara - começou a coleccionar - em mãos em fase de términos compila  livro sobre esta faiança. A quem vendeu uma manteigueira - lembro-me dela - a mim pareceu-me mais uma mostardeira...de seu nome - Jaime Regalado.

Segundo o livro Ceramica Portugueza - autor José Queiroz, 1907,  pp. 335, item 138,  peça com marca de fabrico a começar em 1886  - o ano em que a Fábrica de Alcântara é adquirida pelos proprietários Lopes & C.ª - uso da referência L & C no carimbo - tenho várias peças desta época .

Pequeno gomil  motivo - Espigas de trigo, não está assinado - estaria a bacia.

  • Verão mais à frente  do post que outras fábricas reproduziram grandes semelhanças na decoração e textura das massas.
  • Mostro peças para se situarem no contraste das semelhanças o que nos leva a admitir que a loiça que não esteja assinada revela dificuldade em se atribuir o seu fabrico , e nesta amostragem é muito peculiar apreciar.

Pequenas e graciosas molheiras - Motivo Leques com ramagens laterais diferentes e tonalidade - azul e verde seco, a 1ª assinada e a 2ª não

 

Pratinho com motivo vegetalista com meia lua
 
  • Pois...pela decoração catapulta fabrico para Alcântara...mas é Massarelos!
Fabrico de Massarelos Porto possivelmente na época que a Fábrica foi comprada por Chambers , dono da  Fábrica de Alcântara, e decidiram recomeçar a decorar  as peças com motivos antigos...


Taça oval ou prato coberto sem tampa com pé - motivo trigo em azul claro




Bule decorado em tom monocromado a verde com padrão baseado em composições vegetalistas, medalhões e vaso como elementos decorativos. Exemplares com o mesmo motivo podem variar, pelo menos, entre as tonalidades preto e castanho.Sem tampa.

 Bule motivo vegetalista com espigas (?) também em tom monocromado verde sem tampa

 Tacinha - motivo campainhas da mesma época de fabrico da molheira postada no início
  • Constância - Janelas Verdes...parece Alcântara , o de baixo em vermelho é Massarelos
Interessante apreciar peças que pela decoração nos catapultam para Alcântara, sorte estarem assinadas
Açucareiro em verde motivo Phantasia
Pratos marcados vários motivos - catos - campainhas e phantasia - noutra casa tenho  este - Motivo Porto e,...

Tampas 
de prato coberto quadrada, cantos quinada, tom preto, motivo phantasia com o pormenor da pega muito elegante

 tampa de sopeira motivo leque com a pega graciosa


Dois pratinhos partidos - custaram o horror de 50 cêntimos cada...


Quando à sua decoração, não há dúvidas que se trata de uma peça dedicada à temática
dos Descobrimentos Portugueses, apresentando desenho ao centro baseado na Esfera Armilar - decoração típica estilo manuelino.Provavelmente terá influenciado a sua denominação por parte da fábrica de Alcântara.
 Relativamente à decoração na aba - apresenta dois conjuntos de três figuras
 em perfil e outras três de corpo inteiro - enquadradas com pormenores arquitectónicos de estilo gótico -com alguns medalhões estilo manuelino.

Gostei deles pela sincronia do desenho  e tonalidade da mesma época  L & C











Molheira em branco com asa em nervuras no dorso e pormenores de relevo de folhas abaixo e uma predominância no início









Apresenta no fundo impresso na massa as letras A T A - será Alcântara?


Termino com pequena terrina Inglesa cujo motivo foi copiado por Alcântara

Marca de fabrico -  Patent Office   Registration Mark - em forma de losango presente nos produtos industriais ingleses entre 1842 e 1883. A cerâmica pertence à classe IV  que se vê a encimar o losango e quanto aos números e letras em cada ângulo do losango, dão informação precisa sobre o dia, mês e ano de fabrico. No caso o M deve corresponder a 1880.


domingo, 22 de julho de 2012

Faiança de S. Miguel nos Açores

A olaria insular será tão antiga quanto a vida humana nas ilhas - nada mais elementar - o fabrico de loiça utilitária.Do tempo quinhentista existem relatos dos pedidos de legalização de oleiros para exercício da profissão.A maioria das olarias encontram-se na Ilha de S. Miguel, Terceira e Santa Maria :
                                 
