quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Espremer outra vez o Cantão Popular ...

O Cantão dito Popular despoleta nas pessoas de maior sensibilidade muita curiosidade pela  simplicidade aliada à criatividade que os pintores deram  a este motivo de forma ingénua e espontânea, sem saber a história que o motivo encerra-, deste modo limitaram-se a fazer a sua própria criação que nos encanta em todas as variações.Repeti-me, mas há sempre gente nova a ler...
  • Por isso o motivo se revela tão interessante, autêntico, apaixonante e claro irresistível não o trazer connosco. 
No pior não  marcavam a maioria das peças -,o busílis  a falta de autenticação.
  • No meu achar é desafiante sair do conforto no atrevimento de analisar detalhes como um meio para chegar à origem de fabrico. Após o José Reis  -, o pioneiro em aglutinar informação sobre a faiança, quase nenhuns lhe seguiram as pisadas -, há excepção de  Artur Sandão, Jorge Pereira Sampaio e pouco mais editaram livros com estudos temáticos da nossa faiança.
Foi pena,  porque ao tempo a maioria das olarias e fábricas laboravam, haviam trabalhadores ainda vivos que podiam contar as suas histórias -, a nossa tradição na olaria ficaria mais rica para nós e para o Mundo.Sendo que o que se fez se reflete manifestamente pouco há que tentar fazer trabalho, se for preciso errando, mas jamais desistindo.
  • Ontem fotografei um conjunto de peças.
Hoje ao abrir o PC deparei com um post da Maria Andrade com o Cantão Popular-, apresentou duas peças de olarias da zona da Figueira da Foz.Quem aprecia  faiança, já desconfiava da existência na zona do Louriçal  de fabriquetas familiares -, aliás a própria apresentou em tempos umas chávenas que foram compradas numa feirinha na região com o mesmo formato de asa do jarro.Faltava claro saber mais pormenores -, agora recolhidos por ela  num trabalho esmerado ao deslocar-se ao Museu da Figueira da Foz  nestas férias, acredito.
  • Na  Bajouca  no concelho de Pombal (  falando de Pombal há referências muito antigas da produção de faiança)  -, ainda continua a arte de oleiro-, os seus produtos  de barro vidrado  e em cor crua aparecem nas feiras  na região como em  Ansião vendidas pelos feirantes dos Ramalhais, onde as continuo a comprar e as via nos anos 60 neste motivo de cantão em azul forte .
Apresento esta travessa que  não tem marca. Pode ser fabrico de Coimbra  ou Aveiro...ou Carritos!
O pagode do jarro tem no rodapé uma faixa com bolinhas com aguada em azul claro que se assemelha no limitar da crista do desenho da minha peça tal como na aba a dividir as reservas. O salgueiro parece-me igual como termina, mas já não digo o mesmo no pé.
  • Curiosamente o jarro não tem a ponte.


A minha última aquisição-, um prato que é raro encontrar, encontram-se mais travessas e terrinas. 
  • O mais semelhante ao verdadeiro Cantão. O primeiro que encontro. 
Pelo esmalte melado e anilado o seu fabrico pode evidenciar Coimbra, mas também pode ser norte Miragaia ou outra fábrica de Gaia (?).

 

Uma seleção deste motivo já postada para comparação

De todos os exemplares da minha coleção -, apresento o meu eleito neste motivo por a sua pintura se mostrar estilizada,  minimalista e muito contemporânea -, atribuo o fabrico a Miragaia última fase. Tenho mais dois exemplares.

Prato da exposição do Mercado da feira da ladra entre o meu e este vejam as diferenças do lado esquerdo da cúpula do pagode e em cima. Aventa ser produção do norte.
Mas em Coimbra ? 
Outro exemplar de grandes dimensões pode ser fabrico de Coimbra  (?) pelo barro vermelho de esmalte mui brilhante. 

Até hoje o motivo que primeiro que vi copiado  do motivo Davenport  -, pode ser norte, Bandeira que usou o tracejado como se vê no rodapé nos pratos com brasões e pela árvore estilizada.

