domingo, 18 de outubro de 2015

Par de jarras de altar fabrico norte M.A.DA ROCHA(?)

Comprei em Setúbal este par de jarras que o colega, ou as partiu no caixote, que nunca acondiciona as peças, ou já as comprou fraturadas, achou por bem restaurar para "puxar dinheiro". O problema é que fez um péssimo restauro com materiais comprados nos "chineses" mas acreditem tive o prazer de enxovalhar à fartasana pela idiotice, ainda o enervei quando com a unha tentava retirar o excesso de acrílico azul com isso deixei o barro vermelho com que encheu as faltas, à mostra...

Furiosa por ver tão mau trabalho de restauro ainda assim não as quis perder, a pensar na alegria em as poder mostrar e partilhar com os meus muitos visitantes, apesar de caras.

Nesta foto descubram o barro vermelho num dos sítios onde fez restauro...
Jarra rodada, de bojo redondo, ombro com ressalto, carenada e colo alto, com estrangulamento central, bordo virado para o exterior e pé alto de base circular com estrangulamento na ligação com o bojo. 
Faiança com esmalte branco e decoração pintada e estampilhada a azul. 
Bojo decorado com uma paisagem oriental com pagodes e palmeiras, com nuvens estilizadas no céu ao género do motivo cantão popular. 
Em volta da base e no colo, cercadura de tracejado oblíquo, seguida de filete ondulante, entre barras azuis escuras.
Análise da base dos pés das jarras, de formato ligeiro abaulado do rebordo com o frete  rebaixado ao meio em forma delicada, belo.
Uma das carateristicas de atribuição de fabrico de SAVP (?).
Mas também a M. A. DA ROCHA

 Museu Nacional Soares dos Reis século XIX atribuído a Gaia ou Porto

O mesmo pé fechado como as minhas jarras
 Fragmentos resultantes da escavação na FSAVP em tonalidade azul mais escura
Foto retirada de A Fábrica de Louça de Santo António de Vale de Piedade, em Gaia: arquitetura, espaços e produção semi-industrial oitocentista / Laura Cristina Peixoto de Sousa
  • O 1º fragmento evidencia no pagode janela com traços na diagonal e a direto. Vejam-se as diferenças do motivo cantão popular com carateristicas que nos ajudam na catalogação: 
Também uma espécie de dois olhinhos na direita
No fragmento abaixo a ramagem do salgueiro para baixo
Uso de tracejados
Bordadura  em silva do prato com casario vário, alto e baixo 

 Museu Nacional Soares dos Reis século XIX atribuída a Gaia ou Porto

No OLX, a pintura do casario(pagode) diferente, mas carenada eo vidrado mui parecido
Mas o pé é fechado

Concerteza  em segurança o meu par de jarras de altar é de fabrico do norte (?)

    terça-feira, 13 de outubro de 2015

    Par de jarras de altar em faiança fabrico Vilar de Mouros(?)

    Comecei por comprar uma jarra que estava com o bocal todo partido e muito mal colado. Havia de voltar para trazer o par intato que estava dentro de uma vitrine.
    Par de jarras de altar com decoração em monocromia azul e aguada sobre branco.
    O formato é diferente dos usuais, apresenta-se com o pé oco ou aberto em formato redondo, o que indicia a sua antiguidade. 
    Jarra com base circular elevada. Bojo sobre um nó pouco acentuado e com duas zonas distintas: uma em forma de cilindro ligeiramente cintado e outra em forma de canudo com gargalo alto que se abre para um bocal ainda mais largo. 
    Decoração pintada  em monocromia em azul e aguada. 
    O pé ornado a filetes largos em azul , seguido de finos duplos para fechar com um em ziguezague ao estilo do usado no motivo cantão popular, na elevação do pescoço outro filete fino e todo o bojo a motivo vegetalista que fecha com filete em ziguezague, seguido de outro em aguada e de novo outro a cheio onde nasce o cano alto em aguada para se abrir em boca larga, o bocal ornado com filete largo a cheio no limite do rebordo seguido de duplo finos para dentro. 
    Percorrendo 53 páginas do MatrizNet nesta temática não encontrei nenhum exemplar no formato , apenas esta jarra em vidro proveniente de Espanha, a mais semelhante, sem o ser(?).
    As jarras em faiança são seguramente dos finais do século XIX e foram produzidas no norte, numa fábrica sediada entre Gaia até Vilar de Mouros inclusive, que ainda não descobri a que tinha pintores delirantes em afetos a pintar folhas em formato de corações.
    Elegância no desenho e execução da peça em barro branco, apresenta-se de boa  qualidade a textura, bem esmaltada, irradia brilho, boa pintura, fatores que  indiciam qualidade de fabrico.
    Produzida entre Miragaia, SAVP ou Vilar de Mouros (?)
    Na pesquisa acabei por encontrar esta marca de uma jarra no Museu Nacional Soares dos Reis.
    Já  anteriormente aqui mostrei outro par de jarras de altar com este formato de pé, fechado com anel ao meio, que vou acrescentar por ser exatamente igual. 
    Agora saber a fábrica onde este pintor M .A. DA ROCHA.  trabalhava?
    Museu Nacional Soares dos Reis
    Faiança século XIX atribuído a Porto ou Gaia
    Formato estranho , a base igual com pintura no pé  com grinalda com corações

