terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vitrines de memórias...

Comprei esta vitrina há coisa de mais de 20 anos numa loja em Almada com peças magníficas em liquidação.

Nela guardo com carinho restos de coisas e de nadas...contudo as minhas relíquias...
Memórias guardadas por entre vidros e espelhos que me regalam o olhar, me tranquilizam, adoro mexer, sentada no chão, abrir a porta, entrar e perder-me a sonhar...

Copitos a fazer lembrar-me o pixel de abafado que bebia na casa do Ti Parolo, dos "caquinhos" que vou encontrando no quintal...das pedrinhas de Conimbriga...
Cadilhos vivos, não passo sem eles, esta vitrina está na casa de província, tenho outra maior na minha casa habitual...não vivo sem a sua presença, fazem-me falta!
Esta é a outra

Tantas são as memórias aqui guardadas.
De tantas idades, de tantas pessoas.
São o meu refugio de saudades e de amores perdidos.
Coysas, loysas & trolhas de memórias do passado, mas vivas no presente.
Como disse de tudo e de nada que seja pequeno e me mova a guardar...lá está!

domingo, 24 de outubro de 2010

Faiança atribuída a Coimbra (?)

Adorei-o quando o vi na feira da Costa de Caparica.O vendedor nosso conhecido demorou tempo para me dar o preço -, percebi que o acabara de comprar a um colega na mesma feira, quis ganhar dinheiro connosco, caro e mal estimado.
A fábrica do Juncal encerrou com as invasões francesas e nessa altura ainda não se usava a estampilha, apesar de num livro da especialidade de Jorge Sampaio  ter visto uma peça estampilhada o que pode dizer se produziram algumas.A cor amora muito visível no filete do rebordo e as contas à sua volta  e o centro do prato são pintura manual e tem muita semelhança com loiça do Juncal. O José Reis vindo de Coimbra para Alcobaça em 1875 fabricou muita loiça que se confunde com a de Coimbra.
O chamado prato de casamento, fabrico finais do século XIX em esmalte cor de grão decorado ao centro, e na aba,  a estampa em castanho escuro tipo borra de vinho. No rebordo círculo de contas com debruo a filete cor de amora. A cor castanha da estampa e das contas de intenso brilho cor amora faz saltar dúvidas  Alcobaça ou Coimbra? 
Aqui está uma boa pergunta? 
Sem marca, possivelmente fabrico de Coimbra(?).Finais do século XIX inicio de XX(?)
Tigela do crescente de talhar a broa em redondo.Comprei-a na feira da Figueira da Foz.
Faz parte das minhas recordações, de ver as mulheres com elas nas mãos com massa levedada, para fazer a broa.Esta muita antiga, em faiança nota-se pelo verso a forma como foi feita, não é em redondo como seria suposto ser, foi talhada a cana.Peça côncava ornado no limite do fundo por duplo filete em castanho e no limite do bordo da aba igual.
Naquele dia havia outra na feira, decorada com frisos em azul, de morrer, nunca tinha visto igual, mas e o preço? fiquei-me por esta, mais vale uma que nenhuma!
Sem marca possível fabrico de Coimbra (?).Finais do século XIX(?)
Palangana comprada na feira de Paço d'Arcos em barro vermelho, nota-se pelas esbeiçadelas. Apresenta o covo acentuado com aba levemente côncava. Decoração em estampa - pássaros e flores na aba ornada por duplo filete castanho ao meio do centro e no rebordo da aba. Serviam para  fazer o requeijão .
Possivelmente fabrico do inicio do século XX de Coimbra (?).
Barro vermelho(Coimbra)
Outra palangana comprei-a na feira de Azeitão. Veio de Oliveira do Hospital onde a sua mãe fazia o requeijão.Impecável, de covo acentuado com aba levemente côncava ornada com raminhos de cerejas , ao meio do centro filete amarelo ocre e no limite do bordo igual. Fabrico início do  século XX. 
Sem marca possível atribuição a Coimbra, pela textura, decoração a cerejas e filetes em ocre  (?). Anos 20/40( ?).
Alguidar  pertence seguramente à última fase"da loiça ratinho" fabricada no século XX.O verso é bem característico.Este formato afunilado é raro aparecer, das minhas preferidas.Havia uma muito parecida na casa da avó Rosa do meu marido, que a irmã...
Irresistível foi compra-la apesar de cara na feira de Paço d'Arcos . 
  • Dizia o vendedor "era de Nisa vi -me aflito para a velhota a tirar da chaminé" quando perguntei o porquê, respondeu-me "os filhos não querem que ela venda nada"...mais tarde soube que contava a mesma história a outros...
Duplo filete em castanho a ornar o meio do fundo e aba com estampilha em motivos florais na policromia manganês, azul e amarelo e filete castanho no limite do bordo.
Sem marca possível atribuição a Coimbra , fabrico inicio século XX (?).
Bacia "Ratinho" pintada à mão meados século XIX comprei-a em Paço d'Arcos. Ao centro pétalas em remoinho em azul claro ornada de traços que se entrelaçam em amarelo ocre e entre eles pingos de verde cobalto. A aba decorada por borrões pequenos em maganês tipo borra de vinho com filamentos em azul, amarelo e verde cobre com debruo da bacia por filete em manganês.
Sem marca, finais século XIX inicio de XX, fabrico de Coimbra .
Bacia que comprei-a na feira-da-ladra do principio século XX, o verso é muito grosseiro e a textura da massa também.Esmalte cor de grão com estampagem  de ramos de flores na aba em azul com duplo filete em castanho ao meio do limite do covo e um no rebordo.
Sem marca,  fabrico meados século XX de Coimbra (?) .