Comprado em Coimbra muito interessante por fugir ao tradicional motivo, apenas tem o pagode ladeado de vegetação que viria a originar outro motivo chamado casario.
O esmalte melado e anilado, duplo filete fino no limite do bojo evidencia fabrico de Coimbra (?).



Prato de rebordo canelado atribuído a Alcobaça do José Reis  do blog Velharais - um igual pintado a cor de rosa, fez parte de uma exposição ao tempo.
Este exemplar foi o mais caro, está impecável de rebordo cortado a tesouras na massa grosseiramente marcado "V" na pasta no tardoz, evidencia fabrico de Darque Viana (?).
No Museu Machado de Castro em Coimbra existe um exemplar com este rebordo relevado em tesouras da Fábrica Joaquim Alfredo Pessoa.
    •  A minha amiga Isasay inclina-se para Santo António do Vale da Piedade, ou Viana (?).
    Travessa atribuída a Coimbra ? pelo rebordo recortado e textura

    Na última feira das Caldas da Felgueira em Nelas comprei na banca da Dulce e do Carlos este prato e  descobri um pratinho assinado da Viúva Alfredo Oliveira de Coimbra com um pássaro ao centro, e o rebordo ondulado igual.
    • Ora parecem as flores e o esponjado pintados pelo José Reis e o rebordo ondulado da Fábrica VAO, o que aventa produção  Coimbra ou Alcobaça  (?).

    .
    O José Reis pintou em Alcobaça esta terrina com esponjados e flores semelhantes patente no Museu 

    Jorge Pereira Sampaio

    Na exposição do mercado da feira da ladra

    Na Corticeira no Porto também foi uso do esponjado seguido de estampa na pintura da aba dos pratos.No entanto o  esmalte, a tonalidade do azul  e o ondulado do rebordo da aba reporta-me para fabrico de Coimbra (?). 

    Num repente lembrei-me doutro post da Maria Andrade que mostrou um prato coedor de pixéis de aguardente que  denota fabrico de Coimbra (?) pelo formato do prato, do pé, filetes finos em azul claro, folhagem das árvores e pelo pássaro-, desde o século XVI que se pintaram pássaros em Coimbra sendo que a fábrica da Viúva Alfredo Oliveira  durante décadas pintou reproduções, como o pratinho que vi -, espero foto, porque apesar de partido e colado a minha amiga Isasay o comprou por ser fã desta fábrica. Como casa amanhã, não vou atazanar...espero pacientemente.

    Na feira de Leiria não comprei estupidamente um prato vazado, decorativo, assinado Estatuária Soares Reis com um grande pássaro muito semelhante.
     Bem dirão, mas afinal a amostragem distribui-se do norte a Coimbra ...pois é. 
    Na verdade é lamentável a faiança do século XIX de Coimbra não estar estudada como merece. Por isso o atrevimento em falar dela, despertar mentalidades , quiçá alguém tenha exemplares marcados e assim se chegue a bom porto na catalogação com segurança.
    Pratinho de uma qualquer fábrica de Aveiro
    Outro pratinho minúsculo também de Aveiro retratou os "amantes" com bolinhas em círculo. 
     
    Espero que se venham ainda apaixonar mais por este motivo fascinante!




















    5 comentários:

    1. Bom dia Maria Isabel, meus sinceros parabéns, este padrão realmente tem muito que se lhe diga. Obrigado pela partilha. Como é um tema muito activo, fiz um pequeno post sobre o assunto no http://oficinadaformiga.com/blog/. Bjo e bfsemana, js

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    2. Caro amigo JS muito obrigado pelo seu comentário. Gostei do seu blog em bilingue, muito interessante a pesquisa e claro o padrão que escolheu-, entre Coimbra e Aveiro, o mais comum e a aba um delícia a fugir ao comum. Muito conseguido. Parabéns. Bjs

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    3. Obrigado Maria Isabel. Bjo, js

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    4. O Cantão é sempre um regalo para os olhos... Uma vez mais um bem haja pela partilha.
      Leonel

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    5. Caro Leonel muito obrigado pela visita e pelo comentário.
      A partilha faz parte de mim, aprender também.
      Cumps
      Isabel

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