Travessa motivo floral de aba martelada e bicada, fabrico norte, Darque ou Vilar de Mouros(?)

A semana passada  ao descer a escada de ferro para ir ao quintal do vizinho apanhar molas, andava a vizinha da minha filha, a D. Amélia, senhora com ar de minhota, na poda dos arbustos, na conversa reparei que tinha no meio do jardim um prato Sacavém, estampa "cavalinho", apesar da aba brucinada, ainda assim irradiava beleza, fosse pelo verde autentico, o bebedouro para os melros seja a paga das sementes de flores que lhe trazem...lançou-me o convite para ir à sub cave, onde deparei com um mundo de coisas velhas, desde cadeiras que foram de Lisboa para Viana do Castelo e voltaram, loiças e vidros, malas, candeeiros, num caixote empoeirada descobri um tardoz de uma travessa, que hesitou em me oferecer por estar "gateada" achando que não valia nada, ainda trouxe um prato Massarelos e uma saboneteira em esmalte, para pregar numa parede da casa rural.
Muito obrigada D Amélia pela gentil cortesia das ofertas.
A travessa em faiança em formato ovalado de aba recortada e relevada em cartelas ou reservas em cor monocromática esmeralda(?) e esmalte lácteo a recebeu de herança do seu sogro.
O motivo central desenvolve-se do fundo até ao centro com uma ramagem floral , graciosa em policromia
Pintura delicada com as famosas folhas ditas de agrião
O tardoz em textura homogenea apresenta a aba com transparência da pintura da frente, uma característica que se encontra numa determinada época na faiança de Coimbra e Fervença, eventualmente outras(?).
 Esta decoração floral já antes a apresentei
http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt/2014/12/travessa-em-faianca-aba-relevada.html

A que acrescento esta enfusa muito semelhante
O fabrico desta travessa poderá atribuir-se ao início do século XX, por altura da implantação da República, porque  Coimbra também fabricou este tipo de aba assim martelada, como poderão ver no post atrás mencionado. 
E a Fábrica das Devezas também, foto retirada dum site de leilões, por ostentar a marca

  Enfusa em grés da minha coleção
Atendendo à tonalidade do esmalte não me parece seja Fabrico das Devezas, porque o foi num branco branquíssimo, a rivalizar a porcelana, poderá ser eventualmente fabrico norte (?) de uma outra fábrica que copiou o motivo porque na verdade o verde da folha de agrião é mais escuro, poderá ser Darque sendo que supostamente Coimbra também o pintou, mas num verde ervilha, mais aberto.
Ou será fabrico de Vilar de Mouros (?), atendendo ao esmalte lácteo e aba bicada ?.
O tardoz apresenta transparência usual em Fervença e também Coimbra.

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