Alguidar minúsculo branco com filete no limite do bojo e no rebordo duplo, sendo um mais grosso e outro mais fino.Esmalte branco e aba do rebordo deitada. 
Fabrico meados século XX. Sem marca possível fabrico de Coimbra.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pé de encaixe para prato escorredor Coimbra (?)

Nada menos que um pé de suporte de um prato escorredor de copos de aguardente que se enchiam a deitar fora, por isso se aproveitava o que caia no prato com furinhos para escorrer para dentro do pé.

Encontrei-a por mero acaso na feira da ladra

Gostei do rendilhado azul, cor minha preferida nas faianças.
Peça atribuída ao século XIX  (?) em faiança. 
Elegância da peça no seu interior aberto para o reservatório da água. 
Peça com pintura monocromática em azul a cheio na base do pé e por entre os galões de flores, e a dois tons mais claro nas duplas de filetes. 
Quanto ao fabrico analisando o fundo, a cor láctea do esmalte, dupla de filetes e os esponjados -, pode ser Coimbra (?).

Uma peça em motivo cantão popular completa retirada http://ascoisasdequeeugosto.blogspot.pt/
Retirada de  http://velhariasdoluis.blogspot.pt/2013/07/salva-de-aguardente-em-cantao-popular.html
Adaptei ao meu pé uma vela grande redonda, ficou belíssima na sala junto ao candeeiro de cristal.

Mais tarde encontrei um prato coedor com os furinhos na feira de Paço d'Arcos - lindo e caríssimo na banca do Sr Lacerda -estranho, nem sabia a função

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cortiço com tampa com estevas



Em cortiça claro!
Peça que me lembro desde sempre conhecer, a minha mãe quando casou trouxe um de casa dos meus avós para pôr atrás da porta da casa de banho,serviu como cesto da roupa suja durante anos.
Depois foi arrumado no sótão até ser redescoberto por mim, numa das últimas limpezas que lhe fiz, trouxe-o comigo, não sabia bem o que fazer dele.Por dentro ainda tem os paus cruzdos para as abelhas fazerem os favos de mel.
Aí surgiu-me a ideia de o pôr no hall da casa rural, mas não tinha tampa, essa tinha-se com o tempo perdido.
Nessa altura a minha filha trabalhava em Odemira, onde eu ia várias vezes, confesso que já conhecia, mas fiquei mais apaixonada, além da beleza da costa alentejana, as pessoas por certo são adoráveis, perdi horas a conversar...adoravam ouvir-me, senti, sempre tive jeito para as pessoas, de ensinar, coisas básicas, sorrir e fazê-las sorrir também...não é falta de modéstia....está-me nos genes!
Bem, aí soube de um senhor numa aldeola que era cesteiro e lá fui, o Sr Pombareiro, homem de mais de 80 anos, um sedutor!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Estórias de azulejos e porcelana...


