Faiança do norte, Braga ou Vilar de Mouros (?)

Interessante é constatar nas feiras o aparecimento de peças da mesma época-, que me reportam logo para o triste acontecimento-, os donos que as mantiveram por compra ou herdadas inevitavelmente chegaram ao termo das suas vidas...
  • Fenómeno muito frequente de analisar porque sou observadora.
Desta feita há tempos adquiri um prato de cores quase berrantes,  seja pelo exagerado do verde ervilha, do rosa choque, do azul alecrim, ou dos remates a filetes  num intenso castanho.
  • Havia várias padrões e todos com as mesmas cores. Caros. Consegui este a bom preço e em estado impecável.
O esmalte apresenta-se na cor de grão. Ornado  a estampa floral, ao centro jarra em azul cor da flor do alecrim, com flores rosa  e ramagens verde ervilha, que se repetem na aba, delimitado no limite do covo por duplo filete castanho escuro tal como no rebordo do prato.
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No Museu da terra de Miranda, há vários exemplares do século XX, cuja semelhança é atroz pela cor do esmalte em beje, a que também se chama cor de grão, onde o azul celeste é cor predominante-, mas fatalmente de origem desconhecida.
As folhas pontiagudas também foram pintadas por Coimbra (?).

No Museu dos Biscainhos há peças com esta policromia-, o mesmo fundo beje, de proveniência desconhecida...O desenho é nitidamente do norte; as gavinhas, as folhas e a flor com volutas. 
Na zona de Braga, Cervães, Prado, Vilar de Perdizes e outras, houve olarias a produzir loiça utilitária de esmalte mais tosco (?).
Este prato pode ser eventualmente Vilar de Mouros(?)

Graças à sabedoria de uma especialista  com literatura temática publicada, e neste meio blogista conhecida carinhosamente por IF -, Ivete Ferreira, gratuitamente partilha o seu saber, e assim nos ensina mais sobre este mundo fascinante da faiança e da loiça "ratinho" . Passo a transcrever excerto do seu comentário que só engrandece o post " O esmalte mais amarelado, como refere, surge nos Ratinhos já do século XX, bem como o azul mais forte, que é mais tardio em relação às outras cores.
Ora, qual será a origem do meu prato?
Caminha pintou o verde ervilha, azul, e dizem o rosa e os castanhos em decorações, na maioria a stencil, estampas.
Pode ser fabrico de Caminha , Vilar de Mouros(?)

Comentários

  1. M Isa
    É interessante o seu prato e as dúvidas que levanta sobre ele. O esmalte mais amarelado, como refere, surge nos Ratinhos já do século XX, bem como o azul mais forte, que é mais tardio em relação às outras cores. Quanto a algumas peças apresentadas pelo Museu da Música classificadas como "Ratinhos", é preciso cuidado, pois estão mal atribuídas. Algumas são de produção de Alcobaça e a que mostra pode ser da fábrica VAO (víúva de Alfredo de Oliveira).
    If

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  2. Cara If muito obrigada pela cortesia da visita e pelo acrescento de sabedoria que só enriquece o post.
    Fiquei perplexa ao perceber que há peças de Museus mal catalogadas -, fato que estranho, porque são poucas, ao terem dúvidas, deviam acrescentar o ponto de interrogação (?).
    Ao mesmo tempo fiquei um pouco aliviada porque sendo eu apenas apaixonada, sei que por vezes sou atrevida na catalogação, se bem que penso estou no caminho de ligeiras melhorias...
    Bem haja pelo carinho
    Bj
    M Isa

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