sábado, 25 de abril de 2015

Prato de faiança inspirado no motivo " roselle" a dois tons, Coimbra ou Vilar de Mouros(?)

Apresento mais um prato motivo inspirado no "Roselle" (na foto reproduzido num prato de Alcântara)
pelo esguio  casario ladeado por árvores.
O meu prato apresenta ao centro  um casario, aves, caules das árvores, arbustos e rodapé, em forma de barco, pintado no tom rosa sendo as ramagens das árvores a ladear, no tom verde, limitado por filete ao limite do covo de cor rosa.
A aba com arabescos vários em tom verde limitados ao limite do rebordo por filete rosa.
 Esmalte em tom cor de grão.
Atribuição a finais do século XIX (?) início de XX.
Local de produção?Busílis. Por ainda nada ou pouco se saber da produção de Vilar de Mouros, aguarda-se a todo o momento a mostra dos fragmentos, que uma família guardou durante anos, para vir à luz uma veracidade que até hoje é ainda obscura, apenas se sabendo que copiaram o que se produzia em Coimbra e nas cores; rosa, verde e castanhos.
Na net encontrei peças em termos de comparação com atribuição a Coimbra (?). Mas esta terrina é por certo fabrico de Alcobaça!
O vendedor atribui  erradamente fabrico "Mira Gaia"...

Terrina do meu amigo Arlindo Bento será  Alcobaça ou Vilar de Mouros(?) pelo esmalte cor de grão e as duas tonalidades que na foto se percebe mal, a casa tem uma cor amarelada no contraste do resto em castanho.
Na net descobri este açucareiro atribuído a Coimbra ou Vilar de Mouros (?). 
O tom  verde ervilha foi inventado por Vandelli em Coimbra .Nesta peça a  dois tons tal como na terrina acima.
 Tenho um igual com motivos florais com a mesma asa em forma de "M".
Prato  de produção norte, Vilar de Mouros(?), com muita certeza, pelo esmalte e os filamentos finos de ligação dos ramos das árvores e das flores e da bordadura floral da aba.

Prato da minha coleção, o esmalte tipo porcelana e o manganês belíssimo na contra luz é brutal o brilho pode aventar norte(?).
Vejam-se as semelhanças das gavinhas de ligação na folhagem do meu prato com  a árvore atrás do casario.
Travessa da minha coleção com muita certeza produção de Gaia, Pereira Valente  ou Devezas(?), muita gente desconhece que se pintou em cor de rosa no norte, só reconhecem em geral o tom azul.
O mesmo esta malga que me foi oferecida pelo Sr Raul Abrantes
Coleção Dr. Luís Pereira Sampaio de  José Reis de Alcobaça
Travessa atribuída a Vilar de Mouros(?)
Sendo que este motivo foi com algumas alterações pintado por vários centros oleiros desde o centro, nomeadamente em Coimbra, Alcobaça, Aveiro e norte em Gaia, acredito noutros centros oleiros, que deles nada se fala, sediadas na cercania compreendida entre Braga e Barcelos.
 Tardoz
Em comparação na mesma parede com outro muito semelhante pintado a monocromia só em verde e o rodapé em esponjado a bicos, se revela diferente.
Acredito que os meus dois pratos saíram da mesma olaria, supostamente pintados por pintores diferentes. Os detalhes da pintura, nomeadamente das ramagens a cheio, encorpadas em ondas.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Massarelos em prato publicitário a loja da Rua da Assumpção 20 Porto

Um prato em azul e branco da Fábrica de Massarelos que encontrei numa banca de um colega na feira de Páscoa, de Figueiró dos Vinhos. Homem cortez, deixou-me fotografar e ainda me disse que pertenceu a um comandante, a quem comprou um recheio de imensos livros e loiças diversas que vendeu a colegas, desde VA azul e,...Por o seu negócio ser livros, acabou por se aperceber que as vendeu abaixo do preço, pela antiguidade e pela louca procura  por parte de outros colegas, restando este prato gateado e esbeiçado no rebordo-, na desforra pedia 40€ ... 
O motivo central apresenta a estátua equestre  de D. Pedro IV e a aba ricamente decorada com medalhões dedicados a ilustres portugueses: Vasco da Gama; Infante D.Henrique; Pedro Alvares Cabral com reservas de pinhas com crista floral, em alternância de monumentos da cidade do Porto: Ponte D. Luís; Palácio da Bolsa, Torre dos Clérigos e a Estação de S. Bento(?).

Os medalhões divididos por reservas de contas
 
Tardoz com símbolo circular alusivo a uma casa na Rua da Assumpção, 20 Porto, o "gato" eliminou o nome da loja...O que evidencia ser um prato publicitário da loja(?).
 A marca impressa na pasta nitidamente PORTO e .....relos.
Esmalte craquelê.
No final da feira vinha a correr o colega e diz-me, olhe apareceu um conhecedor de faiança, diz que o prato é Massarelos. Pois é, mas eu não me lembrei!
O referido conhecedor que logo adivinhei de quem se tratava, antes no meu estaminé de chão, pergunta-me se a molheira  branca com filetes laranja era VA ou Sarreguemines?

