sábado, 1 de agosto de 2015

Loiça azul porcelana China século XVIII

Erradamente dita loiça da Companhia das Índias, o nome da rota que a trazia do oriente para o ocidente, a loiça deve chamar-se, porcelana  da China.
"Foi com a primeira viagem de Vasco da Gama, que chegou a Calecute em 1498, contornando a costa africana e assim ligando o Mediterrâneo ao Índico oriental por via marítima, que os primeiros pratos de porcelana da China viajaram nos porões das naus da coroa portuguesa. “Vasco da Gama sabia do valor comercial desta louça – a pouca que chegava por terra e era vendida na Europa era para uma elite mesmo muito rica -, como sabia do valor da seda e das especiarias. Sabia ao que vinha e percebeu de imediato o valor comercial da porcelana. Foi o primeiro a trazê-la por mar.”
Na Idade Média, já havia pratos como estes a chegar à Europa mas vinham com a Rota da Seda, e eram depois distribuídos a partir de Alexandria e Veneza. Chamavam-lhes louça da Índia. “Depois, durante praticamente todo o século XVI, são os portugueses que a comercializam em grandes quantidades, procurando eliminar todos os intermediários e distribuindo-a pela Holanda, França e Espanha, mas também pela África Ocidental, graças às ligações de D. Manuel ao rei do Congo, e mais tarde pela América do Sul e Central. Este é o verdadeiro negócio da China.”
Um negócio que coloca pratos como estes à mesa da elite europeia, com os de maior dimensão como “peças de aparato”, usados em ocasiões de festa. “Esta porcelana é de grande qualidade e, por isso, não é de espantar que chegue até nós com estes vidrados impecáveis, praticamente sem falhas. Tem 500 anos de garantia.”
Com a porcelana nos porões, ao lado da pimenta ou da canela, as expedições portuguesas ao oriente fizeram a primeira globalização desta louça chinesa, uma globalização que abriu a porta a outra – a que levou às Américas, à África ocidental e ao norte da Europa, a partir do início do século XVII, a faiança produzida em Portugal mas feita “à feição de porcelana da China”.
Tacinhas que ofertei à minha filha; uma em grés, e mais quatro de tamanhos diferenciados, todas assinadas, um encanto, as desta época ÁUREA, século XVII(?) 
Em Azul sobre Ouro não há exemplares portugueses de faiança mas é simples estabelecer uma ligação entre essa produção e a colecção dos Lencastres, dando um pulo às galerias da exposição permanente inaugurada no Museu Nacional de Arte Antiga , Azul sobre Ouro, reúne 58 pratos de porcelana chinesa de uma colecção rara que pertence ao Palácio de Santos, casa de reis e da alta nobreza que desde o início do século XX pertence ao Estado francês, que ali instalou a sua embaixada. O acervo que tem 263 peças e que está habitualmente exposto de forma pouco convencional – encastrado num tecto piramidal com uma moldura em talha dourada – sai agora pela primeira vez do palácio, onde está há 330 anos. “O edifício teve obras estruturais entre 1667 e 1687 e a montagem data dessa altura”. “O que agora foi descoberto é que, muito provavelmente, a montagem da colecção foi feita no chão e só depois a pirâmide foi posta no seu lugar.” Os pratos, alguns com 500 anos, têm uma estrutura metálica a prendê-los ao tecto e estão “em, óptimo estado de conservação, sobretudo se tivermos em conta que sobreviveram a um terramoto”, diz uma responsável pelas colecções de arte oriental.
“Sabemos que os oleiros de Lisboa, mal chegam os primeiros pratos de porcelana por via marítima, começam a tomá-los como modelos”.
Mas, como o fabrico da porcelana (argila, com uma mistura de minerais - caulino e feldspato – e depois vidrada) permanece um segredo que missionários e comerciantes tentaram descobrir, em vão, durante muito tempo, as cópias que produzem são em faiança (barro fino vidrado)."
A cerâmica chinesa produzida após o século XVIII tem sido vista apenas como hábil imitação dos modelos antigos.
A minha penúltima aquisição loiça século XIX (?)
Duas tacinhas  em tamanhos diferenciados com os pires. No motivo cantão


Pratos produção século XVIII(?)
 Os meus singelos pratos de textura fina, leves. O típico motivo de cantão oitavado, impecável
 Motivo campestre e figurativo, apresenta ligeiro "cabelo", oitavado com recorte
 Motivo floral com rebordo recortado, ligeiras esbeiçadelas no rebordo

Fontes
http://www.publico.pt/

domingo, 19 de julho de 2015

Petúnias azul tucano no contraste Cantão China com o Popular de corações...

