segunda-feira, 13 de abril de 2015

Prato de faiança em monocromia azul com gomil e arranjo floral

Postei estas fotos no face antes da Páscoa com o comentário" Já me sinto bem melhor e com energia, foram uns dias com muita acidez no estômago, só a dieta, chá de erva cidreira e o saco quente me salvaram, apesar do pecadito de véspera em que se celebrou o dia do chocolate e claro, acabei o bolo que tinha feito no domingo...Melhorzita apeteceu-me vadiar, desfrutar do sol  e, para arejar as vistas fui espreitar uma loja onde em tempos vi este prato completamente assassinado-, foi partido e colado, mas para não se notar, foi selvaticamente pintado-, uma lástima total, ainda assim caro na primeira vez que o vi. Perguntei de novo o preço, sendo francamente bastante favorável que não hesitei em o trazer comigo. "
Imaginem o que senti com a camada de tinta em redor do desenho ao centro, até julguei que a pintura teria sido para tapar a falta de esmalte...(que estivesse gasto, pelo uso, prato galinheiro, debalde nada disso...)
Foi limpo com bastante acetona.Feliz e vaidosa não resisto na  sua partilha. Meti mãos à obra, só depois me lembrei de fotografar...
Nota-se bem a pintura selvática do ignóbil e vil que o adulterou, devia no mínimo ter partido um dedo-, tamanha raiva vomitada aqui em  farta gárgula!
 
Depois de limpo se revelou ser bem outra coisa!
Um belo prato em pintura monocromática azul clara.

  O tardoz brilhante com transparência do azul cobalto
 
O centro do prato apresenta-se com um gomil a fazer de jarra com flores limitado no covo por fino filete.
O antes e o depois
A barra apresenta-se limitada por filetes com ramagens de flores enlaçadas em cordão de filetes em onda no feitio de "S" intermediados com bolas a cheio

 Feliz depois de o limpar e redescobrir tamanha beleza.
 Contrastes com semelhanças em outras peças
Prato que encontrei no OLX com muita semelhança na decoração da barra , só a tonalidade de azul é bem diferente.
Em tempos fiz um post com o mesmo motivo -, do gomil
http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt
A curiosidade neste pratinho além do gomil é o frete do pé em redondo o que evidencia fabrico em fábrica industrial, mais tardio que o prato acima produzido em olaria. Um dia destes faço um post com peças com este frete
Uma foto retirada da net com dois gomis, atribuído a Coimbra 
Um mês depois comprei outro com o mesmo motivo ao centro e rebordo recortado
Pois já encontrei peças com atribuição a Coimbra no mesmo motivo com rebordo liso e recortado.
Pois o meu bonito e gracioso prato me parece ser do primeiro quartel do século XIX (?) quando apareceram as estampas vindas de Inglaterra, anos 20?.
Quanto à sua proveniência em termos de fabrico, atrevo-me a dizer sem cometer a loucura de aventar o norte, com barro vindo de Lisboa que aportava em fartura em Gaia ou Coimbra. 
E porquê? Porque foi usado barro branco ligeiro amarelado) que se nota bem na frente onde partiu.
Como nota introdutória "as argilas têm significados diferentes para diferentes grupos de pessoas. Para o agricultor as argilas são o ambiente mecânico e químico onde a maioria das plantas cresce. Para o ceramista são a matéria prima das suas obras, há mais de 4 mil anos. Para o editor, conferem a suavidade à superfície do papel em impressões de alta qualidade. Como fim médico, podem ser um alívio para a diarreia, e para o sondador, são um componente das lamas de perfuração. Para a maioria das pessoas representam apenas a incómoda lama nos sapatos. Já na área da geologia, o termo argila pode ter vários sentidos."
Por hora fico-me a sonhar que é de Coimbra(?).

 Tive de retirar outro prato para novo poiso...
Coloquei o prato na parede da sala, na sua companhia mais cinco todos atribuídos a norte (?).
Seja pelo esmalte lácteo e o azul cobalto desmaiado com transparência no tardoz  denota ser fabrico de uma boa fabrica de Gaia, que pode ser desde Miragaia a SAVP, ou outra congénere que dela infelizmente não se fala assiduamente nesta temática -, cuja tamanha culpa é de nunca ter havido gente que lhe desse a devida  importância como se apraz aos nossos olhos aos dias d'hoje infelizmente constatar.

Claro que valeu a teimosia de voltar e sem receio o trazer comigo!

4 comentários:

  1. Olá Maria Isabel, se não for a melhor, é uma das melhores peças que vi até hoje. Poucos saberão dar valor ao trabalho e conhecimento necessário para manufacturar tal objecto. Quem o elaborou era um grande Mestre. Obrigado pela partilha e bom fim de semana. Bjo, jsaraiva

    ResponderExcluir
  2. Caro JS muito obrigado pela cortesia da visita e pelo testemunho do comentário que só engrandece o post.O prato é interessantíssimo de fato, recordo o pequeno com o gomil o JS dizer que nunca tinha visto o motivo.
    Bom fim de semana
    Bjo
    Isabel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia Maria Isabel, sim vêem-se alguns gomis ou jarras em centros de pratos ou travessas, mas este centro da peça tem um trabalho muito complexo. Digo isto, pois as estampilhas têm muitas horas de trabalho e à época somente davam para pintar uma reduzida quantidade de peças, ou seja muito investimento para poucas peças. Bjo e bfsemana

      Excluir
  3. Trata-se com efeito de um prato de rara beleza. Adoro a transparência azul e o "piolho" no tardoz e mesmo partido é uma peça maravilhosa. Boa hora em que o decidiu comprar e recuperar-lhe o esplendor original.
    Muito obrigado.
    Carlos Martins

    ResponderExcluir

Souvenir da Fábrica Cesol de Coimbra

Caneca da Fábrica CESOL de Coimbra anos 50. Pintura monocromática em castanho . Imagem de Nossa Senhora da Rocha dentro de um coração en...