O que encontrei junto ao rio Tejo ali ao junto do torreão sul do terreiro do paço...estava tudo enlameado...o que tive de esfregar...
Se olharem com atenção podem ver um deles ainda no chão...


Podem não valer nada, eu gosto deles, quem sabe se conseguirei fazer deles um quadro de Alminhas ,além de outros que hei-de arranjar
Interessante, é que a espessura é diferente


Fragmento em porcelana que só vi do género no paço de Alcáçovas no Alentejo, o jardim com alpendres cujas cúpulas estão revestidas a fragmentos de porcelana, havia um deles caído e claro trouxe-o comigo


Aqui os de Alcáçovas para poderem ver as semelhanças, estas porcelanas são figurativas pela frente e no verso

O fragmento maior de faiança que quase aposto ser pertença do século XVIII, já vi num Museu e livros.


No miradouro do convento dos Capuchos na Costa de Caparica no jardim também ainda existe este tipo de decoração, mais recente já com faiança portuguesa
Curiosamente mote para numa prateleira que comprei com 3 azulejos decorativos, que tirei e no lugar deles colei aleatoriamente caquinhos de faiança...ficou um espanto!
Tenho de me especializar em fotografia digital como a Maria A.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Medidas de capacidade de antigamente



Alqueire, meio alqueire, selamim...quem sabe o nome dos pequeninos que serviam para vender os tremoços...onça?
O primeiro, o alqueire, com pegas era pertença da minha Titi
O meio alqueire era do avô do meu marido
O selamim mais pequeno não está aqui, mas sim na casa rural e foi-me dado pela minha prima Júlia
Os pequeninos não resisti a compra-los numa feira de Setúbal por 5 €

Gravatas em jeito de painel



Recebi-as há anos de herança por falecimento do meu sogro.
Resolvi num rasgo criativo pendura-las no hall da casa rural, sítio mais apropriado, afinal era dele a casa.
Adaptei um azulejo alusivo aos "lenços dos namorados" que julgo era da cozinha da minha mãe para pendurar os panos,perdido algures até ser encontrado por mim onde as gravatas assentaram na perfeição.
Gosto de as apreciar com os noz feitos...dão-lhe vida...
Estão prontas a ser usadas!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Altar de souvenirs de locais de culto...



Comprei a prateleira comprida na feira de Oeiras .
Apreciei a antiguidade, fragilidade , logo me lembrei como ficaria bem por cima do meu oratório na casa de província. Assim foi, gosto do conjunto com o crucifixo engalanado por mim em jeito de imitação como vi na televisão na zona de Braga.
Na prateleira uma Senhora de Fátima e o Sagrado Coração de Jesus ornados a rendas,claro que antes lhes comprei as coroas, sempre fui vaidosa nos adornos... adoro enfeitá-los... ladeados por souvenirs de vários locais de oração ....ainda um Cristo estilizado que comprei numa feira de artesanato, no canto direito um ícone que a minha irmã me trouxe de um dos países de leste....gostaria que fosse a Virgem Negra...mas não me parece!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Chocalhos em latão



São seguramente as primeiras peças que comecei por comprar, já lá vão 30 anos...
Ainda me lembro de ver as ovelhas e cabras com eles à volta dos pescoços, sobretudo do ruído característico, sonante, relaxante no ritual do pastoreio da erva rasteira no adro da capela mesmo à frente da minha casa, já na primavera adorava os borregos e cabritos pequenichotes com apêndices pendurados no lugar dos chocalhos e ainda restos do cordão umbilical seco,de pernitas trolhas a cambalear...
Alguns chocalhos tem coroas gravadas
Há anos que não os vejo pelas feiras...

