quinta-feira, 13 de julho de 2017

Bule de faiança estampado com ave fabrico do norte (?)

Numa das últimas feiras de Algés encontrei este bule de faiança que me cativou pela pintura vegetalista com um pássaro. O preço era convidativo tinha sofrido um acidente, a tampa faltava-lhe a pega e o pé do bule apresentava uma falha recente, a cor do barro em vermelho ainda estava virgem...
A decoração apresenta-se no bojo do bule com ramos em tons a manganês e folhagem pintada a verde e aguada, o pássaro em policromia vermelho e azul, abaixo dele  um círculo floral em decalque com pinturas a cheio e vermelho, pelo menos uma aventa ser um coração.Completa a decoração com filetes finos em manganês na tampa e no pé do bule, igualmente finos a azul na asa e no bico, para fechar com dois largos na boca do bule e na aba da tampa em amarelo claro.
A tampa como referi não tinha pega, adaptei uma tampa de galheteiro que também por casualidade tem a cor manganês, apenas está colada, falta a pintura em volta.
A asa apresenta-se rugosa, resulto do calor  no forno, sendo fabrico artesanal sem termómetros, era uma situação decorrente e aqui bem visível.
 Evidência do barro utilizado - vermelho que sobressai no esmaltado lácteo a puxar para cinza/azulado.
Apesar de ainda não estar pronto,já lhe arranjei lugar...
Este tipo de pintura em estampagem com aves foi usada desde meados do séc.XIX ao XX. Em Coimbra, Alcobaça e no norte.
A cor do barro  reporta-me para o centro de fabrico de Coimbra, contudo pela pintura estriada, se repararem no pássaro não se apresenta a cheio integral, apresenta riscos, uma carateristica de Gaia da Fábrica Cavaco num determinado período tal como a cor do esmalte cinza/azulado. E sabendo que só as fábricas com mais posses mandavam vir de Lisboa o barro branco para a sua produção, outras o misturavam com o vermelho dominante na região faz sentido dizer que na falta de barro branco usavam só vermelho (?).

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prato de Gaia (?) em decoração singela de bolas

Pequeno prato em faiança cuja decoração singela pintada em cor monocromática em azul claro com filete fino a delimitar o centro e o limite do rebordo e aba de bolas pintadas a cheio
 O esmalte é lacteo
 O tardoz revela barro rosado pelas matérias plásticas do esmalte  que "arrepiou"
 
Fabrico do início séc XX (?).
O centro de fabrico pela pequenez do tamanho, o esmalte e a cor da massa reporta para o norte- Gaia, uma fábrica que ainda não descobri, mas que pintou muito em azul com graciosidade
Comprei-o ao meu amigo Carlos na feira de Paços d'Arcos!

sábado, 13 de maio de 2017

Prato de faiança do norte, Fervença (?)

