sexta-feira, 17 de abril de 2015

Massarelos em prato publicitário a loja da Rua da Assumpção 20 Porto

Um prato em azul e branco da Fábrica de Massarelos que encontrei numa banca de um colega na feira de Páscoa, de Figueiró dos Vinhos. Homem cortez, deixou-me fotografar e ainda me disse que pertenceu a um comandante, a quem comprou um recheio de imensos livros e loiças diversas que vendeu a colegas, desde VA azul e,...Por o seu negócio ser livros, acabou por se aperceber que as vendeu abaixo do preço, pela antiguidade e pela louca procura  por parte de outros colegas, restando este prato gateado e esbeiçado no rebordo-, na desforra pedia 40€ ... 
O motivo central apresenta a estátua equestre  de D. Pedro IV e a aba ricamente decorada com medalhões dedicados a ilustres portugueses: Vasco da Gama; Infante D.Henrique; Pedro Alvares Cabral com reservas de pinhas com crista floral, em alternância de monumentos da cidade do Porto: Ponte D. Luís; Palácio da Bolsa, Torre dos Clérigos e a Estação de S. Bento(?).

Os medalhões divididos por reservas de contas
 
Tardoz com símbolo circular alusivo a uma casa na Rua da Assumpção, 20 Porto, o "gato" eliminou o nome da loja...O que evidencia ser um prato publicitário da loja(?).
 A marca impressa na pasta nitidamente PORTO e .....relos.
Esmalte craquelê.
No final da feira vinha a correr o colega e diz-me, olhe apareceu um conhecedor de faiança, diz que o prato é Massarelos. Pois é, mas eu não me lembrei!
O referido conhecedor que logo adivinhei de quem se tratava, antes no meu estaminé de chão, pergunta-me se a molheira  branca com filetes laranja era VA ou Sarreguemines?

Se não estivesse marcado não aventaria produção de Massarelos, a primeira fábrica industrial de faiança em Portugal, com peças de alto requinte e pintura, esta peça uma delas, apesar do  estado merecia honras de Museu!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Prato de faiança em monocromia azul com gomil e arranjo floral

Postei estas fotos no face antes da Páscoa com o comentário" Já me sinto bem melhor e com energia, foram uns dias com muita acidez no estômago, só a dieta, chá de erva cidreira e o saco quente me salvaram, apesar do pecadito de véspera em que se celebrou o dia do chocolate e claro, acabei o bolo que tinha feito no domingo...Melhorzita apeteceu-me vadiar, desfrutar do sol  e, para arejar as vistas fui espreitar uma loja onde em tempos vi este prato completamente assassinado-, foi partido e colado, mas para não se notar, foi selvaticamente pintado-, uma lástima total, ainda assim caro na primeira vez que o vi. Perguntei de novo o preço, sendo francamente bastante favorável que não hesitei em o trazer comigo. "
Imaginem o que senti com a camada de tinta em redor do desenho ao centro, até julguei que a pintura teria sido para tapar a falta de esmalte...(que estivesse gasto, pelo uso, prato galinheiro, debalde nada disso...)
Foi limpo com bastante acetona.Feliz e vaidosa não resisto na  sua partilha. Meti mãos à obra, só depois me lembrei de fotografar...
Nota-se bem a pintura selvática do ignóbil e vil que o adulterou, devia no mínimo ter partido um dedo-, tamanha raiva vomitada aqui em  farta gárgula!
 
Depois de limpo se revelou ser bem outra coisa!
Um belo prato em pintura monocromática azul clara.

  O tardoz brilhante com transparência do azul cobalto
 
O centro do prato apresenta-se com um gomil a fazer de jarra com flores limitado no covo por fino filete.
O antes e o depois
A barra apresenta-se limitada por filetes com ramagens de flores enlaçadas em cordão de filetes em onda no feitio de "S" intermediados com bolas a cheio

 Feliz depois de o limpar e redescobrir tamanha beleza.
 Contrastes com semelhanças em outras peças
Prato que encontrei no OLX com muita semelhança na decoração da barra , só a tonalidade de azul é bem diferente.
Em tempos fiz um post com o mesmo motivo -, do gomil
http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt
A curiosidade neste pratinho além do gomil é o frete do pé em redondo o que evidencia fabrico em fábrica industrial, mais tardio que o prato acima produzido em olaria. Um dia destes faço um post com peças com este frete
Uma foto retirada da net com dois gomis, atribuído a Coimbra 
Um mês depois comprei outro com o mesmo motivo ao centro e rebordo recortado
Pois já encontrei peças com atribuição a Coimbra no mesmo motivo com rebordo liso e recortado.
Pois o meu bonito e gracioso prato me parece ser do primeiro quartel do século XIX (?) quando apareceram as estampas vindas de Inglaterra, anos 20?.
Quanto à sua proveniência em termos de fabrico, atrevo-me a dizer sem cometer a loucura de aventar o norte, com barro vindo de Lisboa que aportava em fartura em Gaia ou Coimbra. 
E porquê? Porque foi usado barro branco ligeiro amarelado) que se nota bem na frente onde partiu.
Como nota introdutória "as argilas têm significados diferentes para diferentes grupos de pessoas. Para o agricultor as argilas são o ambiente mecânico e químico onde a maioria das plantas cresce. Para o ceramista são a matéria prima das suas obras, há mais de 4 mil anos. Para o editor, conferem a suavidade à superfície do papel em impressões de alta qualidade. Como fim médico, podem ser um alívio para a diarreia, e para o sondador, são um componente das lamas de perfuração. Para a maioria das pessoas representam apenas a incómoda lama nos sapatos. Já na área da geologia, o termo argila pode ter vários sentidos."
Por hora fico-me a sonhar que é de Coimbra(?).

