A faiança de Caminha e de Vilar de Mouros

Já estive em Vilar de Mouros. Já caminhei sobre esta ponte estilo românica. Já senti as águas cálidas e serenas do rio Coura, onde atrevida e descalça chapinhei os pés sob sombras frescas em quebra luz de salgueiros e choupos em tonalidades de verde alface, a imitar a frescura de Sintra, também deambulei pelo espaço com o palco, onde durante anos decorreu o Festival de Vilar de Mouros, que  pôs esta terra minhota no mapa!
Sobre a faiança produzida em Caminha, e nomeadamente em Vilar de Mouros, tanto se tem alvitrado sendo que pouco ou quase nada no tempo se foi acertando  na sua fiel catalogação, seja  por falta de exemplares marcados conhecidos, seja pelas deturpações atribuídas em leilões, na boca de alguns antiquários e na de feirantes de ocasião-, com a recessão aumentaram e de que maneira pelas feiras, mas também daqueles que as varejam em visita à procura de pechinchas  direcionados para a transação on line, sendo que do assunto vão aprendendo (?) apesar de no meio ser fácil encontrar erros de atribuição na compra e venda de velharias na odisseia cibernética, mas pior é não estarem coletados, tão pouco pagar segurança social e impostos, nem suportar as agruras do tempo, faça chuva faça sol,  a montar e desmontar bancas, à espera do freguês...que procura coisa boa, rara, entre 1 e 5  euros!
Nomeadamente sobre Vilar de Mouros, sabem pouco ou quase nada. Finalmente temos um Livro!
Fábrica de Cabana  e o seu forno em Caminha  

Forno
"Fábrica  da Quinta da Cabana-, a efémera Fábrica de José Martins Rua, sobrinho do proprietário António José Xavier da Silva que a fundou ao que parece em 1820 e  acabou destruída por incêndio em 1854. A decoração da loiça - sendo mais simples a sua ornamentação, tanto relevada como em pintura, do que resulta um aspeto mais modesto - comparada com a de Viana mais fina - dizendo-se que a faiança desta fábrica é filha por influência da Fábrica de Darque. Fato que associado à coincidência de datas (ou terá iniciado a produção em 1846 para encerrar em 1854?), permite pelo menos levantar a suspeita se não terá funcionado a Fábrica de Vilar de Mouros nas instalações da de Cabana (?)."
Citando o Livro de José Queiroz "Nas esplêndidas coleções do Museu do Instituto e do Sr. Conde do Ameal, ambos em Coimbra, está representada a Fábrica da Cabana, com espécimes marcados."
Peças de Caminha da Fábrica Cabana na foto a preto e branco do livro de José Queiroz. Assinavam com "X " e "XA".

Como já anteriormente referi é de bradar aos céus os erros que se encontram nos leilões na má atribuição de faiança, e com isso alguns lotes são subestimados e de baixo preço, que só lhe pega alguém de olhar atento e sabedor-, estou a lembrar-me de um prato de grande dimensão fabrico de Coimbra decorado com uma grande cegonha que me pediram à volta de 400€ sendo que o vendedor o adquiriu por migalhas, e ainda me contou a história!
Num leilão encontrei este prato atribuído a Estremoz (?)...ao que parece pode ser de Caminha ou Vilar de Mouros (?). Seja pelas campânulas, pelas gavinhas,  pelo tracejado das reservas, pela policromia e largo filete amarelo canário.
Vamos viajar na paixão da faiança e na frenética vontade em a catalogar
Pequena terrina da minha coleção pode eventualmente ser produção de Caminha(?), parece singela, mas não é, seja pelo formato redondo, pelas quinas na parte bojuda, tampa com ligeira elevação, asas e pela  decoração.
Citando o Livro José Queiroz
"Já a Fábrica de louça de Vilar de Mouros foi fundada em 1855 (erradamente chamada de "Além da Ponte", lugar inexistente na freguesia), laborou até meados dos anos trinta do século XX. A sua abertura deu-se imediatamente a seguir ao encerramento da fábrica de louça de Viana, localizada em Darque. Dois operários que ficaram desempregados, os irmãos Bento e José Maria Alvarinhas, eram oriundos de Vilar de Mouros e, com o capital e o terreno de um outro vilarmourense, Domingos Luís de Chelo, decidiram abrir uma fábrica de louça fina na sua freguesia. A fábrica teve um percurso algo atribulado, com altos e baixos, mas terá laborado até cerca de 1920, tendo sido durante quase setenta anos a única fábrica de faiança do Alto Minho e, cremos, mesmo de todo Minho."
"O que se sabe é que em 1855 a fábrica em Darque fechou por falta de qualidade dos artistas. Os irmãos Rua, oriundos de Vilar de Mouros, partiram para a sua terra onde fundaram uma olaria, até assinavam as peças com "V" como em Darque que viria a laborar até 1920".
A capa do Livro 
 Mal tive conhecimento da publicação pela Câmara de Caminha, o solicitei, e apesar do envio demorado o recebi à cobrança.Devorado na procura desenfreada sobre o que sempre ouvi falar sobre esta fábrica na imitação das decorações que se faziam na altura em Coimbra, e disso NADA ABORDAM, mas José Queiroz assim o mencionou na sua obra, sendo que na Fábrica de Cabana foi verdade e na de Vilar de Mouros fiquei de água na boca porque  nada vi em verde, nem castanhos...Muito desiludida com o motivo Roselle "casinhas tipo palheiros ou à semelhança das de Santana na Madeira de altos  telhados que terminam em bico encimados por cruzes ou bandeirolas ladeados por arvoredo" .
Nunca vi nada afirmativamente de Vilar de Mouros assinado, o que tenho visto é casario pintado por várias olarias; Alcobaça, Coimbra, Gaia, Açores e, ...Mas  agora com o Livro, também se pode afirmar que este motivo embora amiúdo "aldrabado com o motivo do cantão popular" foi pintado em Vilar de Mouros, apesar da parca exuberância do casario, e apenas na cor monocromática azul, sendo que poderão existir outras peças noutra cor (?) .Mas disso nada foi falado nem mostrado.
O Motivo Roselle
Para muitos de nós, o  tradicional  casario. Ao ver uma peça com este motivo, no imediato a tendência para o catalogar sendo que desde sempre o mito(?), que o casario de Vilar de Mouros muito bonito, ricamente pintado em verde-, um verde fatal, raro, que só os colecionadores o conseguem imediatamente identificar, ou em castanho aberto e intenso, a que chamo "gordo". E de fato um dia numa feira numa banca cara olhei de relance um pequeno prato em verde, um verde que não se explica, belo, belíssimo, mas não consigo já identificar o casario, fiquei bloqueada pela cor, voltei mais tarde à banca e já tinha sido vendido por 100€ a um colecionador.
Há pouco tempo comprei um prato do mesmo tamanho do tal verde, mas em azul com a mesma particularidade do filete carregado no rebordo de ligeiro esbicado. De fato este prato é fabrico norte. Disso não tenho dúvidas. Mas o Livro não mostra nenhuma peça nem fragmento com este casario de cúpula central cuja pintura das janelas se revela de alto a baixo.
No entanto o rebordo com ligeiro esbicado, esponjado da aba com flores, o duplo filete que delimita o covo da aba, o desenho central a stencil, ramagens a cheio, esmalte lácteo dá palpites para Vilar de Mouros(?).
Em jeito de comparação no Livro apenas distingo estas jarras com casario de cúpula, mas de janelas e portas, diferente do prato acima referido. 
Nesta jarra as ramagens a cheio