                                            Em S. Miguel existiram 3 centros oleiros

Foi preciso deslocar-me a Torre de Moncorvo a casa dos meus bons amigos Prof Arnaldo Silva e esposa Ilda para catalogar esta faiança  que desconhecia , no pior não dei a importância que merece - 1º porque é rara, só agora tem aparecido com frequência - por não estar assinada, só entendia ser diferente no esmalte, no frete e na decoração - assinadas comprei há tempos dois vasos asados - tenho noutra casa, por serem muito decorativos, julgo mais recentes. 
                                                   
                                         Cortesia destes amigos  transmontanos

Prazer  neste espaço poder aqui mostrar as suas peças - tinham imensas, penicos, terrinas, infusas... por razões várias não puderam trazer da ilha no regresso da sua estada a trabalho. Achei importante aqui fazer esta amostragem para os amantes de faiança.
Já aqui referi - curiosamente andam algumas peças destas iguais nas feiras...
Faiança dos Açores
Lagoa  - onde se produzia a típica loiça de faiança.Recebi amavelmente um comentário  que passo a transcrever:
" Se me permite, gostaria de informar que a Cerâmica Vieira, fundada em 1862 por um natural de Vila Nova de Gaia e ceramista de profissão, continua em laboração e está sedeada em Lagoa, Ilha de São Miguel, sendo propriedade da 5ª geração da família que lhe deu o nome. Acrescente-se, que tem um Museu onde se podem admirar muitas das peças ali produzidas ao longo da sua centenária existência, sendo que uma das atuais proprietárias, Manuela Vieira"

Potes com tampa esmaltados por fora e por dentro. 
O maior com a pintura de um  porco - símbolo a meu ver do produto aqui guardado - pelo tamanho seria  -TORRESMOS - os mais pequenos BANHA.
Tantos nomes para a mesma peça - Esqueci-me de perguntar o nome dado na ilha



Infusa e caneca
 Tirei as fotos em cima de uma carpete em trapologia igualmente dos Açores.

Vila Franca do Campo - fabricava-se loiça vermelha tosca
               
 Duas taças de fazer a massa da broa (crescente)

3º Centro oleiro - Bandejo na freguesia da Ribeira Seca no concelho da Ribeira Grande.
Aqui não sei que tipo de faiança foi produzida...talvez esta que mostro a seguir cujo esmalte parece grés - mais rugosa à mão(?) 

Malga de barro vermelho - o vidrado rugoso tipo grés, pintura forte - seca sem brilho. Curiosamente comprei há muito tempo uma tacinha com duas asas graciosas , flor ao centro e filete no rebordo a imitar louça conventual - o grés e a cor forte em tudo idêntica a esta - por não conseguir decifrar a marca, julguei ser estrangeira - a vendi julgo em Tomar, e não devia!
malga
Floreiras - Ofereceu-me uma a da direita. A 1ª esmalte amarelado  - Lagoa - a outra tipo grez possivelmente de dois centros oleiros distintos.
floreiras
Recolhendo alguma informação deleitei-me com um estudo monográfico  sendo que o nome  - Dra Isabel Fernandes - ilustre estudiosa em faiança do mais alto gabarito dá um interessante testemunho sobre esta loiça excerto " vê nesta faiança aspectos singulares que a distinguem tecnicamente de outras produções do Continente. O seu encanto e a sua individualidade encontra-se, por um lado em serem peças de paredes espessas e de esmalte em que muitas vezes a quantidade de chumbo é superior ao normal o que torna a camada vítrea mais translúcida e amarelada, logo menos branca (...) e, por outro lado, pela beleza dos desenhos com temáticas muito próprias e dados em pinceladas vigorosas ou  com recurso à técnica de estampilhagem".

http://repositorio.ul.pt/bitstream

                                          - Cortesia do colega António Palminha -
Entrei na feira de Algés e deparei-me com uma banca cheia de loiça dos Açores!
Mui amavelmente me deixou fotografar as peças trazidas de lá recentemente - disse vender muito bem.

Pote; infusa; caneco;malgas e escarradeiras
Julgo a Maria Andrade tem uma escarradeira igual à mais pequena  semelhante na cor e vidrado(?)
Fiquei embasbacada com a amostragem - deveria ter trazido comigo uma escarradeira - uma das minhas peças favoritas e no caso amei o pote...se não fossem as prioridades...
Curiosamente foi este prato que me despertou há coisa de 2 a 3 meses para esta pesquisa,  quando lhe perguntei de onde tinha vindo, respondeu " de um Monte alentejano com outras peças em cobre lindas"...os alguidares tinham sido hoje  vendidos logo de manhãzinha- nunca vistos em formato de alguidar boca larga  enormes - esqueci-me de perguntar a sua função.
De imediato reconheci não ser fabrico português. Palpitou-me espanhol...agora sei que é faiança de LAGOA - AÇORES
Também tenho uma carpete em trapologia típica açoriana
Hoje  na mesma feira tive um mais pequeno na mão sem tampa pintado em tons pastel com filetes ao centro  - colado no rebordo do bojo com  grande defeito de fabrico no corpo bojudo  - para mim fazia-me 20€, dizia ser Coimbra... pior dizia que o vendia por 50€...também hoje vi na mesma feira duas jarras art decó  afuniladas na base e abertura mais larga sendo todo o corpo pintado a filetes laranja e vermelho - assinadas. 

