segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Prato da faiança de Gaia

Prenda do 39º aniversário de casamento, comprado na feira de Belém.
Trata-se de um prato com decoração cantão popular, numa pintura manual muito ingénua,em monocromia azul cobalto.Ao centro um casario ao jeito de pagode em rodapé sequência de pequenas ondas rematada por uma vedação junto a outro casario enquadrado com ramagens de flores.
A aba do prato é decorada com reservas onduladas  fechadas a riscas e por montes com flores
O tardoz apresenta um vinco do covo para a elevação da aba que é carateristico em faiança do norte (Gaia) mas ainda não sei qual foi a fábrica. é notário no tardoz e na frente.
Tinha de ser uma fábrica com capacidade financeira, para usar azul cobalto, que era importado e caro.
O barro usado é branco, na tonalidade usada em Gaia.Bom esmalte.

Poderá com muita certeza ser catalogado do século XIX, pelo tamanho pequeno, azul cobalto e pela pintura manual.Este tipo de casario ingénuo tem sido atribuído a Miragaia numa determinada época, creio que seja doutra fábrica sediada em Gaia, Senhor do Além ou SAVP ou...
Mereceu destronar outro na parede da sala...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Fruteiro com floreira em vidro da Marinha Grande

Fruteira com floreira em vidro da Marinha Grande , duas peças que se unem de beleza ao género glamoroso do design  ART DECO, com as abas em graça onduladas e decoradas a filetes em verde .
O facto de se tratar de duas peças, por isso aparecem algumas desirmanadas. Foi o caso desta.
Primeiro encontrei a parte de cima afunilada sem saber o que se tratava até que mais tarde descobri uma completa em azul lindíssima.
Noutra feira encontrei a base semelhante com os mesmos filamentos a verde que comprei.
Não encaixava  a parte terminal do encaixe tipo rolha, por ser pertença de uma peça maior que esta.
Teve de ser desgastada com pedra  que agora não me recordo o nome e água. O meu marido cansou-se e abandonou o trabalho, fui eu que nunca tinha feito tal coisa que o consegui, foi preciso apanhar o jeito sendo até fácil , porque limei demais...
Ficou banzado comigo, como o tinha conseguido...
A parte de baixo com pé oco e o orifício onde encaixa a parte superior, a floreira.
Como a partiram foi usada a de baixo para o mesmo fim por isso o pé apresenta indícios de calcário da água que ficou nele depositada.
Assim como não consegui remover o "cancro" do vidro comprei umas pedras em verde que coloquei dentro, além de dar maior firmeza à peça disfarça.
 Contraste das abas em baixo e em cima

Enfeitada e simples.
Por se tratar de duas peças que não faziam parte integral e sim foram casadas com algum sucesso, a diferença será no ondulado da bordadura que a parte superior se mostra mais elaborado e repenicado em prol da parte inferior mais simples.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Bule de faiança estampado com ave fabrico do norte (?)

Numa das últimas feiras de Algés encontrei este bule de faiança que me cativou pela pintura vegetalista com um pássaro. O preço era convidativo tinha sofrido um acidente, a tampa faltava-lhe a pega e o pé do bule apresentava uma falha recente, a cor do barro em vermelho ainda estava virgem...
A decoração apresenta-se no bojo do bule com ramos em tons a manganês e folhagem pintada a verde e aguada, o pássaro em policromia vermelho e azul, abaixo dele  um círculo floral em decalque com pinturas a cheio e vermelho, pelo menos uma aventa ser um coração.Completa a decoração com filetes finos em manganês na tampa e no pé do bule, igualmente finos a azul na asa e no bico, para fechar com dois largos na boca do bule e na aba da tampa em amarelo claro.
A tampa como referi não tinha pega, adaptei uma tampa de galheteiro que também por casualidade tem a cor manganês, apenas está colada, falta a pintura em volta.
A asa apresenta-se rugosa, resulto do calor  no forno, sendo fabrico artesanal sem termómetros, era uma situação decorrente e aqui bem visível.
 Evidência do barro utilizado - vermelho que sobressai no esmaltado lácteo a puxar para cinza/azulado.
Apesar de ainda não estar pronto,já lhe arranjei lugar...
Este tipo de pintura em estampagem com aves foi usada desde meados do séc.XIX ao XX. Em Coimbra, Alcobaça e no norte.
A cor do barro  reporta-me para o centro de fabrico de Coimbra, contudo pela pintura estriada, se repararem no pássaro não se apresenta a cheio integral, apresenta riscos, uma carateristica de Gaia da Fábrica Cavaco num determinado período tal como a cor do esmalte cinza/azulado. E sabendo que só as fábricas com mais posses mandavam vir de Lisboa o barro branco para a sua produção, outras o misturavam com o vermelho dominante na região faz sentido dizer que na falta de barro branco usavam só vermelho (?).

