quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Jarra ou cabaça mutilada de Santo António do Vale da Piedade (?)

Na feira de agosto na Figueira da Foz encontrei em saldos esta peça em faiança, mal lhe peguei para perceber o que teria sido a sua função,  percebi de imediato que tinha sido cortada no bordo, apesar de trabalho muito bem feito, fato que não passou despercebido no meu olho clínico .
Ainda bem que não a deitaram no lixo, a reaproveitaram como jarra, pois estava suja de flores por dentro e até na foto no rebordo, tenho de a limpar melhor.
A minha pequena jarra bojuda,que foi uma graciosa cabaçinha de quartilho e meio = 0,75 litros.
Garrafa pequena em forma de cabaça (do fruto da cabaçeira muito usado nos tempos de antanho pelo povo como garrafa em Portugal e Províncias Ultramarinas, com base circular, e corpo de formato pediforme, sensivelmente a meio da sua altura apresenta um ligeiro estrangulamento ).
A minha cabaça mutilada poderá ser com bastante certeza produção provável da Fábrica do Vale de Santo António do Vale da Piedade em Gaia (?) atendendo à pasta, ao esmalte, à decoração  floral e aos filetes largos, da cor, e ao frete do pé fino. 
CITANDO O VOLUME III 
LAURA CRISTINA PEIXOTO DE SOUSA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO  EM ARQUEOLOGIA
A Fábrica de Louça de Santo António do Vale de Piedade, em Gaia: arquitetura, espaços e produção semi-industrial oitocentista.

 
Fabrico nesta fábrica documentado em 1821, dos meados do século XIX.
Os últimos fragmentos da escavação arqueológica apresentam imensas semelhanças com a minha peça, só diferenças em detalhes florais.
Para comparação como seria a minha peça ou jarra ou cabaça deixo exemplares
Museu Alberto Sampaio 

Jarra arredondada com gargalo afulinado, século XVIII/XIX


Garrafa na forma de cabaça no Museu dos Biscainhos será produção do norte (?)
Darque ou Vilar de Mouros (?)

Cabaça com asa da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, possível fabrico do norte(?)


 Cabaça atribuída a Darque,Viana ou Vilar de Mouros (?).
                          A eterna dúvida, ou foi jarra ou cabaça!                                              

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bule de caldo em faiança atribuído a Coimbra (?)

Encantei-me na banca da Dulce e do Carlos com este bule de caldo na feira da Figueira da Foz.
Irresistível não o trazer comigo.
Fazia parte da coleção de uma senhora que deles se está a desfazer devagarinho...

Só conheço dois formatos-, com o bico na frente  da asa ou de lado como este.
Decoração abstrata, em forma de pétalas de rosa com os estames, pintado em monocromia azul
Julgo não pecar se afirmar que se trata de faiança  dos meados século XIX de Coimbra-, pelas evidências da  textura, esmalte, barro vermelho e delicadeza da peça  seja no bordo recortado, na asa vincada revelada e na graciosidade da pintura da decoração manual .
A peça apresenta-se como se fosse uma chávena semi fechada no tampo -, umas vezes de forma direita, outras em forma de meia lua, e nesta ondulada.
A função desta peça servia para dar caldos  ou leite aos doentes acamados e bebés, antes de haver biberons -, só apareceram os primeiros em vidro em meados de 1824 quando a Vista Alegre começou a fabricar vidro que tinham um  formato em forma de  pipo.
Excelente estado de conservação, apenas ligeira esbeiçadela no rebordo
Asa relevada com nervuras
Peça conotada de coleção, pela raridade. Só as casas abastadas tinham estas peças, não se faziam em série como a loiça "ratinha" usada pelo povo.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Jarro de Viana com motivo de Coimbra

