Prato com motivo floral em faiança de Coimbra ( ?)

Comprei este simpático e alegre prato em faiança  na feira de S. Martinho do Porto na banca do Hermínio e do Paulo. Bajulada na atenção do preço por estar na aba partido.
Curiosamente o meu olhar encadeou no brilho que exala do esmalte e se revê no tardoz em esverdeado muito claro.Caraterística  que tenho vindo a encontrar referenciada a norte, Fervença, quiçá ainda outras fábricas OAL e,...(?).
E o prato à primeira vista catapultou-me  para Coimbra(?)...
Já o traço do manganês  gordo revela norte (?).
As cores OAL e Coimbra...
A ornamentação da aba já a tenho visto intervalada com pássaros-, perdizes, sendo o centro  com brasões, pratos de igual tamanho, mais grossos de textura, e sem  certeza julgo o manganês não é igual, atribuídos a Bandeira (?), da coleção do Dr. António Capucho havia vários, já vi pelos menos uns três.
Mas falta-lhes o brilho do esmalte deste meu, e claro o tardoz é limpo e este não, reflete cor.





















O barro com que foi feito é amarelo, revela-se num canto partido, e por dentro num "arrepiado".
O meu prato apresenta como motivo central um ramo floral em estampa em policromia cromática  com a flor em ocre, botões cerise, folhagem a dois tons, verde seco e castanho claro,  sendo circundado por filete fino em azul claro, sendo igual no rebordo.
A aba ornada com raminhos florais também em policromia cromática onde predomina o verde ervilha nas folhas, sendo as flores e botões em cerise , pedúnculos ligados por finos traços a manganês, o mesmo no olho das flores, e receptáculos florais dos botões.
O manganês apresenta-se  gordo no traço.
Sabendo que em Alcobaça usavam barro de primeira qualidade, por nas redondezas haverem barreiros de bom barro branco, a dúvida se aqui foi fabricado?
Porque razão digo isto?
Verão mais à frente.
Em tempos andou uma banca com faiança: alguidares, pratos grandes e outros deste tamanho, sendo que um em particular ornado de grande ramo de cravos em cerise, de esmalte e brilho assim igual, e outro prato pequeno em azul  forte também esborratado que até feria a vista, só com  a flor em estampa em grande tamanho e esmalte muito branco e fino. Havia outros dois grandes de textura grosseira e pintura grande sem brilho algum, alguns aventavam Coimbra(?).
O vendedor cansado das feiras acabou por vender o espólio ao Vitor e na feira de Algés na sua banca os reconheci, pedia 50€ pelo prato grande...Só consegui trazer duas taças semelhantes ao prato de hoje -, bom preço, porque uma taça estava partida no rebordo.Sabia que tinha de trazer alguma peça comigo, pois tanto as namorei na Ladra, Algés e Paço d'Arcos...
Na segunda feira na feira no Bombarral,  o Vitor vendeu o resto da faiança ás  sócias de seu nome "Paulas" que as  voltei a reencontrar na sua banca da Avª da Liberdade no sábado seguinte. 
Mais tarde na feira de Alcochete o antigo vendedor com a esposa e um neto ao passar pela minha banca , o seu olhar encadeou na taça que estava partida na aba, dizia para quem os acompanhava -, "esta taça era minha"  e foi sim -, conversamos, onde me confirma que se tinha deixado das feiras, e vendido ao Vitor a banca. Mais tarde numa visita a casa da minha amiga Isa Saraiva acabei por lhe oferecer esta partida sendo restauradora a vai deixar num brinco...
A taça já postava há tempos está referenciada no centro oleiro atribuído OAL, mas pode não ser! Pode ser Coimbra.
Juntei as evidências do formato, o barro amarelo e da nova cor variante do vermelho, a que chamo cerise, falta-lhe contudo o manganês. Apresenta o mesmo brilho esverdeado no tardoz. 
Esmalte craquelê e o prato não, mas isso poderá a haver com a cozedura, temperaturas diferentes. E no tempo a faiança altera-se com as diferenças de temperatura, já tive um prato nas mãos que se ficou em três, por ter estado muitos anos pendurado numa parede húmida e depois na feira à torreira do calor abriu.
Para mim ambas as  peças saíram da  mesma olaria.
O prato veio da região Oeste.Fica o enigma a sua origem se Coimbra ou OAL(?).
Inclino-me neste agora para atribuição a Coimbra! 
Em tempos postei um belo prato com andorinhas que o tardoz reflete o mesmo esverdeado e seguramente é Coimbra por volta de 1880(?) cuja travessa mui semelhante com o Santo António se encontra no Museu Machado Castro.
Dissecadas dúvidas, as maiores-, Coimbra numa determinada época de bom esmalte e cores em brique, cerise, escarlate derivadas do vermelho tão típico de Coimbra!

Comentários

Postagens mais visitadas