Pequeno prato em faiança cuja decoração singela pintada em cor monocromática em azul claro com filete fino a delimitar o centro e o limite do rebordo e aba de bolas pintadas a cheio
O esmalte é lacteo
O tardoz revela barro rosado pelas matérias plásticas do esmalte que "arrepiou"
Fabrico do início séc XX (?).
O centro de fabrico pela pequenez do tamanho, o esmalte e a cor da massa reporta para o norte- Gaia, uma fábrica que ainda não descobri, mas que pintou muito em azul com graciosidade
Comprei-o ao meu amigo Carlos na feira de Paços d'Arcos!
Prazer intenso pelas velharias: faiança, arte sacra, azulejos e cerâmica. Encantamento mayor perder-me ao contemplar peças que me prendem o olhar, por me reportarem de algum modo a lembranças de pessoas que ficaram nesta vida no meu coração por as terem em suas casas e registei na minha memória.Também porque as feiras me alentam por interagir com gente anónima pelo gosto da conversa e da partilha. Foto tirada no dia 21 de maio de 2011 no Carmo.
quinta-feira, 22 de junho de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
Prato de faiança do norte, Fervença (?)
Comprei este prato em Algés à D.Fátima. Claro que não estava assim descorado, aconteceu ao chegar a casa depois de o pôr em água se começou a descascar...fatalmente o que acontece aos restauros, a água é um inimigo. Apresenta um "ligeiro cabelo", tenha sido o mote para alguém ter decidido e mal pelo restauro e pintura, cobrindo pintura original. Em abono da verdade pior a emenda que o soneto...
Contudo o prato exalava algo que me cativou pelas cores com o ramalhete central delicado.
Por não ter foto do prato quando o comprei apresento esta como ficou com o banho...
As fotos mostram resquícios da massa a cobrir a pintura floral e a barra em amarelo e dois "buracos " primitivos da cozedura do prato, por a massa conter matérias plásticas, "arrepiou"...
Julgo nesta foto seja mais notório a massa que ainda falta retirar.
Após a limpeza nota-se o "cabelo" já referido, ainda assim prato a merecer honras na parede da minha sala. Pintado em policromia ao centro com ramalhete gracioso e fino em azul claro, com ligeiro filete a manganês ao limite do covo, seguido de um largo até à elevação da aba decorada por grinalda lisa em ocre com palmito em verde desmaiado ao centro do balancé . Ao limite do rebordo filete a azul cobalto.
Trata-se de produção do norte sem dúvida alguma. O seu peso, a decoração, as cores; uso do manganês desmaiado, azul cobalto e verde desmaido, sejam mote de outros dois da minha coleção.
Apresenta esmalte lácteo acinzentado com craquelê, as cores do azul cobalto e azul bebé reporta a produção de Gaia, quiçá após a chegada do químico Domingos Vandelli, a lufada de novidade e criatividade depois de ver a sua fábrica do Rossio de Santa Clara em Coimbra incendiada pelos desertores do Buçaco. Então qual seria a fábrica que produziu este prato? Pois não sei!
Eventualmente Fervença (?) , pelo equilíbrio da pintura e graciosidade do ramalhete central, sendo que até hoje ainda não se encontrou nenhuma peça assinada.Outra carateristica a forma em quinada viva do covo para a aba. A sua atribuição reporta aos finais do século XIX (?)
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Fábrica do Senhor do Arieiro em Tavarede
Em tempos já fiz uma crónica dedicada a esta fábrica que laborou em Tavarede, no concelho da Figueira da Foz. Lamentavelmente o Museu da cidade não exibe qualquer peça (?), tendo-as nas reservas, a Junta de Freguesia detem uns exemplares, enviei um email nem resposta me deram...
Supostamente não devem ter interesse em promover Tavarede que é mais antiga que a Figueira, lamentável é constatar que alguém autorizou construção de blocos quase em cima do Paço de Tavarede, que se mostra sufocado, mandado construir no início do século XVI por
António Fernandes de Quadro, senhor de Buarcos e de Vila Verde que
instituiu o morgadio de Tavarede, fixando nesta localidade a sua
residência.
Pior alguém me disse que os azulejos do séc XVI em verde foram retirados e levados para o Brasil...
Na banca do meu meu amigo Joaquim, a quem pedi para fotografar encontrei um raro cantão popular, para acrescentar à lista de outras fábricas já referenciadas neste motivo.
Pintura manual ingénua, ao centro apresenta um pagode, ponte, suposta árvore conífera, nuvens sob rodapé e rodapé em esponjado com arbustos em cor monocromática azul. A aba pintada em reservas alternada com flores grandes em encanastrado.
