segunda-feira, 4 de abril de 2016

Prato no motivo cantão popular em azul cobalto de Coimbra ou Vilar de Mouros (?)

Uma maioria ao olhar este prato o identifica como sendo do norte.E o será, mas de que fábrica? Miragaia? Não me parece e não julguem que não é por ser um prato excecional, que também os fabricaram em pintura ingénua do casario no motivo (cantão popular). Seguramente pelo brilho da pintura a cobalto que não engana, nada assim antes visto, também pela fineza da textura, e a delicadeza do recorte na aba, aponta para uma fábrica igualmente requintada, que pode muito bem ter sido Coimbra ou Vilar de Mouros que copiou muito o que de bom se fazia em Coimbra!
Recentemente foi editado um livro sobre a produção de Vilar de Mouros
A ser  fabrico de Coimbra (?) , apesar do motivo atabalhoado do "cantão popular" ainda ser pouco conhecido atribuído a esta cidade, sendo óbvio que o pintou, no azar de ao tempo não ter tido pintores que marcassem as peças, como um Rocha Soares em Miragaia, Irmãos Rua  em Viana e,...
A dupla dos filetes ao limite do covo é típico da pintura de Coimbra.O mesmo da aguada. Os esponjados, Miragaia também os pintou na aba intervalados com ramos florais. Não sei quem copiou quem.O provável foi a ideia dos esponjados ter subido de Coimbra, Aveiro para Gaia (?).
Filete azul cobalto no limite da aba é requinte de pintura, e o brilho que o prato irradia é impossível de o mostrar em foto, é absolutamente espetacular, a lembrar os tempos áureos de boas tintas.
A utilização do azul cobalto só acontecia em fábricas de nomeada, por ser caro. Miragaia era uma delas, Fervença, Vilar de Mouros e Coimbra também.
Este meu falar seja dado pelo tamanho, pelo formato e pelo recorte ondulado, a pensar em Coimbra, mas também em Vilar de Mouros.
Miragaia pintou vastamente esta temática do cantão popular, nomeadamente a casa com cúpula, na diferença que lhe pintou umas janelas em forma de "olhos e sobrancelhas".
Ramagens preenchidas a cheio, para mim são de Coimbra e Vilar de Mouros (?) e outras com as folhas, que nesta ou noutra fábrica, o pintor as abriu a fazer "corações", o que revela pessoa de alta estima e de afetos, é uma pista que ando há que tempos para descobrir a fábrica, que sei do norte, de Gaia, onde se sediavam a maioria delas.
Corações nas ramagens
Sorte em encontrar este belo prato em faiança semi escondido com dois Companhia das Índias , só se distinguia a barra esponjada em azul que me chamou, na banca um antiquário que se fazia demorado em regatear, sem levar a água ao seu moinho, obviamente me deixei ficar ao longe em espera, na conversa com outra vendedora, mal ele deu cordas aos sapatos fui direito à banca, sem discutir o trouxe comigo.
Pintura em cor monocromática azul cobalto com aguada nos esponjados  e nos arbustos, sendo o rebordo forte como nas flores, no mesmo o filete da aba e o que delimita o desenho com o rodapé.
Dizia o vendedor, olhe eram dois, vendi na loja o outro a uma senhora...
Aba recortada toda preenchida com motivos florais intervalados por esponjados.
Rebordo ondulado debruado a filete cobalto
Ao centro a decoração apresenta-se com motivo ingénuo com cúpula ao centro, rodeado por arvoredo, sob rodapé rendilhado floral a stencil (?), na divisão do desenho com o rodapé um traço mais vincado a delimitar com arbustos nos terminais e por detrás do casario, uma carateristica da pintura do norte.Mas houve um tempo  em meados de 1800, que em Coimbra também assim se pintou.
As marcas das trempes revelam que a fábrica fabricava pratos grandes
O tardoz apresenta-se fino de textura homogéneo usual na loiça fina, leve, graciosa, como tenho outras peças nas mesmas carateristicas a que se acrescenta o rebordo recortado, por não ter qualquer marca será produção de Coimbra  ou Vilar de Mouros(?).
A ser Coimbra, a possibilidade ser da Fábrica Alfredo Pessoa, que neste estilo do recorte ondulado  na aba  foi precursora também a Fábrica das Lages. Finais do século XIX(?) onde ainda é visível a pintura com pincel e o uso de estampa e stencil (chapas).
Exemplar atribuído a Coimbra semelhante ao mesmo formato de prato, pela fineza e recorte na aba. Com a particularidade que a fábrica que produziu este também usava o azul que a cor se nota no tardoz do prato aquando da cozedura nas trempes.
Nesta me deixo ficar, por nunca ter visto um prato com um azul tão forte, o palpite fica por hora em Coimbra!Mas na certeza que poderá ser Vilar de Mouros (?)!

2 comentários:

  1. Boa noite!

    Gostaria de entrar em contacto consigo para lhe pedir ajuda numa questão... O meu avó tem uma peça cuja identificação não conseguimos apurar, por não reconhecermos a marca da fábrica... Será que nos poderia ajudar? Desde já imensamente grata pela sua atenção. anabastosvieira@gmail.com

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  2. Cara Ana Bastos muito obrigada pela cortesia da visita. Sobre o seu pedido de ajuda já lhe enviei um email.
    Um abraço
    Isa

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