quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cantão popular Fervença ou Vilar de Mouros(?)

Um belo prato no motivo Cantão Popular pela variante da policromia, por isso o encanto primeiro no meu olhar.
Presente ganho ontem em Alcácer do Sal no antiquário Santyago.
Um dos exemplares mais caros da minha coleção, e com restauro...
Só que ontem era dia especial, mais propriamente o 36º aniversário do meu casamento, e um dia não são dias para se perder a cabeça, sendo que o tema é um dos meus preferidos.
O prato privilegia uma palete cromática a verde claro, manganês, laranja e amarelo canário.
O motivo central apresenta-se circunscrito por fino filete em laranja, seguido na curva do covo por outro largo em verde, e do lado de dentro, outro filete largo em amarelo canário, que cobre parte do motivo.
Neste prato o suposto pagode dele apenas se avizinha uma cúpula,  sobreposta noutra com um torniquete ao meio à direita, uma árvore à esquerda em altura estilizada ao lado de uma torre alta, nuvens, uma ponte com  quatro arcos, sobre ela duas pessoas e pássaros.
A aba apresenta traços na diagonal ladeados por grega na parte inferior e filete na parte superior em laranja seguida de largo filete em verde claro.
Estranho e raro nestas cores, nunca tinha visto a pintura tradicional que todos conhecemos na cor monocromática da pintura a azul neste motivo de Cantão Popular ou também há quem lhe chamasse o Cantão das feiras( na alusão popular ao verdadeiro da China, Companhia das Índias) .
O tardoz revela barro amarelado de textura leve e esmalte brilhante com transparências de verde.
Contraste com outro que atribuo fabrico a Fervença (?) por terem muita semelhança  no formato, na quina do covo, no esmalte, no diâmetro e no tom do manganês.
  • Claro que me debati na possibilidade de ambos ser produção de Vilar de Mouros (?).
Até novas pesquisas mais contundentes da verdadeira legitimidade da fábrica que o produziu deixo a minha vontade prevalecer a norte, porque Fervença dizem foi de produção excecional, e o prato exala qualquer coisa de diferente, que mais nenhum Cantão, tendo tantos outros não me dizem o mesmo!
Fascinação pensar ser produção Vilar de Mouros, segundo os novos dados trazidos  à luz, uma grande probabilidade , pelo manganês tipo esborratado e o arabesco em laranja a induzir uma ave (?).
Prato pintado à mão o que lhe garante uma autenticidade de maior antiguidade 1830/50 (?).
Pelas cores, esmalte, pormenores do desenho, transparências no tardoz  e o traço fino da grinalda que liga os ramos, o fabrico é norte, concerteza, Fervença ou Vilar de Mouros (?).
Brinde aos meus fiéis leitores pela morosidade em publicar.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Villa romana do Rabaçal

Convidei para conhecer a villa do Rabaçal os meus amigos de Torre de Moncorvo: Prof. Arnaldo, esposa Ilda e a filha a Inês sob um calor escaldante.
Interessante a constatação de nomes de terras atribuidas em Trás os Montes  na reconquista e nesta zona iguais e outras semelhantes: Penela da Beira - Penela; Rabaçal - Rabaçal; Almofala- Almofala; Mogadouro- Mogadouro: Ansiães- Ansião.
A villa romana do Rabaçal  situa-se junto à via que ligava OLISIPO A BRACARA AUGUSTA no concelho de Penela na estrada de ligação a Ansião de onde partimos a caminho da Casa Senhorial do Conde de Castelo Melhor em Santiago da Guarda também com mosaicos romanos e uma torre medieval feita à posterior.
No Rabaçal trata-se de um Museu repartido por três núcleos:
Espaço-museu, aberto à população e ao público em 2001 situado na Rua da Igreja. Aqui se reúne algum espólio recolhido durante os trabalhos arqueológicos em 84.Não é permitido a recolha de fotos...Fiquei com água na boca com o alto miliário em forma fálica... 
A villa  rústica é composta pela quinta agrícola, frumentaria e villa urbana, datadas do século IV D.C
Bela foto tirada na primavera que retirei do site do Museu 

Estação arqueológica da Villa tardo-romana onde foram identificadas apars urbana ou residência senhorial, o balneário e a olaria, a pars rustica ou casa da lavoura e seus anexos de produção, as nascentes e os sistemas elevatórios de água, junto à aldeia da Ordem, dotada de edifício com recepção, salas de apoio à visita e aos trabalhos arqueológicos, reserva e sanitários.
Vista panorâmica do Miradouro de Chanca, dotado de painel explicativo sobre diferentes pontos de interesse na paisagem, constituindo-se como um olhar sobre diferentes tempos de ocupação.
Quando visitei a serra de Janeanes e a Chanca o ano passado parei no miradouro e não gostei da falta de manutenção com silvado a crescer desalmadamente!

