quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Floreiras das Caldas de Maria dos Cacos ou Manuel Mafra (?)

"Detentora de uma assinalável e antiga tradição, a cerâmica caldense é conhecida documentalmente desde final do século XV, época da fundação da vila e da construção do seu Hospital (o primeiro no mundo a tirar partido da acção terapêutica das águas) e os conhecimentos que temos dessa cerâmica, foram veiculados, por Frei Jorge de S. Paulo, cónego lóio, provedor do Hospital Termal e autor da história da Fundação do Real Hospital até 1653, redigida cerca de 1656, no qual assinala a existência de boa matéria-prima em Caldas da Rainha para a laboração de louça, “barro tão perfeito que serve de matéria para se obrar grande cantidade de louça vidrada, todos os anos”.
O autor deixa ainda perceber as principais tipologias de louça produzidas em Caldas, desde as mais simples, para abastecimento do Hospital e da Vila, às mais requintadas, “(...) e da verde se fazem peças de estremados feitios, recebem tal lustre e polimento como espelhos e brilhão como esmaraldas sem que lhes levem vantages seus resplendores...”.
 "Louça apreciada pela família real, por nobres e cortesãos que a adquiriam e levavam consigo para a corte “(...) toda a pessoa de porte faz seus empregos nestes aprazíveis brincos quando se partem levando-se para a corte e a Casa Real, onde se apresentou à Rainha D. Luísa, no ano de 1653, uma caçoula de tão peregrino artificio que estimou como se fora obrada nos metais da maior estimação (...)”. 
Exemplares da cerâmica antiga das Caldas revelam-nos o seu carácter especial. A mais humilde peça de olaria ostenta sempre algum elemento decorativo que embeleza a sua utilidade. As bilhas são rodeadas de círculos simples ou decoração que pode ser com uma grega gravada ou relevada no barro, ou um fino sulco, os potes com caneluras em redor do bojo e boca e especialmente os vidrados, amarelo ferro, verde chumbo, verificando-se a existência de peças já ornamentados com motivos relevados de carácter erudito, como rosetas e mascarões, de influência renascentista e oriental e que se destinavam a uma clientela mais exigente." 
"Manuel Cipriano Gomes, conhecido como "o Mafra" por ter nascido naquela localidade, veio  para as Caldas, trabalhou com a mítica oleira Maria dos Cacos e acabou  por ser o seu sucessor tendo ficado com a sua oficina a partir de  1850. 
Dez anos depois, Mafra fundou a sua própria fábrica e começa a produzir peças sob influência do neopalissismo europeu (produzindo peças inspiradas na natureza como tinha feito o ceramista francês da Renascença, Bernard Palissy). Esta tendência influencia  a cerâmica na Europa, na segunda metade do século XIX e Mafra vai juntar a esta tendência características específicas, reproduzindo a natureza desta região nas suas obras.

Em 1870, o ceramista frequenta a corte de D. Fernando II e “recebe autorização para usar a coroa real nas suas marcas fabris”, disse a investigadora. Passa a assinar M.Mafra/Caldas/Portugal e com o desenho da coroa real.
Como teve contacto com produções europeias da colecção real e de outros coleccionadores, começa também a introduzir técnicas que constata nessas obras mais modernas: a policromia e ainda a técnica do musgado.  A partir de então Mafra participa em exposições internacionais. A primeira foi em Viena de Áustria, onde recebe uma medalha de mérito. Na exposição Internacional de Paris em 1878 e na do Rio de Janeiro que se seguiu, recebeu medalhas de prata.
O Inquérito Industrial de 1881 refere-se ao ceramista como “O Palissy das Caldas”
Mafra obteve sucesso internacional, mas segundo a oradora, “trabalhou de forma  intensa e não teve tempo para fazer a sua própria divulgação, consumindo a sua vida numa obra que lhe sobrevive, imortalizando-o”.
Uma das marcas de mafra