Termino como comecei -  vasos com pegas assinados: Vieira - S. Miguel
Boião antigo 20cm altur. 18cm diam.
cortesia do OLX com tampa 
  • O MEU SEM TAMPA custou-me 1 € em Setúbal
Em tempos comprei este pratinho pintado a amarelo torrado e arabescos vermelhos na aba - apresentava muitos arrepiados na massa - sem marca - vendi-o na feira de Torres Novas -  sem saber que se tratava de loiça açoriana
 

Termino com oiro com esta bela peça

 


domingo, 8 de julho de 2012

Bules de caldo - Bicas - Caneca de doentes

Fainça: Bules de caldo - Bicas - Bicado ou Caneca de doentes
                                 

A mesma peça em três variantes:colocação da asa e abertura .

 Cortesia: Peças da minha amiga homónima que levei à feira .
Estas peças baixaram tanto....mas tanto, assim como estão ainda rendem no total ( 3) -  500€...
Há 25 anos comprei um - que me custou 45 cts...225€

Lindas, me fascinam desde que vi a primeira há 32 anos em casa de um familiar - dou conta do amigo JSaraiva que no seu comentário sempre muito a propósito e didático diz "  Pois uma vez mais acho fantástico o que os mestres de antigamente faziam e estas peças são prova disso, quanto ao valor, claro se fosse eu a comprar custava um pouco mas se fosse a vender acharia muito pouco, são autenticas relíquias e fizeram parte de um passado recente da vida humana."

Se fossem minhas, julgo jamais as venderia ... acreditem se pudesse já as tinha em minha casa!
Mas cada um sabe das suas prioridades!
Peças de coleção - só famílias com posses as compravam  - por isso não seria um fabrico em série como outras peças mais do uso comum.
Faiança de Coimbra
Pintura em estampa floral em policromia a vermelho ornada a filete fino em azul debaixo do rebordo e a cheio no bico, na aba degolada da caneca irradia um conjunto de folhas de igual tom, ainda filetes no limite do rebordo, e abaixo deste em amarelo ocre no pé.
Atribuição a finais do século XIX(?).

Peça  ligeiramente maior que a anterior. Com a a particularidade de ser diferente - a posição da  asa é de lado - igual a esta em branco aparece no filme - O paciente inglês - a enfermeira a dar o caldo ao enfermo na tenda...
Faiança de Coimbra


O bico encontra-se mutilado com restauro. Na última foto pode ver-se o pormenor de relevo na massa que orla o bico e lhe confere uma graciosidade. Pintura policroma em estampa na tampa e abaixo no bojo em vermelho  e lágrimas em azul, filete igual no contorno da caneca degolada, duplos abaixo da tampa,  e acima do pé, o bico com pintura por baixo tipo lágrima. Asa elegante com recortes  de relevo impressos  na massa.Debaixo do bico esponjado a azul.
Atribuição a finais do século XIX(?).

Peço desculpa pela qualidade das fotos - tiradas na feira e foram as últimas - a máquina avariou!


                                                  Faiança de Miragaia
 Igual formato da anterior no pormenor da colocação da asa em relação ao bico -( julgo era moldado com o dedo)  muito graciosa a tampa degolada de recorte curvilíneo, sendo ao centro mais pronunciado.
Pintura azul em estampa e esponjados cobrem a peça, o bico com pintura esponjada que termina em jeito de chama na ponta e no início, a asa com espinha azul.
No bojo foi restaurada.
Peça mais recente do que as anteriores início século XX (?).
Fiquei com esta para a minha coleção.
Semelhança na decoração nesta pequena taça com o fundo a terminar em forma de bico ao centro daí a atribuição a fabrico de Miragaia





Faiança do norte de Gaia com flor de avenca a imitar o Juncal

Grande prato em faiança com motivo decorativo simples- ramos de avenca. Numa primeira impressão diz-se que é produção do Juncal. Numa s...