Faiança espanhola variada e dúvidas ...

Ao entrar na 1ª feira do ano em Oeiras, no chão estava este prato, obviamente sujo, ao olhar para ele, algo me chamou a atenção.Centro,esmalte lácteo, sabia que tinha outro assim, ao pedir para ver o verso, senti que o vidrado era o mesmo.Dei a volta à feira, tive de o comprar.
Para a sua catalogação - Agradeço os comentários:1º da Maria Paula que tendo um livro da fábrica do Juncal gentilmente escreveu que pelo que lera não lhe parecia terem lá sido fabricados.
Quis a clarividência fazer-me enxergar!
Hoje ao abrir o blog deparo-me com o comentário da Marília, muito gentil, dignou-se enviar a foto do prato azul a um amigo entendido que afirma poder tratar-se de faiança espanhola de Talavera de La Reina.

Porém veio-me à baila uma conversa que na mesma feira tive com outro vendedor com um prato que me chamou a atenção por ser muito idêntico ao que tinha visto na entrada, tons castanhos escuros disse-me que era espanhol, Talavera. Confesso que desconhecia faiança.Passei a identificar, não volto a enganar-me.A decoração de Talavera é vegetalista e zoómorfica - pintura com animais - geralmente a pintura distribui-se por reservas.
Prato com esmalte láteo com pintura manual. Não se trata de "transfer-print" ("estampagem").Desenho avulso, quadriculado ao longo da aba em reservas compartilhado com rendas, flores,folhas e com um animal (pavão) ao centro. 
Tardoz  sem frete de esmalte liso assinado com as iniciais  B.A.F. 

Pode ser fabrico de Talavera ou Coimbra quando um oleiro se deslocou para a cidade.
Foi para um casal mui enamorado e  mui simpático.
Oferecia-a à Lena na feira das Caldas da Felgueira. Encontrei esta tacinha na feira da ladra. Gostei do azul e do motivo decorativo que me transportou para loiça espanhola pelo pássaro ao centro envolto em flores e reservas na aba e no tardoz da aba. Cerâmica nota-se o escorrido do vidrado.  Suspeita tratar-se de réplica do séc XVII da fábrica da Viúva A. Oliveira de Coimbra (?), porém havia o hábito de assinarem as peças, no caso o azul acho-o mais forte . Gostei de aqui a incluir .
 
Outro bonito prato de esmalte láteo com reservas e flor ao centro em monocromia azul.
O mesmo  na atribuição a fabrico espanhol (?), sendo as tonalidades diferentes e um com frete e outro não (?)
Com a ajuda preciosa de um leitor - Jorge Gonçalves afortunado que recebeu de herança de uma avó algumas peças de faiança espanhola e no interesse em a catalogar por ser azul encontrou um site de leilões um prato idêntico a este com as mesmas iniciais na aba do tardoz gravada que dita ser produção do século XIX em MANIZES junto a Valência com o valor estimativo de 200€ .

Deixo aqui o endereço do Museu que o mesmo me indicou   http://www.manises.es/manisesPublic/museo

Houve outros centros oleiros em Espanha de cariz importante tais como:


Faiança de Talavera de La Reina

 http://montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.pt/2011/01/ceramica-espanhola-talavera-de-la-reina.html


Faiança de Alcora - Valência


                                      Bacia degolada século XVIII? Palácio da Pena


Faiança de La Amistad Cartajena 
http://www.ceramicadecartagena.blogspot.pt/
 
Faiança de Triana em Sevilha 
Catalogo do Museu Cargaleiro em Castelo Branco
                                    Faianças da fábrica Pickman Sa Sevilha - La Cartuja
Pires e chávena assinada
Taça não marcada mas de proveniência espanhola na banca do A. Bacalhau pode ser Pickman Sa Zevilha  ou Puente del Arzobispo na Catalunha (?)

