Ainda voltando a falar de penicos...

Vou de férias até aos Algarves.
Deu-me uma vontade de vos deixar novos exemplares de faiança escatológica, termo que aprendi com a seguidora assídua Maria Andrade, a quem endereço um beijinho especial pela grande aprendizagem que com ela tenho adquirido. Bem haja, hoje e sempre.
Apeteceu-me deixar a pensar os demais...ser ou não ser Coimbra, Cavaco, Juncal ou...
Vim carregada da feira da ladra com mais dois penicos...

Estes dois muito parecidos com outros dois que já tenho.
Ligeiras diferenças.

Rebordo do pé largo, duas riscas azuis no bojo e no rebordo, barro vermelho.
Evidente a massa malegueira com buracos tal como em muitos ratinhos, que a pintura não adere.
Há partida seria fácil atribuir todos a fabrico de Coimbra (?).
Acontece que o circulo da base, o pé, nuns é bastante largo e noutros mais estreito e um ainda mediano.Também o rebordo do bocal nuns é muito airoso, elegante,enquanto noutros é quase talhado a direito sem rebordo saliente.
Também as riscas tem tonalidade diferente. Umas azul cobalto, outras azul claro e outro com duas riscas uma maior que a outra.

Uns são de argila branca e outros vermelha.
As asas são iguais com um pormenor no final uma dedada que o oleiro fazia para colar a mesma ao penico.
O penico de flores que não está postado aqui tem a asa diferente e esse não tenho dúvidas de ser de Coimbra.Veio de herança da casa dos avós do meu marido onde a loiça era praticamente toda de Coimbra e Aveiro. No entanto haviam mais 3 penicos bejes mais pequenos de massa malegueira.
Apenas um deles apresenta um esmalte lateo anilado que faz lembrar a pintura de Cavaco, postado no

leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.com/2011/05/penico-cavaco.

Fácil é entender que serão de épocas diferentes.
É sabido que as tinas de tinta seria feita talvez por aprendizes que nem sempre respeitariam a dose dos produtos, o que induz a tentação de de acreditar que sejam efetivamente todos de Coimbra, mesmo.No século XIX haviam 14 fábricas em laboração 7 de barro branco e igual número de barro vermelho.

Na feira não resisti a trazer este, apesar de lhe faltar um pedacinho no rebordo que vou restaurar.Igualzinho ao que tenho dúvidas se será Cavaco, um nadita menos anilado, igual ao da Maria Andrade.
Depois de outras pesquisas pode aventar-se que de fato é produção norte, possivelmente SAVP(?)

Comprado na feira da ladra .O sarro que tirei com o esfregão de arame...Ofereci-o á minha amiga Isabel Saraiva, para lhe dar sorte no casório.


Este que postei à dias de todos o mais anilado, no resto igual a este que lhe falta um pedacinho. A foto aqui ao meio de propósito para se comparar.


No mesmo dia encontrei outro  meio escondido entre carros...o vendedor apressou-se a dizer que era de Coimbra e com muita certeza.

Visualização do fundo, o friso da base é mais larga do que o penico a seguir e mais pequena dos de Coimbra postados à dias.

Vão servir de decoração num qualquer espaço...
A Maria Andrade tem um igual a estes de risca azul e um com flores que não engana ser Cavaco.
http://artelivrosevelharias.blogspot.com/2011/04/faiancas-e-porcelanas-escatologicas.
Atrevo-me a pedir que quando tiver um tempinho se fotografa o fundo dos seus e acrescenta no seu post para comparação.

Este penico é semelhante a outros que tenho. O esmalte é mais translúcido e asa é lisa
Sobretudo o Cavaco, estou curiosa.Muito obrigada, e desculpe o desafio.
O LuísY alvitrou no seu post que tinha visto uma imagem muito idêntica num catalogo de faiança do Juncal.Uma coisa é certa no Juncal só se trabalhava barros brancos que até iam de barco para o Porto e Lisboa embarcavam na Figueira da Foz, e estes exemplares mais torneados, elegantes são todos de barro branco.
Ajudem-me!
Prometo que não volto a faianças escatológicas.

Comentários

  1. Olá Maria Isabel,
    Então andou em maré de compras de mais faianças... escatológicas! :)
    Quanto a serem ou não das olarias de Coimbra, não sou capaz de me pronunciar. Não me lembro de existirem em casa dos meus avós, tão perto de Coimbra, os que ainda conheci na minha infância eram de esmalte.
    Realmente deve ter ido carregada para casa, com dois exemplares desses, mais outras bugigangas que se vão sempre comprando, não lhe faltou peso a descer a calçada!
    Vou fotografar os fundos dos penicos, como me pede, e acrescento ao post dessas faianças, só que tem de ser de dia, quando eu tiver disponibilidade.
    Desejo-lhe uma boa viagem até à costa sul e uns ótimos dias de férias.
    Beijos