Assim, dum modo geral a análise de uma peça  de casario levanta dúvidas sobre o seu centro de fabrico, porque sendo aparentemente semelhante a outros exemplares, se revela contudo de substancias diferenças, por isso há que o saber distinguir e catalogar com melhor segurança, não descuidando a forma como foi produzida, se na roda ou em molde, avaliar a sua textura homogénea ou não, formato, peso,  pintura, esmalte, brilho e,...
Semi dececionada.
O Livro sobre Vilar de Mouros tem mérito por ser pioneiro, o primeiro editado, também pela amostragem de peças de colecionadores, a quem se agradece a gentil cortesia de partilha, mas tendo a mais valia das centenas de fragmentos que alguém arrecadou, o que revela sabedoria apesar da suposta parca cultura (?), pessoa(s) cujo instinto falou mais alto, em ser guardadora dos cacos que lamentavelmente a foto no Livro, a preto e branco, literalmente deixa qualquer apaixonado pela faiança frustrado em melancolia, pois o certo seria ver naquela mesa imensa policromia! Pois tive de me socorrer da foto retirada da net  em junho de 2014 aquando da amostragem dos fragmentos recolhidos pela família Barrocas, durante anos, que encontrou nos terrenos onde a fábrica laborou e se disponibilizou para serem analisados, dando assim origem à publicação do primeiro Livro sobre esta faiança.
Bem haja a família Barrocas, pois também sou uma amante dos cacos , por certo temos os mesmos genes na  sua paixão e preservação.
 Sobre os fragmentos de faiança recolhidos na imediação do forno a olho nu apraz-me dizer
O Livro  mostra apenas bases dos pés de peças assinadas, ora  aqui visualizo alguns pés ou bases que supostamente foram de bules ou infusas (?), no lado direito. A amostragem do tardoz das peças ditaria ajudar imenso a catalogar outras peças.
Não mostra os fragmentos divididos por motivos, sejam geométricos e vegetalistas, apenas o faz referente ao motivo de Cantão Popular. Sendo que a opção passou por ser mostrada apenas um fragmento junto a uma peça completa.
Não mostra a conexidade de fragmentos e consequente desenho como é habito ver em Monografias assim retratado, o que também ajuda na catalogação.
Mostra poucos fragmentos, sendo que se fica na dúvida da utilização do fatal verde, castanho gordo(este termo é meu), azul celeste e manganês esborratado que fazem parte do imaginário de muitos e claro do meu.
Prato da minha coleção pintado a castanho gordo com azul celeste no filete, sob esmalte cor de grão, a dúvida será Coimbra ou norte, Vilar de Mouros(?)
E aqui reside o primeiro enigma! Sempre ouvi dizer que a loiça de Vilar de Mouros era semelhante à de Coimbra até se confundia com esta, na decoração e nas cores, mas o Livro nada aborda.
Apenas refere que as peças se assemelharam  à produção do Porto.Também a SAVP e claro a Darque. 
O Livro apenas mostra evidente da pintura Roselle ou casario;

