Amostragem de faiança por terras de Aveiro

Passam os dias e, com eles se tem ido a promessa de postar olaria produzida por terras de AVEIRO. Uma justa homenagem ao meu bom e fiel comentador amigo JORGE SARAIVA !
Maio. Mês de a cumprir. Ajudaram os ranchos de gente que de madrugada me acordaram em rota de caminhada para cumprir promessas no Santuário de Fátima ... últimas mini férias frias , muita chuva, tempo foi coisa de sobra para tirar fotos das peças espalhadas naquela casa!
Lamentavelmente não possuo peças favoritas do homenageado - ALELUIA - apenas - S. ROQUE. 
O mais importante é presentear, ter a vontade de o fazer e, essa tenho e muito!
Presume-se que foram os fenícios que no século X A.C. tenham “importado” a técnica de modelar objectos de barro. Após os celtas lusitanos, que também tinham formas próprias de trabalhar e decorar o barro, chegaram os romanos, que se dedicaram ao artesanato cerâmico, comprovado pelos vestígios recolhidos no ano de 1930 em Cacia. No dia 12 de Dezembro de 1985 foi encontrado um forno cerâmico romano no lugar Costa de Arribas - Vila de Eixo no concelho de Aveiro. Após estudos arqueológicos e escavações no local, não foi possível concluir a data exacta, contudo, vários indícios apontam para uma construção datada entre os séculos III e V. Ao que tudo indica, o forno servia para fabrico de produtos destinados à construção civil, tais como, tégulas, ímbrex, (tégula é um tipo de telha feita em barro,possui uma forma plana com rebordos laterais de forma a encaixar as peças uma a uma, as laterais com rebordo eram protegidas por outro tipo de telha, denominada em Latim de imbrex ou ímbrice) tijolos e sectores circulares para colunas de edifícios, tendo sido encontradas algumas tégulas a uns metros do forno, onde provavelmente secavam os produtos antes da fase da cozedura. 
Os industriais de cerâmica: Aveiro, 1882-1923 Manuel Ferreira Rodrigues

"No ano de 1923, o concelho de Aveiro contava já com nove fábricas deste sector, quatro de cerâmica de construção e cinco de louça utilitária, decorativa e azulejos". 

"Na vida da Fábrica de Louça da Fonte Nova. A imprensa local noticia que os pintores Manuel Pedro da Conceição e Luís Dias Afonso evitam o encerramento da fábrica de louça, assumindo a sua direcção em Setembro de 1908, propondo-se «tomar de arrendamento, à administração fiscal, a fábrica de louça [...] pois os produtos da fábrica de louça têm tido sempre procura superior à produção». Ao fim de duas semanas, o articulista apela ao «bom senso»: «O trabalhador não se quer acanhado, timorato, mas, também, não deve ser arrojado em demasia, pois quem adiante não olha, atrás fica, ou se embrulha em camisa de onze varas donde é mais custoso sair  .» 

" Por escritura de 14 de Fevereiro de 1905, João de Pinho das Neves Aleluia e outros «constituem-se em sociedade de capital e industria» «a fabricação de louça de uso comum e utilidade imediata [com a designa- ção] de Fábrica de Louça dos Santos Mártires», no largo do mesmo nome, hoje Largo do Conselheiro Queirós. "Em 1912, «embora ainda não tivesse o capital necessário», João Aleluia compra o terreno e a casa que fora de Luís de Melo Guimarães, junto à ria, mesmo em frente do local onde estivera instalada a Empresa Cerâmica da Fonte Nova. Cinco anos depois, em 8 de Setembro de 1917, «já liberto do anterior empréstimo», transfere para a zona do Cojo a sua Fábrica de Louça dos Santos Mártires, L.da , que passaria a chamar-se Fábrica Aleluia, Louças e Azulejos. O canal do Cojo via, assim, confirmada a sua vocação de «zona industrial» da cidade. A primeira fornada, composta por «azulejos e louça de fantasia (imitação do japonês) e louças de uso comum» .