Hoje a praia não me inspirou para saltar da cama, fosse da ligeira dor de cabeça... No mercado do Monte de Caparica, convenci o meu marido a descer à Banática, para sentir o Tejo, a sua maresia.
Grande lamento, julgo, após o 25 de abril a margem sul foi vendida a grandes empresas de combustíveis e afins, que absorveram a frente ribeirinha do olhar e do prazer do cidadão comum, com placas " propriedade privada".Para pensar!
Não havia segurança no parque, saí do carro, ao longe senti gente por entre pedras  enegrecidas de musgos, junto do cais do Porto Brandão, na apanha de algum marisco, deleitei-me com a  encosta , debalde sem máquina para registo de momentos-, obelisco em argila que o tempo desgarrou da falésia, fiquei-me na apanha de petúnias trepadeiras-,  flores em azul  tucano, em olho rosa ciano, mal cheguei a casa não resisti pô-las junto dos meus pratos em cantão China, melhor mote para mostrar mais uma vez o nosso "cantão popular".
Desta feita uma bela travessa ovalada de rebordo recortado em tesoura relevado.
O desenho estende-se por todo o centro;  dos lados duas árvores  de folhagem caída alternada com outra com corações, que se inclinam para o pagode com tabuado entrançado, ao lado dois janelões de ombreiras curvas, como se fossem dois olhos, o telhado termina com um torniquete em ferro forjado (?)  ao lado outro pagode mais pequeno com cúpula e duas janelas com grades em cruzamento(?) sobre ponte com três arcos, rodapé de esponjados a meia tinta.

No tardoz dos pagodes  distribui-se uma árvore estilizada, araucária(?) entre os dois pagodes, folhas com o limbo, sequência de três montes (?) , aves(?) e riscados em ziguezague

 O rebordo em tesoura é fantástico
Tardoz, o covo em redondo
Esmalte  branco opaco, seria mergulhado em tina com uma solução esbranquiçada espessa(?).

Na minha coleção tenho outras peças mui semelhantes
 Travessa de formato  oitavada , mas de desenho muito semelhante
Prato de rebordo em tesoura, contudo difere em três pontos; apresenta um barco de formato igual à ponte com remadores de remos nas mãos, apenas apresenta uma árvore sem ponta do lado direito e é seguramente de fabrico bem mais antigo.


Pois a eterna dúvida, a origem da minha travessa!
Será produção do norte, com muita certeza pelos vários pormenores do desenho..

Darque  dado pela pista do rebordo, ou seja , outra boa fábrica nas imediações de Gaia (?) .
Atribuição aos finais do século XIX(?)

Contudo o artista pintor -, no caso que pintou as duas travessas, pelas semelhanças das folhas em corações, foi por certo um homem de afetos, jorna de trabalho árduo, em série, para a olaria faturar, teimou deixar o seu cunho de bom homem, alegre e romântico, nas suas peças. Coisa maravilhosa, além do talento juntou o amor, na sua arte.
Bem haja a um meu bom amigo, que me a vendeu.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Prato em faiança decorado em policromia de Coimbra(?)

Mais um prato em faiança muito decorativo.
Centro com pintura abstracta a estampa ou stencil em policromia; grená, verde seco esbatido, ao centro uma estrela de seis pontas em verde esbatido fechada num anel em manganês de onde irradiam oito "V" em grená e no meio de cada um losango a azul cobalto seguido de um largo filete em amarelo ocre.
Ao limite do covo uma dupla de filetes finos em azul claro e aba com estampa floral alternada em grená e verde esbatido e no limite do rebordo outro filete azul claro.
Esmalte branco, translúcido, craquelê


Fabrico início século XX (?)
Coimbra(?)

domingo, 28 de junho de 2015

Galheteiro mutilado do norte, Miragaia ou SAVP (?)