A riqueza  do espólio do Museu deve-se ao empenho da  população, autarquia, investigadores e voluntários.
Na véspera da minha visita uma moradora levou em mãos uma pedra esculpida em mármore para entregar para estudo e disse ter outras duas a fazer de canteiro...
Em tempos ao passar na localidade de Fonte Coberta-, o caminho da via de Santiago, nas imediações a 12 km de Conímbriga vi num muro de uma eira um grande busto em mármore rosa...que entretanto desapareceu do local.
Há meia dúzia de anos na estrada em frente da igreja encontraram imagens em pedra que enterraram por altura das invasões francesas em 1810, uma das imagens decapitada está patente no Museu, julgo Santa Bárbara(?), as outras estão nas reservas.
Um poço feito  na propriedade da villa em época tardia pelos habitantes

Seria a estrada de acesso à villa ?
Os painéis de azulejos estão cobertos por areia que os ajuda na preservação, porque estivemos na companhia de outro casal  a guia destapou o mosaico que escolhemos-, o verão!
Os motivos figurativos dos mosaicos e algumas composições geométricas e vegetalistas não têm semelhança com o que existe em Portugal. No seu conjunto formam um género pictórico inovador.

Fotos retirada do site
Foto com os meus bons amigos de Torre de Moncorvo
Peristilo octogonal raro
Ao longe os plásticos que cobrem as termas ? descobertas em 88
Na despedida da villa baixei o olhar no cardo maduro em oiro  que dele se usa ainda na feitura do queijo de renome nacional  chamado RABAÇAL, pelo travo especial dado pelo tomilho por aqui chamado Erva de Santa Maria na mistura de leite de cabra e ovelha -, e oregãos que apanhei um com raiz para a Inês levar para Moncorvo.
Oliveiras  quase tísicas pela secura de beleza ainda lhe senti  uma bela escultura!
Terras áridas que inspiram a ficar, contemplar, e porque não se encantar com os silêncios da paisagem cársica, seca, cinza e em tons de argila amarela, sinuosa, e quase nua e crua, talhada pela mão do homem durante milénios com cedros salpicados  aqui e ali e pinheiros mansos de cúpulas belas que conheço desde que me lembro pequeninos e enfezados e neste agora grandes...
O poço em jeito de mina típico na região com o balanço da picota ou cegonha.
Ficou por conhecer as Buracas de Casmilo!
E andar a pé pelo Rabaçal, a igreja é bela, alguma traça de casario antigo, em ruína casas com janelas de apenas um caixilho-, que sempre me fascinaram-, como seria as gentes da casa espreitarem o dia e a noite por uma abertura tão minúscula...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Terrinas, produção de Coimbra e norte (?)

Comprei recentemente três pequenas terrinas, porque me apaixonaram pelo diminuto tamanho-, gosto delas assim, as grandes não me seduzem!
Uma delas já aqui falei dela, também pintada em dourado, pode ser fabrico de Coimbra ou Fervença(?).

O antiquário, um falador simpático e conhecedor da matéria,  fala  tanto, dá tantas dicas que me revi nele nesse mesmo estar-, curioso quando vinha para casa pensei que não tinha retido quase nada...
O mesmo se passará comigo quando apanho gente e me meto a falar, porque é demasiada informação que se vai dando gratuitamente,  com fervorosa paixão  e acalorada conversa, com isso incursões nisto e naquilo para reencontro no tema inicial na peça que nos leva nessa oralidade tamanha, sempre  de tempos infinitos a falar...
Ora a cor em dourado velho encanta-me!
Porque vou de férias...Estou sempre se férias. 
Se fizer feira será no próximo fim de semana, depois  abalo para celebrar o aniversário da minha querida mãe que faz a bonita idade de 80 anos, em festa  no Oeste, que se pretenda seja rija só com as mulheres da família, regada a champanhe, prendas, divertimento, as exigências da aniversariante!
 