" Empresa de Louça e Azulejo Lda 1919-1930 ."Tendo iniciado a produção nos primeiros dias de Agosto de 1920 , expôs os seus produtos na mostra de Viseu de 1921, onde obteve uma medalha de ouro de l.a classe. Na exposição realizada na Tapada da Ajuda em 1923 conquistou o l.°prémio ."Apesar das excelentes condições de que dispunha, poucos anos depois, teve de enfrentar sérias dificuldades com a morte do «gerente», Manuel TomásVieira Júnior, e a saída dos dois pintores, Licínio Pinto e Francisco Luís Pereira, acabando por fechar . Este últimos foram trabalhar para a Fábrica do Outeiro, em Águeda. No início de 1930 a ELA foi posta à venda . "
" Empresa Olarias Aveirense Lda 1922-1942 . "Com o aparecimento desta fábrica, Aveiro passa a contar então com oito unidades cerâmicas, quatro de barro branco e outras tantas de barro vermelho. a produção tem início apenas em meados de 1926. 95 .A maior parte da documentação dos primeiros anos considera-a uma «fábrica de louça ordinária».Em 1942 a fábrica seria adquirida pela Fábrica Aleluia." 

" Vitória Irmão Lda  1922-1930. " fábrica de produção de louça de barro branco, fundada em 1922, a única nascida fora da cidade de Aveiro . É também a única empresa deste painel criada por oleiros — Manuel Gonçalves da Vitória, João Gonçalves da Vitória Machado e Anunciação de Jesus Gomes, doméstica, mulher do primeiro. No entanto, sublinho que, tendo sido ambos oleiros em Aradas, não é do barro preto ou vermelho que partem para a formação da sociedade." Manuel Vitória trabalhara em Coimbra e Viseu em fábricas de barro branco. A matéria-prima vinha de Coimbra pelo caminho de ferro e era transportada depois em carros de bois até à fábrica.Descendentes de uma velha família de oleiros e lavradores de Aradas — a freguesia onde se regista então um elevado número de olarias de barro preto e vermelho vidrado —, os dois irmãos Vitória vão associar-se para a criação de uma fábrica de louça, embora na descrição do objecto da sociedade se indique a exploração da «indústria e fabrico de louças de qualquer espécie». Independentemente das razões que vieram a dividir os dois irmãos — e que os separariam em 1930 —, refira-se que das famílias de oleiros de Aradas apenas ficou o nome dos Vitória, pois este empreendimento seria continuado pelos seus filhos até aos nossos dias ."
O artesanato aparece documentado em Aradas na primeira metade do século XV 
Contudo, é no século XVI que Aveiro surge como centro oleiro. O Bairro dos Oleiros estendia-se para fora das muralhas, para Sul: Aveiro abastecia o Minho, os navios levavam olarias para os portos de Viana do Castelo e Caminha. Começaram a surgir fábricas de olaria ao longo do canal. Existiram outras Fábricas em Aveiro, porém, a actividade barrista mantinha-se na Rua e Bairro dos Oleiros e na Rua do Rato.A partir do século XVIII desenvolveu-se em Aveiro - a arte cerâmica - peças utilitárias, decorativas, presépios, calvários e imagens devocionais. Em 1775, foi fundada por João Rodrigues Branco a Fábrica do Côjo, sita no antigo “Esteiro das Azenhas” ou Canal do Côjo, daí o nome da fábrica. Na época, as antigas olarias aveirenses fabricadas apenas com barro vermelho estavam no seu auge, pelo que, a nova fábrica foi destinada, desde o início, ao fabrico de louça com barro branco.De acordo com Marques Gomes o Coro da Igreja do Carmo é forrado com azulejos fabricados na Fábrica do Côjo.