    terça-feira, 6 de outubro de 2015

    Faiança OAL em memória da minha tia Clotilde Ferreira

    A escritura  da fundação da OAL data de 1927, sendo os seus sócios; Silvino Ferreira da Bernarda; António Vieira Natividade e Joaquim Vieira Natividade.A laboração da fábrica com seis operários, dois fornos, oito rodas de oleiro, um moinho de bolas para moer vidro e um motor de combustão interna de um cavalo de força.
    A dama da dedicatória bem podia ser a irmã da minha mãe com o mesmo nome...
    A fábrica foi implantada dentro do perímetro da antiga Cerca comventual, na margem direita do rio Alcoa.
    Dedicou-se no início da sua atividade ao fabrico de loiça de uso doméstico, produzindo peças que refletiam o uso Coimbrão. As peças eram decoradas pela técnica da estampilha, pela pintura à mão ou pelos dois processos em simultâneo.
    Em 1928 a fábrica dá início à produção de várias réplicas de louça antiga.
    Em 1935 apresenta algumas das suas melhores peças na exposição "Lisboa Antiga" e executa a sua centésima fornada.
    Em 1939 surgem as primeiras mulheres no quadro da fábrica.
    Em 1944 a instalação de um novo forno para incremento da produção.
    Em 1946 a sua fase de maior comercialização aliada às exigências do mercado de se criarem necessidades de transformação dos processos fabris.
    Adoptaram a faiança de pasta branca e a progressiva mecanização das instalações.
    Tive a sorte de ter encontrado dois pratos com quadras, marcados da OAL Alcobaça.
    Réplicas da "loiça ratinho falante ou com legenda, porque com quadras não conheço(?)"
    Com diâmetro:28 cm  cada
    Trata-se de uma reprodução da loiça ratinha na decoração, como motivo principal ostentam ao centro uma quadra popular, no caso assinada Silva Tavares.
    Analisando os dois exemplares este parece ser de fabrico anterior ao outro pela exuberância das cores primárias; verde cobre,ocre, azul cobalto e manganês.
    Este está impecável
    Outro prato decorado diferente do anterior , neste a quadra não tem assinatura, sendo a pintura do azul mais claro, julgo seja de fabrico posterior ao primeiro (?).
    Lamentavelmente este apresenta uma falta na aba, como se observa na foto, possivelmente teria uma aranha antiga de ferro que ao ser retirada por ter sido posta à medida, se não houver cuidado, acontece esta desgraça.

    Este tipo de decoração supostamente veio dar o mote mais tarde  nos anos 50 à produção de loiça mais fina com esmalte forte, quase berrante no azul, muitos de aba vazada, que se vendiam nas feiras e lojas de souvenirs.



    Fontes
    http://tempolivretoju.blogspot.pt/2009/03/olaria.html

    sexta-feira, 2 de outubro de 2015

    Fábrica de Alcântara com motivos do Porto; Torre dos Clérigos e Douro

    Encontrei um belo e raro prato em faiança industrial na feira de Pombal na banca do Sr Manuel. Já vendera uns quantos  a outro colega que me confidenciou vendera a bom preço na net, não sei se com marca, apenas ficou este e outro com "cabelo que deixei.
    Em tempos já perdera um igual na banca do Sr Pedro na feira de Belém, sopeiro, em tamanho pequeno, muito mais eloquente a decoração, pelo verde forte.Provável fabrico da marca L& C no período  dos finais de 1886 a 1901.
    O meu  prato apresenta-se decorado  a estampa em todo o centro com motivos da cidade do Porto; a torre dos Clérigos, a ponte D. Luís com o elétrico( hoje andante), o rio Douro com três caravelas e as caves de Gaia, uma varina e ramagens com flores que absorvem parte da aba.
    Pintado em monocromia verde seco mais aberto.
    Textura da massa porosa, esmalte opaco branco sujo(?).
    Muito decorativo
     Tardoz aparentemente sem marca, ou a terá impressa na massa ao centro, quase imperceptível
    A marca deveria ser esta referente ao fabrico por volta de 1930
    Fabrico de Alcântara, mas não é pesado.
    Agradeço a cortesia da visita e do elucidativo comentário, do Jorge Amaral, criador do Blog temático http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/, sem dúvida a chave mestra para fechar com sapiência o post, sendo que estava erradamente catalogado na Fábrica Real de Sacavém, embora na interrogativa.
    Ainda partilhei as duas marcas que ajudam a conhecer melhor a Fábrica de Alcântara.
    O meu bem haja pelo carinho da partilha gratuita!

    Fontes
    http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/

    Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

    Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...