FALAUZA DE GRANADA
Pela frente a flor do morangueiro em azul, no tardoz assinado
V.C. Espanha - VALÊNCIA - comprei este prato na feira da ladra 

E,...outros centros oleiros a descobrir!
Agradeço especialmente à Maria Paula, Marília e Jorge Gonçalves do norte -  a ajuda preciosa para identificar estas peças. Fi-lo agora mais consciente. Fiquei contente
Bem hajam a todos pelas ajudas
Uma coisa é certa - atendendo ao formato do tardoz -  para  mim os dois pratos saíram da mesma olaria ou não(?).
Continua a pesquisa!

Comentários

  1. Olá Maria Isabel,
    Então comprou a obra "Cerâmica Portuguesa" de José Queirós? Bela aquisição, sem dúvida!
    Eu já o consultei várias vezes em bibliotecas mas só tenho em casa uma edição com as marcas de cerâmica, feita a partir desse livro.
    As sua peças são realmente bonitas, acho até q gosto mais da última q comprou, as cores, os motivos são muito atraentes, mas confesso-me incapaz de atribuir data ou fabrico. Estava à espera q aparecesse aqui alguém a dar alguma pista, mas realmente esta área da faiança portuguesa está ainda muito por desbravar...
    Arranje um sítio condigno para as expor em sua casa e desfrute dessas duas belezas... e entretanto, pode ser q apareça algum dado novo.
    Beijinhos
    Maria Andrade

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  2. Olá Maria Andrade. Obrigada pelo seu comentário.
    é como diz, não existe muito sobre a faiança antiga, a que confesso mais admiro.O livro é sem dúvida uma preciosa ajuda. No entanto só fala de uma parte da cerâmica. Eu que como sabe não sou muito dada a livros, fiquei decepcionada. Esperava uma maior abordagem.
    A minha teimosia e persistência há-de colher frutos, ainda hoje vi num leilão um prato muito semelhante ao último adquirido mas espanhol.Pena que não consigo copia-lo e postar aqui para se comparar.
    Hoje o Luís no post anterior de loiça inglesa, alvitrou que a travessa de cavalinho em amarelo deveria ser das Caldas. Averiguei melhor o carimbo e cheguei à conclusão ser da Corticeira do Porto. Respondi, ele mui gentil enviou-me um prato com o mesmo motivo e marca semelhante. Retirei-o do post. Esta bivalência na troca gratuita de informação é um prazer. Sinto-me honrada por tanto aqui ter aprendido e desta forma as minhas peças vão-se catalogando
    Beijos
    Isabel

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  3. Cara Isa
    Mais um belo prato para a sua colecção.
    Quanto à sua origem, quem sou eu para opinar sobre estes assuntos, mas mesmo assim, e porque estamos entre amigos que sei que prezam todos os contributos,conto-lhe o seguinte:
    Por altura do Natal,em plena azáfama do compra, compra, dou com um livro sobre a faiança do Juncal, (faiança de que eu nunca tinha ouvido falar) e como estava muito barato e eu muito curiosa, comprei-o.É um livro profusamente ilustrado e escrito de forma clara.
    É então este livro, a minha única fonte de conhecimento, sobre a faiança em questão e que fundamenta aquilo que vou dizer.
    O seu lindo prato,parece não encaixar no tipo de peças apresentadas no livro. As peças mostradas,em vidrado branco, são todas de decoração muito simples,maioritariamente decoradas a uma só cor, ,que sugerem a utilização de pincéis muito finos onde o morado que a Isa refere predomina. Depois, estão lá todas as outras características a que a Isa também faz referência.
    Estas peças não marcadas,constituem um mistério e para os seus amantes será sempre um desafio tentar resolvê-los.
    Beijinhos e boa semana, que sem darmos por ela já está quase no fim :)
    Maria Paula

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  4. Esqueci-me de colocar as referências do livro.
    Aí estão elas.