Bule
Terrina redonda 
Jarra de alta
Sendo que o casario de telhado em bico é ladeado por outro casario alto, tipo torres(?). E nas três peças o debruo do telhado se mostra diferente e devo confessar, foi uma enorme frustração, pois almejava apreciar uma peça, quiçá travessa, exuberante.
O que me parece pela amostragem é que este motivo Roselle foi associado à decoração usada no Cantão Popular, e sim, esse o fizeram em grande variedade e quantidade.
Já anteriormente abordei em dois posts
  • http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt/2014/10/cabaca-de-producao-santo-antonio-do_23.html 
  • http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.pt/2015/03/fabrica-de-santo-antonio-do-vale-da.html
A Fábrica de Santo António do Vale da Piedade que também era uma eterna desconhecida(?) onde a  amostragem de fragmentos nos dá a conhecer a sua forma, tamanho, conexidade  das peças,  veio facilitar a  atribuição das peças, com menos margem de erro(?) e que aqui no Livro  de Vilar de Mouros, não foi a meu ver explorada e por isso se mostra mais deficitária (?) .
Amostragem de fragmentos de SAVP revelam a massificação que Vilar de Mouros fez no copianço desta decoração, que só aos amantes deste motivo lhes salta à vista os pormenores, e por isso seja dificil a atribuição das peças a cada uma das fábricas (?).
Foto retirada de A Fábrica de Louça de Santo António de Vale de Piedade, em Gaia: arquitetura, espaços e produção semi-industrial oitocentista / Laura Cristina Peixoto de Sousa
O motivo inglês Roselle da fábrica de John Meir Son em Portugal  foi reproduzido vastamente, sendo que umas mais conseguidas do que outras,  até algumas bem ingénuas.
Exemplares do Motivo Roselle
Prato da Fábrica de  Alcântara que reproduziu fielmente o motivo
Tampa sem pega da minha coleção mais fiel ao original, fabrico norte com muita certeza.
Ainda não identifico a fábrica de GAIA que pintou este motivo e esta forma de ramagens a cheio.
Comparação de três travessas no motivo Roselle, serão norte, Vilar de Mouros ou (?)
Semelhança da aba de ligeiro esbicado nos cantos, formato ovalado, típica paisagem de casario com o telhado inclinado, bandeirolas, rodeada de arvoredo, sobre rodapé, com tracejados em ziguezague e abas decoradas a estampas que muitos alvitram fabrico de Vilar de Mouros (?).
Travessa da minha coleção no tardoz do casario apresenta duas altas árvores a lembrar a araucaria, da família do típico pinheiro nórdico .

Peça de uma amiga, Cristina, muito semelhante
Peça da Marília Marques que tinha à venda na sua loja
Prato coberto  na Figueira da Foz, a vendedora dizia se tratar fabrico Vilar de Mouros(?).
 

Já dizia Shakespeare
To be, or not to be 
Ser ou não ser eis a questão
Alcobaça ou Vilar de Mouros (?). 

A meu ver além da visita que os especialistas que compilaram o Livro fizeram ao Museu Machado de Castro em Coimbra e ao de Soares dos Reis no Porto, deveriam supostamente ter ido ao Museu Particular de Faiança de Alcobaça Maria do Céu e Luís Pereira de  Sampaio.Porque tem mais de 2000 peças catalogadas.
Há dias participei numa filmagem na feira de Algés para um programa na RTP2 com o Dr Jorge Sampaio, conservador do Museu de Alcobaça . Ao falar-lhe no Livro de Vilar de Mouros, a primeira coisa que me diz " fala alguma coisa das casinhas em bico ao mesmo tempo que as exemplifica com as mãos"...
Coleção do Museu de Alcobaça
Terrina em cor monocromática a castanho com aguada da coleção de um amigo Arlindo Bento.
Após tanto visualizar o motivo nas suas variantes é suposto acreditar que se trate de fabrico do Centro do País; seja pelo formato do pé da terrina a direito, o que revela ser feito em molde, o formato das pegas com debruo de filete, a pintura da tampa nos topos com o ziguezague em traçado, com este tipo de pega ou em Flor de Lis, e o rodapé cerrado, carateristicas que podem aventar com muita segurança ser fabrico de Alcobaça (?), mas será? Ou Vilar de Mouros?.
Travessa que vi na Feira da ladra com variante ligeiro no casario, rodapé em forma de esbicado e  formato, pode catapultar para Vilar de Mouros (?), mas pode ser Alcobaça, porque a aba é mais curta (?).
Peça do Livro, travessa esponjada de Vilar de Mouros de formato à semelhança com a de cima na diferença da largura do filete no rebordo mais evidenciado em Vilar de Mouros.
 O esponjado é muito semelhante a este meu prato
Este prato de esmalte lácteo com a característica do filete no rebordo carregado como há em algumas peças inventariadas Vilar de Mouros.