Na minha geração a loiça mais frequente em Ansião, no terreiro da calçada defronte aos Paços do Concelho, era vendida por gente dos Ramalhais, perto de Abiúl, provinha de olarias de Aveiro, da Fábrica do Outeiro de Águeda, Sacavém e barros da Bidoeira perto de Pombal. Em Coimbra ao tempo existia a Fábrica Cesol em Souselas fundada em 1947, aparecia alguma loiça , porque a “ratinha” foi antecedente à minha geração, sendo apenas a loiça da Fábrica da Viúva A. Oliveira com loiça decorativa alusiva a padrões século XVII.
Recordo com alguma saudade as tabernas, nelas havia um mosqueiro(o frigorífico da altura), igualmente existia nas lúgubres cozinhas, neles não faltavam travessas ovais pequenas de faiança de terras de Aveiro com carapaus ou sardinhas de escabeche. No bocal da pia do azeite a fazer de tampa havia uma bacia de faiança e, não só, havia um púcaro de barro ou malga para tirar o azeite, o que escorria para a bacia era aproveitado para alumiar os "Santinhos" ou a candeia. Também na boca da talha das azeitonas havia uma pequena bacia de faiança, porque as azeitonas essas eram tiradas à mão... Também era uso no tempo de comer a ceia e a janta que por aquelas bandas de Sicó se chama aferventado - de couve galega ou de nabos com feijões - saia do lume da panela de ferro de 3 pés direto para a bacia de faiança de Aveiro ou Outeiro, onde todos os da casa "picavam" ( ainda hoje este termo é usado na tradicional festa de S. Braz no Casal com o mesmo nome- do tacho cada um "pica" a Cachola, prato típico em vias de extinção, não fosse esta boa gente da minha geração em teimar na sua preservação), nalgumas casas mais afortunadas o pai tinha direito a um prato para si, a mãe e os filhos esses "picavam" todos da bacia...não havia direto a lentidão, corria-se o risco de ficar com fome...no campo o" pessoal de fora" contratado "à jorna de comer" também "picavam" todos com o garfo a ceia da bacia de faiança, na outra mão trincavam dentes de alho...ah pois era!
Em toda a zona centro ainda se encontram muitas reminiscências destes tempos idos e da forte presença desta loiça prática, útil e, ao mesmo tempo decorativa pintada de cores fortes e com motivos alusivos ao campo: flores, barcos, pássaros, casario e, até imitações de outras decorações que se faziam outras fábricas, nomeadamente: "cavalinho" - cantão popular - rosas grandes vermelhas pintadas por Sacavém e outras mais minuciosas iguais às pintadas pela SP de Coimbra nos anos 50, cuja semelhança nesta peça da Artibus de Aveiro que não sei a real função, adaptei para tinteiro, a escolhida com a primazia de ser a primeira a postar...ricamente recortada debruada a filete dourado e duplo filete ao centro, barra com lindas flores em policromia.Peça assinada à frente e carimbo no tardoz. 