Comprei este prato em Algés à D.Fátima. Claro que não estava assim descorado, aconteceu ao chegar a casa depois de o pôr em água se começou a descascar...fatalmente o que acontece aos restauros, a água é um inimigo. Apresenta um "ligeiro cabelo", tenha sido o mote para alguém ter decidido e mal pelo restauro e pintura, cobrindo pintura original. Em abono da verdade pior a emenda que o soneto...
Contudo o prato exalava algo que me cativou pelas cores com o ramalhete central delicado.
Por não ter foto do prato quando o comprei apresento esta como ficou com o banho...
As fotos mostram resquícios da massa a cobrir a pintura floral e a barra em amarelo e dois "buracos " primitivos da cozedura do prato, por a massa conter matérias plásticas, "arrepiou"...
 Julgo nesta foto seja mais notório a massa que ainda falta retirar.
Após a limpeza nota-se o "cabelo" já referido, ainda assim prato a merecer honras na parede da minha sala. Pintado em policromia ao centro com ramalhete gracioso e fino em azul claro, com ligeiro filete a manganês ao limite do covo, seguido de um largo até à elevação da aba decorada por grinalda lisa em ocre com palmito em verde desmaiado ao centro do balancé . Ao limite do rebordo filete a azul cobalto.
Trata-se de produção do norte sem dúvida alguma. O seu peso, a decoração, as cores; uso do manganês desmaiado, azul cobalto e verde desmaido, sejam mote de outros dois da minha coleção.
Apresenta esmalte lácteo acinzentado com craquelê, as cores do azul cobalto e azul bebé reporta a produção de Gaia, quiçá após a  chegada do químico Domingos Vandelli, a lufada de novidade e criatividade depois de ver a sua fábrica do Rossio de Santa Clara em Coimbra incendiada pelos desertores do Buçaco. Então qual seria a fábrica que produziu este prato? Pois não sei!
Eventualmente Fervença (?) , pelo equilíbrio da pintura e graciosidade do ramalhete central, sendo que até hoje ainda não se encontrou nenhuma peça assinada.Outra carateristica a forma em quinada viva do covo para a aba. A sua atribuição reporta aos finais do século XIX (?)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fábrica do Senhor do Arieiro em Tavarede

Em tempos já fiz uma crónica dedicada a esta fábrica que laborou em Tavarede, no concelho da Figueira da Foz. Lamentavelmente o Museu da cidade não exibe qualquer peça (?), tendo-as nas reservas, a Junta de Freguesia detem uns exemplares, enviei um email nem resposta me deram...
Supostamente não devem ter interesse em promover Tavarede que é mais antiga que a Figueira, lamentável é  constatar que alguém autorizou construção de blocos quase em cima do  Paço de Tavarede, que se mostra sufocado, mandado construir no início do século XVI por António Fernandes de Quadro, senhor de Buarcos e de Vila Verde que instituiu o morgadio de Tavarede, fixando nesta localidade a sua residência.
Pior alguém me disse que os azulejos do séc XVI em verde foram retirados e levados para o Brasil...
Na banca do meu meu amigo Joaquim, a quem pedi para fotografar encontrei um raro cantão popular, para acrescentar à lista de outras fábricas já referenciadas neste motivo.
Pintura manual ingénua, ao centro apresenta um pagode, ponte, suposta árvore conífera, nuvens sob rodapé e rodapé em esponjado com arbustos em cor monocromática azul. A aba pintada em reservas alternada com flores grandes em encanastrado. 
Pasta láctea com ligeiro rosado pela mistura de barros, apresenta arrepiados por a massa conter materiais plásticos.
Qualidade de cozedura fraca, o prato apresenta-se meio torto.

Mais uma fábrica em Portugal, na região centro, Tavarede que pintou este motivo que tanto me agrada.
  Marcado no tardoz Fábrica Arieiro 317, nota-se o que referi em relação a ser torto
Outro prato da mesma fábrica que encontrei na feira de Algés cujo colega amigavelmente me permitiu tirar a foto par partilhar, se não estivesse marcado eventualmente se aventaria ser produção de Coimbra (?). Grande prato com a Imagem de Santo António ao centro com o Menino ao colo e um ramo,  pintado a cor monocromática em azul com aguada e a aba com um filete da mesma cor.
 
 Assinado Fábrica Arieiro
O frete do pé ao cozer abriu, pelas matérias plásticas apresenta muitos "buraquinhos e craquelê
Para quem mais quiser saber desta fábrica deixo o link
http://tavaredehistorias.blogspot.pt/2011/09/os-quatro-caminhos-do-senhor-do-arieiro_16.html

sexta-feira, 31 de março de 2017

Pote de água da Fábrica Viúva Lamego (?)