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prato de Gaia (?) em decoração singela de bolas

Pequeno prato em faiança cuja decoração singela pintada em cor monocromática em azul claro com filete fino a delimitar o centro e o limite do rebordo e aba de bolas pintadas a cheio
 O esmalte é lacteo
 O tardoz revela barro rosado pelas matérias plásticas do esmalte  que "arrepiou"
 
Fabrico do início séc XX (?).
O centro de fabrico pela pequenez do tamanho, o esmalte e a cor da massa reporta para o norte- Gaia, uma fábrica que ainda não descobri, mas que pintou muito em azul com graciosidade
Comprei-o ao meu amigo Carlos na feira de Paços d'Arcos!

sábado, 13 de maio de 2017

Prato de faiança do norte, Fervença (?)

Comprei este prato em Algés à D.Fátima. Claro que não estava assim descorado, aconteceu ao chegar a casa depois de o pôr em água se começou a descascar...fatalmente o que acontece aos restauros, a água é um inimigo. Apresenta um "ligeiro cabelo", tenha sido o mote para alguém ter decidido e mal pelo restauro e pintura, cobrindo pintura original. Em abono da verdade pior a emenda que o soneto...
Contudo o prato exalava algo que me cativou pelas cores com o ramalhete central delicado.
Por não ter foto do prato quando o comprei apresento esta como ficou com o banho...
As fotos mostram resquícios da massa a cobrir a pintura floral e a barra em amarelo e dois "buracos " primitivos da cozedura do prato, por a massa conter matérias plásticas, "arrepiou"...
 Julgo nesta foto seja mais notório a massa que ainda falta retirar.
Após a limpeza nota-se o "cabelo" já referido, ainda assim prato a merecer honras na parede da minha sala. Pintado em policromia ao centro com ramalhete gracioso e fino em azul claro, com ligeiro filete a manganês ao limite do covo, seguido de um largo até à elevação da aba decorada por grinalda lisa em ocre com palmito em verde desmaiado ao centro do balancé . Ao limite do rebordo filete a azul cobalto.
Trata-se de produção do norte sem dúvida alguma. O seu peso, a decoração, as cores; uso do manganês desmaiado, azul cobalto e verde desmaido, sejam mote de outros dois da minha coleção.
Apresenta esmalte lácteo acinzentado com craquelê, as cores do azul cobalto e azul bebé reporta a produção de Gaia, quiçá após a  chegada do químico Domingos Vandelli, a lufada de novidade e criatividade depois de ver a sua fábrica do Rossio de Santa Clara em Coimbra incendiada pelos desertores do Buçaco. Então qual seria a fábrica que produziu este prato? Pois não sei!
Eventualmente Fervença (?) , pelo equilíbrio da pintura e graciosidade do ramalhete central, sendo que até hoje ainda não se encontrou nenhuma peça assinada.Outra carateristica a forma em quinada viva do covo para a aba. A sua atribuição reporta aos finais do século XIX (?)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fábrica do Senhor do Arieiro em Tavarede