Não resisto a mostrar estas chávenas de chá com pires para servir bolo da fábrica Artibus.
A decoração em florzinhas e dourados em jeito de grinaldas ( nem fazem parte do meu gosto pessoal ) saltaram à minha vista, não resisti compra-las.
Fábrica Argilart em Aradas - Taça com rosas vermelhas. A fábrica encerrou portas em 2006, ainda hoje existe uma pequena produção e estas taças e outra loiça com motivos florais ainda se encontram à venda nos mercados da região, onde comprei esta em Ansião há anos, assinada na massa em forma de um laço. Serve na minha casa rural. Desenho copiado da fábrica Sacavém. A barra em faixa compacta foi vastamente reproduzida por outras fábricas como Massarelos.
Graciosa taça com bico em cores modernas a vários tons da Fábrica Argilart. Assinatura em jeito de laço.
Fábrica de S. Roque

No "portal d'aveiro" e no Jornal da Bairrada de 14-04-2005: " São os herdeiros de saberes acumulados já que o seu bisavô fundou a fábrica do Recas de J. Bernardo Moreira que, em Aradas, produzia louça domestica e azulejo. Manuel da Silva, ceramista aveirense acabou por fundar no ano de 1931 as faianças de S. Roque em Aveiro que produziam excelente faiança estampada.Posteriormente a fábrica passou para as mãos do Dr. Mário de Carvalho e em 1945 foi cedida, em regime de exploração, a vários operários cerâmicos.A esta fábrica ficou ligado o nome do artista aveirense João Marques de Oliveira, mais conhecido por João Lavado, responsável pela criação de numerosas peças estampilhadas com representação de animais (vitelos, cães, flores) e peças moldadas com orlas recortadas com decoração vegetalista a uma só cor.Nesta fábrica saíram belas peças de ornamentação como: castiçais com 2 braços dispostos em forma de 3/4 de circulo, assente sobre a base, ainda guarda jóias com cenas de caça na tampa emoldurada por folhas de acanto que se repetiam nas laterais.Também se fizeram esculturas da mulher de Aveiro com o típico xaile e tamancos.
Peças assinadas Bacia com um galo pintado ao centro debruada a filete rosa e rebordo em faixa compata.Travessa oval com ligeiro covo, rebordo com pintura de bicos e, motivo floral ao centro ladeada de duas malgas com flores e filetes. Todas as peças estão marcadas com carimbo circular, dentro dele um 8 da fábrica de S.Roque.
S Roque carimbo "cabaça"
Infusas ou jarros usadas para vinho e não só. Carimbo com a cabaça de S. Roque.
Prato com mais de 30 cm de diâmetro, apresenta o covo com filete azul ao centro, barra decorada a flores e folhas, rebordo pintado nos tradicionais bicos em rosa.
Marcado S. Roque
Prato no motivo "cavalinho" estilizado tipo naif pintado a estampa, possivelmente em chapa, esponjados no rodapé e na árvore, filete a delimitar o centro e os tradicionais bicos pintados no rebordo. Tenho outro com o mesmo motivo a verde claro cujo rebordo é uma faixa verde aerografada.O tardoz apresenta um circulo mais pequeno dentro do frete, uma carateristica da faiança de S. Roque
"Faiança possivelmente dos finais do século XIX do COJO(?) .Seria um prato coberto a que falta a tampa, covo fundo com pintura policroma em flores e filete azul no rebordo. Há primeira vista poderia pensar que se trataria de Coimbra...Em 1802 na Fábrica do Cojo e na Fábrica do Cais Novo em Aveiro havia a descrição de " loiça mais fina, melhor vidrada e cintada que a de Coimbra".
Analisei a decoração análoga a tantas outras pintadas por estas bandas de Aveiro, sobretudo a textura da massa, as assas ligeiramente trabalhadas, a cor do esmalte ligeiramente acinzentado( à posterior fui ler o livro do José Queiroz onde relata sobre esta fabrica " os produtos do Cojo distinguem-se dos das outras faianças do país pelo tom acinzentado das decorações" e, frete de sustentação, não deixam margens para dúvidas, julgo eu (?). Há conhecimento da existência de oficinas de olaria em Aradas pelo menos desde finais do século XIX. Em 1923, Manuel Gonçalves da Vitória e Manuel Gonçalves Vitória Machado constroem em Aradas a primeira fábrica de louça branca . Anos depois em 1931 foi dissolvida. Nesse mesmo ano João Gonçalves Machado fundou nova fábrica nas Aradas e Manuel Gonçalves Vitória Machado veio a fundar outra em 1955.Ao longo da década de 30 apareceram ainda as fábricas de louça de João Vitória e João Moreira. Esta louça era chamada de "barro branco churro". Predominam pinturas de