Se não estivesse marcado não aventaria produção de Massarelos, a primeira fábrica industrial de faiança em Portugal, com peças de alto requinte e pintura, esta peça uma delas, apesar do  estado merecia honras de Museu!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Prato de faiança em monocromia azul com gomil e arranjo floral

Postei estas fotos no face antes da Páscoa com o comentário" Já me sinto bem melhor e com energia, foram uns dias com muita acidez no estômago, só a dieta, chá de erva cidreira e o saco quente me salvaram, apesar do pecadito de véspera em que se celebrou o dia do chocolate e claro, acabei o bolo que tinha feito no domingo...Melhorzita apeteceu-me vadiar, desfrutar do sol  e, para arejar as vistas fui espreitar uma loja onde em tempos vi este prato completamente assassinado-, foi partido e colado, mas para não se notar, foi selvaticamente pintado-, uma lástima total, ainda assim caro na primeira vez que o vi. Perguntei de novo o preço, sendo francamente bastante favorável que não hesitei em o trazer comigo. "
Imaginem o que senti com a camada de tinta em redor do desenho ao centro, até julguei que a pintura teria sido para tapar a falta de esmalte...(que estivesse gasto, pelo uso, prato galinheiro, debalde nada disso...)
Foi limpo com bastante acetona.Feliz e vaidosa não resisto na  sua partilha. Meti mãos à obra, só depois me lembrei de fotografar...
Nota-se bem a pintura selvática do ignóbil e vil que o adulterou, devia no mínimo ter partido um dedo-, tamanha raiva vomitada aqui em  farta gárgula!
 
Depois de limpo se revelou ser bem outra coisa!
Um belo prato em pintura monocromática azul clara.

  O tardoz brilhante com transparência do azul cobalto
 
O centro do prato apresenta-se com um gomil a fazer de jarra com flores limitado no covo por fino filete.
O antes e o depois
A barra apresenta-se limitada por filetes com ramagens de flores enlaçadas em cordão de filetes em onda no feitio de "S" intermediados com bolas a cheio

 Feliz depois de o limpar e redescobrir tamanha beleza.
 Contrastes com semelhanças em outras peças
Prato que encontrei no OLX com muita semelhança na decoração da barra , só a tonalidade de azul é bem diferente.
Em tempos fiz um post com o mesmo motivo -, do gomil
http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt
A curiosidade neste pratinho além do gomil é o frete do pé em redondo o que evidencia fabrico em fábrica industrial, mais tardio que o prato acima produzido em olaria. Um dia destes faço um post com peças com este frete
Uma foto retirada da net com dois gomis, atribuído a Coimbra 
Um mês depois comprei outro com o mesmo motivo ao centro e rebordo recortado
Pois já encontrei peças com atribuição a Coimbra no mesmo motivo com rebordo liso e recortado.
Pois o meu bonito e gracioso prato me parece ser do primeiro quartel do século XIX (?) quando apareceram as estampas vindas de Inglaterra, anos 20?.
Quanto à sua proveniência em termos de fabrico, atrevo-me a dizer sem cometer a loucura de aventar o norte, com barro vindo de Lisboa que aportava em fartura em Gaia ou Coimbra. 
E porquê? Porque foi usado barro branco ligeiro amarelado) que se nota bem na frente onde partiu.
Como nota introdutória "as argilas têm significados diferentes para diferentes grupos de pessoas. Para o agricultor as argilas são o ambiente mecânico e químico onde a maioria das plantas cresce. Para o ceramista são a matéria prima das suas obras, há mais de 4 mil anos. Para o editor, conferem a suavidade à superfície do papel em impressões de alta qualidade. Como fim médico, podem ser um alívio para a diarreia, e para o sondador, são um componente das lamas de perfuração. Para a maioria das pessoas representam apenas a incómoda lama nos sapatos. Já na área da geologia, o termo argila pode ter vários sentidos."
Por hora fico-me a sonhar que é de Coimbra(?).

 Tive de retirar outro prato para novo poiso...
Coloquei o prato na parede da sala, na sua companhia mais cinco todos atribuídos a norte (?).
Seja pelo esmalte lácteo e o azul cobalto desmaiado com transparência no tardoz  denota ser fabrico de uma boa fabrica de Gaia, que pode ser desde Miragaia a SAVP, ou outra congénere que dela infelizmente não se fala assiduamente nesta temática -, cuja tamanha culpa é de nunca ter havido gente que lhe desse a devida  importância como se apraz aos nossos olhos aos dias d'hoje infelizmente constatar.

Claro que valeu a teimosia de voltar e sem receio o trazer comigo!

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...