Pasta láctea com ligeiro rosado pela mistura de barros, apresenta arrepiados por a massa conter materiais plásticos.
Qualidade de cozedura fraca, o prato apresenta-se meio torto.
Mais uma fábrica em Portugal, na região centro, Tavarede que pintou este motivo que tanto me agrada.
Marcado no tardoz Fábrica Arieiro 317, nota-se o que referi em relação a ser torto
Outro prato da mesma fábrica que encontrei na feira de Algés cujo colega amigavelmente me permitiu tirar a foto par partilhar, se não estivesse marcado eventualmente se aventaria ser produção de Coimbra (?). Grande prato com a Imagem de Santo António ao centro com o Menino ao colo e um ramo, pintado a cor monocromática em azul com aguada e a aba com um filete da mesma cor.
Assinado Fábrica Arieiro
O frete do pé ao cozer abriu, pelas matérias plásticas apresenta muitos "buraquinhos e craquelê
Para quem mais quiser saber desta fábrica deixo o linkhttp://tavaredehistorias.blogspot.pt/2011/09/os-quatro-caminhos-do-senhor-do-arieiro_16.html
sexta-feira, 31 de março de 2017
Pote de água da Fábrica Viúva Lamego (?)
Vicissitudes várias uma das quais a perda do cartão da loja de Velharias, receio da conta de email poder não estar ativa e dificuldades com o novo cartão memória, originaram o não envio de fotos a um amigo Carlos Martins, pelo que decidi publicar para melhor apreciação, apesar da fraca qualidade, ainda assim poder conjeturar ideia e se decidir. Nato apreciador de potes da Fábrica da Viúva Lamego, a que chama talhas, tendo duas, uma delas ao género da que vou apresentar também bastante decorativa, a sua peça favorita adquirida pelo seu avô. Este mês ao ir buscar os meus netos mudei de percurso para dar de caras com uma loja nova de Velharias no Bairro das Colónias, a Rua Maria paralela à Almirante Reis, precisamente na Rua Maria Andrade onde o elétrico curva para começar a subir para a Graça logo ao 1º cruzamento no gaveto a norte, a loja com várias montras em que numa se encontra um belo pote decorado, serviam para ter água fresca nas grandes cozinhas e nas Escolas Primárias.
O pote
O meu marido é que tirou a foto...poderia ter apanhado mais...
Foto possível tirada da rua pelos reflexosAo se ampliar a foto consegue-se distinguir o nº de telemóvel 917 250 850 (?).
Se não conseguir contato na terça feira vou a Lisboa e posso por lá passar.
O pote em cerâmica foi dividido por filetes finos em azul em 3 partes do corpo para ser pintado em policromia; verde, azul e ocre grandes flores e ramagens, o pé e o rebordo com filetes mais grossos em azul.A tampa termina com pega e boa torneira antiga.
A loja estava fechada, fecha à segunda feira, tivemos a sorte de a dona nos ter visto a tirar a foto e gentilmente nos abriu a porta.
Informou-nos ser da Fábrica da Viúva Lamego, sem marca, pareceu-nos estar impecável pedindo 280€, acredito que fará uma atenção (?)...
Tardiamente, ainda assim com satisfação e sentido de ter feito o certo que na amizade sadia se impõe no dever de partilha, apesar da má qualidade das fotos, assim nasceu o post dedicado a Carlos Martins, seguidor deste Blog.
quinta-feira, 30 de março de 2017
Caneca da Fábrica de Sacavém
Caneca de um litro em faiança da Fábrica de Sacavém ao estilo romântico mas com um sapo dentro...
Tenho uma pequena coleção destas canecas em faiança de várias fábricas, as de Sacavém distinguem-se pelo desnível no pé para o bojo e feitio da asa.
Decorada com uma estampa de uma dama e um ramo floral em policromia.
O pé, o bordo e a asa com fino filete em dourado.
Esta caneca tem uma particularidade no fundo apresenta um sapo.
Muitos conhecem canecas das Caldas da Rainha com um sapo no fundo que a Fábrica de Sacavém também quis imitar na passagem do séc.XIX quando começou a moda das Termas.Em alusão aos sapos que estão sempre dentro de água, há quem diga que assusta os ciganos...
Ao ser de litro servia para na roda da mesa ser usada por todos os comesanas em festa que o mais incauto se assustaria...
