quarta-feira, 25 de março de 2015

Faiança motivo Willow em tom verde esbatido arrevesar dourado

Hoje apresento um prato no motivo Willow (ou pombinhos) vastamente reproduzido na loiça inglesa e em Portugal nas fábricas; Sacavém, Massarelos; Gaia; Coimbra, Aveiro e,...
O mais estranho é a pintura monocromática numa tonalidade dissimulada entre o verde arrevesar dourado, com aguada.
Pela textura da massa, esmalte cor de grão e pela cor, supostamente a sua atribuição de fabrico seja Coimbra(?), na verdade jamais vi este motivo assim exatamente igual em faiança, antes outros em tudo bem diferentes. Possível atribuição aso finais do século XIX início de XX(?).
Por isso quando o encontrei quis logo comprar-, vale pela diferença seja a beleza no contraste.
Na parede
Ao centro o motivo Willow bem definido e caraterizado-, onde não falta o pagode, as árvores; salgueiro, pessegueiro, e a conífera junto do pagode, a ponte, o barco  e os pombinhos , tudo rodeado por filete fino antes do limite do covo. A aba com cercadura floral e folhagem enlaçada em grinalda com laçinhos.
Já deixei de vender um prato impecável por ter um "buraquinho" na aba...o que revela, apesar do direito que se reserva a qualquer um de nós na apreciação das coisas-, mas no caso incultura do nosso povo, porque é retrato da vida de antigamente de pobreza em que as famílias tinham muito pouca loiça e a penduravam, porque não tinham armários, ainda outros o levavam às costas para o trabalho, e nele comer o frugal farnel.
Conseguem perceber o "buraquinho" na aba?
Curiosamente tenho várias peças assim em loiça de fabrico da região centro do País, terá sido o "buraquinho" carateristica de uso das  suas gentes?
Tampa da minha coleção de terrina inglesa no mesmo motivo
Descobri http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/2015/01/travessa-em-faianca-fabrico-do-norte.html
Travessa em Cantão Popular, pintada a dourado, quando 99,9% do motivo foi pintado em azul e branco. 
No entanto na zona de Aveiro, houve uma fábrica- , S. Roque que se atreveu  na criatividade em pintar o motivo em amarelo  ocre e preto, supostamente porque em Coimbra se pintou  num tempo de antanho em dourado (?).
Prato da minha coleção
O tardoz  do prato de hoje em mostra apresenta-se em esmalte amarelado, muito brilhante, tal como na frente que as fotos não conseguem revelar...
Em Coimbra com a chegada do químico italiano Vandelli pela mão do Marquês de Pombal, a palete de cores na faiança  foi acrescentada a partir das quatro primárias: verde cobre, antimónio, azul cobalto e manganês .
Nasceram cores como : dourado, verdes como o  ervilha, vermelho e carmesim, laranja, preto, castanho e amarelo canário e ocre.
Contraste com outras peças da minha coleção atribuídas a Coimbra.
Na parede  um prato grande com bordadura a dourado atribuído a Coimbra, e o agora apresentado em tonalidade verde desmaiado que se confunde pelo brilho em quase dourado.
 O mesmo  na tonalidade nesta pequena terrina também atribuída a Coimbra
Grande prato com cercadura floral em dourado
















Fontes:
http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/2015/01/travessa-em-faianca-fabrico-do-norte.html;
Fotos do google

9 comentários:

  1. Cara Isa Coy,

    Parabéns pela sua apresentação, de mais uma peça com o motivo cantão, fora dos padrões habituais.

    Fico lisonjeado pela utilização da imagem da travessa em Cantão Popular que apresentei no meu blogue: http://velhariastralhasetraquitanas.blogspot.pt/2015/01/travessa-em-faianca-fabrico-do-norte.html;
    Pode sempre utilizar as imagens do meu blogue - estamos contribuindo para a aquisição de conhecimentos a nível de faianças.
    Também já apresentei algumas postagens sobre peças em Cantão Popular na cor Amarelo Ocre e Preto, pois tal como indicou tratam-se de realizações não muito habituais.

    Continuamos sempre a contar com as suas postagens de peças com padrões não habituais.

    Boa semana.

    Jorge Gomes

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  2. Caro Jorge Amaral muito obrigado pela cortesia da visita e pelo comentário. Também pela autorização no uso de imagens do seu blog. Devo no entanto pedir desculpas pelo lapso de o não ter referido em rodapé, seja o mau hábito de fazer pesquisa através das fotos do Google, mas que irei acrescentar, o certo.
    Corroboro na íntegra o que menciona no texto "estamos contribuindo para a aquisição de conhecimentos a nível das faianças".
    Retribuo os votos de continuação de boa semana
    Isabel

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  3. Olá Maria Isabel, realmente, ainda há tesouros por encontrar, fantástico e parabéns!