Comprei duas floreiras na mesma banca onde haviam outros objetos oriundos da mesma casa "uma jarra de altar, dois bules e outro minúsculo, todas as peças na mesma cor" não marcadas, como sendo obra do Manuel Mafra. 
Podem ser. Dúvidas se a Maria dos Cacos, já produzia cerâmica relevada?
Uma coisa é certa são das Caldas da Rainha, e muito antigas. Possivelmente do inicio quando  o Mafra se chegou a Caldas e começou a trabalhar com a Maria dos Cacos(?).
Lamentável o colega que as adquiriu  por terem estado anos e anos perdidas nalgum sótão arrecadadas, o seu estado, ainda se nota nos relevos mais baixos, de patine esbranquiçada pelo pó  e humidade no tempo.
Decidiu em as limpar com produto que lhe conferiu brilho, mas se nota nas flores, como se fosse verniz, acredito as pétalas partidas o foram agora na limpeza...
Isto para dizer que não houve cuidado exigido, apenas pensaram em ganhar dinheiro.
Floreiras aparentemente grosseiras, de bordo em círculos relevados, ligeiramente picotados, apresentam no bojo um par de anjinhos relevados , um de cada lado, de braço no ar, segurando a flor  em cor laranja, as floreiras terminam em bico saliente como se fosse um pináculo, pintadas em monocromia castanha, típica no vidrado das Caldas incrementada pelo Mafra.Não sei como a obtinha, porque não sendo compacta, ao jus do esponjado com muito brilho.
Sem qualquer marca
Peças utilitárias  de cariz ingénuo, usadas em decoração de oratórios em casa, ou nas tabernas.
A Maria dos Cacos não assinava as peças.
 Apesar de peças sóbrias exalam beleza rara.
Foi o meu marido que primeiro olhou as peças inclinando-se para me oferecer a jarra de altar, oferta que declinei por a achar maior do que o habitual, e tendo já outros exemplares, decidi-me pelas floreiras para colocar junto do meu oratório.

Mafra e Bordalo
"Só que Manuel Mafra, apesar de reconhecido internacionalmente, representado em exposições internacionais em Paris (duas vezes), Viena, Filadélfia, Londres e Rio de Janeiro, sendo premiado e exportando largamente as suas peças, era um autor protegido por D. Fernando II pelo que “sofreu um apagamento injustificado enquanto artista, face à figura e obra de Rafael Bordalo Pinheiro”, contou a oradora.Este facto deu-se porque Mafra e Bordalo representavam mundos opostos e a novidade e a forma de ser de Bordalo acabaram por deixar na sombra as criações daquele antecessor. No entanto, Cristina Horta classifica a obra cerâmica de Mafra como “extraordinária”, acrescentando que esta “viria a ser a principal inspiração da produção que Rafael Bordalo Pinheiro viria a realizar na Fábrica de Faianças”.
"A investigadora deu a conhecer como se relacionaram e confrontaram  estas duas grandes figuras da cerâmica caldense e nacional: Manuel Mafra foi o pioneiro e introdutor da cerâmica artística em Caldas, enquanto que  Rafael Bordalo Pinheiro, “detentor de um percurso artístico conhecido e atraído pela cerâmica artística modelada nas Caldas, veio a adoptar o estilo na maior parte da obra cerâmica que desenvolveu na sua fábrica”.No querer conferir a Manuel Mafra “a sua tão merecida dimensão, bem como o reconhecimento tardio de um autor, cuja obra tem sido, até aos dias de hoje, mais requisitada no estrangeiro do que no seu país”.

Fontes:
http://www.gazetacaldas.com/43665/manuel-mafra-foi-o-ceramista-precursor-abafado-pelo-mediatismo-de-bordalo-pinheiro/

http://www.dezenovevinte.net/800/tomo3/index_arquivos/Oitocentos%20Tomo%203%20-%2011.pdf

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Lembrança do Papá num pratinho de Massarelos/Lusitânia

Pratinho "Lembrança do Papá"
Singelo de esmalte craquelê em branco opaco com desenho e legenda a preto.
A graça da menina de vestido e botins com o chapéu aberta à chuva...
Faz lembrar a celebre canção "Dançando na chuva"
Quando o comprei há tempos em Setúbal por se mostrar assim simples  li erradamente "Lembrança do Papa"...por não me soar bem com mais atenção reparei no acento que altera papa para papá...
Marcado com o carimbo  verde da coroa de Massarelos, no tempo que a fábrica trabalhou em parceria com a Lusitânia. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Réplica século XVII da Fábrica Viúva Lamego