  • Os chocalhos grandes de fivelas em cabedal trabalhadas a canivete pelos pastores.

Os meus azulejos

Os meus parcos azulejos decoram inexplicavelmente a minha minúscula casa de banho do r/c da minha casa de província
Gosto de os mirar pendurados em aranhas de metal,em jeito de quadros, acho fascinante... ali naquele escuso espaço sob o comprido, então não a fizeram aproveitando o vão da escadaria para o 1º andar
O que eu tenho de falar, implorar para o meu marido, que não gosta nada de pregar os pregos, a parede é rija como um raio...
Por isso é que ser livre deve ser muito agradável, faz-se o que nos dá na real gana e não se ouve epitáfios de ninguém
Tempo de começar a pensar...ehehehehe
Quanto a este exemplar é de 1640, o vendedor na feira-da_ladra pediu-me 10 €, aí perguntei-lhe pela esposa, apelei aos afectos, disse-me que estava doente, fez-me um desconto, trouxe-o por 5 €
Nesse sábado ao mesmo vendedor também comprei este nas mesmas tonalidades,azul e amarelo, as minhas favoritas, a banca no chão repleta de painéis de todos os séculos, este disse-me que era do século XVIII, custou 5 €
Quanto a este adorei a simplicidade, harmonioso o desenho, também comprado na feira da ladra por 2 €
Bem, quanto a este, desculpem-me, sei que não devia...mas o impulso de o ter foi mais forte!
Um belo dia fui passear à quinta da Fidalga no Seixal, por entre o arvoredo e o tanque que enche consoante a maré, um retiro para lazer decorado a azulejos, no chão alguns partidos, este inteiro...olhei para ele e não resisti, as esbeiçadelas já foram feitas por mim a tentar por-lhe a aranha, é tremendamente grosso
Se a quinta foi do irmão do Vasco da Gama, seguramente é século XVI
Este também o comprei na feira da ladra, nunca tinha visto outro assim igual, como era em tons azuis os meus favoritos,não hesitei em compra-lo por 2€
Sempre gostei de azulejos figurativos, sobretudo com animais
Este será do século XX, uma boa reprodução de anteriores, comprei-o a um velho conhecido vendedor em Setúbal por 5€

Restauro - Quadro


Quadro.Relíquia encontrada para os lados da casa da Amália no Brejão.
Ao meio da caminhada por entre frondosa vegetação a imitar Sintra,ainda pedras basálticas soltas e o riacho com levada corrida em ravina sinuosa, do outro lado mimosas ressequidas a morrer de pé em jeito de imitar o lindo soneto de Florbela Espanca, por entre os ramos a rede de limitação da propriedade, mui velha, ferrugenta esburacada...
Lugar emblemático, não sei se foi dos morangos saborosos que antes comi, se foi da emoção do local, algo mexeu e de que maneira comigo, uma brutal indisposição.
Cenário deprimente!
Não sei o que me passou pela cabeça e sem pensar, ponderar, não resisti, ainda hoje tal me intriga como fui capaz,num gesto impensado não me assustou o pó, teias de aranha e pregos ferrugentos, mesmo assim, tirei-a debaixo do entulho de lixo.
Restaurei-a ao meu jeito, enriquecia-a numa moldura cujo estilo vira na colecção Berardo no CCB
Decora hoje o quarto da minha filha noutra casa das três que possuo.
Quem a contempla gosta dos tons fortes, quentes que incuti para esconder as mazelas, o resultado é no mínimo muito agradável.
Melhorou com a moldura preta.Pena é não ter a foto primitiva para se avaliar o forte contraste. Nada a fazer!

Faiança em policromia do norte

Belo prato pintado em policromia. Ao centro vaso com flores; azul e vermelhas. Ao limite do covo filete fino castanho e um largo amarelo ca...