segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Fábrica Cavaco em Gaia pequeno prato com um galo

Prato de pequena dimensão decorado ao centro com um fausto galo de bico aberto, pintado em policromia; amarelo ocre, castanho e rosa velho sob rodapé em " verde desnatado da cor do burro quando foge" em forma de esponjado de onde irradiam pinceladas para a direita e para a esquerda, como se a imitar ramos cujo términos de ligeiro côncavo.
Aba toda preenchida por estampa com motivo repetitivo entre o geométrico e o abstrato apresenta pequenas dedadas intervaladas por um ponteiro de ponta redonda em pintura monocromática azul e termina por fino filete no mesmo tom, mais carregado. 
Tardoz evidencia fabrico em  mistura de barros pela cor rosada( vermelho com branco), textura homogénea de fraco e opaco esmalte ao ter sido mergulhado em tina com a mistura e logo retirado apresenta escorridos e arrepiados por o barro conter matérias plásticas e com isso o esmalte não adere.
Fabrico provável do 1º quartel do século XX (?)
Fábrica Cavaco em Gaia a grande probabilidade, apesar de não estar marcado, tendo em apreço o fabrico massivo em série com este tipo de estampas, pequenez de tamanho e por no norte não haver barro branco que era importado de Lisboa e da Figueira da Foz , raro e caro o misturavam com o vermelho de Avintes, dando esta tonalidade graciosa de rosado, que outras fabricas em Gaia também imitaram esta técnica.  

domingo, 23 de outubro de 2016

Enfusa pequena em faiança com volutas de Coimbra(?)


Graciosa enfusa pela pequenez, em faiança pintada a azul e branco.


Filete fino no pé, o bojo encerrado a duplo filete fino seguido de largo em azul e o motivo central em volutas ou pétalas. O bico a cheio em lágrimas e o bordo debruado a dois filetes, um fino e outro largo.
Asa  relevada ao meio ornada de folhas e ao fundo a cheio com  lágrimas
Peça bem à roda de pé elegante com quina relevada e doutra antes do bojo
A peça pela pequenez, textura da massa homogénea, esmalte, tonalidade de azul, base do pé, asa e motivo reporta para fabrico de Coimbra(?) início séc.XX(?).

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Pires convexo de faiança de Coimbra ou norte(?)

Pires e não tacinha em faiança por apresentar ligeira quebratura na elevação da aba, com ligeiro "cabelo" .
Apresenta-se de forma airosa com ligeiro covo de suporte a taça ao género (?) das que apareciam nas naus vindas da China, porque será grande para chávena (?).
Massa heterogénea com  materiais plásticos apresenta no tardoz arrepiados no esmalte.
Tonalidade de ligeiro amarelado, apenas só metade da aba pintada com ramagem em policromia ornada a grosso filete em verde no rebordo.
 O tardoz nota-se bem a conexidade do formato
Faz lembrar o tardoz das bacias usadas para o crescente da broa (fermento) que as vizinhas passavam de umas para as outras.
Outra particularidade é que na cozedura a cor verde transpareceu no tardoz.
Possível fabrico inicio século XX (?) numa olaria do centro, seja a mediar Coimbra pelo esmalte e formato, quanto ao norte pela peça, pelo motivo já evidenciado das naus atracarem em Gaia, Porto, Viana, onde os oleiros e pintores ao olhar as peças sendo suposto as copiar , e claro pela palete das cores .
Um conjunto em porcelana chinesa da minha colecção

domingo, 16 de outubro de 2016

Faiança de casario em verde ervilha do norte(?)