Vicissitudes várias uma das quais a perda do cartão  da loja de Velharias, receio da conta de email poder não estar ativa e dificuldades com o novo cartão memória, originaram o não envio de fotos a um amigo Carlos Martins, pelo que decidi publicar para melhor apreciação, apesar da fraca qualidade, ainda assim poder conjeturar ideia e se decidir. Nato apreciador de potes da Fábrica da Viúva Lamego, a que chama talhas, tendo duas, uma delas ao género da que vou apresentar também bastante decorativa, a sua peça favorita adquirida pelo seu avô.  Este mês ao ir buscar os meus netos mudei de percurso para dar de caras com uma loja nova de Velharias no Bairro das Colónias, a Rua Maria paralela à Almirante Reis,  precisamente na Rua Maria Andrade onde o elétrico curva para começar a subir para a Graça logo ao 1º cruzamento no gaveto a norte, a loja com várias montras em que numa se encontra um belo pote decorado, serviam para ter água fresca nas grandes cozinhas e nas Escolas Primárias.
O pote
 O meu marido é que tirou a foto...poderia ter apanhado mais...
Foto possível tirada da rua pelos reflexos
Ao se ampliar a foto consegue-se distinguir o nº de telemóvel 917 250 850 (?).
Se não conseguir contato na terça feira vou a Lisboa e posso por lá passar.
 
O pote em cerâmica foi dividido por filetes finos em azul em 3 partes do corpo para ser pintado em policromia; verde, azul e ocre grandes flores e ramagens, o pé e o rebordo com filetes mais grossos em azul.A tampa termina com pega e  boa torneira antiga.
A loja estava fechada, fecha à segunda feira, tivemos a sorte de  a dona nos ter visto a tirar a foto e gentilmente nos abriu a porta.
Informou-nos ser da Fábrica da Viúva Lamego, sem marca, pareceu-nos estar impecável pedindo 280€, acredito que fará uma atenção (?)... 
Tardiamente, ainda assim com satisfação e sentido de ter feito o certo que na amizade sadia se impõe no dever de partilha, apesar da má qualidade das fotos, assim nasceu o post dedicado a Carlos Martins, seguidor deste Blog.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Caneca da Fábrica de Sacavém

Caneca de um litro em faiança da Fábrica de Sacavém ao estilo romântico mas com um sapo dentro...
Tenho uma pequena coleção destas canecas em faiança de várias fábricas, as de Sacavém distinguem-se pelo desnível no pé para o bojo e feitio da asa.

Decorada com uma estampa de uma dama e um ramo floral em policromia.
O pé, o bordo e a asa com fino filete em dourado.


Esta caneca tem uma particularidade no fundo apresenta um sapo.
Muitos conhecem canecas das Caldas da Rainha com um sapo no fundo que a Fábrica de Sacavém também quis imitar na passagem do séc.XIX quando começou a moda das Termas.Em alusão aos sapos que estão sempre dentro de água, há quem diga que assusta os ciganos...
Ao ser de litro servia para na roda da mesa ser usada por todos os comesanas em festa que o mais incauto se assustaria...

 Não tem marca apenas uns traços (?) em cor de camarão.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Caneca de doentes, Bica ou Bule de caldo três nomes para a mesma peça

