Faiança atribuída a Coimbra (?)

Adorei-o quando o vi na feira da Costa de Caparica.O vendedor nosso conhecido demorou tempo para me dar o preço -, percebi que o acabara de comprar a um colega na mesma feira, quis ganhar dinheiro connosco, caro e mal estimado.
A fábrica do Juncal encerrou com as invasões francesas e nessa altura ainda não se usava a estampilha, apesar de num livro da especialidade de Jorge Sampaio  ter visto uma peça estampilhada o que pode dizer se produziram algumas.A cor amora muito visível no filete do rebordo e as contas à sua volta  e o centro do prato são pintura manual e tem muita semelhança com loiça do Juncal. O José Reis vindo de Coimbra para Alcobaça em 1875 fabricou muita loiça que se confunde com a de Coimbra.
O chamado prato de casamento, fabrico finais do século XIX em esmalte cor de grão decorado ao centro, e na aba,  a estampa em castanho escuro tipo borra de vinho. No rebordo círculo de contas com debruo a filete cor de amora. A cor castanha da estampa e das contas de intenso brilho cor amora faz saltar dúvidas  Alcobaça ou Coimbra? 
Aqui está uma boa pergunta? 
Sem marca, possivelmente fabrico de Coimbra(?).Finais do século XIX inicio de XX(?)
Tigela do crescente de talhar a broa em redondo.Comprei-a na feira da Figueira da Foz.
Faz parte das minhas recordações, de ver as mulheres com elas nas mãos com massa levedada, para fazer a broa.Esta muita antiga, em faiança nota-se pelo verso a forma como foi feita, não é em redondo como seria suposto ser, foi talhada a cana.Peça côncava ornado no limite do fundo por duplo filete em castanho e no limite do bordo da aba igual.
Naquele dia havia outra na feira, decorada com frisos em azul, de morrer, nunca tinha visto igual, mas e o preço? fiquei-me por esta, mais vale uma que nenhuma!
Sem marca possível fabrico de Coimbra (?).Finais do século XIX(?)
Palangana comprada na feira de Paço d'Arcos em barro vermelho, nota-se pelas esbeiçadelas. Apresenta o covo acentuado com aba levemente côncava. Decoração em estampa - pássaros e flores na aba ornada por duplo filete castanho ao meio do centro e no rebordo da aba. Serviam para  fazer o requeijão .
Possivelmente fabrico do inicio do século XX de Coimbra (?).
Barro vermelho(Coimbra)
Outra palangana comprei-a na feira de Azeitão. Veio de Oliveira do Hospital onde a sua mãe fazia o requeijão.Impecável, de covo acentuado com aba levemente côncava ornada com raminhos de cerejas , ao meio do centro filete amarelo ocre e no limite do bordo igual. Fabrico início do  século XX. 
Sem marca possível atribuição a Coimbra, pela textura, decoração a cerejas e filetes em ocre  (?). Anos 20/40( ?).
Alguidar  pertence seguramente à última fase"da loiça ratinho" fabricada no século XX.O verso é bem característico.Este formato afunilado é raro aparecer, das minhas preferidas.Havia uma muito parecida na casa da avó Rosa do meu marido, que a irmã...
Irresistível foi compra-la apesar de cara na feira de Paço d'Arcos . 
  • Dizia o vendedor "era de Nisa vi -me aflito para a velhota a tirar da chaminé" quando perguntei o porquê, respondeu-me "os filhos não querem que ela venda nada"...mais tarde soube que contava a mesma história a outros...
Duplo filete em castanho a ornar o meio do fundo e aba com estampilha em motivos florais na policromia manganês, azul e amarelo e filete castanho no limite do bordo.
Sem marca possível atribuição a Coimbra , fabrico inicio século XX (?).
Bacia "Ratinho" pintada à mão meados século XIX comprei-a em Paço d'Arcos. Ao centro pétalas em remoinho em azul claro ornada de traços que se entrelaçam em amarelo ocre e entre eles pingos de verde cobalto. A aba decorada por borrões pequenos em maganês tipo borra de vinho com filamentos em azul, amarelo e verde cobre com debruo da bacia por filete em manganês.
Sem marca, finais século XIX inicio de XX, fabrico de Coimbra .
Bacia que comprei-a na feira-da-ladra do principio século XX, o verso é muito grosseiro e a textura da massa também.Esmalte cor de grão com estampagem  de ramos de flores na aba em azul com duplo filete em castanho ao meio do limite do covo e um no rebordo.
Sem marca,  fabrico meados século XX de Coimbra (?) .