Belo exemplar apresenta restauro na tampa na parte oval que foi um mau restauro na clivagem da massa e na pintura que lhe meteram verde...E no pé o mesmo.
Peça em cor monocromática a dourado velho com estampa floral sendo a tampa rematada com filete fino no rebordo, e a terrina no limite do bojo e no pé, com asas elegantes  em triângulo na face pintadas,  tampa  em elevação ao centro com fecho em pétalas relevadas em remate a laivos dourados que segura a pega  que imita um sinete, com filetes dourados de aba lavrada e pintada a cheio, um espanto esta terrina!
Visível o que falei do mau restauro, pasta rugosa e o verde no filete na curva
O vendedor disse-me que seria Produção de Coimbra.
Acredito que o seja pelo formato, decoração e pela cor . Fabrico  meados do século XIX(?) quando se iniciou em Coimbra o uso da estampa como desenho .
Veja-se o prato atribuído a fabrico de Coimbra sem dúvidas, que tenho há muitos anos  com a aba pintada em dourado.
O dourado foi herança do químico Vandelli que na sua fábrica do Rossio de Santa Clara inventou a partir da  palete primária das cores  então existentes, outras como esta.

Outra terrina a comprei pelo despique do meu marido que só gostou dela , assim, cada um ficou com a sua em caso de divórcio, e mais nada!
Pintura monocromática em azul-, mas um azul forte, intenso, a cobalto.
A decoração apresenta-se copiada da inglesa Davenport (?)  sequência de montinhos redondos a cheio que terminam com  bicos, na tampa a meio da aba se finar, o mesmo no limite do bojo da terrina e acima do pé , também no género na imitação nacional da  Loiça inglesa Shell Edged Pearl Ware(?).
Ao meio da tampa pétalas em relevo debruadas a azul com os raminhos finos pintados na mesma cor e na junção do remate da pega  que se apresenta altiva, de aba larga  e quinada pintada a cheio com bicos na direção do cimo para mostrar o centro rebatido, em branco. As pegas de formato belo, nascem em forma de triângulo,  ao meio pintadas em pendente de fila com folhas fechadas, para se abrir em aba larga , já a pega pintada de azul a cheio da ponta para dentro, e depois por finos filetes tipo raminhos até fechar, peça de elegância tamanha.
Apesar do vendedor dizer que é Coimbra, ainda assim acho bastante provável  que esta terrina pode ser doutro centro de fabrico-, pelo esmalte muito branco, azul cobalto, e delicadeza na pintura e formato, será  fabrico norte  Santo António do Vale da Piedade (?) atendendo os fragmentos arqueológicos da dissertação de mestrado efectuado no sitio desta fabrica que poderão ler aqui na internet.
Apresenta esbeiçadelas na pega como a foto documenta, de resto em muito bom estado
Pois tal como a primeira apresentada o vendedor atribui o seu fabrico a Coimbra, produção meados do século XIX.
Vim a pensar na cor do azul e no esmalte brilhante imensamente branco, sólido, de boa textura, e lembrei-me que tenho um prato mui semelhante, quando o adquiri julguei durante muito tempo ser Coimbra, mais tarde ao visitar o Museu Soares dos Reis, e ao ver a produção de Afurada, me catapultou para norte, entre esta, e Miragaia, apesar da minha amiga Isa Saraiva entendida me dizer também que é Coimbra.
Pois não sei, jamais vi algo semelhante em concreto assinado de Coimbra.Mas pode ser!
Travessa de coleção particular que entrou num catalogo de faiança portuguesa catalogada como Miragaia apesar de não ter MARCA. 
  • Apesar da fraca fotografia, a mim suscita-me ser produção de Coimbra ? pelo esmalte branco, desenho casario simplista, com os ramos bem vincados das árvores, só o rodapé lembra norte, mas assim também aqui foi pintado, ainda a aba recortada que na altura apareceram nas travessas também, e pelas pegas como a terrina acima. E já vi outra peça assim mas de corpo gomada.
  • Grande dúvida!

Por isso por agora assim ficam catalogadas com interrogativa, o costume!

Falar das Coisas que eu Gosto- História, Ansião e Faiança!

Foi o  Programa Visita Guiada ao Forte de S João Baptista na Foz do Douro no Porto  que vim a correlacionar o motivo vastamente pintado no ...