Há uns 15 dias fui apanhada numa desagradável cena com uns vendedores por causa de um prato em tudo semelhante a este, em azul e seria de maior diâmetro.Sem entrar em pormenores fiquei francamente triste com a atitude deles para comigo, lamentável estar, a que se dispuseram com grande frieza. Na realidade até me parecem ser boas pessoas, nesse perfil os tenho, pessoas a quem sempre ajudei a catalogar quando me pediram e sou habitual freguesa. Foi uma cena de completo desplante. Fiquei magoada, registei , como sou uma senhora passei à frente. Perdido esse prato, hoje quis a sorte que este me viesse cair nas mãos. O Nuno acenou-me, que não via à algum tempo, tem andado por outros lados.Mal os meus olhos bateram nele o quis trazer, debalde tinha ido apenas caminhar, não levei carteira, tive de pedir ao meu marido, suplicar e bem, mas por fim o comprou a um preço muito acessível, apresenta um ligeiro "cabelo" e uma grande esbeiçadela no tardoz da aba.Havia uma pequena terrina em cantão popular do norte, pelo esmalte branco translucido e craquelê, muito mutilada a preço muito convidativo...
Em verde a cor inspiradora do meu Sporting!
Trata-se de um prato em faiança em cor monocromática verde ervilha  com aguada, pintado ao centro com o tradicional casario  com um a torre de cúpula encimado ambos os telhados por bandeirolas, ladeado por vegetação  alta com os trocos e ramos veem vincados, e as ramagens altas em esponjado  que se unem ao centro, sob rodapé também esponjado.Junto dos telhados aves.
A aba apresenta-se decorada com faixa com flores  fechadas em cartelas que se replicam com  dois corações, um virado para cima e o outro invertido, o rebordo debruado com fino filete.
 O esmalte apresenta-se em tom amarelado intenso.
O tardoz apresenta brutal esbeiçadela supostamente deve ser resulto de quando tiraram a aranha em arame. Mas apresenta outra particularidade- dá a dimensão da cor do barro usado- julgo que deste assim nunca vi-, ou são totalmente brancos, vermelhos, em rosado pela mistura de branco com vermelho ou amarelado mistura de barro branco com amarelo mas este apresenta-se em branco cru...
Outra carateritica que acho muita semelhança é comparando com outro prato da minha coleção no mesmo motivo, mas num verde desmaiado(cor do burro quando foge)  lamentavelmente ao centro tinha um defeito de fabrico de massa oca que ao tirar ficou um buraco... aqui o defeito é no tardoz também ao centro, nota-se a ranhura "com um pulão na massa", mas mais pequena do que era no outro, mas se for mexer fica também um buraco. Revela que o barro não seria bem amassado, porque a textura da peça não se mostra homogénea, se acariciar a peça apresenta altos e baixos- o que pode dizer que era fabrico em série, de pouca e fraca qualidade e por isso tantos defeitos, pois o destino era fazer dinheiro que se vendiam nas feiras semanais e anuais.
Este tardoz ainda nos diz que a olaria ou fábrica que o fez os produzia em tamanho grande dado pelas trempes marcadas na massa.
Quanto ao local de fabrico parece-me que seja produção do norte (?), com muita inclinação para Vilar de Mouros (?), sendo que o livro editado recentemente não mostra nenhuma peça com esta cor e de casario apenas duas imagens em duas peças...
Se olharmos ao esmalte amarelado e ao verde ervilha inventado por Vandelli quando esteve na Universidade , sendo químico e mais tarde ceramista de boa faiança na sua fábrica do Rocio de Santa Clara, inventou uma nova palete de cores a partir das 4 primárias usadas: verde cobre; amarelo ocre; manganês e azul cobalto,  por isso uma maioria avente com muita vontade ser fabrico de Coimbra (?).
Contudo por se tratar de uma peça de textura leve, e por Vilar de Mouros ter copiado muito da produção Coimbrã,o que se fala, julgo sem provas documentais (?) as duas produções se misturam e baralham àqueles como eu gostam de analisar as peças, sendo claro que Vilar de Mouros nos milhentos fragmentos que alguém recolheu, dos quais apenas no Livro mostraram alguns e na maioria no motivo cantão popular,  não mostrou nenhum com esta cor, outro enigma, ainda assim a deixo catalogada norte(?).
Destronei outro da parede da sala no mesmo motivo a duas cores para colocar este! 

domingo, 9 de outubro de 2016

Saladeira de aba gomada com motivo casario fabrico do norte (?)

Saladeira ou taça de formato oval em faiança de aba gomada  e bicada ponteaguda nas pegas.
Apresenta ao centro um motivo de casario de telhado inclinado adoçado a uma torre na esquerda sendo ladeado por arvoredo de tronco e ramos vincados e arbustos, sob rodapé esponjado e nuvens em ziguezague . Ao meio da aba uma cercadura circular de arabescos que se assemelham a uma corrente debruada a um fino filete que se repete no tardoz a cortar a aba.Uma carateristica interessante, julgo seja só do fabrico do norte(?).
Pintura monocromática em azul e aguada.

