domingo, 9 de novembro de 2014

Galo na pintura da faiança de Coimbra(?)

Um belo prato de grande dimensão, com 36 cm de diâmetro.
No primeiro impato pelo colorido e  faixa amarela na aba pensei se tratar de faiança do norte, da Fábrica Bandeira(?).
Apaixonei-me. No melhor consegui convencer  meu marido, que além deste me comprou outro com 37 cm, uma palangana "ratinha".

O prato apresenta-se com duplo filete fino ao limite do covo a manganês, ao centro um garboso galo de peito emproado em amarelo antimónio, e uma asa em azul.O rabo em forma de ramagens  com o limbo a manganês, ainda retoques no mesmo tom, a fazer sobressair o olho, o bico, o esporão das patas e as penas do rabo.
O galo é ladeado por folhas azuis ponteagudas sob rodapé esponjado em verde ervilha com  laivos a manganês.A aba alterna com ramagem de flor  azul e figura circular em vermelho, sob filete largo em amarelo.
Lembrei-me que a pintura da bordadura é mui semelhante a este prato que tenho há muito atribuído a Coimbra, julgo sem dúvidas. Mas é sabido que os pintores circulavam de olaria em olaria levando os materiais e técnicas, por isso é sempre difícil a catalogação.
Então este belo prato será fabrico de Coimbra(?). Claramente que sim, sem medo, atendendo a evidências substanciais como as cores: manganês esborratado, azul e o amarelo antimónio.Aos motivos florais e geométricos da aba muito usados.Ao rabo do galo em forma de ramagens de árvores, usada no casario de Coimbra.O mesmo das folhas ponteagudas em azul a ladear o galo.Ao rodapé em esponjado em verde ervilha.Ao esmalte amarelado( não sei o produto usado para lhe conferir esta tonalidade grão), porque se consegue ver que a peça antes deste banho era branca visível no tardoz.Ao tamanho, tenho vários pratos com o mesmo diâmetro e formato.
Fabrico dos meados do século XIX .
Incertezas:
As "trempes" cujas marcas são bem notórias, nada tem haver com as de cerâmica em triângulo, que deixavam marcas redondas, estas parecem ser em ferro(?) ou então as peças eram cozidas em caixas de cerâmica  redondas com furinhos onde se punham pauzinhos de esteva ou(?) para segurar as peças quando iam a cozer em chacota.
O problema é que até há data jamais foram encontrados dados arqueológicos em Coimbra sobre o uso de Caixas de Cerâmica para cozer a faiança, como de encontraram em Lisboa e Vila Nova(Gaia).
Esmalte craquelê, junto do frete visível o branco do esmalte
Há muito que gostaria de ter na minha coleção um prato com este galo, porque "galos" tenho vários em tamanhos dispares, de olarias de Aveiro e Cavaco. Mas igual a este, assim grande e belo foi o primeiro.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Canjirão antropomórfico da Fábrica da Meadela em Viana do Castelo

Comprei uma réplica de um  canjirão antropomórfico na feira de Algés para engalanar uma das minhas cozinhas, em parelha com os potes das especiarias . 
Darque em Viana, encerrou portas passados noventa e dois anos e em 1947, é fundada a Empresa de  Cerâmica Regional Vianense, Lda mais conhecida por Fábrica da MeadelaTinha como principal objetivo ressuscitar a louça tradicional de Viana do Castelo. Tarefa nada fácil, uma vez que não foi possível obter uma pasta tão perfeita como a antiga, nem as cores originais. É sob a orientação do engenheiro João Dias Coelho, vindo da Fábrica Vista Alegre, que se começam a utilizar novas técnicas de produção e começa a produzir-se louça em grés fino com pintura sob o vidrado.
Foi nesta altura que o artista António Pedro realizou obras notáveis em grés, contribuindo para o sucesso artístico da empresa. Mais tarde, sob a direcção do Eng.º Lencart e Silva, e com os artistas Armando Veríssimo e Augusto Alves, conseguiu aliar-se a qualidade e beleza da louça decorativa com o sucesso comercial da mesma. Também o escultor Laureano Ribatua preservou a prevalência dos critérios artísticos, verificando-se, nos dias de hoje, uma aposta em novos desenhos. Deste modo, a tradição das peças de decoração original alia-se, harmoniosamente, com a contemporaneidade de novas propostas.


Pintado em cor monocromática em azul. A caneca apresenta o homem de cabaça na mão a encher um copo.
Assinada a dourado para  consumo e exportação
Algumas canecas antropomórficas de faiança de Darque(?) que descobri na net

Durante muitos anos, sobretudo nos últimos adoptado a denominação de “Louça Regional de Viana” que produziu peças não só decorativas, mas também utilitárias e funcionais que podem ser utilizadas no dia a dia. 