Em jeito de endereçar votos de Boas Festas para todos os visitantes apresento um prato da Fábrica Viúva Lamego, anos 64, a fazer fé na data impressa no tardoz, ainda produzido na antiga fábrica sita às Laranjeiras em Lisboa, onde depois viria a ser construída a Universidade católica. Tenho um amigo com mais de 60 anos que viveu nas imediações e com os colegas brincavam à volta dos buracos (barreiros) de onde extraiam o barro vermelho para uso no fabrico.
Dedicou-se tal como outras congénitas a fazer reproduções de decorações de séculos anteriores ao género deste que retirei do Livro de cerâmica de Coimbra, século XVII..
Fragmento de faiança encontrado em Torre de Mocorvo pelo meu amigo Prof. Arnaldo Silva  atribuído a Coimbra, com rendas.

O prato apresenta-se pintado a duas cores:azul e vinoso, sendo que o centro encerra um coração trespassado, com floreados em cima e rodapé, o início da aba  é decorado por um conjunto de três filetes em balancé , sendo o primeiro e o último em azul e o do centro a vinoso que na aba se abrem  sobre eles rendas a azul e vinoso.O rebordo em filete azul.

Que este coração vos encha de alegrias na saúde com bons olhos para derreter pestanas em boa faiança portuguesa, são os meus votos

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Palangana com flores esponjadas em loiça "ratinho"

Acabei de jantar, eis a surpresa  doce -,num ápice foi ultrapassada a barreira dos 200.038 visitantes.
Comovida, quase sem palavras, bem hajam a todos os que me contemplam na cortesia deste blog. Independentemente de algumas vezes zangada e desiludida, nunca deixei de cumprir o propósito a que me propus no compromisso da divulgação e partilha de peças em faiança, cerâmica, vidro, eventualmente madeira, lata e outras, objetos a que hoje muitos chamam artigos vintage.
Elevando o pensar em Simone de Beauvoir " O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação".
Porque nesta vida todos somos confrontados com inúmeros caminhos durante o nosso percurso terreno, e temos de escolher!
Só que umas vezes acertamos, outras não.
Mas o importante é que somos nós a escolher e nós a viver do que gostamos!
Palangana "ratinha" com 37 cm de diâmetro.
Uma grande possibilidade ter servido de comedouro de galináceos, por isso picada no vidrado no covo.
Apresentava uma racha larga na aba com uns milímetros. A textura da massa pela antiguidade e diferenças de temperatura abriu e não fechou, apesar de ter estado em água mais de uma semana, mas não cedeu, foi colada e depois cheia.
Apresenta-se com uma espiral fechada ao centro em tom manganês circundada por dois filetes finos da mesma cor ao nível do covo, aba carenada,  que se abre larga, ornada a flores em  manganês esponjado de olho amarelo antimónio que se ligam em  repetição em "S" azul forte,  entre elas irrompem semi círculos em verde cobre e amarelo . O rebordo é delimitado por filete fino manganês.
Fabrico de Coimbra,  finais do século XIX, início de XX (?).
Tardoz com arrepiados e muitos buraquinhos por o barro  mais vermelho menos rolado que o branco conter muitas matérias plásticas.
O maior exemplar da minha coleção de "ratinhos", entre bacias, alguidares e covilhetes.
Neste tempo de festa e muita felicidade com o nascimento do meu querido neto Vicente, as alpargatas de lã artesanal , que vieram do Nepal-, das férias que a mãe ao saber da gravidez adiou, e a amiga  que vai ser madrinha lhe trouxe, ao olhá-las a graça ao lembrar os ratinhos, que também os há de bigodes...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Travessa em faiança aba relevada fabrico Devezas (?)

