quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Pires convexo de faiança de Coimbra ou norte(?)

Pires e não tacinha em faiança por apresentar ligeira quebratura na elevação da aba, com ligeiro "cabelo" .
Apresenta-se de forma airosa com ligeiro covo de suporte a taça ao género (?) das que apareciam nas naus vindas da China, porque será grande para chávena (?).
Massa heterogénea com  materiais plásticos apresenta no tardoz arrepiados no esmalte.
Tonalidade de ligeiro amarelado, apenas só metade da aba pintada com ramagem em policromia ornada a grosso filete em verde no rebordo.
 O tardoz nota-se bem a conexidade do formato
Faz lembrar o tardoz das bacias usadas para o crescente da broa (fermento) que as vizinhas passavam de umas para as outras.
Outra particularidade é que na cozedura a cor verde transpareceu no tardoz.
Possível fabrico inicio século XX (?) numa olaria do centro, seja a mediar Coimbra pelo esmalte e formato, quanto ao norte pela peça, pelo motivo já evidenciado das naus atracarem em Gaia, Porto, Viana, onde os oleiros e pintores ao olhar as peças sendo suposto as copiar , e claro pela palete das cores .
Um conjunto em porcelana chinesa da minha colecção

domingo, 16 de outubro de 2016

Faiança de casario em verde ervilha do norte(?)

Há uns 15 dias fui apanhada numa desagradável cena com uns vendedores por causa de um prato em tudo semelhante a este, em azul e seria de maior diâmetro.Sem entrar em pormenores fiquei francamente triste com a atitude deles para comigo, lamentável estar, a que se dispuseram com grande frieza. Na realidade até me parecem ser boas pessoas, nesse perfil os tenho, pessoas a quem sempre ajudei a catalogar quando me pediram e sou habitual freguesa. Foi uma cena de completo desplante. Fiquei magoada, registei , como sou uma senhora passei à frente. Perdido esse prato, hoje quis a sorte que este me viesse cair nas mãos. O Nuno acenou-me, que não via à algum tempo, tem andado por outros lados.Mal os meus olhos bateram nele o quis trazer, debalde tinha ido apenas caminhar, não levei carteira, tive de pedir ao meu marido, suplicar e bem, mas por fim o comprou a um preço muito acessível, apresenta um ligeiro "cabelo" e uma grande esbeiçadela no tardoz da aba.Havia uma pequena terrina em cantão popular do norte, pelo esmalte branco translucido e craquelê, muito mutilada a preço muito convidativo...
Em verde a cor inspiradora do meu Sporting!
Trata-se de um prato em faiança em cor monocromática verde ervilha  com aguada, pintado ao centro com o tradicional casario  com um a torre de cúpula encimado ambos os telhados por bandeirolas, ladeado por vegetação  alta com os trocos e ramos veem vincados, e as ramagens altas em esponjado  que se unem ao centro, sob rodapé também esponjado.Junto dos telhados aves.
A aba apresenta-se decorada com faixa com flores  fechadas em cartelas que se replicam com  dois corações, um virado para cima e o outro invertido, o rebordo debruado com fino filete.
 O esmalte apresenta-se em tom amarelado intenso.
O tardoz apresenta brutal esbeiçadela supostamente deve ser resulto de quando tiraram a aranha em arame. Mas apresenta outra particularidade- dá a dimensão da cor do barro usado- julgo que deste assim nunca vi-, ou são totalmente brancos, vermelhos, em rosado pela mistura de branco com vermelho ou amarelado mistura de barro branco com amarelo mas este apresenta-se em branco cru...
Outra carateritica que acho muita semelhança é comparando com outro prato da minha coleção no mesmo motivo, mas num verde desmaiado(cor do burro quando foge)  lamentavelmente ao centro tinha um defeito de fabrico de massa oca que ao tirar ficou um buraco... aqui o defeito é no tardoz também ao centro, nota-se a ranhura "com um pulão na massa", mas mais pequena do que era no outro, mas se for mexer fica também um buraco. Revela que o barro não seria bem amassado, porque a textura da peça não se mostra homogénea, se acariciar a peça apresenta altos e baixos- o que pode dizer que era fabrico em série, de pouca e fraca qualidade e por isso tantos defeitos, pois o destino era fazer dinheiro que se vendiam nas feiras semanais e anuais.
Este tardoz ainda nos diz que a olaria ou fábrica que o fez os produzia em tamanho grande dado pelas trempes marcadas na massa.
Quanto ao local de fabrico parece-me que seja produção do norte (?), com muita inclinação para Vilar de Mouros (?), sendo que o livro editado recentemente não mostra nenhuma peça com esta cor e de casario apenas duas imagens em duas peças...
Se olharmos ao esmalte amarelado e ao verde ervilha inventado por Vandelli quando esteve na Universidade , sendo químico e mais tarde ceramista de boa faiança na sua fábrica do Rocio de Santa Clara, inventou uma nova palete de cores a partir das 4 primárias usadas: verde cobre; amarelo ocre; manganês e azul cobalto,  por isso uma maioria avente com muita vontade ser fabrico de Coimbra (?).
Contudo por se tratar de uma peça de textura leve, e por Vilar de Mouros ter copiado muito da produção Coimbrã,o que se fala, julgo sem provas documentais (?) as duas produções se misturam e baralham àqueles como eu gostam de analisar as peças, sendo claro que Vilar de Mouros nos milhentos fragmentos que alguém recolheu, dos quais apenas no Livro mostraram alguns e na maioria no motivo cantão popular,  não mostrou nenhum com esta cor, outro enigma, ainda assim a deixo catalogada norte(?).
Destronei outro da parede da sala no mesmo motivo a duas cores para colocar este! 

