domingo, 21 de setembro de 2014

Terrina com asas em ramalhete inicío século XIX (?)

Terrina graciosa pelo formato otogonal-, uma obra de olaria,sem tampa da coleção de uma amiga-, oferta generosa de um senhor velhote, a quem deu abrigo de dias, a presenteou ainda com outras peças,que inveja, sem o ser!
Decoração em volutas -, atrevida chamo volúpias por me perder a idealizar o pintor em elevados sonhos delicados ao ditar pinceladas, uma atrás da outra, ora maiores, ora mais pequenas...
Decoração de uma determinada época muito marcante em Coimbra, como mais abaixo verificarão.
Volutas como se fossem pétalas pintadas a monocromia azul e os estames , sobre os seus contornos aguada  e delimitada no bojo por fino filete.
Mas o que mais me impressionou nesta terrina otogonal, além do tamanho que se mostra elegante pela pacata pequenez, são as pegas ornadas a ramalhete em relevo e no meio um  entrançado em triângulo, também relevado, que confere à peça uma elegância brutal.Imagino a pega da tampa...
O pé da terina revela um esmalte de ligeiro anil, não sendo o branco translúcido
No livro de Artur Sandão encontrei uma terrina com semelhanças a esta nas flores das pegas que jamais assim tinha visto. A terrina é atribuída ao Juncal.

Uma probabilidade é atender ao fato de um pintor da olaria do Brioso de Coimbra se mudou para o Juncal em 1781, um tal José Fonseca, por aí haver bons barreiros. Sempre que um oleiro pintor se mudava de olaria levava consigo os motivos, e com isso a dificuldade em catalogar as peças se da 1ªolaria de onde saiu ou da nova .
O que aparentemente estranho é na esbeiçadela da terrina no corpo o barro parece avermelhado, sendo que no Juncal era branco de 1ª qualidade...
 Inclusive o Artur Sandão fala desta particularidade do azul anil do esmalte.

Segundo este excerto existem espécimes equiparáveis nas coleções do Museu Machado de Castro, o que acalenta a forte hipótese desta terrina que apresentei ser fabrico de Coimbra ou  mesmo Juncal?
Conclusão:
Nunca vi esta decoração de volupas atribuída ao Juncal.
O tom de azul catapulta para Coimbra com a aguada.
A graciocidade da peça.
Quem a executou era sem dúvida analfabeto porque não a marcou, mas de talento nato e sentido elevado de estética, sem dúvida.
Há anos comprei uma pequena travessa também em monocromia azul muito bem pintada cujo esmalte é muito semelhante a este em azul anil muito leve, que no imediato fácil foi atribuir a Coimbra (?) ainda por ser quinada,muitas evidências.
Sendo que a faiança do século XIX de Coimbra tem pouco, quase nenhum estudo, o que é pena-, estas peças da primeira metade do século aqui apresentadas,  serão a meu ver bons elementos de estudo a que juntarão outros como é óbvio, que no meu entender de aspirante as catalogo como Coimbra(?).

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