Os meus azulejos

Os meus parcos azulejos decoram inexplicavelmente a minha minúscula casa de banho do r/c da minha casa de província
Gosto de os mirar pendurados em aranhas de metal,em jeito de quadros, acho fascinante... ali naquele escuso espaço sob o comprido, então não a fizeram aproveitando o vão da escadaria para o 1º andar
O que eu tenho de falar, implorar para o meu marido, que não gosta nada de pregar os pregos, a parede é rija como um raio...
Por isso é que ser livre deve ser muito agradável, faz-se o que nos dá na real gana e não se ouve epitáfios de ninguém
Tempo de começar a pensar...ehehehehe
Quanto a este exemplar é de 1640, o vendedor na feira-da_ladra pediu-me 10 €, aí perguntei-lhe pela esposa, apelei aos afectos, disse-me que estava doente, fez-me um desconto, trouxe-o por 5 €
Nesse sábado ao mesmo vendedor também comprei este nas mesmas tonalidades,azul e amarelo, as minhas favoritas, a banca no chão repleta de painéis de todos os séculos, este disse-me que era do século XVIII, custou 5 €
Quanto a este adorei a simplicidade, harmonioso o desenho, também comprado na feira da ladra por 2 €
Bem, quanto a este, desculpem-me, sei que não devia...mas o impulso de o ter foi mais forte!
Um belo dia fui passear à quinta da Fidalga no Seixal, por entre o arvoredo e o tanque que enche consoante a maré, um retiro para lazer decorado a azulejos, no chão alguns partidos, este inteiro...olhei para ele e não resisti, as esbeiçadelas já foram feitas por mim a tentar por-lhe a aranha, é tremendamente grosso
Se a quinta foi do irmão do Vasco da Gama, seguramente é século XVI
Este também o comprei na feira da ladra, nunca tinha visto outro assim igual, como era em tons azuis os meus favoritos,não hesitei em compra-lo por 2€
Sempre gostei de azulejos figurativos, sobretudo com animais
Este será do século XX, uma boa reprodução de anteriores, comprei-o a um velho conhecido vendedor em Setúbal por 5€

Comentários

  1. Isa
    Que bela colecção de azulejos.
    Gosto deles assim, expostos na sua totalidade sem molduras,com as marcas do tempo, a fazerem-nos imaginar como seria a vida nos tempos em que decoraram paredes de palacetes recentes. Que mãos os terão fabricado?quem os encomendou,que tristezas e alegrias terão vivido? Terão os seus primeiros donos gostado do resultado final? É assim que divago, quando olho peças, que para mim, designo como anónimas. Normalmente sabemos o nome de quem as concebeu, mas...e quem as executou?É sobre esses modos de vida, que me gosto de interrogar.
    Beijinhos e bom fim de semana
    Maria Paula

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  2. Cá estou de novo MIsabel
    Depois de apreciar o seu quadro, venho mostrar as minhas preferências quanto aos seus azulejos.
    Qualquer deles é um bom exemplar, mas o primeiro, do séc. XVII,(que inveja!)e o quarto são os meus preferidos. Também gosto muito da composição a azuis do penúltimo e o de figura avulsa do pássaro também é uma graça. Enfim, gosto de todos. Gosto de azulejos, ponto.
    Bjs.
    Maria A.

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  3. Isa
    Entre o escreve e apaga e o desaparecer das mensagens quando as submeto,acabou por não constar no comentário, a minha preferência, que vai para o primeiro. A mim parece-me uma bela maçaroca, ainda no invólucro das seu folhelho. Será?
    Bom domingo
    Maria Paula

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  4. Obrigada a todos pelos v/ comentários
    Temos esta cumplicidade por azulejos
    De facto o primeiro é lindíssimo.
    Beijos
    Isabel

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  5. Ola Isabel, que belos exemplares....gosto de todos mas o meu preferido é o mais simples, o terceiro. Encanta-me a sua simplicidade e elegância.

    Tem um comentario para a Isabel lá no meu Blog, acerca da sua possivel vinda às Tasquinhas...

    Um beijinho

    Marília Marques

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  6. Cara Isabel

    O primeiro azulejo é de facto do século XVII e como a Maria Paula muito bem referiu, apresenta o chamado padrão da maçaroca. É curioso, porque mostrei num dos meus posts um motivo semelhante http://velhariasdoluis.blogspot.com/2010/08/paineis-de-azulejos-no-vimieiro.html.

    Agora, não é como vendedor lhe disse de 1640. Enfim, é impossível datar os azulejos antigos por anos. Normalmente, os museus classificam-nos segundos as metades dos séculos e já é uma sorte conseguirem faze-lo. O terceiro também é certamente do XVII ou talvez de inícios do XVIII, que é quando se começa a fazer tudo em azul e branco.

    Os outros são século XIX ou XX e tb são bonitos, mas o primeiro e o terceiro tem já a poesia das centenas de anos.

    Abraços

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  7. Cara Maria Isabel

    Como estou engripaddo, enganei-me nas contas. Quando me referia ao terceiro, queria dizer o quarto.

    Relativamente ao terceiro é do século XIX, da Viúva Lamego creio eu e esse tipo de Azulejo era conhecido por "bicha da praça"!!!. há muitas variantes desse motivo. .Espreitou por baixo para ver se tem marca?

    Abraço e desculpe a troca, mas quando estou com gripe...

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  8. Obrigado Luís
    As melhoras, beba chazinho quente com limão e mel e enrosque-se nas mantinhas de lã, passa logo
    Eu percebi que se tinha enganado...Fiquei a saber que o padrão é Viúva Lamego o que agradeço, adorei o nome "bicha da praça", achei uma delícia
    Beijos
    Isabel

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  9. Compreendo o prazer e gosto (que eu também partilho), sobre a azulejaria em particular e diversas antiguidades. Mas cumpre-me aqui realçar a importância de não se colaborar (evitando a sua compra) com os delapidadores do património azulejar que deambulam pelas feiras de "antiguidades". Normalmente esses azulejos avulso são arrancados das fachadas de casas, algumas delas centenárias e julgo até que é considerado crime de lesa cultura

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  10. Caro anónimo muito obrigado pela cortesia da sua visita. Aceito na integra o que diz.A polícia é que não faz o seu trabalho, porque na feira da ladra até estão mas a conversar, ou fumar, ou ouvir rádio. Alguém me disse que de madrugada quando aparecem os delapidadores de património a polícia já está no encalço deles. Mas claro há sempre fugas e agora com a recessão até dá dó ver painéis completos e muitos a serem vendidos para o estrangeiro. Mas também há proprietários sem escrúpulos que fazem remodelações e destroem a torto e a direito.Os que comprei mais antigos fiz deles simplesmente quadros, só presos com uma aranha e decoram uma das minhas casas de banho.Se não os tivesse comprado há sempre muita gente a comprar, acredite não ficam tempo nenhum no estaminé, só se pedirem muito. A eficácia é apostar em multas altas e controle nas feiras.
    Bem haja
    Cumprimentos
    Maria Isabel

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