Pequena terrina que vi à venda na banca do Vítor com casario em verde. Dizia que é Devezas...
A pintura apresenta-se "arrepiada" sob falta da palavra correta nesta temática, isto é, não se mostra na totalidade homogénea e limpa, se mostrando com "buraquinhos de ar?" .Carateristica de pintura do norte, já visível  em peças mostradas anteriormente e adiante mostro um galheteiro, sendo que Vilar de Mouros nalgumas peças no inicio de laboração também é caraterística, como se mostra no bocal do garrafão da capa do Livro.
O pé da terrina é muito semelhante a outros de terrinas usado em Coimbra.
O arvoredo de ramagens esponjadas reporta para norte, Gaia, ainda não descobri a fábrica.
A bordadura da aba em forma de corda com rebites foi vastamente usada pela SAVP e Vilar de Mouros.
Verifiquei que o pé mostra bem visível arrepiados no esmalte, deixando ver o uso de barro rosado, o que me deixa perplexa sobre o centro de fabrico  ser Coimbra ou Gaia-, de uma fábrica que ainda não descobri!
A tampa  lança-se em altura como foi uso este fabrico em Coimbra e Vilar de Mouros.
Apresenta ligeiro brilho do verde refletido da transparência após cozedura que é visível numa determinada data de fabrico na loiça de Coimbra.
Mas o verde é bonito e a terrina até tem parecenças no formato a outros exemplares do Livro, poderá ser Vilar de Mouros(?) ou será Coimbra ou será ?.
Peças retiradas de um site de Leilões revelam o mesmo motivo, Roselle na particularidade do arvoredo se mostrar de ramagens preenchidas a cheio como se fossem nuvens, evidenciam fabrico do norte de uma Fábrica sediada em Gaia:
Miragaia
Fábrica Sá de Lima e Irmãos
Fábrica Senhor do Além
Torrinha
SAVP
Pereira Valente
Devezas
Ou  (?).
Exemplares com ramagens tipo nuvens  muito pequenas em relação às mostradas em cima maiores, mais abertas.
Fotos de Leilões
Travessa da minha coleção, uso de barro muito branco, esmalte brilhante:Miragaia, Devezas ou Pereira Valente(?).
Nas escavações da Cadeia da Relação  do Porto foram descobertos fragmentos em rosa e castanhos, sendo que o que era conhecido apenas o azul (?).
 
Travessa oitavada será de Alcobaça ou norte (?)


Três pratos da minha coleção com ramagens esponjadas inclinadas em altura, serão fabrico de  Coimbra  ou norte,  Vilar de Mouros (?).


Este prato no lado direito do casario mostra um tracejado em altura que foi pintado em Coimbra
Taça gomada o casario parece estampa
Rara peça .
Fonte baptismal de fabrico de  Lagoa Açores mencionada no Blog do LuisY
Não deixem de ver 
 http://velhariasdoluis.blogspot.pt/2015/08/ainda-o-motivo-roselle-na-faianca.html
Lembram-se de eu ter falado num verde fatal, é muito parecido com este .
Ramagens pintadas em ondas decrescentes a cheio 
Fábrica Alfredo Pessoa e Filho de Coimbra no recente Livro de 2015 de António Pacheco, na obra Louça tradicional de Coimbra: 1869-1965 apresenta este prato inspirado no motivo Roselle.
Outro Blog do Jorge Amaral com abordagem sobre este motivo que aconselho a ler
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt
Pintura monocromática a verde claro. Arvoredo  e rodapé a esponjado em aguada com nuances a reforçar a densidade das ramagens e no rodapé  de ligeiro esbicado com arabescos.
Outras mais valias do Livro
Revela que a fábrica produziu peças de  bordo esbicado e numa variedade imensa  e até ingénua no motivo Cantão Popular, que desconhecia.
  Prato de rebordo esbicado
Formato do bocal
Cantão Popular

Pintura ingénua
 Malga
Aba pintada a pincelada em forma de bicos que a Fábrica da Afurada também pintou .

Há pouco tempo vi uma travessa exatamente igual  a mostrada em baixo de rebordo nos cantos de ligeiro esbicado e perdia-a por falta de ética da vendedora, que a vendeu a outra com lábia, sendo que eu estava primeiro no negócio. Trata-se de pintura fina,  a ponte com os supostos remadores e as ondas são traços finíssimos que brilham no esmalte.
Uma valia a sua amostragem porque esta pintura nada tem a ver com as outras pinturas neste motivo produzidas na Fábrica de Vilar de Mouros, foi pessoa com mão mais sensível e delicada.
 Caneca de doentes
Prato da minha coleção atribuído a Coimbra(?) cujo pagode semelhante à caneca de doentes mostrada acima, mas pintado a castanho gordo, filete azul  celeste no limite da aba e caules a preto.A dúvida será produção de Coimbra ou Vilar de Mouros(?).
Analogia  nas semelhanças da pintura do Cantão Popular com peças do Livro e da minha coleção.
Prato da minha coleção diferente de tantos que tenho neste motivo, terá uns 27 cm(?), azul claro. 
Variante na tonalidade do azul, o meu mais escuro e ligeiras diferenças no desenho ao cimo
No Livro um fragmento com um "M" ladeado por dois pontos, seria a assinatura  de uma peça J.M.C, que foi um dos últimos donos.
Bomboneira  com asas em forma de "M relevado" e bordadura em flores de morangueiro.
Peça da minha coleção catalogada como fabrico de Coimbra (?), com o mesmo formato alto e quinado igual à atribuída a Vilar de Mouros e as mesmas asas em forma relevada em "M".
E a ser, o que acredito, a minha mostra-se de excecional pintura onde revela finalmente a cor azul celeste  e um castanho quase manganês que no Livro não mostra nenhum exemplar .