A louça regional utilitária e decorativa que esta fábrica produz baseia-se em três motivos distintos: motivos religiosos, florais e brasões de famílias antigas que tiveram a sua história na cidade de Viana. 
Produz igualmente reproduções do séc. XVII e XVIII de peças existentes no Museu de Artes Decorativas da cidade e também uma nova linha do moderno design cerâmico. 
Fotos retiradas da net
A atravessar um momento difícil, a fábrica da “Louça Regional de Viana” encontra-se há um ano com a produção suspensa, mantendo somente uma loja/galeria junto à fábrica e um pequeno museu com o valioso espólio de que dispõe. 

Fontes
http://olharvianadocastelo.blogspot.pt/2011/08/exposicao-louca-regional-de-viana.html
http://olharvianadocastelo.blogspot.pt/2013/09/fabrica-de-louca-da-meadela-fazer.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Jarra ou cabaça mutilada de Santo António do Vale da Piedade (?)

Na feira de agosto na Figueira da Foz encontrei em saldos esta peça em faiança, mal lhe peguei para perceber o que teria sido a sua função,  percebi de imediato que tinha sido cortada no bordo, apesar de trabalho muito bem feito, fato que não passou despercebido no meu olho clínico .
Ainda bem que não a deitaram no lixo, a reaproveitaram como jarra, pois estava suja de flores por dentro e até na foto no rebordo, tenho de a limpar melhor.
A minha pequena jarra bojuda,que foi uma graciosa cabaçinha de quartilho e meio = 0,75 litros.
Garrafa pequena em forma de cabaça (do fruto da cabaçeira muito usado nos tempos de antanho pelo povo como garrafa em Portugal e Províncias Ultramarinas, com base circular, e corpo de formato pediforme, sensivelmente a meio da sua altura apresenta um ligeiro estrangulamento ).
A minha cabaça mutilada poderá ser com bastante certeza produção provável da Fábrica do Vale de Santo António do Vale da Piedade em Gaia (?) atendendo à pasta, ao esmalte, à decoração  floral e aos filetes largos, da cor, e ao frete do pé fino. 
CITANDO O VOLUME III 
LAURA CRISTINA PEIXOTO DE SOUSA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO  EM ARQUEOLOGIA
A Fábrica de Louça de Santo António do Vale de Piedade, em Gaia: arquitetura, espaços e produção semi-industrial oitocentista.

 
Fabrico nesta fábrica documentado em 1821, dos meados do século XIX.
Os últimos fragmentos da escavação arqueológica apresentam imensas semelhanças com a minha peça, só diferenças em detalhes florais.
Para comparação como seria a minha peça ou jarra ou cabaça deixo exemplares
Museu Alberto Sampaio 

Jarra arredondada com gargalo afulinado, século XVIII/XIX


Garrafa na forma de cabaça no Museu dos Biscainhos será produção do norte (?)
Darque ou Vilar de Mouros (?)

Cabaça com asa da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, possível fabrico do norte(?)


 Cabaça atribuída a Darque,Viana ou Vilar de Mouros (?).
                          A eterna dúvida, ou foi jarra ou cabaça!                                              

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bule de caldo em faiança atribuído a Coimbra (?)

Encantei-me na banca da Dulce e do Carlos com este bule de caldo na feira da Figueira da Foz.
Irresistível não o trazer comigo.
Fazia parte da coleção de uma senhora que deles se está a desfazer devagarinho...

Só conheço dois formatos-, com o bico na frente  da asa ou de lado como este.
Decoração abstrata, em forma de pétalas de rosa com os estames, pintado em monocromia azul
Julgo não pecar se afirmar que se trata de faiança  dos meados século XIX de Coimbra-, pelas evidências da  textura, esmalte, barro vermelho e delicadeza da peça  seja no bordo recortado, na asa vincada revelada e na graciosidade da pintura da decoração manual .
A peça apresenta-se como se fosse uma chávena semi fechada no tampo -, umas vezes de forma direita, outras em forma de meia lua, e nesta ondulada.
A função desta peça servia para dar caldos  ou leite aos doentes acamados e bebés, antes de haver biberons -, só apareceram os primeiros em vidro em meados de 1824 quando a Vista Alegre começou a fabricar vidro que tinham um  formato em forma de  pipo.
Excelente estado de conservação, apenas ligeira esbeiçadela no rebordo
Asa relevada com nervuras
Peça conotada de coleção, pela raridade. Só as casas abastadas tinham estas peças, não se faziam em série como a loiça "ratinha" usada pelo povo.

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...