domingo, 9 de outubro de 2016

Saladeira de aba gomada com motivo casario fabrico do norte (?)

Saladeira ou taça de formato oval em faiança de aba gomada  e bicada ponteaguda nas pegas.
Apresenta ao centro um motivo de casario de telhado inclinado adoçado a uma torre na esquerda sendo ladeado por arvoredo de tronco e ramos vincados e arbustos, sob rodapé esponjado e nuvens em ziguezague . Ao meio da aba uma cercadura circular de arabescos que se assemelham a uma corrente debruada a um fino filete que se repete no tardoz a cortar a aba.Uma carateristica interessante, julgo seja só do fabrico do norte(?).
Pintura monocromática em azul e aguada.

Pelo peso, extremamente leve, a pintura do casario, e na mesma a minuciosa do arvoredo, com as duas  araucarias (?) esguias, no tardoz aventa ser produção do norte (?) a que se acrescenta o barro de ligeiro amarelado e, esmalte homogéneo pouco brilhante e ser bicada.
 Uma fábrica de Gaia ainda por descobrir entre o Senhor do Além e...
Comprei-a num antiquário, estava em cima de um móvel  na rua com bugiganga quando perguntei o preço nem queria acreditar no valor irrisório, julgo por se encontrar com "um cabelo e gateada"...
Mais uma peça para a minha coleção de casarios em azul.Sendo que este é um azul mais pobre, aberto...

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Prato de Alcântara com monograma modelo...

Um prato leve da Fábrica de Alcântara pintado em monocromia azul com monograma a preto.
Não sei o nome deste modelo (?). Supostamente o motivo estará ligado a movimentos estéticos ligados à natureza dado pelos passarinhos poisados galho do ramo, alternado pela bucólica cancela, concha  e um quadro com um homem sentado a pescar e folhagens.
Fabrico dos finais do século XIX (?). Para os amantes desta fábrica, por ser raro.
Apresenta dois carimbos, Fábrica de Louça Ingleza - Alcântara Lisboa , um na massa e outro a tinta

domingo, 18 de setembro de 2016

Prato com pintura da árvore da vida (?)