aves, patos, aves aquáticas, aves de rapina e... Posteriormente, nas décadas de 50 e 60 aparecem as " Faianças da Pinheira" e "Faianças da Capoa". Esqueci-me de fotografar uma bacia da Capoa com flor ao centro em azul e filete de igual cor no rebordo numa imitação da Real fábrica do Rato. Estas fábricas utilizavam a faiança (louça de barro poroso, opaco, vidrado ou esmaltado e pintado).A louça de barro preto é fabricada a partir da mistura de dois tipos de barro: barro "forte" (mais gordo) e barro "frouxo" (mais pobre), sendo maior a quantidade de barro frouxo.O barro era misturado primeiro com os pés (só a partir da década de 60 começou a ser utilizada uma máquina chamada "fieira" que misturava e amassava os dois barros, fazendo a pasta). A pasta era depois moldada na roda de oleiro (movida com os pés), com as formas que se pretendiam. Depois de moldadas as peças eram colocadas em tábuas e iam a secar ao sol. No fim de secas eram brunidas com uma pedra trazida da praia (que eram as mais polidas). A seguir a louça era enfornada e cozida em fornos cavados na terra. A última olaria a encerrar, propriedade do Sr. Adelino Laranjeira, usava, desde 1975, um forno construído em tijolo por ele idealizado e construído. Este forno dividia-se em duas partes: a caldeira, onde era colocada a lenha, e a parte superior para colocação da louça.Estes fornos eram a lenha e atingiam temperaturas de 700º. 
A cor preta - era conseguida abafando o forno com terra quando a louça estava incandescente: o fumo não saía e entranhava-se no barro, dando-lhe a cor preta.
A louça vermelha - era feita pelo mesmo processo da preta até à secagem. 
Antigamente esta louça era cozida por duas vezes: a primeira cozedura chamava-se "chacote". Depois desta cozedura era mergulhada num banho de vidrado e ia novamente ao forno para cozer o vidro. Mais tarde um novo método de vidrar veio tornar desnecessária a segunda cozedura ( a pasta e o vidro coziam simultaneamente) tornando todo o processo mais rápido e rentável. Esta louça podia ser lisa ou decorada. A decoração era feita com um líquido obtido pela mistura de barro branco com água. Depois utilizava-se uma cana bem afiada ou uma peça de metal que se molhava no líquido de barro e se usava como se fosse um carimbo. Além disso havia a imaginação de cada decorador, embora a maior parte destas decorações fosse muito parecida ao longo dos anos. A última olaria de Aradas fechou as suas portas em 1996."
Fábrica da Vista Alegre 
Iniciou a sua produção com vidro em 1824.Uma pequena amostragem desse tempo. Ao centro um copo em cálice com o pratinho que o meu bisavô comprou em Lisboa por volta de1900 quando prestou serviço ao Rei D. Carlos ladeado de outros comprados nas feiras.Há pouco tempo vi um copo de uísque comprado por 4,5€, passados minutos aprecei o preço - 50€ - na semana seguinte por não o ver o vendedor disse-me "sabe o copo tinha monograma, consultei o catálogo da VA , vendi-o a um colecionador por 300€..."
Sendo que antes já produziam loiça com pó de pedra e outras texturas.
Quando foi descoberto o caulino por volta de 1852(?) começou com  a produção de porcelana.
Peças marca azul da Vista Alegre dos finais do século XIX
Possivelmente o bule da esquerda o primeiro após a laboração do vidro de bico pequeno em relação ao outro já dito normal, a tampa está no açucareiro....adaptei outra no bule...
Em baixo o prato decorado com o motivo do pintassilgo foi copiado por Sacavém, também copiado com ligeiras diferenças pela Fábrica Pinheira (Aveiro). 
As bolinhas da chávena são um encanto, tenho outras de café em cor de laranja. 
O cinzeiro tem o vidro  marcado VA e a porcelana usada nos postes dos telefones e da electricidade, este e outro em vidro, encontrei-os junto ao castelo de Arraiolos há anos.
Miniaturas de faiança sem marca.Bacia com filete preto a delimitar o centro e a bordadura, a aba em círculos esponjados em azul.Os pratinhos com a típica flor pintada ao centro e filete a delimitar a aba com rebordo nos tradicionais bicos , um em azul, outro em castanho claro, tem o circulo à volta do frete no tardoz a testar fabrico de S. Roque (?), de certeza região de Aveiro.
MOTIVO DO PAGODE O CHAMADO CANTÃO POPULAR
Fábrica S. Roque com carimbo no prato grande e travessa.
O pratinho  que está na foto é da Fábrica Pinheira com carimbo. Oferta da minha boa amiga Marília.
 