Um jarro da minha coleção.
Fabrico da Fábrica de Viana do século XX.
Tema decorativo alusivo à temática da vida Coimbrã com a tricana  de avental e lenço pela cabeça, xaile franjado traçado ao peito, possivelmente feito numa Fábrica do Avelar, e de braçado a cântara, sob a universidade e a torre da cabra e ao lado do estudante a tocar guitarra.
Se não estivesse marcada fácil seria a atribuição à cidade dos doutores.
Na frente e no tardoz a mesma mensagem falante: Recordação de Coimbra
Debruada a filete fino em dourado no pé, no bojo, ao meio da asa e ainda num dos lados uma espécie de estrela.
Coimbra lembra-me sempre bonecas  de olhar doce e sobrancelhas em arco finas,- mal entrei no colégio religioso As Salesianas, as quis imitar e dei-me mal, vestidas de folhos, de grande chapéu com flores, pelos braços cestos e o chapéu de chuva, a minha mãe tinha uma, que lamentavelmente se destruiu.
Encontrei  numa feira esta j que mostro sem um cesto, estando o outro partido, que restaurei no canto, trouxe-a comigo, por me fazer lembrar esse tempo que íamos de camioneta e nas escadinhas da igreja de S. Tiago havia um homem com um expositor de loiças onde sempre enfeirava uma peça.

domingo, 21 de setembro de 2014

Terrina com asas em ramalhete inicío século XIX (?)

Terrina graciosa pelo formato otogonal-, uma obra de olaria,sem tampa da coleção de uma amiga-, oferta generosa de um senhor velhote, a quem deu abrigo de dias, a presenteou ainda com outras peças,que inveja, sem o ser!
Decoração em volutas -, atrevida chamo volúpias por me perder a idealizar o pintor em elevados sonhos delicados ao ditar pinceladas, uma atrás da outra, ora maiores, ora mais pequenas...
Decoração de uma determinada época muito marcante em Coimbra, como mais abaixo verificarão.
Volutas como se fossem pétalas pintadas a monocromia azul e os estames , sobre os seus contornos aguada  e delimitada no bojo por fino filete.
Mas o que mais me impressionou nesta terrina otogonal, além do tamanho que se mostra elegante pela pacata pequenez, são as pegas ornadas a ramalhete em relevo e no meio um  entrançado em triângulo, também relevado, que confere à peça uma elegância brutal.Imagino a pega da tampa...
O pé da terina revela um esmalte de ligeiro anil, não sendo o branco translúcido
No livro de Artur Sandão encontrei uma terrina com semelhanças a esta nas flores das pegas que jamais assim tinha visto. A terrina é atribuída ao Juncal.

Uma probabilidade é atender ao fato de um pintor da olaria do Brioso de Coimbra se mudou para o Juncal em 1781, um tal José Fonseca, por aí haver bons barreiros. Sempre que um oleiro pintor se mudava de olaria levava consigo os motivos, e com isso a dificuldade em catalogar as peças se da 1ªolaria de onde saiu ou da nova .
O que aparentemente estranho é na esbeiçadela da terrina no corpo o barro parece avermelhado, sendo que no Juncal era branco de 1ª qualidade...
 Inclusive o Artur Sandão fala desta particularidade do azul anil do esmalte.

Segundo este excerto existem espécimes equiparáveis nas coleções do Museu Machado de Castro, o que acalenta a forte hipótese desta terrina que apresentei ser fabrico de Coimbra ou  mesmo Juncal?
Conclusão:
Nunca vi esta decoração de volupas atribuída ao Juncal.
O tom de azul catapulta para Coimbra com a aguada.
A graciocidade da peça.
Quem a executou era sem dúvida analfabeto porque não a marcou, mas de talento nato e sentido elevado de estética, sem dúvida.
Há anos comprei uma pequena travessa também em monocromia azul muito bem pintada cujo esmalte é muito semelhante a este em azul anil muito leve, que no imediato fácil foi atribuir a Coimbra (?) ainda por ser quinada,muitas evidências.
Sendo que a faiança do século XIX de Coimbra tem pouco, quase nenhum estudo, o que é pena-, estas peças da primeira metade do século aqui apresentadas,  serão a meu ver bons elementos de estudo a que juntarão outros como é óbvio, que no meu entender de aspirante as catalogo como Coimbra(?).

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...