Um belo prato pintado com um pequeno circulo ao centro, de onde irradiam uma cercadura com motivos vegetalistas- uma sequência de folhas de hera de onde partem arabescos como se fossem ramos a imitar a árvore da vida (?)...
A decoração das folhas é feita por decalque em lata (?)  e depois com o pincel o pintor deu azo à sua imaginação e fartou-se de voar em volutas ...
Aba com desenhos relevados em reservas ou cartelas, o rebordo bicado muito harmonioso
 Pormenor da aba e rebordo
Pormenor da pintura monocromática a duas tonalidades azul e aguada azul
 Tardoz
Textura da massa de cor amarelada com matérias plásticas bem visíveis pelos "buraquinhos e "arrepiados" no tardoz da aba
Tenho visto esta decoração semelhante atribuídas a Alcobaça- José Reis e a Coimbra (?).
No entanto esta aba relevada e recortada incita ser produção do norte de uma fábrica de Gaia, porque a Fábrica das Devezas usou um esmalte muito branco.E Coimbra também fabricou pratos bicados.
Será uma peça fabricada entre Coimbra e Gaia(?). Sabe-se muito pouco, quase nada  da Fábrica do Senhor do Além que funcionou num antigo Convento de Carmelitas na encosta da serra do Pilar, usavam barro de Lisboa e de Avintes, deviam misturar e ficava rosado (?), este prato o barro é dessa cor, podiam ter copiado este relevado da aba e o bicado das Devezas(?), porque razão ainda não se procedeu a uma escavação e investigação arqueológica? Estão à espera que as paredes caiam?
Haviam dois exemplares. Um foi para casa de uma atriz de telenovelas, nascida no norte...
Produção finais do século XIX início de XX(?).
Por ser diferente, e também azul, destronou outro, igualmente belo, ganhando foros de vista na sala!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Travessa com a faixa de Ruão atribuída ao Porto ou Lisboa (?)

Na feira de Algés uma vendedora conhecida, a D.Fátima, a quem agradeço a gentileza e dedico esta crónica temática, pois foi graças a ela que a mesma foi possível, quando me abeirei da sua banca falou-me que trazia uma travessa para me mostrar, sabendo do meu gosto de estudar a faiança, ainda me disse que andou a pesquisar tendo dúvidas se seria Miragaia ou Monte Sinai (?), por estar marcada com "P,". Logo eu que tenho o hábito de passar logo pela manhã...e ontem, por estar meio indisposta passei mais tarde. Contudo disse-me a quem a tinha vendido, logo meti pés ao caminho e pedi ao novo dono para a fotografar, apesar de usar o telemóvel as fotos não se revelam de qualidade, o sol estava a pique, dando ênfase ao interesse mayor da partilha, por ser peça marcada, e sendo raras, o seu grande interesse.
Imagem desfocada, a possível sendo que as outras ainda ficaram piores, infelizmente não mostra o realce das cores, nomeadamente do azul cobalto no contraste com a cor de vinho, o manganês.
 
Trata-se de fabulosa peça que deveria estar em Museu.
Travessa de alto covo de  aba relevada e recortada, decorada com a faixa de Ruão, ao centro pequeno motivo campestre encimado por flores.
Pintura em policromia azul e manganês vivo.
Esmalte anilado.
Fabrico em barro rosado, disso é bem visível nos arrepiados e buraquinhos, por conter matéria plástica,  de textura pesada, esmalte craquelê.
Partida e gateada com 14 "gatos", e marcada a azul com "P,"sob traço em rodapé
No primeiro impato pode catapultar para fabrico norte- Miragaia, mas esta marca não consta do Livro da Fábrica.