Encontrei por acaso num estaminé de chão  na feira da ladra esta travessa que me foi vendida por duas amigas que faziam dinheiro, era pertença da mãe.
  • Não que fosse importante comprar, não foi paixão, mas o costume para a estudar.
Apresenta-se com a aba dividida em cartelas relevadas e rebordo ondulado.
Esmalte do vidrado muito brilhante e branco translúcido pelo uso do chumbo.
Motivo floral central  com flores de hebísco em destaque, rodeado de outras em azul, de linho, ornado com folhas de agrião, pintadas em vermelho, em vez de verde.
Há anos comprei esta travessa com a aba martelada(?) também em cartelas, mas diferente da hoje apresentada, ainda assim inovadora e semelhante, e com isso a dúvida do seu fabrico ser Coimbra ou norte (?).Com o passar do tempo o fabrico a Coimbra foi aposta pela elegância da pintura, da folhagem fina azul, e das pintinhas em preto que saem da flor -, a dúvida persistia na cor do vidrado que me catapultava para a fábrica Cavaco (?) -, mas depressa percebi que teve haver com a alta temperatura da cozedura, até porque se nota ligeira diferença da pintura da aba no contraste do vidrado do bojo, o mais certo.
Esta será fabrico de Coimbra ou norte (?)
Travessa com  aba relevada e decoração folhas de agrião que retirei foto do OLX, fabrico Devezas(?)
Travessa da minha coleção na mesma decoração fabrico de Coimbra(?)
Grande prato da banca de do colega Carlos, gentilmente me deixou fotografar. Tem a particularidade na aba depois da lista cor de rosa, apresenta um quadro da mesma cor, e dentro dele as iniciais  "C" uma igreja com torre pintada seguida da letra "I".
  • Para mim se faz claro que é produção de Coimbra, o pintor quis enaltecer o Convento de Santa Clara em Coimbra, e  nele ter vivido a Rainha Santa Isabel.
O que me parece é que esta travessa poderá ser fabrico Devezas século XX. O Que me espanta é mesmo o esmalte branco translúcido e as folhas de agrião pintadas a vermelho, quando sempre as vi pintadas em  várias tonalidades de verde.
Tardoz muito branco, homogéneo e translúcido
OLX retirei esta bacia  decorada a marmoreados típico do norte onde houve uma fábrica que executou marmoreados,  e folhas de agrião em azul da mesma cor das flores de linho, mas de barro vermelho.
Travessa que retirei a foto da minha última aquisição livrista "Cerâmica Portuguesa da Monarquia à República" que atribui a Coimbra, ao inicio século XX por altura da implantação da República.
A aba tem muitas semelhanças e o rebordo também é recortado, só o vidrado se mostra mais opaco por terem usado mais estanho. O chumbo fornecia a fusíbilidade e o estanho a opacidade branca do vidrado, tudo isto a cozer em forno de lenha a baixa temperatura (950-1000ºC) segundo o meu bom amigo Jorge Saraiva.
Ora este esmalte nada tem haver com o da outra travessa que é bem branco e translúcido
Em Coimbra e na região envolvente, houve muita fabrica a laborar até meados do 3º quartel do século XX o que originou na continuidade o copianço das tecnicas e decorações ,  não estando as peças marcadas apenas as podemos com os dados disponíveis destacar na atribuição à região pelas evidências mostradas se revelarem fortes e determinantes até outras mais credíveis, as destronar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Faiança de casario pintada a vinoso de Coimbra norte ou Caminha (?)

Para mim um belo prato, a minha prenda de Natal. A pintura à mão abrange o todo, sem filetes, em monocromia a vinoso-, uma tonalidade obtida do manganês A decoração apresenta ao centro uma igreja vista de perfil, com duas torres, uma delas com cruz no alto, e arcadas do alpendre, ladeada por rodapé em esponjados com términos de bicos de onde emergem ramagens suportadas por gavinhas.