Tigelas com tampa também da minha coleção, esta com as mesmas pegas  em forma de "M" mas de bojo direito, com folhagem pontiaguda e flores de pétalas em formato de coração.Será Vilar de Mouros ou Coimbra(?)
Outra maior comprada recentemente com asas normais como também foram assim feitas em Caminha de esmalte amarelado.
Tigela com tampa de asa dobrada Coimbra ou Alcobaça (?). Foto retirada de Mercado antigo 
Tipo de asa em corda, em Coimbra foi usada nas sopeiras de grande porte.

A finalizar o Roselle num site de leilões  malgas  de bojo redondo em verde ervilha com as asas "M"
Sendo que os irmãos oleiros Alvarinhas vieram de Darque onde se fabricaram os pratos de maior diâmetro a rondar os 40 cm, o Livro mostra  o maior exemplar com 33,6 cm e outros pratos cujas dimensões variam desde 14.1- 18.5 -19.5 - 21.5- 23.7- 24,5 - 26.3 - 27.8 - 29.5 - 33 etc.
Portanto o prato de diâmetro mais pequeno se acaso não me enganei (?) terá 14.1 e o maior 33.6 cm.Fica-se sem saber se produziram pratos minúsculos, e maiores para servir a lebre, as chamadas lebreiras(?).
Tenho alguns pratinhos minúsculos, nem sei a razão ao tempo da sua utilidade.
Prato da minha coleção, num leilão vi dois iguais há anos, atribuído fabrico a Miragaia (?).
Alguma semelhança à infusa de Vilar de Mouros na folhagem disseminada no desenho
Agora num olhar mais atento seja pela pintura miúda, o torniquete da torre, moldura central de filetes fechando a duplo, esmalte lácteo, a grega na aba e a dimensão 37 cm, será norte com certeza, ou Vilar de Mouros(?).Um porém, o tardoz nrevela que o barro é rosado ( mistura de barros?) e apresenta craquelê, que é habitual em peças desta fábrica.Outra nuance que noto nas peças do Livro- Não se distinguem as marcas das trempes.Como seriam que as peças iam ao forno cozer, iam dentro de casetas?
Prato seguramente fabrico do norte-, Bandeira ou Darque(?) pelo formato do galo  e dos arabescos em laranja a imitar gavinhas com as marcas das trempes bem visíveis , até nos revela que na fábrica faziam pratos de grande dimensão.
Mas amostragem de fotos do Livro com faiança de Vilar de Mouros
Frasco. O pé no frete parece rosado(?) e a se-lo indicia que peças aqui já mostradas com esta carateristica podem ser efetivamente fabrico de Vilar de Mouros(?).
Galheteiro da minha coleção, fabrico norte.
No início já abordei o desenho da casinha tipo cúpula  com janelas em altura, mas o que acho semelhante para a colocar aqui é o "manganês arrepiado" como o da garrafa apresentada na capa do Livro. 
Também da pintura em bicos das galhetas do sal e pimenta, a lembrar a pintura de Afurada e que Vilar de Mouros também pintou.
O Livro mostra apenas um exemplar de galheteiro em gradinha, mas o formato da pega da asa é muito semelhante ao meu.
 
 Continuar a comparar, um vicio opinar!
O Livro  mostra esta terrina
Encontrei há tempos este escarrador com a mesma decoração  retirada do site OLX
 
Garrafão com muita semelhança na decoração e na cor de esmalte à minha bacia mostrada abaixo
Peças do Livro veja-se a decoração do bule e das infusas
Asa elegante
Comparação da decoração na semelhança do casario, cruz, bandeirola, na folhagem a cheio e na que se mostra em altura a contornar o bojo,  com este grande prato da minha coleção, revela que é produção do norte; Darque, Vilar de Mouros ou?

 Resultado de imagem para faiança motivo cantao popular
Jarras de altar.
Duas jarras da minha coleção semelhantes no formato do pé, diferem no pescoço do bocal, mas não lhes falta a grega, os esponjados e a dupla de finos filetes. Fabrico norte com muita certeza, SAVP ou Vilar de Mouros(?).
 

Curiosidades
 
 Bule feito à roda
Formato muito semelhante ao meu no motivo Cantão Popular, seja pela mesma base do pé, de bojo quinado, o mesmo formato de tampa e a pintura debaixo do bico atribuído a Miragaia SAVP(?) ou será Vilar de Mouros(?).
 