Pelo peso, extremamente leve, a pintura do casario, e na mesma a minuciosa do arvoredo, com as duas  araucarias (?) esguias, no tardoz aventa ser produção do norte (?) a que se acrescenta o barro de ligeiro amarelado e, esmalte homogéneo pouco brilhante e ser bicada.
 Uma fábrica de Gaia ainda por descobrir entre o Senhor do Além e...
Comprei-a num antiquário, estava em cima de um móvel  na rua com bugiganga quando perguntei o preço nem queria acreditar no valor irrisório, julgo por se encontrar com "um cabelo e gateada"...
Mais uma peça para a minha coleção de casarios em azul.Sendo que este é um azul mais pobre, aberto...

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Prato de Alcântara com monograma modelo...

Um prato leve da Fábrica de Alcântara pintado em monocromia azul com monograma a preto.
Não sei o nome deste modelo (?). Supostamente o motivo estará ligado a movimentos estéticos ligados à natureza dado pelos passarinhos poisados galho do ramo, alternado pela bucólica cancela, concha  e um quadro com um homem sentado a pescar e folhagens.
Fabrico dos finais do século XIX (?). Para os amantes desta fábrica, por ser raro.
Apresenta dois carimbos, Fábrica de Louça Ingleza - Alcântara Lisboa , um na massa e outro a tinta

domingo, 18 de setembro de 2016

Prato com pintura da árvore da vida (?)

Um belo prato pintado com um pequeno circulo ao centro, de onde irradiam uma cercadura com motivos vegetalistas- uma sequência de folhas de hera de onde partem arabescos como se fossem ramos a imitar a árvore da vida (?)...
A decoração das folhas é feita por decalque em lata (?)  e depois com o pincel o pintor deu azo à sua imaginação e fartou-se de voar em volutas ...
Aba com desenhos relevados em reservas ou cartelas, o rebordo bicado muito harmonioso
 Pormenor da aba e rebordo
Pormenor da pintura monocromática a duas tonalidades azul e aguada azul
 Tardoz
Textura da massa de cor amarelada com matérias plásticas bem visíveis pelos "buraquinhos e "arrepiados" no tardoz da aba
Tenho visto esta decoração semelhante atribuídas a Alcobaça- José Reis e a Coimbra (?).
No entanto esta aba relevada e recortada incita ser produção do norte de uma fábrica de Gaia, porque a Fábrica das Devezas usou um esmalte muito branco.E Coimbra também fabricou pratos bicados.
Será uma peça fabricada entre Coimbra e Gaia(?). Sabe-se muito pouco, quase nada  da Fábrica do Senhor do Além que funcionou num antigo Convento de Carmelitas na encosta da serra do Pilar, usavam barro de Lisboa e de Avintes, deviam misturar e ficava rosado (?), este prato o barro é dessa cor, podiam ter copiado este relevado da aba e o bicado das Devezas(?), porque razão ainda não se procedeu a uma escavação e investigação arqueológica? Estão à espera que as paredes caiam?
Haviam dois exemplares. Um foi para casa de uma atriz de telenovelas, nascida no norte...
Produção finais do século XIX início de XX(?).
Por ser diferente, e também azul, destronou outro, igualmente belo, ganhando foros de vista na sala!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Travessa com a faixa de Ruão atribuída ao Porto ou Lisboa (?)

Na feira de Algés uma vendedora conhecida, a D.Fátima, a quem agradeço a gentileza e dedico esta crónica temática, pois foi graças a ela que a mesma foi possível, quando me abeirei da sua banca falou-me que trazia uma travessa para me mostrar, sabendo do meu gosto de estudar a faiança, ainda me disse que andou a pesquisar tendo dúvidas se seria Miragaia ou Monte Sinai (?), por estar marcada com "P,". Logo eu que tenho o hábito de passar logo pela manhã...e ontem, por estar meio indisposta passei mais tarde. Contudo disse-me a quem a tinha vendido, logo meti pés ao caminho e pedi ao novo dono para a fotografar, apesar de usar o telemóvel as fotos não se revelam de qualidade, o sol estava a pique, dando ênfase ao interesse mayor da partilha, por ser peça marcada, e sendo raras, o seu grande interesse.
Imagem desfocada, a possível sendo que as outras ainda ficaram piores, infelizmente não mostra o realce das cores, nomeadamente do azul cobalto no contraste com a cor de vinho, o manganês.
 