Aveiro concerteza(?)
Qual será a fábrica?
Também na região se pintaram ao estilo de cantão popular em pratos de grandes dimensões, sendo que uma das carateristicas é o salgueiro do lado direito não ter ponta, numa imitação da pintura do mesmo motivo por Coimbra.O mesmo das bolinhas o rodapé, há muitas variantes do cantão.


                  Fábrica S. Roque.
O 1º prato com o motivo "GALO" em policromia foi copiado pela fábrica "Cavaco" de Gaia. Não fossem os bicos da bordadura, o duplo filete em preto a delimitar o centro, a textura da massa e claro o circulo pequeno, à volta do frete no tardoz a testar a sua autenticidade de produção na região de Aveiro. O outro prato com outro "galo" também caraterístico na pintura por terras de Aveiro.
Malga pintada às riscas circulares com carimbo tal como o caneco com a marca (cabaça) S. Roque com filetes circulares no corpo em azul atravessadas por um filete fino em vermelho ao alto.
S Roque

Prato de grandes dimensões com motivo central do peixe cortado e talheres vastamente pintado pelas fábricas do norte. Recente, talvez dos anos 60 (?), possivelmente ao tirarem-no da parede, ao tentarem tirar os arames que na altura eram feitos à medida, sem cuidados o esbeiçaram e de que maneira, custou-me 1 €, restaurei ao meu jeito as mazelas.No tardoz o duplo circulo à volta do filete atesta fabrico em S. Roque.
Mais um exemplar de S. Roque com carimbo.
Motivo central um pássaro sobre ramos pintados a duas cores, uma carateristica imitada da pintura de Coimbra, filete a delimitar o centro, flores dispersas na aba da taça e rebordo compacto em azul.
Já aqui mostrei três galináceos todos bem diferentes na pintura manual, este o quarto.Há mais!
Prato da fábrica S. Roque.
Motivo floral em policromia e bordadura em bicos azuis. Tardoz com o 2º círculo dentro do frete, uma carateristica de fabrico desta fábrica que curiosamente na VA também coexiste. O que revela que muitos artificies transitaram de fábricas que foram encerrando para a VA, caso de pintores quando a Artibus encerrou, entre outras.
TAÇA FALANTE
De formato oval. Motivo central apresenta um barco à vela e gaivotas encimado por" Lembrança da Figueira". Aba com ligeiro gomado ornada a flores e grinaldas com rebordo pintado a bicos em azul. O tardoz apresenta frete, uma caraterística de faiança produzida em Aveiro - S. Roque, assim como a pintura e a palete de cores.
Fábrica Aleluia
Produziu nos anos 40/50 lindas peças de linhas modernas e com decoração alegre, também aerografada
( tipo escorrida, julgo que tenho um pé de candeeiro na cor de fogo com escorrido dourado), linhas evasés e folhagens estilizadas ao gosto art déco.
Recordo com saudade os pequenos azulejos com motivos do mar e de pessoas típicas da ria e de Aveiro nos lindos painéis que revestiram as paredes da Colónia Balnear Bissaya Barreto na Gala - FIGUEIRA DA FOZ e também da estalagem mandada construir pelo Salazar na Foz da Sertã que após o 25 de abril foi brutalmente vandalizada, ainda cheguei a ver um lindo painel de azulejos em cores fortes desde o preto ao rosa forte no hall da escadaria.
A maioria do casario junto ao mar é revestido a azulejos, para combater a humidade, muitas vezes o painel das paredes é cortado por uma estreita faixa de azulejos com flores grandes produzidas pelas fábricas de Aveiro . Grande centro oleiro na arte de azulejaria. Tenho um amigo que o avô e um tio (Pinto) foram pintores na fábrica Aleluia.
Não deslindo estas iniciais serão de Aveiro ?
Tive a sorte da IF uma comentadora com grande conhecimento de faianças me enviar um e-mail onde me dizia sobre este post
" estou a contactá-la porque, ao ler a sua exposição sobre a produção cerâmica de Aveiro, me lembrei que tenho uma taça, já muito partida, que comprei em Talavera de la Reina, vai para trinta anos. Ao folhear o Sandão deparei com uma fotografia igual e está atribuída a Aveiro. Pelas cores lembra os Ratinhos. Se quiser e assim o entender, posso enviar-lhe fotografias, quer do Sandão, quer da taça."

Pedi autorização para mostrar as fotos pela imponente relevância temática.
 