Ao desfolhar o Livro sentada no sofá a olhar para a parede da minha sala onde estão à volta de 60 peças expostas e mais umas dezenas no móvel na ideia frenética em descobrir alguma de Vilar de Mouros, e encontrei  sem margem de dúvida, algumas peças, mas catalogadas como Coimbra!
As flores a stencil do bule mostrado acima, são iguais às da barra deste meu prato, o mesmo traço fino a rosa da pincelada, rebordo esbicado, esmalte lácteo, atributos de Vilar de Mouros como o grande filete em amarelo canário a delimitar o covo.
Outro prato da minha coleção com o mesmo motivo central, mas de rebordo circular , esmalte lácteo e pintura monocromática em azul, uma dominante de Vilar de Mouros.
Para finalizar com outro prato de um visitante do Blog-, Carlos Martins, que partilhou comigo o seu exemplar, por ter visto os meus de decoração semelhante e que cataloguei como sendo produção de Coimbra, sendo que agora com o Livro o que parece ser mais fiável é a atribuição a Vilar de Mouros (?).
Este prato apesar da semelhança do motivo central, apenas difere dos meus na floragem da aba e do jarro, sendo que o esmalte também não é lácteo e sim em cor de grão.
Mas-, afinal também Vilar de Mouros, os fabricou nesta tonalidade.
Prato de Vilar de Mouros
Veja- e a semelhança com o prato da minha coleção em baixo-, filetes em amarelo, a flor de morangueiro, esmalte em cor de grão,  grega a cobalto muito usual na pintura de Vilar de Mouros, e marcas das trempes ao centro, que não é usual na faiança de Vilar de Mouros(?).
Este prato foi-me oferecido pelo LuisY, ambos tínhamos sérias dúvidas em o catalogar, sendo que eu atrevida me inclinava para Coimbra...
Escarradeira de gola.
Numa feira vi uma bacia de barba degolada com esta decoração e cor de esmalte que no imediato me catapultou norte,  para a Fábrica Cavaco, agora sinto que poderia ser Vilar de Mouros.
Cuspideira feita à roda que vi numa banca de um colega de esmalte lácteo cuja decoração é com muita certeza fabrico norte SAVP ou Vilar de Mouros(?).
Pintaram aves encimadas em ramagens com gavinhas.Rebordo relevado como se fazia em Darque.
Prato da minha coleção .Perdiz empoleirada em ramagem com pincelada fina das ramagens em rosa, sendo o rebordo esbicado e esmalte de ligeiro amarelado. Atribuído a Coimbra, será produção de Vilar de Mouros(?).
Prato com um carneiro

Mais dois pratos no motivo Cantão Popular da minha coleção . Fabrico do norte sem dúvida. Mas o Livro não apresenta nenhuma peça com pintura a manganês de encher o coração.
Será este meu prato  fabrico de Vilar de Mouros (?) pelo tipo de ponte, casario alto, folhagem a cheio, as aves (arabescos), carateristicas típicas da sua pintura (?).
Prato em azul com aba floral a stencil muito usada por Vilar de Mouros, corda a dividir o largo filete a delimitar o covo, em geral a amarelo canário, tracejado no rodapé do motivo central, sendo o tardoz quinado como já identifiquei noutras peças e o esmalte lácteo.
Outro prato da minha coleção que nunca mostrei, decorado ao centro com um pássaro envolto em ramo floral e aba com cercadura floral a stencil. Filetes em amarelo. Tem uma particularidade, o uso da cor preta.
Será fabrico norte de uma fábrica de Gaia , que usava o preto para distinguir a peça(?).
Ou será Vilar de Mouros(?).
 A policromia no Livro de Vilar de Mouros
O pintor deste prato seria pessoa de afetos, seja pelas cores empregues, pela grega a lembrar os montes ou as ondas do mar, pelo uso do filete em amarelo canário a lembrar o sol , pelas hastes das ramagens em fino traço a rosa e pelas gavinhas entrelaçadas como deve ser o amor vivido a lembrar o dia da Ascenção quando iam pelos campos apanhar a espiga!

Esponjados apresentados no Livro

Descobri que as folhas recortadas em forma de coração são evidentes na produção de Vilar de Mouros, o que não invalida que outra(s) fábricas de Gaia também as tivessem pintado.
Comparação com prato da minha coleção fabrico norte (?) mui semelhante 
Prato coberto.
Comparação com outro da minha coleção muito semelhante no formato e na pega que não tem marca.
Só que no Livro, este motivo de Cantão Willow Pattern-,  vastamente pintado por Massarelos, Darque, Sacavém, sendo que em Vilar de Mouros não foi mostrada nenhuma peça nem fragmento nem o pé de suporte para comparação .
 Fica a dúvida, sendo a pintura em estampa muito usada por Vilar de Mouros, é curioso a reflexão!