Um galheteiro em faiança belíssimo mas mutilado e muito!
Descobri-o no alto de uma prateleira num antiquário, cheio de gordura e sujidade, tantos os anos ali exposto, ainda com o preço em contos-, 50 ...
Ainda assim dei uma nota alta!
As casetas onde encaixam as galhetas do galheteiro apresentam do pé para o bojo um ligeiro achatamento ondulado, que lhe confere graça.
Não sei se as casetas laterais:pimenta e sal tinham tampas?.
Ao meio levanta-se a haste da pega do galheteiro decorado a cartelas com riscas em azul e esponjado em manganês, a pega em branco, arcada  em oval , com ligeiro achatamento ao meio de onde irradiam pinceladas airosas  sendo duas maiores que as demais.
Os pés das casetas, as grandes, onde a peça assenta.
Atendendo às cores, desenho e o rebordo em azul pontiagudo do saleiro  e pimenteiro a imitar um modelo inglês, que foi copiado também por Gaia .
Decoração pintada a dois tons;azul e manganês aguado
As casetas do sal e pimenta debruadas a pintura pontiaguada usual na Afurada e Vilar de Mouros.
Motivo decorativo; casario diverso, sendo um com uma cúpula com altas janelas e por cima a ombreira em meia lua, como se fosse um olho com a sobrancelha,  ladeado por vegetação tipo palmeira e  diversa sob rodapé e envolvente, com aves.
As galhetas mutiladas, sem asas, bicos esfacelados, só uma tampa, em muito mau estado.
A decoração  das casetas do galheteiro repete-se nas galhetas.
O bico é decorado com um filete azul e na frente do bico irradia como se fosse lume.
 O pé das galhetes
 Arrepiados nos esmalte do pé

 O que foi uma tampa, decorada com fino filete em azul ao limite do rebordo e a pega em manganês
Merecia ser restaurado, o problema é que tenho em restauro 3 peças e já lá vão mais de 2 anos...
E há dificuldade em encontrar bom trabalho a preço acessível.
O vendedor vendeu-mo como sendo Miragaia. Balanço a possibilidade de ser SAVP (?). Peça de molde e as galhetas feitas à roda, a pintura do manganês mostra-se arrepiada (na pega da tampa é bem visível), e pelo barro ligeiro em cor rosada( por não terem no norte barro branco, vinha de Lisboa e outras proveniências, misturavam com vermelho que era abundante na região, por isso os arrepiados de matérias plásticas que se notam no pé das galhetas).
Fabrico do norte com certeza do início século XIX (?).
Foi restaurado, gostei do trabalho.
  Encontrei na net esta terrina de pintura semelhante

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Decoração com pentágono e floral na faiança de Coimbra(?)

Mais um prato de faiança com decoração a meias ondas em jeito de pentágono central, a meio tinta azul/arroxeada, dividido por cartelas de filetes grossos da mesma cor, e nelas ramos em verde ervilha com flor escarlate. 
 No limite do rebordo um filete fino escarlate seguido de esponjado a meias luas a meia tinta azul/arroxeada
Produção de Coimbra(?). Finais século XIX, início de XX

Tardoz de bom esmalte.A foto não reflete o ligeiro amarelo canário que muita faiança Coimbrã se revela em transparência no tardoz, sinónimo da mesma técnica de fabrica de determinada época.
 Ficou na parede, claro destronou outro!
 Outros pratos da minha coleção com a decoração em forma de pentágono

terça-feira, 9 de junho de 2015

Faiança com casario de Coimbra a castanho gordo (?)

Prato ao centro decorado com casarios com telhados normais e um de cúpula, vegetação   alta e rasteira e nuvens . 
Rodapé  a cheio em aguada com vegetação rasteira.
Dos lados duas pinceladas altas que marcam  a decoração, foram mais tarde copianço no norte e em Aveiro. 
Entre o covo e a aba um fino filete a castanho e um duplo antes do rebordo seguido de um a cheio a azul alecrim.
Pintura a castanho gordo com aguada, onde se assinalam pinceladas fortes a marcar o desenho
 Tardoz em esmalte amarelo escuro
Fabrico de Coimbra (?), finais do século XIX,  início século XX.
Também não lhe falta o "buraquinho" para ser pendurado, um uso muito enraizado na região centro.
Na banca tenho outro de cariz semelhante, suposto pagode com arvoredo a duas cores:castanho e preto.

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...