Não tem marca apenas uns traços (?) em cor de camarão.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Caneca de doentes, Bica ou Bule de caldo três nomes para a mesma peça
Ainda não tinha mostrado uma das minhas prendas do ultimo Natal- Caneca de doentes, Bica, ou Bule de caldo, cuja utilidade servia para dar de beber leite ou um caldo a acamados e até bebés, mas claro em casas de gente abastada que as adquiriam, por isso sejam peças raras, só aparecem quando os colecionadores as vão vendendo por falta de dinheiro, e se desfazem aos poucos das suas coleções, para serem compradas por outros-, pelo que a vida dos colecionadores a comparo com o buliço de jogar na bolsa, o ganho de uns seja a perda d'outros...
Já os pobres em tempo de antanho se remediavam com as garrafas de pirolitos, a que conseguiam tirar o pirolito para servir de biberon com uma mamadeira de borracha.
Nesta foto pode-se fazer a comparação com outra que está ao lado para se apreciar que a forma do bojo como foi feita seja diferente, sendo que a da esquerda é nitidamente fabrico de Coimbra e esta hoje apresentada não o seja, embora o pareça.
Gostei do motivo casario, da policromia onde se destaca o vermelho sob rodapé em esponjado azul aberto, e no mesmo o arvoredo em verde
O fecho da caneca mostra-se cortado ao meio dando-lhe elegância estética.Ao limite do fecho da caneca um filete em vermelho seguido de cercadura fina floralO que me prendeu a atenção em adquirir mais uma destas peças para a minha coleção foi a asa, a forma como se fecha, sendo que não tenho outra peça assim igual.
O fundo revela ter sido produzida em ambiente de fábrica e não na olaria tradicional, sendo que o acabamento da asa seja manual à antiga
O barro usado é claro de ligeiro rosado. A massa é homogénea, compata sem materiais plásticos.
O bico mostra-se elegante pintado em lágrimas vermelhas e no topo da caneca um fino filete manganês.
Apesar do motivo remeter para Coimbra, sobretudo pela palmeira e casario - seja pela sua altura, a asa e a forma como o corpo da caneca se eleva e se alarga no topo, aventar ser produção do centro do País, da recente descoberta - Fábrica Telles de Cantanhede (?) que copiou muito Coimbra ou Tavarede (?) no mesmo copianço ou...
Produção provável anos 20/30 do século XX.
Para mim encerra mais uma peça impecável na minha pequena coleção, a que acho tamanha graça sobretudo pela forma do fecho da asa que lhe confere de ingenuidade ao jus da arte naif.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Taça da Fábrica Cavaquinho(?)
Ontem sob um frio de morrer, de pés enregelados, dois dedos intesicados e de vendas fracas, só aliviei ao comprar esta pequena taça de formato oval e aba larga, que me deixou por segundos completamente vidrada de paixão!
Haviam duas iguais, esta e uma um pouco maior.Ambas em pintura monocromática em esponjado castanho. Esmalte brilhante que irradia beleza a descobrir...mas caras!
Sempre gostei desta tonalidade a vi pela primeira vez no Museu Soares dos Reis no Porto
Foi bastante usada o tardoz evidencia gordura entranhada na textura da massa que sendo pó de pedra é porosa e absorvente.
Julgo que o formato seja copiado de loiça inglesa Davenport, tenho um exemplar algures, mas maior apenas pintada com lágrimas em azul na aba, ao género desta que retirei do goole fotos(blog velharias do Luís)
Peça extremamente leve, dita produção do norte,sem marca.
Atribuída ao século XIX da Fábrica Cavaquinho (?).
Esta Fábrica na sua tradição mais moderna iniciou e desenvolveu o fabrico da louça de pó de pedra em Portugal, à moda Inglesa.
Haviam duas iguais, esta e uma um pouco maior.Ambas em pintura monocromática em esponjado castanho. Esmalte brilhante que irradia beleza a descobrir...mas caras!
Sempre gostei desta tonalidade a vi pela primeira vez no Museu Soares dos Reis no Porto
Foi bastante usada o tardoz evidencia gordura entranhada na textura da massa que sendo pó de pedra é porosa e absorvente.
Julgo que o formato seja copiado de loiça inglesa Davenport, tenho um exemplar algures, mas maior apenas pintada com lágrimas em azul na aba, ao género desta que retirei do goole fotos(blog velharias do Luís)
Peça extremamente leve, dita produção do norte,sem marca.
Atribuída ao século XIX da Fábrica Cavaquinho (?).
Esta Fábrica na sua tradição mais moderna iniciou e desenvolveu o fabrico da louça de pó de pedra em Portugal, à moda Inglesa.
Domingos Vandelli, italiano foi químico da Universidade de Coimbra, a sua ligação a fábricas verificou-se desde a sua chegada a Portugal: Real Fábrica das Sedas e de Louça no Rato em Lisboa.