Ainda não tinha mostrado uma das minhas prendas do ultimo Natal- Caneca de doentes, Bica, ou Bule de caldo, cuja utilidade servia para dar de beber leite ou um caldo a acamados e até bebés, mas claro em casas de gente abastada que as adquiriam, por isso sejam peças raras, só aparecem quando os colecionadores as vão vendendo por falta de dinheiro, e se  desfazem aos poucos das suas coleções, para serem compradas por outros-, pelo que a vida dos colecionadores a comparo com o buliço de jogar na bolsa, o ganho de uns seja a perda d'outros... 
Já os pobres em tempo de antanho se remediavam com as garrafas de pirolitos, a que conseguiam tirar o pirolito para servir de biberon com uma mamadeira de borracha.
Nesta foto pode-se fazer a comparação com outra que está ao lado para se apreciar que a forma do bojo como foi feita seja diferente, sendo que a da esquerda é nitidamente fabrico de Coimbra e esta hoje apresentada não o seja, embora o pareça.
Gostei do motivo casario, da policromia onde se destaca o vermelho sob rodapé em esponjado azul aberto, e no mesmo o arvoredo em verde
O fecho da caneca mostra-se cortado ao meio dando-lhe elegância estética.Ao limite do fecho da caneca um filete em vermelho seguido de cercadura fina floral
O que me prendeu a atenção em adquirir mais uma destas peças para a minha coleção foi a asa, a forma como se fecha, sendo que não tenho outra peça assim igual.
O fundo revela ter sido produzida em ambiente de fábrica e não na olaria tradicional, sendo que o acabamento da asa seja  manual à antiga
O barro usado é claro de ligeiro rosado. A massa é homogénea, compata sem materiais plásticos.
O bico mostra-se elegante pintado em lágrimas vermelhas e no topo da caneca um fino filete manganês.
Apesar do motivo remeter para Coimbra, sobretudo pela palmeira e  casario - seja pela sua altura, a asa e a forma como o corpo da caneca se eleva e se alarga no topo, aventar ser produção do centro do País, da recente descoberta - Fábrica Telles de Cantanhede (?) que copiou muito Coimbra ou Tavarede (?)  no mesmo copianço ou...
Produção provável  anos 20/30 do século XX.
Para mim encerra mais uma peça impecável na minha pequena coleção, a que acho tamanha graça sobretudo pela forma do fecho da asa que lhe confere de ingenuidade ao jus da arte naif.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Taça da Fábrica Cavaquinho(?)

Ontem sob um frio de morrer, de pés enregelados, dois dedos intesicados  e de vendas fracas, só aliviei ao comprar esta pequena taça de formato oval e aba larga, que me deixou por segundos completamente vidrada de paixão!
Haviam duas iguais, esta e uma um pouco maior.Ambas em pintura monocromática em esponjado castanho. Esmalte brilhante que irradia beleza a descobrir...mas caras!
Sempre gostei desta tonalidade a vi pela primeira vez no Museu Soares dos Reis no Porto
Foi bastante usada o tardoz evidencia gordura entranhada na textura da massa que sendo pó de pedra é porosa e absorvente.
Julgo que o formato seja copiado de loiça inglesa Davenport,  tenho um exemplar  algures, mas maior apenas pintada com lágrimas em azul na aba, ao género desta que retirei do goole fotos(blog velharias do Luís)

Peça extremamente leve, dita produção do norte,sem marca.
Atribuída ao século XIX da Fábrica Cavaquinho (?).
Esta Fábrica na sua tradição mais moderna iniciou e desenvolveu o fabrico da louça de pó de pedra em Portugal, à moda Inglesa.
Domingos Vandelli, italiano foi químico da Universidade de Coimbra, a sua ligação a fábricas verificou-se desde a sua chegada a Portugal: Real Fábrica das Sedas e de Louça no Rato em Lisboa.
Em Coimbra conheceu o Brioso, lançando-se  na fundação da sua Fábrica de cerâmica no Rossio de Santa Clara em 1784 que foi  incendiada pelos desertores do Buçaco em 1810 (?) , pelo que ruma em definitivo a Gaia. Mas antes já tinha colaborado na primeira Fábrica de louça de pó-de-pedra do Cavaquinho em Gaia, em 1786. Um dos seus mestres ceramistas, colaborador nas fábricas e no Laboratório Químico, acabou por ser contratado para a Fábrica Vista Alegre em Aveiro.
No Museu Soares dos Reis no Porto há peças com esta pintura.
Já faz parte da parede da minha sala, infelizmente há muito que para pôr uma nova peça tenho de tirar outra, desta feita foi um prato assinado Cavaco no motivo cantão popular.



FONTES
http://www.museudaciencia.pt/

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...