Trata-se de fabulosa peça que deveria estar em Museu.
Travessa de alto covo de  aba relevada e recortada, decorada com a faixa de Ruão, ao centro pequeno motivo campestre encimado por flores.
Pintura em policromia azul e manganês vivo.
Esmalte anilado.
Fabrico em barro rosado, disso é bem visível nos arrepiados e buraquinhos, por conter matéria plástica,  de textura pesada, esmalte craquelê.
Partida e gateada com 14 "gatos", e marcada a azul com "P,"sob traço em rodapé
No primeiro impato pode catapultar para fabrico norte- Miragaia, mas esta marca não consta do Livro da Fábrica.

Consultei o Livro Cerâmica Portuguesa de José Queiróz  e no Dicionário de Marcas descobri uma marca muito semelhante, na substancial diferença apresenta duas virgulas-, uma antes e a outra como aqui depois do "P" e ainda o "P" na semi órbita da letra tem um traço direito.
Marca atribuída à Fábrica Nacional do Porto OU Fábrica do Cavaquinho em Gaia.
Consultei no mesmo Livro o que se escreveu sobre as duas fábricas e conclui que a peça pode eventualmente ser atribuida à Fábrica Nacional, sediada no Porto que abriu portas pelo menos uma dúzia de anos antes do Rato em Lisboa, em detrimento da Fábrica do Cavaquinho que foi comprada por Domingos Vandelli quando a sua fábrica do Rossio de Santa Clara foi incendiada pelos desertores do Buçaco e se deslocou para Gaia fazendo a compra da mesma. Diz no Livro que a Fábrica Nacional cuja data  de fundação não se sabe- 175... sobre a decoração-, a faixa de Ruão, a azul e cor de vinho. A pintura é delicada, a forma elegante, boa a moderação, perfeito e brilhante o esmalte.Diz ainda que menciona as marcas F.R.P ( FÁBRICA REAL PORTO tal como a do CAVAQUINHO e supostamente por isso os autores dividem a atribuição no Livro entre as duas fábricas(?).
Faltou dizer o peso das peças- esta travessa é pesada
Faltou dizer o tipo de barro usado - nesta peça é rosado, mistura de branco com vermelho
Faltou dizer se o esmalte se mostrava craquelê - como se revela na peça
Mas também no Dicionário de Marcas aparece referência a um "P" com pontos, antes da letra e depois desta, sobre traço em rodapé pintado a azul, atribuído fabrico a LISBOA aos princípios do séc. XVIII.

Pouco, quase nada se sabe da Fábrica Nacional do Porto, a quem com grande probabilidade se poderá atribuir(?). Nem se sabe quando encerrou portas(?). Pelas duas fotos de outras peças mostradas no Livro eram especialistas em relevar as peças e o pintor  era sábio na mestria da pintura, a cor de vinho que chamo manganês é requintada e minuciosa, com arte.   
Mas o peso da peça- pesada e de barro rosado?
Por ser abundante em Lisboa, de primeira qualidade, o barro branco que se exportava para Gaia, mas também existiam barreiros de vermelho na zona das olarias na Almirante Reis e na zona do Lumiar, que a Fábrica Viúva Lamego sempre usou para azulejos e peças de faiança, entre outras.
Ao meu olhar a travessa pelo peso, textura, de certa forma grosseira, poderá ser atribuída aos meados ou finais do século XVIII (?), gateada há mais de cem anos(?), com os ferros bem antigos nitidamente a se desfazerem em ferrugem, poderá ser atribuído o seu fabrico a uma fábrica sediada em Lisboa (?) em dúvidas como ostenta  a marca "P" à partida remete facilmente para fabrico do Porto- matéria para os especialistas deslindarem. Julgo a peça veio de casa do Alentejo de família abastada que tinha uma rica e variada coleção em faiança (?).Porque a cor do barro, rosado, e decoração , faixa de Ruão, foi usada por várias fábricas.
Ainda acrescento que existiu no norte um Policarpo de Oliveira, pintor de azulejos e faiança(?) a azul e assinava com esta cor com "P" e um acento circunflexo antes da letra e outro após.  

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...