Fascinante o brilho do esmalte a chumbo.
Esta foto mostra a tonalidade vinoso na sua beleza estonteante
O tardoz revela que o prato foi submetido a um banho branco, que bem pode ser de calcário (?) vejam-se os arrepiados onde não "agarrou" com a cor do barro de que foi feito na roda do oleiro em tom rosado.
Em Coimbra pintou-se esta decoração  antes do uso da estampagem por volta de 1850? Sob este rodapé em jeito de bicos, tal como no norte, em Miragaia, Cavaco, não sei se noutras.
Este casario tem muita semelhança com o que viria a ser pintado pelo José Reis quando abriu a sua olaria em Alcobaça, que até se aventa que este casario é a sua miragem do Mosteiro de Alcobaça(?).
  • Exposição do Museu Dr Jorge Sampaio em Alcobaça, onde se destacam dois pratos iguais pintados a preto, sendo a decoração mui semelhante ao meu, mas com nítidas diferenças.
José Reis sendo mercador, levava o barro de  melhor qualidade de Alcobaça para Coimbra e na volta levava loiça para vender.Há quem defenda que o mesmo nunca foi oleiro em Coimbra. Mas como poderia ele não ter sido? Como se atreveria em abrir uma olaria  em 1875, sem nada saber da arte  em trabalhar o barro, decantar, secar, moldar à mão e na roda, pintar, esmaltar, ainda a sabedoria das doses de barros na mistura certa para não partir no forno, das percentagens dos produtos para fazer as cores, onde as comprar, da temperatura do forno para as duas cozeduras, afinal  tanta arte -, e depois não era oleiro quem queria, tinha de fazer exame. 
Obviamente  que durante o primeiro quartel do século XX houve oleiros familiares que de alguma forma sendo aprendizes e ajudantes nas olarias, nos dias pequenos em que a noite acontece mais cedo, faziam a sua própria loiça para levarem para as ceifas para o Alentejo, ou vender ganhando uns trocados -,  o foi em Coimbra debaixo da linha do caminho de ferro, e nas Beiras, que viriam a dar nome a aldeias como Carvalhal da Loiça perto de Nelas, entre outras toponímias ainda vivas no País.
Antes no Juncal,  um seixo abundante na região esmagado na mó de oleiro com vinagre dava uma cor em tom amora, que sendo feita manual sem rigor a mesma  na loiça se viria a mostrar em várias tonalidades.
A dúvida passa por identificar se este prato foi pintado por José Reis em Coimbra, ou na olaria  em Coimbra onde ele viu  amiúde esta pintura e aprendeu a ser oleiro, ou quiçá  Caminha , Vilar de Mouros que como se sabe  a sua loiça foi copiada à imagem do que se fazia em Coimbra.Porém nunca vi nada assinado de Vilar de Mouros, sendo o casario  que se tem visto atribuído, nada tem haver com o deste prato.


Sinto que já irritei gente (?) com esta minha perseverança, mas em tanta peça que já me passou pelas mãos, sendo esta em paralelo com outro grande prato, do mesmo modo assim pintado com uma pastora da minha amiga Isa Saraiva, para mim acredito, inegavelmente produção de Coimbra..."com seses" ao esmalte  que tem laivos de PORCELANA, que pode ser dos irmãos rua de Caminha, ou norte Gaia ?
Há que perder medos e avançar, mesmo que se constate à posterior outra atribuição. Para não falar de peças que existem mal catalogadas em Museus, não me perturba ser assim, atrevida, sendo sempre fiel ao meu olhar sempre fundamentado no que acredito, até descobrir sempre mais, e se for necessário e achar que me enganei, volto a corrigir, e disso não acho mal nenhum nesta arte que é de muita paixão, e a paixão tolda-me sempre as vistas, pelo menos a mim, acabei de o receber via correio enviado por um amigo do Face, que vende velharias, José Rocha -, há anos que nada comprava via net. Muito bem acondicionado, não resisti logo a mostra-lo, porque é muito mais deslumbrante que na foto que ele me mostrou. Sou  mulher vaidosa, sei, desculpem!
É soberbo, um deleite o brutal orgasmo inteletual que o mesmo gerou em mim mal o tirei do invólucro.
Haja alguém que sobre a produção do século XIX desta cidade  de Coimbra, norte Gaia, Caminha, Vilar de Mouros (?) se digne fazer um trabalho com grande amostragem, porque peças é coisa que tem aparecido em leilões, blogs e feiras. Uma facilidade que os antigos não tiveram, tendo outras, que deixaram desperdiçar, porque ninguém é perfeito.
Desconcertante o brilho que irradia, e o esmalte  igual, coisa do outro mundo numa parede com mais de cinquenta, é UNICO! 
Ainda perdida no deleite lembrei-me do belo esmalte branco de  Darque, e dos irmãos Rua quando deixaram o Minho e foram abrir uma olaria em Caminha . Será porventura este prato Darque, Caminha ou Coimbra (?). 

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...