    A Faiança da Real Fábrica do Juncal, de Jorge Pereira de Sampaio.- Lisboa: Estar Editora, 2000

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  5. Obrigada Maria Paula pelo seu comentário.
    Excelente ter adquirido o livro sobre a Real Fábrica do Juncal. Sei do que fala, aliás no Museu de Arte Antiga o espólio do Juncal só têm peças pintadas com a cor proveniente dos seixos predominantes da região que lhe conferem essa tonalidade também chamada cor de vinho escura.
    Insisti no tema porque:
    Como escrevi, na reforma pombalina foi um artista de Coimbra para lá trabalhar, o que naturalmente o capacitou a pintar do mesmo jeito que estaria habituado no Terreiro da Erva. Também pelo vidrado lácteo do centro.Em Coimbra não é característico, talvez do Juncal onde o caulino seja mais puro.
    Quanto às peças que o livro que tem mostra, também vi algumas expostas no Museu serão quanto a mim da 1ª fase de laboração da fábrica.
    Estas que falo serão após as invasões francesas na 1ª metade do século XVIII a partir de 1811, 2º o livro que tenho de José Queiroz existe um prato assinado com esta data.Refere o mesmo autor que se pintou só em azul e raramente em cores.
    O que nenhum de nós ainda porventura viu foi nenhuma peça do Juncal policromada, só mesmo as pintadas a cor de vinho escuro.
    Estas pesquisas são um tremendo desafio
    apaixonante até se encontrar o fio à meada.
    No 1º impacto os dois pratos tem tudo para terem saído de uma olaria de Coimbra.
    Interessante estas delongas, havemos de chegar lá.
    Obviamente que simpatizaria muito mais se soubesse que as minhas peças eram pertença de Coimbra a minha terra e não do Juncal. Coisa de gostos, apenas.
    Bem haja pela gentileza em descrever o que relata o livro que adquiriu.
    Beijos
    Isabel

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  6. Ola querida, ca estou eu depassagem apressada...
    Olha eu tomei a liberdade de enviar as fotos do teu prato azul a um colega meu, alguem com muitos conhecimentos nesta area e ele de imediato me respondeu da seguinte forma - "O que te posso dizer é que este prato é garantida mente Espanhol e provavelmente
    a marca que tem pode ser uma das muitas marcas mais antigas da fábrica de Talavera de La Reina".
    E pronto cá fica o que consegui, espero que tenha conseguido ajudar, para mim, conhecendo a fonte como conheço diria que estará muito proximo da verdade...mas agora falta agarrar nestes novos dados e ir à procura pela net de algo mais...e minha querida deixo isso para ti porque o meu tempo é escasso...eu até ja dei uma voltinha mas não cheguei a encontrar nada de jeito.
    Beijinho amiga
    Marília Marques

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  7. Obrigada Marília pelo teu comentário
    Foste muito gentil em solicitar ajuda num amigo entendido em faianças
    Bem hajas pela informação. Já alterei o post, estava cega, queria que fosse o Fonseca de Coimbra que os tivesse pintado...Assim vou catalogando as peças com a vossa preciosa ajuda
    Beijinhos querida
    Isabel

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  8. Minha querida, nao tens que agradecer, eu gosto desta partilha de informação, faço o que posso e o que está ao meu alcance.
    Minha amiga, vou ter novidades, aduiro ontem umas coisinhas na net que estou ansiosa por mostrar....na proxima semana ja devo ter as peças cá em casa para as mostrar....ai ai, se eu não estiver enganada...são lindas querida e tambem vais gostar...
    Beijinho
    Marília Marques

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  9. Bem, voltei! Reli o meu comentario anterior, tenho por aí uns erros mas toda a gente entende do que se trata...para a próxima sai mais perfeitinho.
    Mas o que eu queria mesmo ressalvar era a "inveja" (positiva claro :-) ) que senti quando li o post refeito e te vi a falar do passeio com a filhota na Feira da Ladra hoje!!! Ai que inveja....e eu aqui a trabalhar!!! Eu mereço.....!!!! :-(
    Beijinho minha querida
    Marília Marques

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  10. Querida Marília, obrigadaaaaaaaaaaa
    és uma querida, mesmo. Ansiosa estou para ver as tuas peças
    a toca de mostra-las já
    Beijos
    Isabel

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  11. Cara Isabel

    De facto, o prato não parece de todo do Juncal, que tem uma decoração miúdinha muito característica, feita com pontinhos.

    A Marília é capaz de ter razão e ser Talavera.

    Beijos

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  12. Olá Luís. Obrigado pelo seu comentário.
    Por isso alterei o post.
    beijos
    Isabel

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