 Conclusão
Os Livros são sempre importantes para quem os publica, e claro para quem os adquire para neles aprender e se enriquecer mais. Tendo sido o Livro  publicado pela Câmara de Caminha, seria espectável no meu entender, que através do seu pelouro da cultura tivesse envolvido a população em aderir a esta iniciativa para voltar a pôr a terra nos anais da história, se  disponibilizando para mostrar peças herdadas ou compradas, para os especialistas poderem com segurança as analisar, fotografar e divulgar. E porque não a pensar numa campanha de angariação para compra simbólica ou doação  (?) para fazerem parte do espólio do Museu?
Apesar do meu estatuto sem qualificação profissional atestada em papéis,  é graças ao meu feeling de teimosia e de grande paixão pelos artefatos; sejam cacos e caquinhos de cerâmica, vidro, faiança, azulejo, pedras afeiçoadas ou esculpidas pela erosão e fósseis, que desde sempre me são queridos e deles sou fiel guardadora a pensar no dia que os junto e idealizo escultura no meu jardim rural a rivalizar Galdi...interessante, sem nada saber de faiança os comecei a guardar, são quilos de cacos do quintal dos meus pais, num tempo que não havia recolha de lixo e quando se partia loiça o hábito era pô-los entre as fendas dos muros de pedra solta, que na altura da primavera com o arranque das ervas  vinham atrás envolvidos nas raízes, e assim se disseminavam na terra baldeada ano após ano pela enxada ou trator, se indo fragmentando-, assim desta forma com a terra de novo remexida os vou apanhando, sendo a região perto de Coimbra, o que encontro vai desde a loiça ratinha, SP, Cesol, Lufapo,Sacavém, Vista Alegre e Aveiro, sendo que já encontrei um especial, cor e brilho a lembrar Fervença(?). No tempo fui aprendendo com a ajuda de livros temáticos que fui adquirindo, ainda uma formação sobre faiança do século XVI/III, sendo que bem antes me aventurei neste Blog, primeiro mostrando as minhas peças e mais tarde as tentando estudar e catalogar quanto à sua origem de fabrico, no objetivo de evoluir, assim fui errando, voltando a errar, sem jamais medo ou receio de emendar, acreditando a cada dia mais aprender pela grande paixão da temática, seja por ser mulher prática e decidida, e sem receio de coisa alguma, movida pela paixão desenfreada e determinada a investigar, apesar dos poucos recursos e do parco tempo, por ter afazeres com os netos, por isso a fascinação, sempre apoiada pelo meu poder de observação que guardo das peças, e das suas particulares diferenças, sendo que a temática foi durante uma vida quase esquecida, esmorecida e pouco aflorada com detalhes e pormenores subtis, que a terem sido esclarecidos e aflorados em evidência, por certo hoje ao interpretar os primeiros livros escritos se teriam menos dúvidas e sobretudo angústia por algumas fábricas o que escreveram sobre elas se revelar quase nada, não acrescentando valia credetícia para comparação de coisa alguma.
Este Livro mostra com clareza que houve dois períodos distintos de produção, sendo o 1º melhor do que o 2º -, sendo este último o que apresenta uma loiça mais grosseira de esmalte amarelado, cor de grão com textura menos homogénea, uso de estampas grosseiras, que se confunde com facilidade com alguma loiça seja também pela tipologia( taças ou bacias) com a atribuída a Coimbra, na minha opinião (?). 
Revela que produziram loiça de uso utilitário comum naquele tempo
          Peças de rebordo esbicado
Pintura variada do Motivo Cantão Popular
Dr José Régio
Há que tempos em mente arquitetar a crónica possível, a pensar no Dr. José Régio, no tempo que às cavalitas aconchegado na albarda do seu fiel burro se deslocava entre Montes  alentejanos à procura de tesoiros de "loiça ratinha" e Imagens de Santo António , peças que deixou tão bem retratadas no seu Museu em Portalegre. Faltam hoje homens desta índole. Deixo-me pasma a ver leilões de coleções de faiança e não só, numa vida angariadas  por gente ilustre, cuja família,  supostamente se desfaz a pensar no retorno do capital...Mas pior é ver nas feiras gente a comprar ao desbarato peças e outras raridades que de noite embalam para enviar para Países como a Ucrânia e ...
O que é nosso deveria ficar no País!
Mas também é incrível saber que há RESERVAS de milhares de peças guardadas em Museus, dizendo os conservadores, que não tem espaço para as mostrar...Assiduamente vou a Museus. O que parece é haver muito espaço (?). Os Museus é para estarem cheios, até porque vigilantes é coisa que não lhes falta, e por isso devem mostrar a riqueza que adquiriram ou recebem em doações.
Recordo que fui ao da Figueira da Foz e nele não vi uma única peça de faiança exposta, sendo que as tem nas reservas e o concelho foi frutifico em olaria como na região do Louriçal e Tavarede, por isso é de pasmar! 
E mesmo o Museu de Arte Antiga, a meu ver poderia nos expositores de loiça colocar mais peças.
Já o Museu Soares dos Reis no Porto, no seu melhor revela expositores de muitas fábricas onde mostra a panóplia da policromia e da textura das fábricas do norte e não só, onde me deixei encantar durante duas horas, só neste setor. 
Sendo que há a meu ver gente de valia que os dirige, bem poderia mostrar mais trabalho (?), esforçando-se em concretizar o objetivo em as catalogar e na  sua amostragem  ao público . 
Porque hoje com a globalização e a tecnologia muitas peças se encontram disponíveis via Matriznet, sendo lamentável ver muitas delas que a olho nu se percebe que poderão ter saído da mesma fábrica ou olaria, sendo que num Museu menciona a sua proveniência e noutro Museu não...
Há um trabalho imensurável de afirmação para ser feito com empenho e determinação,há muito que deveriam ter saído da base de conforto, porque nunca houve tanto estudante nestas novas temáticas, por isso há que pôr mãos à obra, até porque hoje dispõem de meios avançados na química, para saber a composição da massa utilizada, com isso mais saber sobre a proveniência da peça, e também de maquinaria para com certezas catalogar o vidro na sua origem, sem esquecer a arqueologia que tem dado passos significativos nesta área, assim, uma vez todos articulados, será uma mais valia na catalogação da nossa faiança e do vidro-,  dando-lhe o mérito que merecem, os dignificando no Mundo.
Desculpem se incomodo. Sinceramente peca por tardia a publicação do Livro no século XXI, sendo certo que é sempre mérito e salutar o ser pioneiro, mas esperava muito mais, atendendo ao material disponibilizado -, centenas de fragmentos e  peças de coleções particulares...
Porque o Livro ao não mostrar nenhuma peça do mito da pintura do Roselle em verde e castanho(?) deixa a premissa da eterna dúvida da sua atribuição a Vilar de Mouros!
O Livro baseia-se no prefácio,  literatura temática, compilação de pequenos textos e fotografia das peças.  No meu olhar faltou atrevimento nesta edição de mais fazer pela paixão da faiança, em  sair da base de conforto, na aventura  abrangente em fazer um Grande Livro que fosse marco histórico no incremento de maior envergadura  e destaque na visibilidade desta Fábrica, que antes quase ninguém dela escreveu, e pelos vistos foi de grande potencial a sua produção. Sendo que para mim amadora, fica a nítida  impressão que alguma da sua técnica e decoração se assemelha a Coimbra e SAVP (?) , e claro muita a Darque, onde predominam as pinceladas compridas e cores abertas nos azuis e laranja. Dúvidas deste triângulo que a ter sido abordado e dissecado supostamente revelaria uma mais valia credetícia para o alto conhecimento e maior divulgação desta fábrica que ainda é desconhecida para muitos, e não devia, e claro para desmistificar dúvidas na catalogação de muitas peças, por falta de amostragem do tardoz e pés das peças, referência ao peso e da  sua homogeneidade, argumentos válidos para uma catalogação mais concreta, por isso a meu ver vão continuar sérias dúvidas a persistir na sistemática atribuição!
Bem vindos serão mais livros de outras fábricas !
É forçoso rematar! A minha infusa , em esponjado manganês, sob esmalte lácteo, com grega, será Coimbra ou Vilar de Mouros?
 Cansada. O melhore é  beber um  caneco...
Hábito ao entardecer no falar dos transmontanos, que tanto adoro.Lembrei-me dos meus amigos de Torre de Moncorvo, Arnaldo e Ilda, que tanto estimo.Um professor do ensino básico, que ao derrubar uma parede larga de pedra se deparou com milhentos fragmentos de faiança, cerâmica e vidro,  recolheu mais de 8.000 que compilou em estudo sendo participante do 1º Congresso de Faiança que decorreu no Museu de Arte Antiga onde demonstrou a rota da faiança até Torre de Moncorvo desde o século XVI  ao XX.
Deixo-me a delirar-, afinal possuo peças na minha parca coleção de Vilar de Mouros, fatalmente derreto-me a olha-las, a mirar cada uma, a descobrir detalhes, sem jamais me cansar. Adquiridas na grande Lisboa, o que revela que as gentes nortenhas se deslocaram para a capital, ainda há muita tasca e restaurante de minhotos de Caminha, e arredores que trouxeram os seus tesoiros de herança, a faiança, cujos descendentes por já não terem o mesmo afeto às mesmas, as venderam e assim outros como eu as vão adquirindo.
Incrível a extensa narrativa deixou-me em arraso pelo brutal orgasmo inteletual!