Consultei o Livro Cerâmica Portuguesa de José Queiróz  e no Dicionário de Marcas descobri uma marca muito semelhante, na substancial diferença apresenta duas virgulas-, uma antes e a outra como aqui depois do "P" e ainda o "P" na semi órbita da letra tem um traço direito.
Marca atribuída à Fábrica Nacional do Porto OU Fábrica do Cavaquinho em Gaia.
Consultei no mesmo Livro o que se escreveu sobre as duas fábricas e conclui que a peça pode eventualmente ser atribuida à Fábrica Nacional, sediada no Porto que abriu portas pelo menos uma dúzia de anos antes do Rato em Lisboa, em detrimento da Fábrica do Cavaquinho que foi comprada por Domingos Vandelli quando a sua fábrica do Rossio de Santa Clara foi incendiada pelos desertores do Buçaco e se deslocou para Gaia fazendo a compra da mesma. Diz no Livro que a Fábrica Nacional cuja data  de fundação não se sabe- 175... sobre a decoração-, a faixa de Ruão, a azul e cor de vinho. A pintura é delicada, a forma elegante, boa a moderação, perfeito e brilhante o esmalte.Diz ainda que menciona as marcas F.R.P ( FÁBRICA REAL PORTO tal como a do CAVAQUINHO e supostamente por isso os autores dividem a atribuição no Livro entre as duas fábricas(?).
Faltou dizer o peso das peças- esta travessa é pesada
Faltou dizer o tipo de barro usado - nesta peça é rosado, mistura de branco com vermelho
Faltou dizer se o esmalte se mostrava craquelê - como se revela na peça
Mas também no Dicionário de Marcas aparece referência a um "P" com pontos, antes da letra e depois desta, sobre traço em rodapé pintado a azul, atribuído fabrico a LISBOA aos princípios do séc. XVIII.

Pouco, quase nada se sabe da Fábrica Nacional do Porto, a quem com grande probabilidade se poderá atribuir(?). Nem se sabe quando encerrou portas(?). Pelas duas fotos de outras peças mostradas no Livro eram especialistas em relevar as peças e o pintor  era sábio na mestria da pintura, a cor de vinho que chamo manganês é requintada e minuciosa, com arte.   
Mas o peso da peça- pesada e de barro rosado?
Por ser abundante em Lisboa, de primeira qualidade, o barro branco que se exportava para Gaia, mas também existiam barreiros de vermelho na zona das olarias na Almirante Reis e na zona do Lumiar, que a Fábrica Viúva Lamego sempre usou para azulejos e peças de faiança, entre outras.
Ao meu olhar a travessa pelo peso, textura, de certa forma grosseira, poderá ser atribuída aos meados ou finais do século XVIII (?), gateada há mais de cem anos(?), com os ferros bem antigos nitidamente a se desfazerem em ferrugem, poderá ser atribuído o seu fabrico a uma fábrica sediada em Lisboa (?) em dúvidas como ostenta  a marca "P" à partida remete facilmente para fabrico do Porto- matéria para os especialistas deslindarem. Julgo a peça veio de casa do Alentejo de família abastada que tinha uma rica e variada coleção em faiança (?).Porque a cor do barro, rosado, e decoração , faixa de Ruão, foi usada por várias fábricas.
Ainda acrescento que existiu no norte um Policarpo de Oliveira, pintor de azulejos e faiança(?) a azul e assinava com esta cor com "P" e um acento circunflexo antes da letra e outro após.  

domingo, 31 de julho de 2016

Faiança de Gaia da Fábrica do Senhor do Além (?)