Sinto-me honrada com tão grande gesto. Senti uma emoção forte, enriqueci o saber desta cultura que adoro e que me continua a fascinar a cada dia - à 1ª vista seria fácil atribuir a bacia a Coimbra ou Talavera ( semelhança incrível da faiança "ratinha", palete de cores da época - verde cobre e castanho tipo borra de vinho - mas, 2º Sandão trata-se de fabrico de Aveiro. Muito interessante, sem dúvida veio neste momento fechar o post com chave d'oiro - com a contribuição magnífica de dois comentadores - Jorge Saraiva e IF. Muito obrigada a ambos!
Quem se interessar saber mais sobre Aveiro e o seu centro oleiro deve consultar o site 
 "Santos Martyres e Fonte Nova" fundiram -se, deram origem à Aleluia. 
www.aleluia.pt

Os industriais de cerâmica: Aveiro, 1882-1923
analisesocial.ics.ul.pt/.../1223394764P3rXB4nf5As64EQ1.pdf


No dizer do meu bom amigo Jorge Saraiva da Oficina da Formiga de Ilhavo "Pois fizeram-se no passado coisas fantásticas, os próprios donos e mestres deram aulas nas escolas industriais, no que resultou no surgimento de outros mestres de elevada capacidade."

Comentários

  1. Olá Maria Isabel,
    Bom, sinto-me envergonhado pela dedicatória, o que hão-de dizer os visitantes e comentadores do seu blog?
    Por outro lado, agradeço a preocupação e a dedicação e ainda o tema que me é muito próximo. A Fábrica Aleluia, além de unidade produtiva era uma autêntica escola de formação de onde derivavam saberes para outras unidades que foram surgindo no século XX, aliada à formação de desenho e de cerâmica que a Escola Industrial proporcionou em Aveiro.
    Possuo 2 ou 3 peças de louça da Aleluia e diversos azulejos, uma das peças é idêntica a esta: http://sintra-lisboa.olx.pt/cachepot-fabrica-aleluia-aveiro-iid-306966919
    Quanto às Faianças de S. Roque, o carimbo não é um 8 mas sim uma cabaça (a de S. Roque).

    Pois os Recas eram os Moreiras e o Manuel Gonçalves Vitória Machado era os Jarretos, tudo famílias ligadas à manufactura cerâmica.
    Quanto à louça dos Jarretos, esta não era marcada, tenho um pote que adquiri e o vendedor disse-me que deveria ser uma peça da Turquia, pelo tamanho grande e pelos motivos gregos a preto e fundo esponjado a castanho claro (que por acaso herdei as estampilhas desses desenhos…)

    A taça, suposta da Aleluia, não o é. A origem do modelo e do desenho será Sacavém, mas foram adaptados à produção de S. Roque, posteriormente, no início da década de 80 do século passado, a Argilart (encerrou em+- 2006), em Aradas, em que um dos sócios era sobrinho de João Lavado, adaptou é sua produção essas mesmas taças, em 5 tamanhos diferentes e no desenho das rosas de S.Roque, mas ainda hoje existe uma pequena oficina que produz esse tipo de taça. A taça da foto é da Argilart, marca e/ou carimbo em forma de laço e podemos ver que tem o tamanho 2 (diâmetro aproximado de 30cm), que, para termos uma ideia do tamanho maior, o tamanho 1, teria um diâmetro aproximado de 33cm.
    Para ver uma peça cujo desenho foi desenvolvido pelo João Lavado: http://deaveiroeportugal.blogspot.pt/2008/05/jos-estvo-coelho-de-magalhes_28.html

    Quanto à bacia que se colocava no centro da mesa, de onde cada um com o seu garfo se alimentava, era comum existir nas cozinhas da região pelo menos 1 prato com o galo e outro com um peixe (carne e peixe), pois como só havia dinheiro para o escoado (batatas e hortaliça cozidas, ainda no fogareiro ou na panela de ferro de 3 pés), colocavam esse ecoado ora num prato peixe ora num de galo e quando os mais novos perguntavam “o que é a comida?” “é carne…” o escoado (depois temperado com azeite e o alho) era colocado na bacia ou prato (ambos designavam o mesmo) com o galo estampilhado no fundo, e todos começavam a comer e os mais novos perguntavam “onde está a carne?” “cala-te e come que a carne está no fundo…” era verdade, a carne ou o peixe estavam sempre no fundo, mas do prato e não do escoado…

    Quanto ao prato de peixe às postas, esse motivo já é pintado desde o Séc. XIX, onde está simbolizado o que se deseja ter em nossa casa, o peixe, o desejo de alimento a todas a refeições, as pintas azuis simbolizam o dinheiro (também o dinheiro que veio na boca do peixe quando foi pescado por indicação de Jesus para haver dinheiro para a festa), dinheiro também associado ao trabalho, para que nunca falte nessa casa (trabalho associado às redes de pesca que existem pintadas em alguns desses motivos), alimento, trabalho e o dinheiro a base da sustentabilidade das famílias, todos desejam e para o firmar, nada como possuir esses símbolos na nossa casa.

