Caneca em faiança de Estremoz finais do século XVIII (?)

Este tipo de caneca de faiança o vi a primeira vez em casa da avó do meu marido, em particular de uma que achei numa arca que se tinha descolado o pé do corpo tendo sido restaurada com tanto "gato" como jamais tinha visto assim um trabalho. Tinha flores, era bonita e do mesmo tamanho da que apresento, apenas diferente no esmalte, a outra inegavelmente faiança de Coimbra e esta o será de Estremoz ou Lisboa (?).
O barro mostra-se totalmente branco e seco, a palavra pode não ser a melhor escolha, porém o que pretendo dizer é que em tanta peça esbeiçada nunca assim assim um barro igual que se nota bem na esbeiçadela no rebordo e à partida evidencia produção quer de Estremoz numa determinada fase, que o usava vindo dos barreiros de Lisboa. A flor em tom manganês, sobretudo a sua pincelada a forma como termina lembra azulejos pombalinos.
Padrões de alguns azulejos pombalinos
Não encontrei na pesquisa que fiz azulejos com apenas uma flor ao centro com a mesma terminação como a caneca,que tenho guardados algures, mas não tenho foto no momento.
Pintores de Estremoz aprenderam na Fábrica do Rato em Lisboa, por isso alguma a semelhança nas pinturas na mesma época.
A tonalidade do verde usada faz lembrar Estremoz.
A única nota de diferença seja o esmalte que não se mostra homogéneo, e sim azulado com pigmentos em azul mais forte, que lhe dá uma graça inédita. Possa aventar que na calda do esmalte  que se mostra pastosa e gorda onde seria misturado  uns posses de cobalto onde nem todos se diluíam pela incompatibilidade com os outros componentes da calda e por isso ao mergulhar a peça para tomar o esmalte deixavam este aspecto. Uma probabilidade.
O azul cobalto apenas era utilizado em fábricas com posses e tanto Estremoz como Lisboa tiveram fábricas que o usaram.
A pintura em policromia é toda manual. Dois filetes em azul ao limite do rebordo da caneca sendo o primeiro mais largo que o segundo que se repetem depois no pé nas nervuras para a elevação do corpo da caneca. Ao meio é graciosamente decorada com um ramo floral a manganes com folhas verdes com duas flores, uma muito mais bonita que a outra.

A asa relevada é graciosa sem pintura além do esmalte, termina em bico e não em dedada afincada para prender, como mais tarde foi hábito em Coimbra.
A caneca apresenta-se de ligeiro ovalado e não totalmente redonda, o que denota a sua antiguidade.
Arrepiados no esmalte
 
Produção aponta para os finais do século XVIII (?).
Estremoz ou Lisboa (?). Por hora deixo-me na inclinação para Estremoz pelo continuado uso do esmalte azulado da maioria das suas peças que vão aparecendo .
Até hoje a primeira peça que encontro com este esmalte serpintado de pigmentação a cobalto sob esmalte azulado, tenha sido a alavanca para a perfeição noutras iniciativas em Gaia, na fábrica Miragaia e outras em determinada época o uso de um esmalte homogéneo azulado.
Um exemplo de esmalte homogéneo azulado
http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.com/2017/11/pratinho-miragaia-de-rocha-soares.html
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