Na última feira de Algés o meu marido descobriu esta travessa, mas fui eu que a paguei...
Azul a minha cor favorita na faiança. Partida com "gatos", como gosto!
Formato oitavado  de alto covo, em pintura monocromática azul - um azul fantástico, brilhante, belo.
Ao centro o motivo principal apresenta um "casario" ladeado de arvoredo sob rodapé  de arbustos em esponjado . O céu com nuvens e pássaros como uso no naquele tempo da pintura cantão popular.
O limite da bordadura ornado a fino filete de onde nascem semi círculos, sendo um mais grosso a sobressair no entrelace de outro de traço mais fino, e deste pendem cordões com três borlas ou pompons. A lembrar os pendões em veludo que existiam no meu tempo de criança na separação de qualquer capela mor do corpo da igreja.
Mas não é o tradicional "casario" - tudo indica se tratar de uma igreja (?) , apesar de entre as torres não ser encimada por uma Cruz, e sim pela tradicional "bandeirola" que aparece em muito "casario", e sobre o qual não sei o significado que o pintor quis lhe atribuir, quiçá seja o símbolo da Liberdade!
Chamou-me a atenção o lado esquerdo apresentar um mural e um terraço a terminar em graça com ameias.
Passava a telenovela "Coração d'Ouro" ,deixei-me ficar pasmada ao ver esta foto, parei de imediato a imagem para fotografar e disse para o meu marido- a nossa travessa retrata  a Sé do Porto!
O que evidencia a sua provável origem de fabrico- Porto (?).

O tardoz evidencia um barro rosado com esmalte brilhante de ligeiro lácteo
 Devia ter estado num antiquário atendendo à etiqueta...o que não quer dizer que esteja certa!
Não querendo contrariar uns demais nesta temática-, que jamais saem da sua base de conforto, em relação a mim mulher prática e destemida, sem qualquer medo mas receosa sempre de medos no receio de errar, aqui vou fazendo as minhas deduções na atribuição da faiança, e por vezes erro mesmo, mas na mente sempre convicta em melhorar sobretudo na partilha deste gosto fascinante da nossa faiança-, assim ao longo dos tempo vou fazendo pesquisas, aquisição de livros, visita a Museus e sobretudo a ver muitas peças, e claro observando pormenores-, ainda assim não seja considerado coisa alguma, quando o é bastante-, por isso supostamente rotulada de "ligeira" nesta temática que os choca, e a mim NÃO.
Cito uma frase que li há tempos e me deixou impressionada
" a primeira ferramenta para o estudo da história é o documento; a segunda é o raciocínio. Por vezes, a 2ª ferramenta, o raciocínio, não consegue encaixar na lógica a ausência de documentos para determinada época. Nasce assim um enigma que se transforma num facto - a ausência de documentos ou o seu encobrimento tem uma razão a qual também faz parte da história."