Alguidar minúsculo branco com filete no limite do bojo e no rebordo duplo, sendo um mais grosso e outro mais fino.Esmalte branco e aba do rebordo deitada. 
Fabrico meados século XX. Sem marca possível fabrico de Coimbra.

Comentários

  1. Todos lindos!
    Lindos um a um!
    Tem um verdadeiro tesouro Isa!
    Beijos
    Maria Paula

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  2. Olá Maria Isabel,
    Já tinha visto alguns destes seus pratos em posts anteriores e acho-os todos lindos mas os meus preferidos são o 3º e o 7º. Este deve ser o mais antigo, um verdadeiro ratinho, e não foi nada caro porq é muito invulgar e parece estar impecável. O 3º também me seduz muito com aquelas pombas estampadas, tem um ar rústico e ingénuo, até a cor mais escura lhe fica bem.
    Parabéns pelo conjunto.
    Bjs.
    Maria A.

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  3. Só me esqueci de referir uma coisa, Maria Isabel. A sua tigela do crescente é realmente igual à minha, só a cor das riscas é q é diferente. Mais uma coisa em comum...(LOL)
    Um abraço
    Maria A.

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  4. Ola Maria Isabel, que lindas as suas peças...já tiha visto algumas em posts anteriores mas nunca é demais voltar a admira-las....desde que "a sigo" o meu gosto por faianças tem aumentado ainda mais (até pensei que tal não era possivel), e isso deve-se certamente à beleza das suas peças e ao carinho com que fala delas!

    Beijinho e até breve

    Marília Marques

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  5. Gostei imenso dos seus pratos todos, pois, muitos, pertencem ao tipo de faiança que me lembro de ver na mesa na casa da minha avó ... é sempre um regresso ao passado.
    Quanto à história do vendedor de Nisa que lhe disse que tinha sido um problema para a "velhota o tirar da parede", conheço bem, quer a história quer o vendedor ... usa a mesma história vezes sem conta para tudo o que vende!
    Eu já me rio quando vem a história de que lhe deu um "trabalho dos Diabos" para convencer a velhota para o tirar ... ele esquece-se que já me contou a história com um prato ou outro que me vendeu e volta a repetir-ma! Eu não fico nada incomodado e creio que ele já me olha a rir quando me vem com mesma história ...
    Mas com esta história ele convence muita gente!
    Os meus parabéns pelas peças bonitas.
    Manel

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  6. Obrigado a todos pelos vossos comentários tão enternecedores.
    Que dizer das palavras do Manel...o tal vendedor, nunca simpatizei com ele, de olhar frio tipo carrancudo e muito careiro, só que me enfeiticei com a palangana e perdi a cabeça...não lhe conhecia ainda as estórias...
    Amei saber

    Beijos a todos
    Isabel

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  7. Bonitos os seus pratos. O meu preferido é o Ratinho, que comprou em Paço de arcos a um preço estupendo.

    O prato com as cerejas, que veio de Oliveira do Hospital faz-me recordar aquele que lhe ofereci com as florinhas. Experimente coloca-los lado a lado e degois diga-me o que achou.

    Abraços

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  8. Luís tem toda a razão, quem sabe se não serão da mesma olaria...são inegavelmente lindos os dois!
    Sabe, neste sábado passado na feira-da-ladra vi uma igual ao que me ofereceu, com as florzinhas mais pequenas e muito mais grosseiro, então o verso era cheio de buraquinhos, enquanto que o meu é de uma elegância superior, que dizer das cores, sabe tenho-o na minha casa de província, porque essa é só minha!
    Indiscutível dizer que são de Coimbra, não há dúvida,eram muitas mais de 10 olarias a fabricar faianças...desde o século XVIII
    Beijos
    Isabel

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  9. todos muito lindos, e adoráveis. mas o prato sopeiro comprado na feira da ladra, azulcom o motivo centralde uma casa e paisagem é algo MUITO especial! adorei. parabéns pela sua incrível coleção, e generosidade em nos deixar apreciá-la.

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