Em tempos já fiz uma crónica dedicada a esta fábrica que laborou em Tavarede, no concelho da Figueira da Foz. Lamentavelmente o Museu da cidade não exibe qualquer peça (?), tendo-as nas reservas, a Junta de Freguesia detem uns exemplares, enviei um email nem resposta me deram...
Supostamente não devem ter interesse em promover Tavarede que é mais antiga que a Figueira, lamentável é  constatar que alguém autorizou construção de blocos quase em cima do  Paço de Tavarede, que se mostra sufocado, mandado construir no início do século XVI por António Fernandes de Quadro, senhor de Buarcos e de Vila Verde que instituiu o morgadio de Tavarede, fixando nesta localidade a sua residência.
Pior alguém me disse que os azulejos do séc XVI em verde foram retirados e levados para o Brasil...
Na banca do meu meu amigo Joaquim, a quem pedi para fotografar encontrei um raro cantão popular, para acrescentar à lista de outras fábricas já referenciadas neste motivo.
Pintura manual ingénua, ao centro apresenta um pagode, ponte, suposta árvore conífera, nuvens sob rodapé e rodapé em esponjado com arbustos em cor monocromática azul. A aba pintada em reservas alternada com flores grandes em encanastrado. 
Pasta láctea com ligeiro rosado pela mistura de barros, apresenta arrepiados por a massa conter materiais plásticos.
Qualidade de cozedura fraca, o prato apresenta-se meio torto.

Mais uma fábrica em Portugal, na região centro, Tavarede que pintou este motivo que tanto me agrada.
  Marcado no tardoz Fábrica Arieiro 317, nota-se o que referi em relação a ser torto
Outro prato da mesma fábrica que encontrei na feira de Algés cujo colega amigavelmente me permitiu tirar a foto par partilhar, se não estivesse marcado eventualmente se aventaria ser produção de Coimbra (?). Grande prato com a Imagem de Santo António ao centro com o Menino ao colo e um ramo,  pintado a cor monocromática em azul com aguada e a aba com um filete da mesma cor.
 
 Assinado Fábrica Arieiro
O frete do pé ao cozer abriu, pelas matérias plásticas apresenta muitos "buraquinhos e craquelê
Para quem mais quiser saber desta fábrica deixo o link
http://tavaredehistorias.blogspot.pt/2011/09/os-quatro-caminhos-do-senhor-do-arieiro_16.html

sexta-feira, 31 de março de 2017

Pote de água da Fábrica Viúva Lamego (?)


Vicissitudes várias uma das quais a perda do cartão  da loja de Velharias, receio da conta de email poder não estar ativa e dificuldades com o novo cartão memória, originaram o não envio de fotos a um amigo Carlos Martins, pelo que decidi publicar para melhor apreciação, apesar da fraca qualidade, ainda assim poder conjeturar ideia e se decidir. Nato apreciador de potes da Fábrica da Viúva Lamego, a que chama talhas, tendo duas, uma delas ao género da que vou apresentar também bastante decorativa, a sua peça favorita adquirida pelo seu avô.  Este mês ao ir buscar os meus netos mudei de percurso para dar de caras com uma loja nova de Velharias no Bairro das Colónias, a Rua Maria paralela à Almirante Reis,  precisamente na Rua Maria Andrade onde o elétrico curva para começar a subir para a Graça logo ao 1º cruzamento no gaveto a norte, a loja com várias montras em que numa se encontra um belo pote decorado, serviam para ter água fresca nas grandes cozinhas e nas Escolas Primárias.
O pote
 O meu marido é que tirou a foto...poderia ter apanhado mais...
Foto possível tirada da rua pelos reflexos
Ao se ampliar a foto consegue-se distinguir o nº de telemóvel 917 250 850 (?).
Se não conseguir contato na terça feira vou a Lisboa e posso por lá passar.
 
O pote em cerâmica foi dividido por filetes finos em azul em 3 partes do corpo para ser pintado em policromia; verde, azul e ocre grandes flores e ramagens, o pé e o rebordo com filetes mais grossos em azul.A tampa termina com pega e  boa torneira antiga.
A loja estava fechada, fecha à segunda feira, tivemos a sorte de  a dona nos ter visto a tirar a foto e gentilmente nos abriu a porta.
Informou-nos ser da Fábrica da Viúva Lamego, sem marca, pareceu-nos estar impecável pedindo 280€, acredito que fará uma atenção (?)... 
Tardiamente, ainda assim com satisfação e sentido de ter feito o certo que na amizade sadia se impõe no dever de partilha, apesar da má qualidade das fotos, assim nasceu o post dedicado a Carlos Martins, seguidor deste Blog.

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...