Um fenómeno interessante é o conhecimento que muitos leitores tem do blog-,alguns enviam mensagens,outros contactam-me pessoalmente. Tem sido frenética e muito agradável passar de simples desconhecida com o anónimo (a) para o conhecimento palpável, acolhedor, simpático, enternecedor. Bem hajam pelas lindas palavras que me dirigem, e de todo sinto não mereço. Ainda há dois meses foi na feira de Paço d'Arcos, onde como visitante fui interpelada por uma Professora de História, saboreava o seu café na esplanada quando me reconheceu a ver os estaminés-, haveria de me confidenciar que apesar de ter receado se deveria falar-me, decidiu e bem o fazer-, foi uma conversa prazeirosa, travada seguramente durante largos três quartos de hora...a Dra Teresa, ensina os seus alunos em Mem Martins a disciplina na temática da revolução industrial introduzindo a história da Fábrica de Loiça de Sacavém na luta que os seus operários travaram e reivindicações para melhoria de salários e de regalias sociais, por a loiça que produziram ainda estar nos dias d'hoje muito enraizada na cultura dos seus pais e avós dos alunos-, apesar destes a desconhecerem( só conhecem Ikea...) sente que ficaram apaixonados, dela falavam com os pais e até traziam peças para partilha e de outras sabiam de cor a quem pertenciam. Magnífico, brilhante, isto é que é ter visão em transmitir cultura e paixão por aquilo que é nosso num misto criativo no exercício da sua profissão, tornando a disciplina mais apelativa. Confidenciou-me que gosta do que escrevo, sobretudo como escrevo, do meu sentido descritivo, apaixonante, emocional de mulher prática, sem medos, e sobretudo do meu gosto de partilha, sem "trunfos nas mangas". Lê os dois blogs.Fiquei completamente extasiada, sem palavras.Só me dizia-, já ganhei o dia só de a conhecer...eloquente, tanta cumplicidade sentida. Afinal vale a pena dar continuidade ao meu trabalho por aqui. Há dias deixaram-me um comentário que me deixou comovida:
"Continue o seu trabalho. Reconheço-o com o pensamento de Carljung , que transcrevo :Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia. Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas. Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo que mutilá-lo. CarlJung"
Nesta mesma feira fui contatada por três pessoas que acompanham o blog, que não conhecia, a quem agradeço a gentileza e o carinho-, Margarida e Filomena Miguel, uma delas fez uma aquisição de uma linda terrina de Coimbra.Um senhor que comprou noutra banca um belo prato em policromia típica de pinceladas largas, em laranja, azul e verde-, pergunta-me se seria Bandeira ou Fervença- não se mostrava nada fácil, porque analisando pormenores verifiquei que o tardoz era num azul anil com muitos buraquinhos, que evidencia fabrico de Estremoz (?), mas o filete na bordadura e o conjunto de pequeníssimas pinceladas a castanho- que não o era na essência, tinha uma mistura que lhe dava um toque de dourado velho, pode remeter para Coimbra(?), sendo que tenho um grande prato que será Darque(?) com esta decoração e as pinceladas a pincel à mão, mostram-se gordas e em castanho puro, apesar de em ambos minúsculas,por isso se destacam no motivo por ressaltar no emaranhado das outras grandes.Esta decoração geralmente é atribuída a Bandeira e Fervença, na verdade também foi pintada por Estremoz, Darque, Vilar de Mouros  e quiçá Coimbra e outras.
Assim como a catalogar:
A minha travessa é LEVE, o que me catapulta para o fabrico norte (?), a que se acrescenta o motivo, a pintura da Sé no Porto (?), delicadeza da pintura da bordadura, só possível numa fábrica de bons artistas, uso de barro rosado(mistura de branco com vermelho), e o motivo seria visto da escarpa onde estava sediada a fábrica, ou pelo menos parte da muralha Fernandina da cidade do Porto, argumentos bastantes para a catalogar como sendo da Fábrica do Senhor de Além em Gaia(?). Uma leitura deste blog-, Margarida, comprou à tempos uma linda terrina ( espero ainda a foto, com pintura de volutas)  cujo vendedor a levou ao Museu Soares dos Reis, na esperança que a comprassem, mas devia ter pedido muito, onde lhe disseram ser peça desta fábrica, pelas carateristicas de leveza, da cor rosada do barro, e da pintura fina. Produção dos finais do século XIX, seguramente!
Escarpa da Serra do Pilar com data de 18_08_2010  de J. Portojo, com a capela do Senhor do Além( hoje em total abandono) no complexo ruinal do antigo convento dos Carmelitas vendido depois da extinção das Ordens Religiosas em 1834 onde se veio instalar a Fábrica de faiança do Senhor de Além.
Falta intervenção urgente em escavar o local para com os fragmentos encontrados se possa compilar um livro da produção desta fábrica que lamentavelmente o pioneiro José de Queiroz dela apenas escreveu  que em 1881 já laborava em frente da Cortiçeira ( e desta fábrica nada fala dela) Diz ainda que produzia faiança de qualidade inferior. Os barros procediam de Lisboa (branco)  e de Avintes (vermelho) em Gaia tão tradicional o seu uso pelos santeiros e bonecreiros para fazerem bonecos para vender nas festas do povo.
O entusiasmo de a ter faz-me acreditar que o tradicional "casario" começou muito provavelmente por ser pintado um modelo da igreja no local da olaria, e dele irradiou tanta alteração como se revela no nosso cantão popular(?). Daí o fascínio deste motivo . 

FONTES

http://portojofotos.blogspot.pt/2012/03/121-capela-do-senhor-dalem-vila-nova-de.html

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...