Em Coimbra conheceu o Brioso, lançando-se na fundação da sua Fábrica de cerâmica no Rossio de Santa Clara em 1784 que foi incendiada pelos desertores do Buçaco em 1810 (?) , pelo que ruma em definitivo a Gaia. Mas antes já tinha colaborado na primeira Fábrica de louça de pó-de-pedra do Cavaquinho em Gaia, em 1786. Um dos seus mestres ceramistas, colaborador nas fábricas e no Laboratório Químico, acabou por ser contratado para a Fábrica Vista Alegre em Aveiro.
No Museu Soares dos Reis no Porto há peças com esta pintura.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Terrina da Fábrica Telles de Cantanhede
Terrina em formato canelado nos cantos, ornada ao limite do bojo em corrente no motivo floral minucioso em policromia (verde ervilha, vermelho, verde seco e filamentos dos ramos a ligeiro dourado velho), a tampa quinada nos cantos, onde se repete o mesmo motivo da terrina na borda da aba , a pega delicada em flor azul e folhas relevadas contornadas a filete fino na mesma cor e o mesmo nas pegas.O pé da terrina contornado com fino filete escuro, da cor do carimbo.
Pelo formato, pela cor creme do esmalte e pela decoração, seja fácil a sua atribuição ao centro do País- desde Alcobaça, Coimbra, Tavarede e,...na verdade trata-se de fabrico do centro, mas de CANTANHEDE.Houve pelo menos uma fábrica de louça em Cantanhede que tentou imitar a louça de Coimbra.
Excerto http://c.geneal.over-blog.com/article-fabrica-da-lou-a-ceramica-teles-ourent-57565056.html"Existiu na freguesia de Ourentã uma fábrica de louça, de efémera duração (1914-1927). Foi mandada construir por Manuel José Teles (cunhado do farmacêutico Raúl Leite Braga, da Farmácia do Seixo), de Coimbra, por volta de 1914. Tencionava imitar a louça de Coimbra que tinha muita procura nesse tempo. A fábrica foi vendida a uma Sociedade constituída por várias pessoas de Cantanhede, Pocariça (da família Ribeiro) e de Ourentã ( Prudêncio da Silva Ribeiro, José de Oliveira dos Santos etc.).
« Os fornos da referida fábrica foram feitos com tijolos cozidos numa fabriqueta que Manuel Ribeiro da Costa, de Cantanhede, tinha no sítio chamado "Chão da Ferreira" entre Ourentã e Ourentela, perto dumas "Alminhas" que até, há poucos anos, ali existiram. O barro era tirado nas "Caeiras", por cima do Vale de Igreja, sítio desta freguesia hoje, muito abundante em vinhas. Mas um barro mais apropriado, para misturar, vinha de Coimbra. Dificuldades de transporte desta matéria prima, falta de técnicos na região – o técnico tinha de vir, também, de Coimbra, e hospedar-se em Cantanhede – o facto de os operários terem que se deslocar-se a pé, a fraca rentabilidade desta iniciativa, tudo concorreu para tornar impraticável a continuação desta fábrica. »
Fábrica Teles em 1927
" dois fornos muito bem montados, salas para fabrico manual de loiça ; – sala para pintar a mesma – grande armazém de deposito de loiça já cosida e pronta a sair para fora, no mais alto-grau de aperfeiçoamento de variados feitios, bilhas para agua, canecas de litro e meio litro para vinho, em figura de homem, etc., etc. »
Acabou por desaparecer num incêndio em 1927."
Pormenor da pega em formato de flor
Comprei-a por estar marcada com o algarismo "3" em relevo na pasta e a tinta, ainda carimbo circular daPormenor da asa, invulgar
Cerâmica de Cantanhede . O que nos diz ter sido produzida em fábrica, e não olaria familiar .
As letras impressas artisticamente julgo sejam JLL.J.Telles.
O barro usado é de cor rosado, o que evidencia mistura de branco com vermelho.Tem alguns materiais plásticos pelo que a pasta não se apresenta totalmente homogénea, apresentando alguns "buraquinhos" .
Foi a primeira vez que descobri esta marca, graças à FONTE exarada na crónica, foi-me fácil saber mais desta fábrica, que assim se revela mais rica pela amostra desta peça graciosa. Ainda ajuda na catalogação de outra loiça que estará erradamente atribuída a Coimbra, Tavarede e,...Tenho outras terrinas apenas marcadas com o número "3" impresso na pasta atribuídas a Coimbra(?).
FONTES
http://c.geneal.over-blog.com/article-fabrica-da-lou-a-ceramica-teles-ourent-57565056.html
Partilha da amiga Marilia Marques
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