 Tive de retirar outro prato para novo poiso...
Coloquei o prato na parede da sala, na sua companhia mais cinco todos atribuídos a norte (?).
Seja pelo esmalte lácteo e o azul cobalto desmaiado com transparência no tardoz  denota ser fabrico de uma boa fabrica de Gaia, que pode ser desde Miragaia a SAVP, ou outra congénere que dela infelizmente não se fala assiduamente nesta temática -, cuja tamanha culpa é de nunca ter havido gente que lhe desse a devida  importância como se apraz aos nossos olhos aos dias d'hoje infelizmente constatar.

Claro que valeu a teimosia de voltar e sem receio o trazer comigo!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Travessa floral atribuição a Coimbra(?)

Formulo votos de uma Santa Páscoa a todos os meus visitantes com amores perfeitos amarelos na feira de velharias do Montijo!
Podia ter feito outra escolha, a decisão coube a esta travessa com flores e ramagens da minha terra.
Uma peça grande.Apresenta-se decorada a flores rosa, com olho verde, ligadas por folhagem a dois tons;azul claro e azul escuro. O esmalte em tom amarelado de rebordo recortado nos cantos.
Sem marca. Grande probabilidade de fabrico de Coimbra(?), atendendo ao esmalte, decoração, recortes na aba. Atribuição ao  século XX, sem dúvida.
 Tardoz com três "gatos". Interessante  as nervuras que se vêem na elevação do covo para a aba.
 
Outro prato decorado com a mesma decoração.
 Assim ficaram juntos na estante.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Faiança motivo Willow em tom verde esbatido arrevesar dourado

Hoje apresento um prato no motivo Willow (ou pombinhos) vastamente reproduzido na loiça inglesa e em Portugal nas fábricas; Sacavém, Massarelos; Gaia; Coimbra, Aveiro e,...
O mais estranho é a pintura monocromática numa tonalidade dissimulada entre o verde arrevesar dourado, com aguada.
Pela textura da massa, esmalte cor de grão e pela cor, supostamente a sua atribuição de fabrico seja Coimbra(?), na verdade jamais vi este motivo assim exatamente igual em faiança, antes outros em tudo bem diferentes. Possível atribuição aso finais do século XIX início de XX(?).
Por isso quando o encontrei quis logo comprar-, vale pela diferença seja a beleza no contraste.
Na parede
Ao centro o motivo Willow bem definido e caraterizado-, onde não falta o pagode, as árvores; salgueiro, pessegueiro, e a conífera junto do pagode, a ponte, o barco  e os pombinhos , tudo rodeado por filete fino antes do limite do covo. A aba com cercadura floral e folhagem enlaçada em grinalda com laçinhos.
Já deixei de vender um prato impecável por ter um "buraquinho" na aba...o que revela, apesar do direito que se reserva a qualquer um de nós na apreciação das coisas-, mas no caso incultura do nosso povo, porque é retrato da vida de antigamente de pobreza em que as famílias tinham muito pouca loiça e a penduravam, porque não tinham armários, ainda outros o levavam às costas para o trabalho, e nele comer o frugal farnel.
Conseguem perceber o "buraquinho" na aba?
Curiosamente tenho várias peças assim em loiça de fabrico da região centro do País, terá sido o "buraquinho" carateristica de uso das  suas gentes?
Tampa da minha coleção de terrina inglesa no mesmo motivo
Descobri http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/2015/01/travessa-em-faianca-fabrico-do-norte.html
Travessa em Cantão Popular, pintada a dourado, quando 99,9% do motivo foi pintado em azul e branco. 
No entanto na zona de Aveiro, houve uma fábrica- , S. Roque que se atreveu  na criatividade em pintar o motivo em amarelo  ocre e preto, supostamente porque em Coimbra se pintou  num tempo de antanho em dourado (?).
Prato da minha coleção
O tardoz  do prato de hoje em mostra apresenta-se em esmalte amarelado, muito brilhante, tal como na frente que as fotos não conseguem revelar...
Em Coimbra com a chegada do químico italiano Vandelli pela mão do Marquês de Pombal, a palete de cores na faiança  foi acrescentada a partir das quatro primárias: verde cobre, antimónio, azul cobalto e manganês .
Nasceram cores como : dourado, verdes como o  ervilha, vermelho e carmesim, laranja, preto, castanho e amarelo canário e ocre.
Contraste com outras peças da minha coleção atribuídas a Coimbra.
Na parede  um prato grande com bordadura a dourado atribuído a Coimbra, e o agora apresentado em tonalidade verde desmaiado que se confunde pelo brilho em quase dourado.
 O mesmo  na tonalidade nesta pequena terrina também atribuída a Coimbra
Grande prato com cercadura floral em dourado
















Fontes:
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/2015/01/travessa-em-faianca-fabrico-do-norte.html;
Fotos do google

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...