FONTES 
Livro de Loiça de Vilar de Mouros
http://www.geppav.com/index.php/atividade/216-pesquisa-em-curso-fabrica-de-louca-de-vilar-de-mouros
 http://www.caminha2000.com/jornal/n587/cmc3.html
http://velhariasdoluis.blogspot.pt/2015/08/ainda-o-motivo-roselle-na-faianca.html
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt
Uma foto do google imagens

Comentários

  1. Boa noite!
    Gostei muito seu post!
    Obrigada
    Olga
    (ou aquela srª com quem teve a gentileza de conversar ontem em Setúbal e que, por não querer interromper uma conversa que estava a ter com potenciais compradores, não teve oportunidade de se despedir da Isabel! :))

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  2. Cara Olga, seja bem vinda e obrigada pelo carinho na cortesia da visita e pelo comentário exarado.De noite lembrei-me de detalhes que venho agora acrescentar, é também outra forma de adrenalina, adoro publicar para depois durante uma semana ainda com a temática a fervilhar acrescentar qualquer coisa...
    Muito obrigada por meter ouvido,às vezes torno-me maçadora,se foi o caso aceite desculpas. Perco-me nos limites levada no ímpeto pela paixão das velharias, esquecendo o pouco tempo de cada um para fazer coisas que também gostam.
    Bem haja e uma excelente semana para si
    Um abraço
    Isabel

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  3. Querida Misa,

    Obrigado pela visita aos meus pratos.

    Como estou usando usando uma máquina emprestada, tenho que ser breve. Mas prometo voltar e ser mais atento. Mas adianto que este seu post dá uma bela introdução visual e de ideias sobre esta louça. Mas tenho que confessar, acho até que já o fiz numa outra postagem sua, a minha decepção em ter perdido por tão pouco uma grande travessa dessas, decorada em verde e um jarro de vinho em azul (este mais caro mesmo) e que podia ter pego. Deixei passar pela falta de informação, embora algo me dissesse que eram peças bem especiais. Uma pena. Mas se quem as pegou tiver tanto bem querer que seja feliz com elas...

    Um abraço.

    ab

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  4. Caro Amarildo muito obrigado pela cortesia da visita e pelo comentário. Um dia destes vai aparecer uma nova peça e ainda mais bonita, porque se está enriquecendo no meio, identificando melhor a faiança portuguesa.
    Um abraço
    MIsa

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