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  2. Oi Maria Isabel
    Achei muito interessante seu texto, confeço que a pouco tempo vi um penico de louça, nunca os tinha visto, por aqui na minha região só conheci penicos de ágata, esmaltados, brancos com riscas azuis, ou com flores.
    Quem sabe se nas casas mais abastadas se usavam penicos de louça, mas nunca havia visto.
    Achei muito bonitos os seus
    bjs
    Tina (MEU CANTINHO NA ROÇA)

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  3. Oi,Isa
    Que sorte a sua
    Agora sou eu que procuro esses peniquinhos,mas aqui no Norte,não encontro muitos, não.
    Tenho visto desses de esmalte,mas de loiça...não encontrei sequer um
    Vivo aqui em Amares, perto de Braga ,mas não tenho encontrado nenhum
    Esses são lindos mesmo
    Não me esqueci do que lhe disse,viu!!
    Dia desses vou para o sótão
    Quem sabe com tantas coisas que lhe vou oferecer,você me oferece um pinico desses de loiça : )
    Bjs

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  4. Olá Maria Andrade.
    Compreendo quando fala da sua lembrança de penicos em esmalte.Recebi um de herança( a minha cunhada ficou com 2 em faiança, lindos de Coimbra,totalmente em massa malegueira, o meu marido ficou com 1 de flores.
    Na casa dos meus pais existiam 2 em loiça de Sacavém, grandes em branco.
    O mercado ao sábado em Ansião tinha um desfile de faianças e barros incrível, desde pequenina que me perdia a contemplar tal estandarte na calçada defronte dos paços de concelho. Curiosamente as vendedeiras mulheres rudes de uma aldeia a caminho de Pombal, Ramalhais, trajavam na altura todas de igual, vestidas de negro da cabeça aos pés, saião pelas costas a fazer de casaco com barra em veludo,ornadas com muito oiro, lindos cordões de várias voltas com medalhão e ainda arcadas nas orelhas. Fascinaram-me desde essa altura.
    Sempre venderam faiança de Coimbra, e Aveiro, barros vidrados da Bidoeira, para os lados de Monte Real.

    Muito obrigada por me presentear um dia destes com fotos novas do fundo dos seus exemplares.Sei do trabalho, tirar as flores, enfim, uma carga de trabalhos...por uma boa causa. Queremos perceber de onde é o seu e mais dois meus, pois são terrivelmente parecidos, apesar de um dos meus apresentar um esmalte melado mais anilado que tanto faz lembrar Cavaco, a questão é será???
    Já vi alguns exemplares e de Coimbra nunca vi um friso tão pequeno.
    Boa semana, estou de malas aviadas de rumo a praias cálidas na foz do Arade
    Beijos
    Isabel

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  5. Oi Tina.
    Uma das funções dos blogs é precisamente esta da partilha do conhecimento.
    Sendo o Brasil um irmão de Portugal com 500 anos recebeu muito da influência dos costumes e hábitos. A faiança um deles, tanta foi exportada para aí tal como dai saíram sacas de café.
    Inclusive a procura era tanta que fábricas criaram aí filiais.
    Interessante é existirem brasileiros muito interessados que trocam experiências seja técnicas seja de mostra de peças em blogs portugueses.

    O esmalte foi uma fase de grande proliferação.Tenho um cinzento com pintinhas brancas.

    Acredito que por aí nas casas solarengas de grandes fazendas deveriam existir em faiança, porque muitas tinham e ainda algumas ostentam peças em faiança nos portões e por cima dos beirados, estatuetas, urnas, vasos etc.

    Não fique triste. Acredito que os penicos em ágata devem ser um espanto!
    Beijos
    Isabel

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  6. Olá Jacqueline

    Bem vinda de novo ao meu blog.

    Claro que ofereço um penico, porque não!
    Há tempos comprei 2 pratinhos assinados e logo ofereci um deles a um amigo virtual por aqui conhecido neste mundo de velharias e ele tinha para mim um lindíssimo prato de faiança de Coimbra da minha terra.
    Estou de saída para o Algarve uma semana.

    Houve um anónimo dito antiquário que aproveitando a dica da sua dádiva se intrometeu deixando um comentário deselegante a meu ver por ser inapropriado, que eliminei.

    Assim solicito que alguma coisa que queira falar comigo privilegie o email que deixei no 1º comentário, caso não encontre enviarei novamente.

    Julguei que poderia morar mais perto...Lisboa.
    Em agosto vou passar uns dias ao norte. Tenho um amigo em Torre de Moncorvo onde também quero ir, depois combinamos se é oportuno.

    Fique bem

    Beijos
    Isabel

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  7. Ola Maria como está?

    Espero que bem.

    A senhora dos penicos =) Tenho mais 2 do mesmo formato daquele que tenho no meu blog da lusitania, mas com motivo diferente. Tenho que postar para a Maria espreitar.


    Um abraço

    Flávio Teixeira

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