    Obrigado pela partilha, jsaraiva

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  4. Muito obrigado JS pela cortesia da visita e pelo elogio.
    O mais interessante é que o vendedor achava-o esquisito...
    Desvalorizou a pintura , sai eu a ganhar e todos os que realmente gostam da faiança .
    Bjs
    Isabel

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  5. Adoro o seu blog e sou leitor assíduo. Sou um modesto colecionador de peças Carvalhinho mas tenho algumas outras como Viúva Lamego, Constância, Sta Anna, Battistini e outras. Já tenho comprado peças por vê-las no seu blog como um maravilhoso pote do porco da Fabrica Vieira de S. Miguel que acabei por encontrar num antiquário. Escrevo para lhe perguntar sobre peças da Fábrica Soares dos Reis de Gaia que nunca vi no seu blog. Acho as peças muito coloridas e vistosas mas não sei se têm realmente valor como coleção. Podia-me ajudar? Obrigado e por favor continue a deliciar-nos com o seu blog. Carlos Martins

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  6. Caro Carlos Martins muito obrigado pela cortesia assídua e pelo comentário tecido.Comecei este blog para aprender mais sobre a temática da faiança e com isso fui comprando peças,sofri dissabores; algumas a pensar que seriam portuguesas, depois vim a descobrir que eram espanholas, ou no caso que referiu dos Açores, "o seu pote de banha com o porquinho, são tão bonitos". Costumo alimentar o blog com peças da minha coleção e quando não posso comprar, da banca de colegas, para maior abrangência do que se fez em Portugal. Sobre a Fábrica Soares dos Reis lamento não ter nada para amostragem, apenas tenho um prato vulgar cópia do que se fez em Sacavém em 1940, com a bordaddura a espigas de trigo relevadas e ao centro um moinho.Vou no entanto tomar nota para com tempo fazer uma crónica sobre esta fábrica, vai demorar, porque tenho agora um netinho que me ocupa muito tempo, e com prazer.Termino para lhe dizer que as minhas grandes paixões são a faiança ( mais antiga que Soares dos Reis) e os vidros.
    Fico feliz por saber que contribui para a sua escolha do pote...
    Uma boa e Santa Páscoa.
    Bem haja
    Cumprimentos
    Isabel

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  7. Obrigado pela simpática resposta. Registo a sua modéstia em relação ao conhecimento sobre faiança portuguesa mas o seu blog é a prova acabada e muito clara do seu saber e gosto sobre esta “matéria”. Já aprendi muito com os seus textos. Quanto às minhas preferências apesar de ter umas dezenas de peças Carvalhinho que gosto muito pelo detalhe do desenho e pela cor e craquelê do vidro, gosto mesmo é de “coisas” mais antigas, principalmente louça ratinha, da qual tenho poucos exemplares (a maior coleção que vi até hoje foi num barzinho em Cabeço de Vide – Alentejo – que se chama Antiquário!), mas são demasiado caros para colecionar.

    Mais uma vez obrigado e uma Santa Páscoa para si também.

    Cumprimentos
    Carlos Martins

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  8. Caro Carlos Martins muito obrigada pelo carinho da mensagem.O meu caminho foi sempre saber mais, um caminho de trilho difícil, a errar também, mas sobretudo pelo gosto de partilhar.
    Também gosto da loiça "ratinha". Na feira da ladra junto da entrada do jardim (ao cimo antes do mercado) há um vendedor de meia idade que tinha uma casa e se está a desfazer das velharias, tinha duas bacias e um alguidar a 60€ cada peça. O alguidar era lindíssimo e muito bem pintado.Se puder passar, não faço ideia se ainda as terá. Quando for a Castelo Branco visite o Museu Cargaleiro tem uma vasta coleção de "loiça ratinha" catalogada por Ivete Ferreira, ao tempo ofereceu-me o catálogo.Também o Museu José Régio em Portalegre, vai ficar estonteante, com peças muito grandes.
    Retribuo os votos de boa Páscoa.
    Cumprimentos
    Isabel

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  9. Bom, vivo em Constância e não vou muito a Lisboa. Já em Portalegre estive o mês passado e a Castelo Branco vou com alguma frequência.
    Muito obrigado pelas "dicas".
    Cumprimentos,
    Carlos Martins

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