    Bom, não querendo ser saturante, desejo-lhe uns óptimos dia(s) de aniversário(s) e um bom domingo que em sua homenagem o sol vai espreitando entre nuvens…

    Um grande abraço de agradecimento e apreço pelo trabalho apresentado,
    jsaraiva

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  2. Caro Jorge Saraiva muito obrigado pelo seu comentário, só veio enriquecer o post e de que extraordinária maneira.Bem haja por toda a informação histórica sobre a olaria de Aveiro e as estórias dela nas casas das gentes...como tão bem explicou, adorei!

    Não tem de se sentir nada envergonhado pela dedicatória. As pessoas de bem, são assim práticas, gentis, afáveis, simples e francas como nós, de dizer bem e se for preciso mal, porque pensamos!

    Tomara eu ter outras peças mais bonitas e antigas para enriquecer o post. Apresentei o que tenho. Ainda vou postar mais um pratão de S. Roque que comprei hoje ao preço da "uva mijona".

    O meu aniversário foi muito bom, obrigado.

    Bem haja mais uma vez pelos testemunhos, não me canso de o elogiar, tal o encantamento dos saberes que aqui deixou para quem como nós aprecia a faiança no uso doméstico.

    Um abraço

    Isabel

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  3. Gostei muito ver as loiças da Isabel e a explicação do Jorge foi muitissimo enriquecedora e eu pessoalmente já a registei.

    Beijos

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  4. Olá M. Isabel,
    Devo-lhe confessar que só há pouco acabei de ler o seu longo texto e me apercebi que festejou o seu aniversário este mês.
    Por isso lhe envio daqui os parabéns e votos de que continue a festejar por muitos anos...
    Tal como o Luís, também acho que o Jorge Saraiva deixou aqui um contributo importante sobre a produção cerâmica da terra dele, e não só.
    Interessou-me particularmente a explicação que ele deu para as pintas azuis nos pratos com postas de peixe, já que desconhecia que simbolizavam um episódio da vida de Jesus com os discípulos.

    Abraços

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  5. Olá Luís muito obrigado pelo seu comentário. Julgo que este post veio aclarar mais sobre este tipo de faiança que ainda muitos desconhecem. Sem dúvida o testemunho do Jorge Saraiva foi a chave d'0iro.
    Beijos

    Isabel

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  6. Seja bem aparecida Maria Andrade. Adorei a visita com o endereço de felicitações pelo meu aniversário. Confesso, sabendo que vive na Bairrada achei que este post teria algum interesse para si...Apraz-me constatar que apreciou o testemunho aqui exarado do homenageado Jorge Saraiva. É precisamente esta partilha de saberes que se torna tão abrangente e interessante, porque é sincera sem trunfos na manga.

    Obrigada pela visita
    Beijos
    Isabel

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  7. Um "post" muito interessante, louça muito bonita e mais uma oportunidade para aprender algo sobre cerâmica. Muito obrigada.

    Quanto ao prato do peixe cortado às postas, tenho visto alguns e adoro em especial os de Vila Nova de Gaia, nomeadamente Fervença e Bandeira...o problema é o preço a que aparecem. :-) Tenho adiado a compra :-) mas um dia destes vou perder a cabeça:-)

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  8. Caro Carlos Martins muito obrigado pela cortesia da visita . No domingo vi um prato desses que fala do peixe cortado às postas, muito bonito, atribuído ao norte Bandeira/Fervença por 150€, impecável.Apesar do bom desconto que o vendedor me fazia, não o comprei...Na verdade dei conta que o tinha comprado logo cedo muito mais barato para em horas ganhar aos dois que já o tinham vendido...o inicial vendedor e o segundo para eu que seria o terceiro pagar ao mais "esperto" a fortuna. óbvio que esta faiança é de qualidade, mui policromada, de beleza extraordinária que há anos estava pelas horas da morte. Para mim o preço é exorbitante. Cumprimentos.

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